domingo, 29 de maio de 2011

ih!

O pensamento da semana fica por conta do grande economista Ary Toledo:

"Qualquer assalto a banco é sempre uma reciprocidade."

:P

sexta-feira, 27 de maio de 2011

não deixe a Monga morrer, não deixe a Monga acabar

Ser bacaninha e coisa e tal, assim com estas minhas sardas de herança franco-suiça, e esta cara de Luluzinha, tem sido um vetor de novidades organizacionais na minha vida. Enquanto tento me firmar cada vez mais na área de planejamento de carreira de desavisados aparecem oportunidades de ouro, pras quais não consigo dizer não.

Uma instituição precisava de um promoter para alavancar um tradicional evento que reúne determinada categoria profissional bem pomposa, e as coisas andavam em círculos, até que um executivo teve a brilhante idéia de sugerir o meu nome para coordenar a lambança.

Veja só... eu passarei a cuidar do tal do baile. É claro que para isto fiz minhas exigências. Além de uma gorjeta legal, preciso de autonomia na estratégia toda. Ao longo dos anos a atração da noite era João Gilberto, Adriana Calcanhoto... estes artistas pra embalar nenéns. Comigo a festa vai rolar ao som da Alcione.

Se houver quebra-quebra eu digo que é festa grega, e vamo que vamo.

se for falar com a minha mão...

Amanhã to indo fazer a unha numa empresa onde desenvolvo há meses um diagnosticãooooo, daqueles bem peludos.

Na verdade eles não tem nenhum centro de beleza in company. É que diante das minhas considerações, os Diretores preferem responder "isso a gente já sabia"; "este problema já era do nosso conhecimento"; "este aspecto pro qual você sugeriu melhorias não nos espanta"; "o Zézinho da Coordenação já vem desempenhando isto".

Assim sendo, munida da minha simpática desnecessaire, dedicarei a manhã para lixar os cascos, dar um tapa naquele esmalte detonado e hidratar as hands.

Economia, baby.

síndrome da ave australiana

O Carlos Heitor Cony lançou há tempos a célebre pergunta:

"O macaco melhorou ou foi o homem que piorou?"

Grande desafio responder a este questionamento de base antropológica e sensual, muito embora me preocupe mais a condição atual de profissionais melopsittacus undulatus - os populares periquitinhos funcionais.

Gente de grande imponência na fauna corporativa que se submete a comer o farelinho na mão do seu dono, ou melhor, do seu chefe, ou melhor... do seu dono mesmo.

Existe muito executivo sacudindo a franja ao vento, no seu conversível, e mais engaiolado do que um pintassilgo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

super Monguy

A pior coisa que fiz nos últimos dias foi permitir que minha equipe assistisse a uma palestra da pedagoga Cris Poli, a Super Nanny.

Na minha imaginação televisiva, o povo ia voltar com a percepção ampliada quanto as suas relações familiares - sobretudo os que tem filhotes - e absorveriam boas lições de amor com rédeas.

O que me restou foi a tarefa de escutar reinvindicações gestoras pautadas num esquema compatível ao programa dela: "queremos mais atenção, uma supervisão que nos dê limites, e mais afeto".

Eu vou ali comprar toddynho e já venho.

mais grossa que argola de laço

Um grande cara da área de psicologia organizacional estará no Brasil promovendo um encontro seleto, para Diretores ricos e famosos e é ÓBVIO que isso não é evento pro meu bico.

De qualquer forma, mandei um email pro cara, chorando as mágoas, contando que ele é meu muso inspirador, e que eu sou uma executiva-baixo-clero. Foi um momento tiete, aquela coisa super madura que todo profissional faz. Tá.

Aí recebi um telefonema. "Hi, I am fulano. And I quero conhecer seu trabalho!"

Você pode imaginar como eu reagi, né?

Pensei que fosse trote e mandei o cara a merda. Em inglês - o que não atenua nada, claro.

voyeur corporativa

Depois de muitos anos descobri que tenho um talento especial para reunir talentos.

Consigo conduzir parcerias, apresentar contatos que tenham parecência entre si, ser ponte para muitos colegas que nunca se viram e se descobrem almas gêmeas nos negócios. Por minha causa há projetos unindo uma empresa de Bagé com uma de Bogotá. Uma escola de Nova Andradina com um consultor de Nova Iorque. O estudante da esquina, com o projeto na zona norte, do outro lado da cidade.

Acho que isso não tem a ver com generosidade. Este é um compromisso de carreira, é uma disposição social. Quase como um sacerdócio ideológico. Se alguém me pergunta o que ganho com isso, sempre respondo:

"Eu não ganho nada. E ganho absolutamente tudo."

benditos os que esticam os braços

Muita gente se gaba de ser um chefe que 'não joga na cara' a ajuda que promove ao funcionário necessitado; aquele colaborador lá que perdeu um ente querido, que tá apertado de grana, que tá precisando de cuidados individuais...

