terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

e você? em qual código se encaixa, meu filho?

Saca o CID-10? Aquele Código Internacional de Doenças? Pois então... é legal saber alguns dos códigos.

No meu caso, quando quero falar que um cliente é um puto de um chato eu falo que é um F-32.

Equivale aos "transtornos de humor" (se não me engano). E fica com um ar tão estatístico que o povo nem se toca. Pensa que é alguma atribuição de boa performance gestora.

Quá!

não basta curtir, tem que agitar a rua II

Uma colega deu a idéia e eu já me animei:

"Chama este povo que fica no sinaleiro pra fazer uma apresentação na empresa. Pow, Monga... vai ser bacana pra dedéu..."

Pro dedéu eu num sei. Mas EU adorei! Se bobear aprendo a fazer uns malabares pra distrair clientes abestados.

não basta curtir, tem que agitar a rua

Qualquer manifestação de arte me comove. Pode ser um caboclo batendo latinha em cima de um monociclo no sinaleiro - e olha que se ele for argentino eu nem ligo.

Eu ligo é pra um calor escaldante de 42 graus e o sujeito ali fazendo malabares pra um monte de executivos mal-educados que logo pensam que o hermano vai assaltar. E tratam de lacrar as portas do civic (sim, porque executivinho maisomênus compra carrinho da Honda) fingindo que tão ajeitando o nó da gravata.

Enquanto isso eu arregaço os vidros do gol 1922 da empresa e ainda grito:

"OOOOOOiiiii lindo!!! Bravo!!! Dorei o espetáculoooo!!! Vem aqui pegar uma moeda, fofo!!!"

executiva cavernosa

Atrasada pra reunião logo cedo.

Motivo: uma tela de plasma na recepção, onde esparramada da silva eu assistia a um fantástico episódio do desenho "caverna do dragão".

Quem ta interessado em discussão sobre produtos e serviços??

Eu não.

"táuba de tiro ao Álvaro..."

Álvaro é um dos nomes masculinos que mais gosto, desde criança. Uma de minhas melhores amigas tem um papai fofíssimo, a quem eu chamo carinhosamente de "Alvinho."E Álvaro também é o nome de um leitor extremamente querido, que me escreveu um precioso e-mail (o qual manterei guardado na caixinha das delicadezas).

Segundo o Álvaro-leitor, ele ficou surpreso ao perceber que não crio auto-distinção e sempre me coloco na massa de sofrimento e aprendizado comum a todos os trabalhadores.

É isso sim. Ser executiva não me garante nada melhor. Nem pior. Nem mesmo diferente.

Eu sou igual a todo mundo, e assim sendo, também tenho muito de prosaica e pouco de glamour.

das superstições linguísticas e corporativas

Me incomoda o apelo de algumas empresas que se dizem especialistas em "orientação profissional". Na prática, a minha empresa também cuida da carreira de pessoas, mas eu jamais permiti que usássemos este termo "o-r-i-e-n-t-a-r".

Primeiro porque eu sou pentelha. Segundo que ao falar em "orientação" podemos deixar subjacente que a pessoa está desorientada e isso pode ferir o calo de algum persecutório magoadinho.

Terceiro porque quem orienta é bússola. No máximo eu chamo pra pensar.

Quarto e conclusivo motivo: birra. Do mesmo jeito que muito executivo não passa por baixo de escada, eu não falo certas coisas e ainda bato na madeira 20 vezes.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

a thousand miles

Acho a coisa mais rEdícula do mundo as pessoas falarem que roupa pra gordinho é mais cara porque "usa mais tecido".

Comentário deprimente. Se eu fosse gordinha eu quebrava a cara de vendedor que me falasse uma idiotice deste porte. Até parece que roupa de neném, em contrapartida, custa 1,99.

Se preço tem a ver com metragem utilizada vou começar a vender consultoria por km/h, afinal de contas, eu me estresso PRA MAIS DE METRO.

sim, fodeu mesmo

O uso da palavra "perdão" me parece ser um sinalizador de que certo encanto básico do trabalho ou da função profissional se quebrou.

Por muitas vezes nos últimos dias tenho repetido a frase "perdão por não te dar atenção, estou trabalhando." Ou "perdão por não poder te fazer companhia da forma que você merece, mas este meu trabalho, óhhhh...."

A ninguém se deveria pedir desculpas tendo como justificativa a carga laboral. Do trabalho pressupõe-se a capacidade de nos abastacer de recursos financeiros e de nos suprir da tal carga de "utilidade".

Quando ao contrário, o que a jornada nos oferece é a subtração do que nos alegra, aí melou tudo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

saudades das avós que faziam bolos

Recebi muitos e-mails comentando sobre a minha vovó e seus hábitos de internauta aos 80 anos (muito bem vividos). Hoje quando fui contar que havia falado disso no blog, arranjei mais uma bucha: ela quer ter um blog!!!

E coitada de mim, a uma altura dessa jurada de morte caso não a ensine, se resolver enrolar a Dona Benedita!

"Vó, e qual seria o nome do seu blog?"

"Ah... seria algo tipo ' estou farta de teorias' ou então 'quero que tudo se exploda'..."