Tudo bem... o chefe não joga na cara mas joga na alma.

Usa da fragilidade circunstancial para colocar a tal da bola de ferro invisível presa à canela, disfarçada sob o pseudônimo de gratidão. Nenhuma atitude que vá ao encontro da necessidade humana mais profunda pode ser revertida como moeda de negociação institucional.

Reconhecimento é a colheita natural da fraternidade. Ajudou? Sinta-se feliz por esta oportunidade. Eu não acredito em grandes líderes com corações nanicos.

crime & castigo

Existem duas coisas na vida cujo efeito punitivo é ZERO:

- prisão domiciliar;

- greve de chefes.

pastel só com recheio

Adaptar serviços demasiadamente pode parecer um gesto de vanguarda administrativa, mas as vezes isso não significa adequação propriamente dita.

Alguns elementos que compõem certos conceitos de mercado, quando alterados, promovem a descaracterização total daquilo que se vende. Imagine pedir um x-salada no melhor pé-sujo da cidade. A personalização do pedido inclui "com tomate" ou "sem tomate". "Com molho da tia chica" ou "sem molho da tia chica". Agora... pedir x-salada sem PÃO, é outro troço.

Então não dá pra criar um sistema informatizado que funcione sem computador. Ou um programa de gestão de pessoas, sem pessoas.

Sinto muito.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

alucinações organizacionais

Eu sofro de um transtorno muito grave, chamado de 'pumpkin-over-view', ou, em português curto: eu visualizo a abobrinha.

Se alguém me fala que a fulana ta "descascando um abacaxi", eu projeto na minha cabeça a pessoa em questão, de terninho, na sua sala, com o abacaxi (literalmente) no colo, minuciosamente a ser dissecado. As vezes também consigo enxergar mentalmente alguma pessoa 'embananada' e a ilustração não é muito agradável.

Tomo muito cuidado com isso. Durante uma reunião já me peguei viajando léguas só porque o executivo falou que 'o projeto ia pegar fogo'.

tem diazepan pra todos, eeeeee!

O empreendedoidismo anda à solta.

Se eu sofresse da direta influência hereditária, teria convertido as moedas do meu cofre em algum investimento da moda. Coaching para noivas inseguras. Decoração de lápides. Cupcakes meramente decorativos. Palestras sobre feminismo contemporâneo.

(Não são metáforas imbecis. São dados de minha última pesquisa de mercado.)

na linha dos 10 metros

Quando a gente tem Diretores na empresa que sofrem de analfabetismo digital, não tem jeito. É preciso fazer com que o camarada engula o orgulho junto com os brioches e procure um centro de formação de sobrevivência (leia-se aulinha de informática - sim eu sou deste tempo).

A última da querida Psicóloga-Chefa que trabalha comigo foi traumatizante - para a equipe inteira.

Como ela estava próxima a um centro comercial, pedimos que ela nos trouxesse um 'hub'. Um h-u-b.

Depois de duas horas ela telefonou:

"Olha... ta foda do pessoal das lojas entender porque eu quero comprar um 'rugby'".

ponha na função e faça o sinal da cruz

Não que eu seja puritana com relação aos sistemas de admissão nas grandes, médias e mini empresinhas que existem por aí, mas sei lá... ainda sou tapada diante de determinadas coisas.

Tapada com "T" maiúsculo.

Tinha estranhado a diversidade de perfis em determinada companhia, percebido um desnível cultural, mental, performático, cognitivo e não me contive; perguntei pro Gestor de Recursos Humanos: "qual o critério para fazer parte da equipe? quais os parâmetros medianos?"

Ele: "Aqui é uma empresa que sofre influências político-partidárias. Então o critério para que o candidato preencha a vaga é o EPP."

EPP? Aí ele me iluminou - "Sim, EPP! É-pra-por."

terça-feira, 24 de maio de 2011

castanha & cajú corporation

Quase todos os profissionais de comunicação ligados à publicidade me detestam, e olha que eu manifesto sem qualquer ironia o meu enorme apreço e respeito à categoria.

Uma de minhas maiores broncas é com relação à composição de slogans corporativos e campanhas de efeito sintético-descartável. Trocando em miúdos: eu não gosto de rimas. Taí um trem pra me desaninar: "Compre na loja Chafariz porque aqui tem gente feliz!". "Seu angú tem caroço? Consultoria do Bom Moço!"

Trabalho de publicitário é fundamental. O resto dá pra deixar prum repentista.

"documentos? só tenho instrumentos..."