(meus pesadelos recém começaram, leitores...)

tentando venceremos

Por algum motivo, hoje, lembrei de algumas oportunidades infrutíferas e algumas apostas que fiz ao longo de 2009 e que não obtive êxito.

Pessoas em quem creditei algumas moedas de esperança e não recebi nada... nem o troco.

Seria tão bom se algumas gestações profissionais de risco pudessem ser mantidas com repouso absoluto, ou com algum acompanhamento profissional, para que um eventual aborto não nos massacrasse o ânimo de uma nova tentativa.

A pior lembrança é daquilo que não vivemos. A cadeira desocupada seria só um objeto temporariamente sem uso, se pra ela não houvesse um projeto de ocupação específico.

Beyoncé e sua lição corporativa

Cair trabalhando não é problema, minha gente brasileira!!!!

Tem que respeitar a platéia, mexer os quadris e mandar bala.

ôh ôh ôh, ôh ôh ôh.

("If you liked it then you should have put a ring on it"...)

não tenho talento pra madrinha da Taylor Swift

Adolescência é um período de puro êxtase na comunicação.

Mandei um e-mail pra minha afilhada tentando dissuadí-la de abandonar os estudos aos 16 anos e segurar um pouco a purpurina que corre nas veias: ela quer ser modelo na Europa tal fez sua mãe, na sua idade.

Escrevi, escrevi, escrevi. Juntei argumentos nos recônditos da minha alma, tentando mostrar que na ausência da sua mãe que se foi, eu sou a pessoa mais perto do amor que ela encontrará. E o meu amor é assim meio bronca, as vezes.

Praticamente 200 linhas de escrita. E a resposta dela?

"Falow, dinda. Vô pensá."

(...)

salve o Governo Federal e seu cavaquinho

"Felicidade!
Passei no vestibular
Mas a faculdade
É particular
Particular!
Ela é particular
Particular!"...

(O Martinho da Vila devia transformar este sambinha em jingle do Prouni).

Com algum esforço adaptativo, a palavra "felicidade" poderia ser trocada por "facilidade", e o trechinho "mas a faculdade é particular" por "e a faculdade, vai me aceitar..."

sábado, 6 de fevereiro de 2010

meu cabelo já é um capacete, ufaaaa

Uma das minhas irmãs trabalha na Petrobrás e vez ou outra me manda e-mails pedindo dicas executivas, por mais que eu já tenha lhe dito inúmeras vezes que não posso palpitar no regime que ela adotou pra sua equipe.

A única coisa que falei na última correspondência virtual é que acho muito brega aqueles capacetes que o povo usa pra trabalhar nas plataformas de petróleo.

Sinceramente já dava pra tecnologia de segurança laboral ter pensado em coisa mais razoável. Não tem como levar a sério um funcionário fantasiado de playmobil.

Monga, a rainha do deserto

Minha empresa terá de mudar de prédio pela enésima vez em menos de 12 meses.

Quebrei a cabeça, conversei com colaboradores, arquitetos e dementes amigos e tive uma idéia (sentiu o cheiro, a propósito?):

Comprarei um motorhome e transformarei o veículo numa empresa itinerante. Com todas as adaptações que precisamos, abro uma vaga de motorista (até então nunca explorada), extirpo definitivamente a rotina do meu mundinho e economizo em viagens de sacoleira ao Paraguai.

Ou seja, só vantagens.

tem medo mas não tem vergonha

Funcionário adora apelidar as condutas da maneira que convém, geralmente à serviço do que não presta. A moda agora é chamar a "fofoca" de comunicação interna. Mas ta.

Bastou uma reunião ao meu estilo nocaute de ser e gerir, pro povo se situar. E eu nem precisei de seriedade nesta hora (porque a única seriedade que veio de fábrica eu deixei na loja no último recall).

Simplesmente falei:

"Queridos!!! Eu sei tudo que vocês falam, porque falam, quando falam e onde falam."

(A fila pro banheiro inchou em 3 segundos).

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

o pai é meu, o cartão também

Perguntaram hoje qual o cartão de crédito que eu uso.

Eu falei que é o américo express.

A pessoa me corrigiu, quase me dando um tabefe."É american express, sua buuuuurra."

Eu expliquei pausadamente que américo é o nome do meu pai. E eu uso mesmo.

(Era só o que me faltava eu ter que explicar o porquê, né?)

kinder ovo (com uma péssima surpresa)

Eu vou trabalhar sábado - nenhuma novidade.

Eu não queria trabalhar neste sábado - revelação quase apocalíptica.

as vezes eu sofro de tristeza executiva

"A verdade
É que eu não sou a virgem pura
Que lhe pareço ser.

Este mundo já me fodeu tanto
Que seria uma puta hipocrisia
Dizer o contrário."

(Patrícia Colmenero).

profissões alternativas

No evento de hoje a noite, entre centenas de políticos e recém empossados membros do "Vila Xurupita Futebol Clube", uma série de jornalistas e fotógrafos tentavam encontrar real sentido para o crachá "acesso exclusivo - IMPRENSA".

Foi um festival de cotoveladas, de empurra-empurra, que vou te contá, bixo... eita, eita!