Um dia vou entender a necessidade de formalização para determinadas atuações. Durante uma reunião com um grupo de especialistas em programas de isonomia, depois de muitos anos afastada destes preciosos parâmetros de muitos códigos e poucos decoros, fiquei ali com cara de baiacú pescado.

O profissional que conduz o processo de certificação recebe uma série de orientações que precisam ser avaliadas para que a avaliação possa ser autenticada e depois amadurecida para uma certificação global cujo intuito é certificar definitivamente a partir daquilo que o primeiro aferiu.

Entendeu? Não?

Pois então. Enquanto isso eu fui tomar café com a Dona Suzi, que é a senhora do cafezinho que cuida de um marido cego e me sorri com a disposição de quem já está mais do que certificada quanto ao que importa nesta vidinha meio-meio: descomplicar!

quiromancia corporativa??

Nunca me importei de dar dicas profissionais pois enxergo isto como um benefício livre e comunitário que meu ofício implicitamente impõe.

Daí que algumas pessoas exageram quanto a minha (pseudo) capacidade adivinhatória.

"Monga, meu projeto vai dar certo?" "Monga, eu vou enriquecer?" "Monga, o mercado vai apresentar novidades?"

Pra estas e outras dúvidas importantes, recomendo uma profissional com mais experiência e com reputação específica: cigana Esmeralda. Banca na feira, e consultas por 20 pilas.

fale de rosas

Manifesto aqui o meu desejo de uma campanha eficiente em prol do desarmamento. Eu que nunca fui vítima de assalto, bala perdida e achada, me sinto cada vez mais atingida pela violência comunicacional.

No trato com as pessoas, o gatilho que mais dispara é o da falta de educação. Antes mesmo de qualquer tentativa de conciliação diante das adversidades diárias, as metralhadoras da maledissência não cessam um só instante.

Quero ver ruas e empresas protegidas desta artilharia pesada e quero menos coronhadas na minha sensibilidade.

com picles e mostarda

Quem me vê postando a uma hora dessas deve supor que minha jornada anda leve e que minha ausência recorrente do blog se deve a alguma inapetência verbal.

Não não não.

O volume de trabalho, se convertido em milhas, seria capaz de dar umas belas voltas ao mundo.

Tudo bem. Reclamar é o último recurso dos ingratos.

"Eu amo muito todo o trampo".

sábado, 21 de maio de 2011

her middle name is mistery

Um grupo de empresários da cidade se consorciou para desenvolver um projeto ligado à formação de líderes. O mais influente, que certamente entrará com a substancial (e maior) cota de investimento, não quer aparecer.

Por indicação dos seus advogados, retirou seu perfil do facebook, do tuíter, e já não desfila em carro aberto.

Baseada nesta postura, dei-lhe um apelido:

"Noiva do Neymar".

:P

passa, tempo, tic tac

O sucesso de amanhã vem pelo contrato que a gente assina hoje.

Em muitos momentos há um roedor de paciência que diminui nosso tempo disponível pra tal da 'espera'. Não é simples entender a dinâmica de oportunidades e êxito nos negócios, mas andar de bicicleta a gente aprende p-e-d-a-l-a-n-d-o.

Entendo bastante de demoras compensadoras. Todo o esforço para erguer minha estima e minha realização profissional exigiu um diálogo muito íntimo com o Senhor Tempo.

E o cara nunca me deixou na mão.

uns três ou quatro torrõezinhos

Sabe executiva criada assistindo aos desenhos do Pernalonga?

Num dos episódios clássicos o bicho levava umas lambadas na moleira quando pedia mais açúcar no café. E não era qualquer açúcar, eram aquelas pedrinhas compactas as quais eu chamava na infância de "quadrado doce, vó!".

Deve ser por esta nódoa incosciente que eu taquei as pedrinhas da decoração dos vasinhos de flores da agência de turismo dentro da minha xícara de café e fiquei mexendo...

Depois de uns instantes, com comiseração explícita, a atendente falou:

"Né por nada, moça, mas o açúcar daqui é mascavo e fica lá naquele pote..."

Quá quá quá.

ê baianada boa...

Não sei quem foi o mentecapto que um dia falou que os baianos são preguiçosos. A preguiça é condição geográfica? Não. Cultural? Pode ser, mas o fato é que os baianos são disponíveis.

Nos últimos dias tenho tido a sorte e honra de ser atendida por baianos. No posto de gasolina, no supermercado, na farmácia.

A disponibilidade de que falo não tem a ver com mais proatividade ou destaque técnico na função. É uma que vai de uma orelha à outra.

Nunca vi tantos sorrisos e tanta alegria no trato com o cliente.

valeu, Lucas!

Recebi a dica de um amigão a respeito de uma dinâmica de grupo propícia pro meu curso de segunda-feira. Adorei a sugestão que ele enviou, em cada mínimo detalhe.