A grandiosa manifestação da noite foi a moça tentando derrubar a jornalista da minha empresa - literalmente. Eu indaguei pra qual veículo ela trabalhava, quando ela docemente retribuiu:

"Eu sou redatora do Orkut do Dr. Fulano. E as fotos que tiro, são pra publicar LÁ."

Aí eu me pergunto: pra que eu fico com frescura no habbo em aceitar convites pra ser "gestora de imagem de criancinhas candidatas a Miss Brasil Feto?" An? Escrúpulo? O que vem a ser isto?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

executivas e suas gentis vovós

A minha avó veio toda cheia de graça (sim, ela tem e-mail e usa a internet no alto de seus 80 anos) me falar que "a Mesbla resolveu se reinventar depois da falência, criando uma loja virtual."

Páááára tudo que eu vou descer, ta?

A Mesbla faliu um dia? Não existem centenas de lojas Mesbla espalhadas pelo Brasil di Meo Deos? Quando que a Mesbla faliu? Vou correr pelo centro da cidade. Não é possível.

(Minha avó está me dando nojo com este computador. Vou cortar a internet dela, certeza.)

e agora, Chico Bento?

As pessoas que trabalham comigo se estressam por motivos variados quando convocadas para eventos especiais - leia-se posses de Diretorias xinfrins, agremiações duvidosas e armações políticas de caráter religioso ou social.

Algumas ficam preocupadas com a postura, com o que pode e deve ser dito durante os brindes, com a forma adequada de se apresentar a um grupo de investidores ou simpatizantes.... enfim... Relevâncias irrelevantes pras quais eu disponho meu respeito, afinal, nestas situações de certa forma brindamos nossa marca também. Temos que "fazer bonito".

Eu me preocupo com a coisa mais angustiante envolvendo o meu comparecimento:

Terei que calçar sapatos. Isto sim, me tira o sono.

teorias filosóficas corporativas

Quando uma pessoa está com o nome sujo na praça, é provável que ela tente exercer suas práticas comerciais em outros pontos da cidade.

Inclusive dentro da sua empresa.

feliz aniversário, Sr. marido da amiga

Um casal quando vive uma super história de amor acaba adotando uma maneira bem peculiar de ser apresentado socialmente. E profissionalmente também...

O cara deixa de ser o designer, o web developer, o isto-e-aquilo e passa a ser o "marido da fulana". Sinceramente me parece um baita de um cargo, ainda mais quando a mulher é uma grande pessoa e uma belíssima profissional.

Baseado nisso, mando meu beijo de feliz aniversário pro Marcelo*, marido da Kakinha*, minha leitora-amiga. Votos de sucesso. Paz. Harmonia e trilhas diversas, floridas e encantadas.

(E Marcelão, se precisar de parceria pra cantar... tamo aê... "Longe de casa....uhúuuu... há mais de uma semana....")

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mongalicious, babe

"Monga, como foi que você decidiu ser executiva? É vocação? O que você tem de ganho na sua vida?" Antônio - de Varginha, por e-mail.

Oi Tonico! Muito e.t. por aí?

Olha, outro dia lendo umas coisinhas sobre a Brigitte Bardot, acabei encontrando a justificatica perfeita pra ter seguido a vida executiva.

"Eu dei minha beleza e juventude aos homens. Agora dou minha sabedoria e experiência aos ANIMAIS."

:)

sutileza de uma hipopótama

Conversando com uma amiga executiva fiquei sabendo da entubada que ela recebeu do seu chefe. Problemão, né? Chefe quando pede grana emprestada a gente já prevê que vai passar o próximo mês à pão e miojo.

Eu não sou daquelas que enfia o dedo na ferida. Lembrei do nome da amiga na novena, e mandei minhas boas vibrações. Não fiquei cutucando pra saber se o cara pagou-ou-não-pagou.

A única coisa que fiz, de forma quase imperceptível, foi perguntar como quem não quer nada:

"Oi querida!!! Tudo bem? Como que vão as coisas no Reino do Calote?"

se for dirigir, leia

Faz tempo que meus leitores solicitam por e-mail recomendações literárias que possam ajudar na "saga cotidiana de um escritório infeliz".

Eu sou uma voraz consumidora de livros, mas por incrível que pareça nunca me distraí lendo "Jesus Cristo, o melhor executivo avant gard que já existiu." Porque eu sou desconfiada, sabe? E tudo que me remeta à fórmulas de sucesso parecidas com Tang (abriu, misturou, bebeu) me dão preguiça.

Nem é preconceito. É preguiça mesmo. Porque não pensar me cansa muito mais.

Portanto, amiguinhos, se eu puder recomendar, leiam "Os Ratos" de Dionélio Machado. Um livro lá dos anos 30, mas tão contemporâneo que chega a assustar. E vale pra qualquer profissional.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

bolo inglês executivo

Pode bater ni nóis com gosto.

Quanto mais bate, mais a "gente crescemos".

Nham nham.

:P

diálogos sinuosos sobre interesses retos

Eu, preocupada com o andamento de um projeto:

"Dr. Narigão, deste jeito a cronologia de nossas ações estará fadada a não atender nosso contrato!"

Dr. Narigão:

"Monga, a gente prorroga seu contrato e paga o dobro pela consultoria, sem problemas..."