Primeiro porque poderei exercitar alternativas para as minhas já manjadas abordagens. Segundo porque economizou um tempo na arquitetura dos meus conteúdos e terceiro (e não menos importante) porque poderei avaliar o grau de entendimento acerca de solidariedade, visão de equipe e critérios de análise que repousam lá no âmago daqueles seresumanus que estarão comigo.

Pode ser que a prática não surta um efeito digno de registro, mas na pior das hipóteses... diversão garantida.

"ah / quê isso / ela está descontrolada"

De uns tempos pra cá eu adquiri uma compulsão, uma espécie de tourette chegado tardiamente.

Não posso ver controle remoto de ar-condicionado durante as reuniões que trato de me apropriar deste objeto tão útil quanto inútil em dados momentos.

Talvez como forma de me vingar de assuntos indesejados, gestores caquéticos e pautas rançosas, me ponho a alterar o "clima".

O papo tá morno? vamos aqueceeeeeeer. Resfriou o ânimo? Bora esquentaaaar a chapa, mermão.

Não que seja algo consciente e deliberado, mas as variantes de temperatura reforçam minha tese particular de que não há nada melhor pra agitar meia dúzia de Diretores lambões do que um desconforto ambiental.

terrenos vastos, explorados com carinho

A secretária de um executivão que conheço interrompeu uma de minhas impossíveis reuniões de negócios na semana passada para pedir ajuda. Ao telefone parecia estar diante de algo muito complexo - talvez uma atividade na qual eu pudesse ajudá-la.

Marcamos um encontro. Em 10 minutos entendi o motivo que a trazia para meu miserável mundo de opiniões: ela está apaixonada pelo chefe.

Onde entra meu papel profissional? Por que afinal uma pessoa com quem eu tenho encontros sempre pontuais e formais, me elegeu para conselheira amorosa?

Fácil. Pelo conteúdo agregado e invisível que esparramos muitas vezes sem sacar: confiabilidade.

Falei minhas dúzias de baboseiras, mas cumpri meu papel. Em terra corporativa de cegos, quem tem olhos, e sobretudo OUVIDOS, vai além da função - ainda bem!

primavera nos dentes

Lendo o blog da amiga Giorgia Sena (coisasbobas.blogspot.com) tive uma dose generosa de motivação e um brinde-bônus de saudosismo, com a referência que ela fez à belíssima canção da banda Secos & Molhados (uma de minhas preferidas de todos os tempos):

Quem tem consciência pra se ter coragem
Quem tem a força de saber que existe
E no centro da própria engrenagem
Inventa a contra mola que resiste

Quem não vacila mesmo derrotado
Quem já perdido nunca desespera
E envolto em tempestade decepado
Entre os dentes segura a primavera...

(Eu seguro todas as minhas boas estações com os dentes... e você?)

pedra, papel ou tesoura?

Parece que alguns profissionais se sentem acima da média de resultados, e vez ou outra eu ouço:

"Sim, estou muito bem na carreira! Tanto que até escolho os projetos que me interessam!"

Sabe... escolher é um mecanismo recorrente na nossa estrada. Escolher faz parte de qualquer situação organizacional em que estejamos. O ato de escolher não significa mais ou menos sucesso, mesmo quando interpretado como um status seletivo.

Se no posto onde estamos permanecemos satisfeitos com as minguadas chances, esta também é uma escolha. Se aceitamos com unhas, dentes e suor os desafios, também é uma escolha. Se aceitamos que alguém pense por nós, é uma escolha. Se trocamos de profissão aos 45 anos, também escolhemos... e se escolhemos a não apropriação do nosso próprio destino, não há quem negue, que também é uma escolha.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

primas da Juma Marruá

Na próxima segunda-feira inauguro uma série de ações corporativas super relevantes. Eu vou capacitar modelos de uma agência, que estão em situação de calamidade comportamental. Do tipo sentar de pernas escancaradas e mastigar chicletes na hora de dar entrevista.

Pensou na cena, né? Uma Monga toda mal estruturada, sofrendo de rachaduras fashions bem visíveis, ensinando as moças sobre condução de carreira.

Vai ser no mínimo o encontro do Louboutin com a Chiquinha feirante.

blitz de valores

A diferença entre fama e reputação é que a primeira diz respeito a parte mais rasa de sua profissão. Pode ser construída e reconstruída com o mesmo talão de cheques com que você paga a sacoleira da sua rua, em 20 vezes sem juros.

A segunda é a faísca que chamusca a sua imagem diante do menor escorregão. É a parte complexa, feita de carne, osso, suor e noites sem dormir.

Profissionais famosos tendem a esquecer o valor da reputação. Profissionais reputados, tendem a não ligar pra fama.

bate-bola do mal

Falando em futebol, na semana passada recebi a Diretora de um complexo editorial interessada em firmar um contrato grandão com um de meus clientes.