Eu:

"Ah ta. Então vou começar a pensar na festinha de Natal deste ano..."

viada profissional

Muitos executivos que eu conheço sofrem de síndrome do "encosto-
amigo". Adoram se gabar que frequentam a mesma academia do desembargador tal, que já foram genros do antigo Ministro do Apocalipse e por aí vai...

Com nozes mulheres executivas o furico é mais embaixo. A gente adoooora se gabar que a drenagem linfática que tá fazendo é feita por dez entre dez balzaquianas do rái sôçáiti.

Que o esmalte laranja ta na moda nos ambientes corporativos."Pra contrastar com a frieza empresarial!".

(E que o branco do olho hoje, ta lembrando o da Megan Fox no último filme).

os humilhados serão exaltados

Quando a gente vai fazer uma esparrela daquelas bem otárias, sempre é bom imaginar o que nos reserva o monjolo do destino no que se refere à carreira. O cuspido de hoje pode ser o divino de amanhã. Um dia a ciranda das cadeiras pode nos devolver ao lugar de origem ou nos colocar no patamar mais alto. Tudo é uma questão de sorte, mixada com merecimento (nome alternativo para o suor de cada dia).

Numa dessas emboscadas organizacionais acabei me encontrando com uma profissional que me fez sofrer bastante. Que fez minha equipe chorar as lágrimas amargas de um projeto mal dirigido.

O nosso encontro me colocou numa posição decisória: está nas minhas mãos mantê-la no cargo ou demiti-la sumariamente. O que eu decidi fazer? Por enquanto nada. Vou ponderar.

Não posso adotar critérios que foram duramente criticados por mim quando na mão desta moça.

etMongologia

Lendo o blog da minha amiga Gigica* eu e meus coleguinhas nos divertimos muito pesquisando a origem dos nossos nomes de batismo.

O meu, em hebraico, significa "cheia de graça" (ohhhhhhhhh!!!!). De outra colega significa "sabedoria", e assim por diante fomos tecendo nossas conjeturas da vida.

"Monga, o Jesusclécio tá pedindo pra você ler aí o que o nome dele significa!"

E eu: significa que a mãe dele teve uma gravidez abençoada, mas com muita azia e enjôos constantes.

Porque, né, J-e-s-u-s-c-l-é-c-i-o?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mãe Joana Corporation S.A

Ligar pros amigos pra avisar que a gente vai fazer uma visitinha é de praxe, né?

A boa educação faz até bem pra pele, a gente economiza no Renew e tudo-mais.

E na empresa, assim, quando muitas pessoas são atribuladas, é de bom tom avisar também, né?

Levar bolo de chocolate não substitui os bons-modos.

meia é pro pé

"Monga, você parece ser tão liberal na sua gestão... tem alguma conduta na empresa que você proiba? Ináh Emil - Pelotas/RS por imêiul

Tem sim, querida. Tem um hábito que me tira o sono, de verdade e está proibidíssimo na minha empresa:

Usar aquelas meinhas que servem de capinha pra celular. Perco a concentração no serviço, totalmente. Na empresa os telefoninhos tem que andar peladinhos, fófis.

(Já to trabalhando isto em terapia).

se mentir a língua cai

Olha só!!! Eu sou uma executiva cheia de bandanas e lenços pra amarrar no cabelão de molas, e hoje ganhei mais um adereço pra coleção:

Uma faixa lilás!

(Eu sou daltônica, mas bastante crédula quando alguém me fala que "tal coisa é de tal cor").

:P

das profundezas do meu útero organizacional

Tenho evitado comparecer em reuniões cujo objetivo é a assinatura/fechamento de contrato com a minha empresa, principalmente porque tenho colegas remunerados especificamente para esta função.

Hoje foi uma exceção nos últimos dias. Alguma fagulha dentro de mim causou a combustão da necessidade de vender nosso peixe, desconsiderando que minha posição de C.E.O não inclui o quesito "caixeira viajante".

Me saí bem pra caramba. Eu sou a melhor vendedora de idéias que conheço, na prática.

(E isto seria uma grande vantagem pra ser arrotada, se a empresa não fosse minha. Qualquer mãe sabe propagandear seu filho melhor do que ninguém).

arcano 01

Eu morro de vontade de tatuar alguns números no meu braço. Muitos números, na verdade...

Eu sou muito ligada em números, não especificamente em datas, mas basta uma associação simples para que o número passe a ser a referência da data especial. Confuso, não? Adóoooru.

Acontece que se eu for tatuar os números importantes ligados à pessoa mais importante da minha vida, posso ser confundida com uma prisioneira americana.

Ou ser confundida com o código de barras de absorvente higiênico com abas.

Ou nenhuma das duas opções, ou as duas. Meus clientes já me têm na conta das pouco convencionais, então o que meu corpo traz estampado, é o de menos.

domingo, 31 de janeiro de 2010

dicionário corporativo (de volta)

Banco de Horas:

"Objeto geralmente de madeira, revestido de couro ou com aplicações para superfície, tipo pátina, onde os gestores repousam os traseiros enquanto a equipe se ferra trabalhando. As horas passam tranquilamente na companhia de palavras-cruzadas ou jornais do dia."

a involução das espécies

Uma colega que trabalha na parte administrativa da minha empresa ganhou um presente inusitado de um ex-namorado: uma mini pônei linda, chamada Margarida.

E a Margarida passou a ser atração nas nossas conversas diárias. Inclusive num dos congressos que participamos, compramos brinquedinhos e uma escova de dentes gigante pra mocinha. Era na chácara dos pais desta colega que a Margarida residia.

Porém, depois de tantaaaaaa insistência da minha parte, e ao ver meu sentimento amoroso com relação à miúda de 4 ferradurinhas, acabei ganhando a guarda da menor.

Estou estudando uma forma de manter a mini pônei na empresa. Fico triste que sua raça não permita que ela cresça mais... se crescesse, chegaria ao meu cargo, certamente.

Um dia eu já fui uma eguinha.

amazing grace

"Amanhã é um dia importantíssimo e abençoado na minha vida profissional!!!!" comentei em casa.

E minha irmã rapidamente:

"Escuto isso todos os dias. Vai ver este é o segredo do teu sucesso..."

Vai ver.

grana e fineza não sentam à mesma mesa...lá ra lá

Reza a lenda de que um grande investidor e produtor de cereais foi almoçar com meu pai num restaurante bacaninha, no Rio de Janeiro, lá nos anos 70. O cara era muito rico e proporcionalmente muito rude. Sem polimento, sem paciência e não raro MUITO sem noção.

O garçom se aproximou da mesa e cuidadosamente indagou ao meu pai:

- Consumê, senhor?

E o papai: Claro, por favor.

Na vez do Nhô Baixaria:

- Consumê pro senhor também?

E o cara: Pra mim é SEM SUMÊ. E traz um chôps.

ninguém baixa a minha crista

Escutei este elogio pessoal e profissional de uma amiga muito amada:

"Aposto déizão em você numa briga de galo!"

Vale lembrar que eu não brigo com ninguém. A última vez que dei uma de kung-fu-panda na empresa foi praticamente um exercício laboral de risada coletiva.

Ninguém leva minha zanga à sério.

(Nem eu).

"ELE zomba do quanto chorei..."


O tempo é um grande companheiro; o mais solidário de todos os acompanhantes da nossa vida.

É ele que pede passagem pra que as coisas tristes e ruins deixem de ser espinhos, de forma que, distanciadas de nós, passem a ser suportáveis.

É ele também o fiel depositário da esperança. Ela fica guardadinha sob sua responsabilidade até que ele nos considere aptos a viver em paz.

sábado, 30 de janeiro de 2010

a vida não é filme, você não entendeu

Mal e porcamente dou conta de ajeitar minha vida amorosa, e mesmo assim uma cliente resolveu me eleger pra um período de confissões.

Ouvir as estripulias sexuais de mulheres viciadas em Lexotan com cerveja não é exatamente o nível de amizade que almejo, mas as vezes é necessário atender a demanda emocional que surge no meu caminho corporativo.

Duro é que as confissões envolvem pessoas nas suas relações de trabalho, em hierarquia superior e sob os limites da chifragem e da pilantrice.

Eu tento abstrair.

A-b-s-t-r-a-i-r.

ábaco corporativo

Uma das tarefas mais complicadas-delicadas é estabelecer preços pelos serviços que a gente oferece. É quase como querer comportar num selo numérico a carga de energia, amor, desamor, raiva e felicidade que circula durante a execução de um projeto.

Na minha empresa a gente descumpre sistematicamente o que os conselhos regulamentadores e sindicatos determinam e orientam quanto à tabelas de serviços. E também pouco "SE lixamos" se outras empresas concorrentes adotam uma política de preços deste ou daquele jeito.

Jogamos os parâmetros fora, um a um.

(E construímos uma base de cálculo super sincera: quantos reais são necessários pra manter o sorriso o mês todo? )

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Monga, gostosa pra caramba

É muito importante usar a intuição transacional nos dias de hoje.

Uma negativa diante de um negócio agora pode significar uma bela porta aberta logo ali. Falo por experiência própria.

Todas as vezes em que diminui minha fome de leão diante de um cliente, meses depois ele me recompensou com uma apetitosa tonelada de carne fresca.

Fechei um contrato com o cara tido como "o pai de todos os jumentos" e acho que o ganhei no dia em que abri mão de cobrar por um serviço X.

Em troca, ele me concedeu todo o alfabeto....rs.

"fácil" é nome de música brega

Convidei uma pessoa a responder uma série de perguntas que fazem parte de um pré-processo de engajamento na minha empresa. É como se fosse uma entrevista, daquelas do actor's studio.

Qual a cor que te lembra um dia lindo?

O Flamengo é um time de verdade?

Marzipã é o nome de uma doença? Você prefere Anais Nin ou Simone de Beauvoir?

E a pessoa me falou que encontrou certa dificuldade em responder à algumas coisas.

Eu fiquei tão feliz!!! Porque respostas fáceis e pessoas idem não nos interessam.

a exposição flicka a seu critério

Me dou conta de que to velha mesmo. "Cabadinha" e mofada.