Por se tratar de uma executiva cheia dos bons modos, ela tratou de perguntar se eu tinha alguma recomendação específica a fim de evitar as conhecidas gafes corporativas. Aproveitei a ocasião para me vingar do cliente flamenguista:

"Olha, fulana... o Dr. XYZ é gremista roxo, e bastante simpático ao Fluminense.... acho de bom tom você corroborar o apreço a estes times durante as reuniões, até mesmo para criar um clima de amenidades..."

(Bad bad bad Monga. Very bad).

futebol e Bin Laden a gente não comenta

Com a morte do Grêmio meu trânsito em algumas empresas ficou impossível.

Basta colocar o pé no saguão que começa o festival de piadas. Nestas horas eu cogito carregar uma camiseta do Rubio Ñu, melhor time para proteção emergencial ao egos massacrados.

(Porque com time paraguaio a gente não sofre, nem por antecipação.)

nem tanto ao céu nem tanto ao mar

Ser profissional é uma condição jamais adquirida pela formalização técnica.

Conheço muitos experts amadores. Gente com suficiente conhecimento internalizado com o depósito de seus glúteos nas cadeiras de renomadas universidades - mas que estão cada dia mais distantes do título de 'profissional'. São inertes diante da demanda fundamental da empresa, são sindrômicos da preguiça e muito mal localizados no mapa de suas carreiras.

Por sorte, conheço muitos amadores pra lá de profissionais. Mão-de-obra forjada na realidade organizacional; pessoas cumpridoras de prazos, dignas no trato com a equipe e envolvidas até o talo com os princípios institucionais.

ta bom, você é um mala!

Nem sempre um elogio consegue imprimir no interlocutor o efeito que a gente deseja.

No meu caso, penso que uma vida melhor em termos comportamentais se constrói fortalecendo aquilo que os seres humanos tem de mais agradável, de forma direta e reta, explorando a clara valorização dos dotes profissionais.

"Você é um economista muito inteligente!" - falei pro Diretor da empresa.

Ele: " E você está muito cega pra me achar inteligente!"

"Não... que isso... você é sim! Faz juz ao projeto genial que implantou!" - insisti.

Ele: "Já te falei que não sou inteligente! Chega de falar isso!"

(...)

contrariando a Adidas

É sempre muito fácil falar de superação de limites organizacionais e limites íntimos para resultados eficientes quando se tem salarião, sala com ar-condicionado que funciona, colegas poliglotas e educados na Aliança Francesa, e motorista particular.

Na vida corporativa real o buraco, além de mais denso, é mais TENso.

Podemos acreditar no sucesso fulltime, mas as vezes ele nos abandona. Erra-se mesmo, dá-se com os burros n'água mesmo, comete-se mancadas mesmo. E se bobear a gente ainda aprende que determinadas coisas já nasceram com a intenção de dar errado, para que se ganhe o prazer de rir da confusão.

Então, se impossible is nothing, não há nada pra reclamar.

domingo, 15 de maio de 2011

é peixe

Primeira reunião desta segunda é com o responsável por uma autarquia importante; um cara muito antipático, monossilábico e indisposto à gentilezas.

Mas.... ele é santista rôxo.

Não que isso altere deliberadamente o humor de algum líder, mas modifica totalmente o meu espírito pândego-futebolístico.

#mongaesperta.

born to be happy

No filme "Fame", do genial Alan Parker há uma cena que nunca me saiu da memória, em que o pai do garotão talentoso põe suas músicas para tocar no carro a um volume audível pelos próximos 25 quarteirões. "Este é o meu filho!" "Esta é a música do meu garoto!".

Acho que foi a alegoria de orgulho e incentivo mais bonita que o cinema promoveu.

Pra quem tem filhos mergulhados nos mais distintos universos profissionais qualquer atitude pública de reconhecimento faz muita diferença. Sim, tem que ser pública! Não pode se limitar à sala da tia Candinha ou aos almoços na casa dos avós. Tem que por 'a canção pra tocar'. Bem alto!

Filho brilhante sempre tem adubo especial, ainda que a colheita demore.

escola João Kleber

A nova onda executiva que paira nos ambientes é a promoção dos testes de fidelidade.

Na minha época este tipo de baixaria sem respaldo científico-comportamental era uma ferramenta rasa de certos programas de televisão, limitante ao chifrômetro individual. Nesta versão organizacional, alguns gestores submetem a sua própria equipe a um assédio fictício, de uma empresa igualmente fake, a fim de analisar o índice de satisfação do pessoal, e quem, efetivamente pularia o muro por conta de alguns trocados ou vantagens prometidas.

Fico pensando se o cara que executa este tipo de manobra teria condições de avaliar a conduta de sua esposa diante de alguns chamegos do Brad Pitt.

Aí não, né?

sábado, 14 de maio de 2011

mal paga, mas bem dormida

Depois de muitas horas em cima de um relatório para apresentar logo cedo, descobri que fiz absolutamente tudo errado.

Do começo ao fim. Mesmo que ficasse aqui até a hora da reunião, não conseguiria organizar as idéias, porque o cansaço é o patrão mais pontual; ele nos manda ir dormir assim, sem grandes justificativas.

Então eu vou.

se os tapetes voassem, ao menos...

Um dia caiu meu sorriso da cara na hora de comprar o carro.

"Tem que pagar pelos tapetes, senhora."

Com a facilidade de acesso ao transporte aéreo, passei a desconfiar dos preços promocionais de determinadas companhias. Dito e feito: check-in tem preço à parte. Despachar malas idem. Comer tem cotação de tabela. Conversar no vôo paga adicional.

Promoção boa é igual à sopa rala. Cheira bem mas não mata a fome.

limite-se ao escuro do quarto! (an?)

Duas colegas conversavam na cafeteria da empresa gigante onde estou prestando consultoria:

- Áaaaaai, Maria Antôooonia, a Elisabétchi entrou com um atestado! Diz que tá com depressão, mas a vi no shopping, acredita?

E a Maria Antônia, respondeu:

- Cê juraaaaaa? Passeando com depressãooooo? Faça-me rir!

Engoli o restinho do meu café e me retirei. As vezes percebo que o desconhecimento de determinantes caóticas na saúde laboral causam estas úlceras cerebrais, fervilhando mitos na cabecinha dos funcionários.... Neste caso é como se a patologia do sentir incapacitasse as pernas...

faxineira estelar

Falar de motivação é falar de "experiências".

Não se chega a nenhum índice de aproveitamento emocional de equipes quando não há uma aproximação daquilo que se fala em teoria com alguma prática - de preferência com a prática de quem está ali, tentando convencer a platéia a crer num vale dourado de felicidade profissional eterna.

Motivar é envolver seres humanos numa fantasia real.

Se eu não tenho grandes façanhas para acender a lamparina da disposição da galera consigo no máximo ser ouvida. Para ser exemplo não basta tocar no céu. Tem que trazer um punhado de estrelas e dizer: "Táqui, ó, minha gente! Se eu peguei, cês também podem!"

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Fernando Pessoa que me perdoe

" O Ouvidor é um fingidor
finge tão completamente
que chega a fingir que ouve
aquilo que não compreende..."

(Verso livre e adaptado em homenagem ao precioso serviço de Ouvidoria do meu plano de saúde, diante dos meus questionamentos básicos).

quarta-feira, 11 de maio de 2011

dança da chuva

Quando uma empresa está em transição de Diretoria, vive-se plenamente o momento das diferenças de visão e liderança - principalmente quando o "chefe tudo-pode" é substituído pelo "chefe nada-pode".

Enquanto o primeiro usufrui de um apreço desmedido por parte da tribo (principalmente pelo seu perfil permissivo) o segundo encontra muitos índios preparados para disparar flechas de descontentamento a cada dois segundos.

No meio termo ficam os consultores valentes que se encarregam de apaziguar os ânimos e fazer a galere entender que tudo e nada são extremos negativos para a paz organizacional.

rinite empresarial

Muito difícil a concentração num plano de metas enquanto o rádio insiste em executar uma canção que fala que o cara 'é alérgico ao amor'.

Se eu não entendi errado, o refrão é assim mesmo. "Você é alérgico ao amor".

Então tá.

Se alguém do seu departamento espirrar logo cedo, melhor ficar esperto. Pode não ser especificamente a cortina o motivo daquele nariz vermelho.

estivadores do amor

O trabalho nunca pode justificar a ausência afetiva.

Você trabalha muito. Eu trabalho muito. Você chega em casa pregado. Eu chego em casa pregada.

Mas eu sento aqui, respondo emails, ajudo meu amor a fazer um trampinho chato, repenso o planejamento de carreira remoto que comecei com uma profissional que precisa e sobretudo agradeço pelo dia!

É tão bom ter um dia pesado! Melhor descarregar a tonelada de viver do que ir dormir de peito vazio.

se tiver jujuba eu aceito

Fui agente de uma negociata corporativa que culminou com um jantar über requintado - a começar pelo ambiente.

Os garçons treinados para este tipo de situação se comportam de forma bem específica; como se esperassem de nós, executivos, algum pedido gastronômico comum ao universo "chiques e rançosos".

Na minha vez, porém, a coisa foi um pouco diferente. Entre risotos de cogumelos selvagens, carnes de corte nobre e saladas metidas a besta eu mandei um:

"T-bone kids! Com batata-frita!"