E pior do que isso: me dou conta de que como profissional quase Doutora em comunicação, eu sou praticamente uma máquina à manivela. Antiga, ultrapassada e "ultra-passada". Sou do tempo em que se esperava um postal daquele amigo que foi à Paris nas férias.

E de que álbuns de fotos eram coisas divididas na intimidade de uma conversa na sala de casa, com chá inglês. Estes sitezinhos de photo-sharing me causam tremendo desconforto.

A bem da verdade, qualquer tipo de exposição me causa tremendo desconforto.

(Ok. Coerência nunca foi meu forte...)

a frenética saga da mulher polvo

Recebi um e-mail tão querido da mulherpolvo.wordpress.com, e aproveito para dividir o cantinho desta moça com todos os meus leitores (sentiu a ponta de esperança-ilusão de que ainda tem gente que lê meu blógui, né?)

"A mulher do terceiro milênio precisa ser bela, gostosa, boa de cama, talentosa, rica e bem-sucedida profissionalmente. Precisa ser boa mãe, boa filha e ótima amiga de várias amigas e amigos."

Olha... como eu contrario em gênero, número e grau esta definição da fofa da Chris-polvo*, to mais pra mulher-ZEBRA.

Mas corre lá e depois me conta?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

eu não matei Joana D'arc

Eu sou inteligentíssima, falo setecentos idiomas,conheço 27 países, não tenho vícios mundanos (só celestiais, como ir à missa por exemplo), nunca soneguei impostos (embora tivesse vontade de), só mato formigas, sou amada pelas mães de todos os meus amigos, escolho perfumes de maneira impecável e ainda por cima adoro paparicar a pessoa que eu amo.

Lógico que eu tenho que ter defeitos. E neste mar de qualidades, os clientes sempre potencializam os defeitos.

Sabe, eu acho ruim gastar fósforos com pouca chama. Se é pra tacar fogo, não vamos economizar.

Incêndio bom só deixa cinzas.

O contrário disso é só um peidinho de labareda. Inútil, inútil. Faz sujeira mas não me queima.

satisfação dos clientes, que nada!

"Monga, o que é exatamente marketing de relacionamento? Grata pela ajuda." Leandra - Maceió (por email).

É o apelido que se dá pro puxa-saquismo institucional.

tem coisas que só um cliente idiota faz pra você

"Porque o cliente João Esquisito* nunca fala muito obrigado?" - alguém indagou.

Porque ele sempre fala "faça novamente o serviço."

Mereço.Eu chamei a Madonna de Britney. Só pode.

terceirização só se for de primeira

Pra minha empresa terceirizar um serviço aos meus clientes, ele tem que ser melhor do que o nosso.

Se for igual ao que oferecemos, a gente mesmo faz.

anota aê

A técnica de produzir lembretes pra mim mesma sempre funciona.

"Consertar a infiltração do apartamento de Brasília." (dois meses depois eu dei jeito).

"Comprar uma lapiseira nova." (tres meses depois eu dei jeito).

"Ser mais tolerante com a pentapolaridade das mentes alheias." (DAR JEITO HOJE, SE POSSÍVEL).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

você é loira mas eu tolero sua lerdeza

"Porque você não faz este relatório no período da noite, querida?" - perguntei.

E a Angelúda*:

"Durante a noite eu não funciono. Eu sou monofásica."

E eu:

"Monofásica é uma nova forma de se falar sobre orientação sexual hetero?"

Ela:

"Não. É uma forma de lerdeza, mesmo."

você é loira mas eu te amo

Outro dia contei aqui no blog que minha Diretora de Finanças, a Ângela, é chamada carinhosamente de "Angelúda" porque ela é assim toda em aumentativo moral.

Cabeçuda, inteligentuda e sortuda. E mais sortudos ainda aqueles que convivem com ela.

Não penso que toda pessoa tenha a sorte de ter amigos por onde transitam seus relatórios, mas é o meu caso - e eu sou muito feliz por isso.

Tão feliz que minhas gargalhadas as vezes atrapalham as pessoas da sala ao lado, mas eu também tônemaí.

nem com macarronada cai bem

Tio e cunhado são as duas categorias familiares que apresentam maior probabilidade de estorvo.

Os bixim já nasceram criando encrenca, prova maior que uma destas categorias começa com as letrinhas "cê" e "ú" que juntinhas são auto-explicativinhas.

Graças a Deus que as pessoas tem critérios absolutos, e não precisam necessariamente fazer programas com tios e tias MAIS os colegas de trabalho destes tios e destas tias - ainda mais em se tratando de gente com pouquíssimas chances de trocar algum conteúdo que vá além do Big Brother e suas implicações metereológicas-quânticas.

Tudo que chegar de bônus em termos de amizade que seja pela porta da frente da inteligência. Porque quem gosta de bonde do tigrão é funkeiro.

to avisando

Do jeito que "as-coisa-Vai", o departamento de RH vai ganhar outra certidão de nascimento.

De recursos humanos pra Retardadas Histéricas.

(E eu nem tenho culpa).

"cinco patinhos foram passear..."

Esta coisa de conviver com pequenos notáveis entre nós (trainees, estagiários e adorados em geral) as vezes provoca uma confusão intestinal coletiva (pra não dizer merdas proferidas sem o mínimo tato).

Bem que tentamos em muitas reuniões estabelecer limites do que pode ser dito na presença dos "inocentes", porém, a febre por atrocidades é maior.

Basta saber que a maioria das mães sente-se dividida ao incluir seu filho num programa profissional em nossa companhia: metade é celebração pela chance em si, outra metade é preocupação imensa por conhecer o teor de nossas rodadas de chimarrão corporativo.

Teremos que esclarecer desde os primeiros dias de trabalho que nossa intenção não é gravar um dvd da "Monga só pra baixinhos". E se fosse, as músicas ganhariam versão trash.

comungando

A palavra "crente" sempre é usada pra se referir aos religiosos, né? Sobretudo os evangélicos.

E hoje no final do expediente alguém comentou sobre uma colega, que é "crente", automaticamente me excluindo desta pequena legião de preferidos de Deus.

Partindo do princípio que crente é também aquele que simplesmente crê em alguma coisa, eu só posso argüir que eu também sou crente!

Creio que o Grêmio é o melhor time do mundo e que num ambiente profissional de mulheres chapadinhas, meus cabelos cacheados são extremamente sedutores.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

canção para ninar executivas

"Nâna-nâna executiva/

que o cansaço vai passar/

outro dia de rotina/

que te ajuda a suportar/

mesmos sonhos de menina/

num eterno caminhar..."

eu encaro

Toda "boa briga" parte do princípio que uma das partes expressa sua vontade despudorada e a quer dominante no mercado.

É como aquele casal que discute constantemente sobre o roteiro de férias mas que no final das contas chega junto num destino (a menos que role um divórcio relâmpago).

Pra brigar em nome de alguém, e não COM alguém, é preciso ter muita clareza dos objetivos. É preciso ter confiança, discernimento, lucidez em estoque e muita certeza.

(Certeza principalmente de que você é porta-voz de um objetivo comum, e não o ponta-de-lança de alguém que não tá nem aí.)

escassez me aborrece

É muito difícil arrancar alguma intimidade minha. Parece até piada que uma mulher que fale pelos cotovelos e por todas as esquinas do corpo seja bastante introspectiva com relação aos seus sentimentos.

E eu sou.

Porém, na hora em que eles resolvem reivindicar seu lugar ao sol, salve-se quem puder. Defendo até a morte meu direito de sentir, de ser clara, de ser quem eu sou, ainda que isto me custe um preço alto.

Eu perdôo. Eu relevo. Eu me revelo.

Eu só não aceito negligência e pouco amor.

falsa brilhante

"Monga, você considera justa a economia de luz no ambiente de trabalho? Meu chefe obriga a gente a ficar quase no escuro pra poupar energia. E você?" Antônio Carlos - Viamão.

Ah...

Eu nem "SE" importo de ficar no blackout. Porcausaque eu tenho luz própria.

(Perfeição é uma dureza...)

anacronia da burrice

Meu avô dizia "não gaste sabonete em cabeça de burro" quando queria se referir a uma causa perdida ou uma alma idem.

Na empresa a adaptação mais justa é "não gaste tempo em cabeça de burro".

Dá trabalho, rugas, gases e mau humor matinal.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

em síntese, é isso

Ouvi tantas considerações a respeito do site institucional da minha empresa que cansei. De bocejar-espreguiçar-tomar-água-e-café... tudo junto e misturado.

Delicinha que os designers e publicitários expressem sua preocupação com relação à forma do nosso produto subjetivo. E que se preocupem de verdade quanto à eficiência gráfica e textual do que está lá, naquele quadradinho virtual tão... como eu diria?... hmmm.... s-i-m-p-l-ó-r-i-o.

Sinceramente, nem sei se tô a fim de atender um cara que me acha pelo Google no mesmo instante em que procura uma foto da "guria da Uniban depois da lipo". Nem sei...

E não sei igualmente se quero que o site fale pela minha boca. Que me represente na minha ausência. Eu quero falar. Tocar. Beijar as pessoas e convencê-las*.

*Nem que seja a chutarem minha bunda.

então eu posso ser

"Perfeição pra mim é coisa de menina tocadora de piano e fazedora de bordado" .

(Nelson Rodrigues).

1, 2, 3, gravando!

"Preciso de uma dublê..." - comentei com uma colega.

Ela: - "Dublê, Monga? Não seria uma substituta? Você não é atriz de filme de ação, pra querer uma d-u-b-l-ê!"

"Posso até não ser, mas o risco de fraturas e acidentes graves é o mesmo ultimamente."

caminhar é bom, descansar também

Por onde olho vejo profissionais em estado de busca. O estado de busca, portanto, é o novo stand by do momento.

É algo como uma licença poética dizer que se está numa fase de "descobertas íntimas". Parece que isso dá satisfações ao falatório daquela tia que vive cobrando pela promoção que nunca sai, ou que alivia a barra da vizinha que sempre questiona porqueraiosvocêfoifazeradministração.

A pessoa deixa de ser fracassada pra assumir o posto de desbravadora-insatisfeita.

Me preocupa que este estado de busca se encerre em si. Que buscar seja a excelência motivacional de uma vida, mas que não seja apenas a dinâmica de alguma coisa que tem ponto final... que não resulte num encontro...