Contratos sim. Abstinência junkie-food? Never!

você não está louco: eu sou louca

Pra algumas pessoas se forma uma nuvem de fantasias em torno da minha conduta corporativa - especialmente pras que conhecem o blog e podem passear entre a Monga e a executivinha real, ordeira e de unhas limpas.

Quase sempre esta nuvem se condensa com o comentário: "Nossa, você é muito formal no trato com as pessoas e com os clientes!"

É como se a afetividade existisse numa instância paralela às formalidades, embora gente formal também seja sujeita a emoções corriqueiras, à depilação e à bafo matinal.

Eu sou sim uma farofeira-grudenta-sem-noção, que no exercício profissional não poupa rigores linguísticos, e ainda assim é capaz de se encapetar de risos e modos de criança.

domingo, 8 de maio de 2011

polishop-se, filho

Vou comprar um power-plate-shape-ultra prum colega executivo.

Estes aparelhos de ginástica passiva que ficam tremendo até a consciência, sabe? Já que ele não levanta a bunda da cadeira pra absolutamente nada, pelo menos usufruirá desta inércia a favor do fortalecimento dos glúteos - pois um trabalho cerebral, neste caso, seria exigir demais.

:P

feliz dia das Mães

A primeira grande mãe é a vó.

Tudo que vem depois na hierarquia organizacional familiar é reflexo direto deste determinante.

A vó palpita no impalpitável, fortalece nossas virtudes menos clichês, desdobra a nossa criatividade usando o arsenal de tampinhas e latas vazias de leite condensado e é a figura mítica que nos acompanha nas fases de meiose e mitose profissional.

A mãe recebe o trampo já brifado. E tem que corresponder a expectativa da 'supervisora'.

Felizes os que tem mãe. Os que tiveram (e tem) vovós. Os que tem esposas, os que tem ventres à disposição da vida. Felizes e eternamente em paz.

cala a boca, Magda

Através de engrenagens profissionais acabei conhecendo um deputado estadual pelo qual passei a nutrir uma mini-admiração. O fato dele ter começado sua história como professor numa zona rural marginalizada pela geografia e pela assistência humanitária básica, me fez cultivar este respeito off-partidário. Fiquei sabendo que durante uma explanação na assembléia legislativa, ele defendeu o Osaminha Bin-Bin sob a alegação de que não se pode criar um circo de comemoração diante da morte de alguém, ainda que em se tratando de um terrorista. A mídia exagerou!

A população da cidade, do Estado, as araras-azuis e as seriemas quase lincharam o deputado.

Reflito sobre a condição de liderança, que nos eleva ao topo, mas nos subtrai o direito de manifestar as opiniões - e pondero de forma bem generalizada. É como se o comando maior, seja de uma empresa, de uma escola, ou de um botequim, trouxesse a prerrogativa da imparcialidade. Temos que caber no bom senso comum. Aquiescer o que dita a bula social.

Não é uma questão de censura, é uma contenção de dissabores públicos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

pinel feelings

"Monga, não acredito que todo e qualquer problema gestor pode ser resolvido com treinamento e terapias corporativas. Não acredito mesmo, me desculpa." Thiago Nestor - Franca, SP por email.

Eu também não acredito, querido.

Há casos em que a última alternativa chama-se ECT*.

(eletroconvulsoterapia neles!*)

questão de perspectiva

O mercado habitacional nunca esteve tão democrático.

No bairro onde se esconde minha empresa, lê-se na porta de uma imobiliária famosa no nicho de locações: "Não compre! Alugue!" Na rua principal uma construtora tenta a sobrevida corporativa: "Fuja do aluguel! Compre sua casa!"

Esta situação não me atinge em particular. Meu problema é quanto a escassez de vagas de estacionamento nas minhas cercanias corporativas.

Ando a fim de uma calçada pra uso exclusivo - pode ser alugada ou própria.

tootsie

Pra quase tudo na vida há a tolerância social. Não há mal nenhum em trocar de time, de preferência partidária, de sexo (inclusive!) mas há um ranço desgraçado para com aqueles que desejam mudar de profissão. Esta cobrança pública diante do sucesso alheio me irrita absurdamente.

Dá a entender que mudar de ofício aos 20 anos é síndrome de cegueira motivacional. Aos 30 é prostituição de valores. Aos 50 é transtorno de identidade atrasado.

Se eu quiser deixar de ser executiva amanhã cedo, certamente o farei numa boa.

Pior do que uma mudança de rota é a falência dos sonhos.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

o tiro saiu pelo cofre

Certa vez visitei uma grande empresa na companhia de uma assistente. Era sua primeira grande aparição no cenário de contratantes robustos e ela queria expressar interesse diante do poderio econômico da corporação. Ao chegarmos no departamento de finanças, avistamos um grandioso equipamento, uma espécie de cofre, dotado de tecnologias até então inéditas, na época.

Minha colega não tardou a questionar ao tesoureiro: tem senha? qualquer um consegue ter acesso? é fácil de abrir? em qual horário vocês tiram o numerário daí? vocês guardam muito dinheiro em espécie?

Na saída ela me questionou: "E aê Monga.... demonstrei competência?"

E eu: "Competência eu não sei.... mas disposição pra um assalto, certamente."

bússolas ou muletas?

Conduzir a própria carreira é como dirigir veículos.

Tem gente que conhece perfeitamente o caminho, mas insiste em depender do GPS.

mitos que me nauseiam

"Temos que capacitar a equipe".

Todo mundo, em maior ou menor frequencia, já ouviu este mantra corporativo. Equipe é a definição de um conjunto de colaboradores que inclui o chefe, e raramente, este mesmo chefe entende a sua necessidade de reciclagem.

Ousaria dizer que esta safra organizacional contemporânea conseguiu divorciar os subordinados dos mandões pela fronteira dos treinamentos. Patrão contrata cursos, mas não participa. Patrão reclama da motivação, mas não se engaja. Patrão - ora veja! - desconfia do compromisso do empregado para com a Instituição, mas não aprende a liderar adequadamente.

Eu ando sem saco pra planejar grandes e heróicos feitos para times de colaboradores, já extenuados de promessas e submetidos à cobranças até o talo. Ando querendo alguns Diretores dispostos a aprender umas mixarias gestoras e com macheza pra rebolar até o chão.

carnes, ossos e alívio!

Percebo que os níveis de exigência que projetamos nem sempre condizem com a sua adequação. Eu mesma gostaria de ter a bocona da Jolie, o tônus muscular da Serena Willians e o cérebro da Camille Paglia - e se isso tudo coubesse no meu corpo, eu seria no máximo uma bizarra construção mais próxima do assustador do que do ideal.

Na empresa, o pecado do impossível também acontece. Não há como reunir perfeitos profissionais de T.I, de gestão, de finanças e de planejamento.

Este frankstein organizacional nem dá certo. Prefiro um razoável time de competentes bem próximos do limite humano, do que fantásticos essencialmente fora da realidade.

rebimboquê du parafusetê

Quando meu carro tem qualquer problema no desempenho de suas atividades, eu fico nervosa. Já conhecendo o atendimento da assistência autorizada, me preocupa basicamente entender a linguagem que os mecânicos de lá adotam. Na ótica da montadora francesa, talvez seja um charme extra no marketing de relacionamento promover um engodo na comunicação.

Pensei nisso enquanto avaliava o email de um parceiro de negócios. Talvez ele quisesse denotar um nível de complexidade no seu sistema administrativo através de códigos sem a menor chance de tradução ( e sem a menor justificativa de abordagem).

"Monga.... avaliaremos a sua proposta assim que o Diretor de PCM definir as metas de MKT, para que o setor de G.O possa captar as cotas mínimas de STP dentro do nosso deadline. Estamos agilizando no F.U de amanhã."

A única sigla que me ocorre: FDP.

instrução do meu vôo

Para definir a uma amiga um de meus parâmetros executivos:

"O que diferencia um vitorioso de um perdedor crônico é a afetividade. Prefiro um semi-inteligente amoroso e dedicado no desempenho de suas funções, do que um gênio estúpido e indiferente."

xô preconceito EAD

Os cursos a distância sempre me dão uma sensação esquisita. Aos meus moldes jurássicos, só cabe a eficiência da aprendizagem diante da presença do professor.

Tenho trabalhado bastante para desfazer esta cafonice, afinal, é graças ao avanço tecnológico que muitos trabalhadores fizeram as pazes com a formação superior.

Em síntese, não há problema nenhum se o paraninfo for a impressora - o importante é estudar, estudar, estudar.

e tome consciência!

A velocidade das informações e das "fofocações" é inversamente proporcional ao absenteísmo.

Quer estar por dentro de tudo que acontece na sua empresa? Não trabalhe.

Funciona que é uma maravilha!

especialista em teimosia

Durante os dias em que estive ausente por conta de probleminhas de saúde eu consegui redefinir a essência da minha caminhada profissional-existencial.

A gente não é apenas a tradução de um corpo restrito por altura e peso.

Há uma dimensão maior não condicionada aos limites físicos. A mente voa. O pensamento se mantém. Não tenho mais 1,70m. Tenho kilômetros; em idéias e ideais.

Obrigada a todos os leitores preocupados, qua mandaram beijos, que desejaram minha volta - por consideração, abstinência das minhas insanidades ou por amizade genuína.

Cheguei! :)