(Nem que seja o encontro de uma nova jornada de busca).

domingo, 24 de janeiro de 2010

pedaaaaaaala, Sr. Seu Mongo

Na hora de entrar num estabelecimento comercial e adquirir um produto nem sempre a gente deve informar pra quem é o troço e o motivo da compra.

Tem nada mais chato do que vendedor indiscreto atendendo cliente boca-grande - "É pra sua amante este perfume, é?".

Porém, quando se trata de vender uma bicicleta xexelenta pra um Senhor de 45367 kilos (e 25 gramas) o cara deve no mínimo perguntar se "a possante" é pra ele pedalar. Da mesma forma que o Rei Momo amador deveria informar que a tal da bike era pra ele mesmo.

Me pouparia o trabalho de juntar meu pai espatifado no meio da rua entre destroços de roda e pedais.

senta aqui e pensa comigo, pípol

O império de modismos literários e cinematográficos (e mesmo musicais) nunca me aborreceu. Não chego a perder o sono pensando que a J.K.Rowling era uma ferrada-no-sistema e virou milionária com a saga do bruxinho emo (problema é meu se meu livro nunca sai da editora, né?).

Não me aborrece igualmente que todo mundo que conheço adoooore o Crepusculinho, e o vampirinho lá meio broxildo. Eu expresso meu desgosto porque são produtos que de fato eu não consumo, balizada pelo mesmo direito de não comer alho. Ou não torcer pelo Internacional de Porto Alegre. Ou simplesmente falar sobre o mundo corporativo recusando os elementos do mundo corporativo.

O que me irrita de verdade é o MODISMO DA NEGAÇÃO. Este sim, é triste. É sair por aí dizendo que deteeeeesta tal coisa pra garantir um lugar no banquete dos "pensantes."

homecare

Funcionário liga domingão pra avisar que amanhã faltará ao serviço, pois está com diarréia (e nem me priva das considerações cromáticas que envolvem seu produtinho fecal - mas ta).

Eu ficar brava? Mas bah. Nunca.

Só vai rolar um deslocamento espacial: cara vai produzir em casa o que ele costuma produzir no escritório.

pelo motivo que for

Eu sempre sei mexer em todas as funções de todos os celulares que existem, de todas as marcas e modelos, e de todas as operadoras. Qualquer um. Caiu na minha mão, eu domino.

Meus amigos, vizinhos, colegas e parentes distantes usufruem desta vantagem sobrenatural com uma folga assombrosa.

Não sei que tipo de criptonita a minha avó misturava na minha mamadeira.

(Confesso que preferia ter a mesma destreza inata pra lidar com pessoas - fixas ou móveis).

sábado, 23 de janeiro de 2010

ah! que sacrifícioooo

Um cliente resolveu considerar a hipótese de abrir sua empresona aos sábados mesmo depois de receber um mapeamento da raríssima frequência de clientes.

Rola um custo operacional muito grande pra manter uma estrutura enorme aberta só em nome da birra (porque vaidade não tem a ver com gastar dinheiro a toa, ao contrário do que se pensa).

Na última reunião ele me pediu "Monguinha, minha flor de azedume, arranje as coisas de tal forma que justifique a abertura da empresa. Porque não abro mão disso. E dinheiro a gente tem em caixa." Levei dois dias pra pesquisar todos os restaurantes, pra alugar as mesas e cadeiras e chamar um tocador de viola.

Sábado numa empresa vazia, com funcionários fazendo questão da presença uns dos outros, só posso organizar feijoada. Outra coisa faz mal pro estômago.

acontece...

Acho que eu sou a única pessoa do planeta que chama o garçom de taberneiro, o jogador de futebol de player e a Preta Gil de gata.

Como se vê, ser executiva não me isenta da doença mental.

segura o Jason

Queria proibir certas pessoas de exercerem a profissão de headhunters, por considerar que este instrumento linguístico que confere nomes às profissões as vezes também confere a distorção.

O entendimento equivocado da prática de reconhecer talentos e conduzi-los ao mercado se transforma num massacre informal (porém institucionalizado), dizimando egos, sorrisos, sonhos e projetos de vida.

A motoserra não é da função profissional, mas é basicamente das pessoas que usam suas ferramentas para a promoção do terror.

"Gente nasceu pra brilhar!!" (deixa eu "viadar", que hoje é sábado! :P)

ê cumpádi...

É mais fácil devolver uma maleta cheia de dinheiro pra ser estrela de uma campanha institucional sobre "como é bom ser honesto", do que devolver um elogio...

(porque o anonimato da gentileza não parece lá tão atrativo...)

É estar preso por vontade

Costumo dizer que mesmo sozinha, sou uma multidão.

Sou muitas executivas, muitas mulheres, experimentando a cada dia uma forma de sobreviver a mim mesma. Vivo em constante triagem do que me interessa, do que me cabe, do que me serve.

Penso que só posso ser feliz desta forma, repetindo e renovando todo dia algum voto que tenha feito na vida. Em qualquer instância.

Hoje especialmente, é um dia de renovação do mais precioso dos votos: o do amor. E o amor me interessa basicamente como combustível e alimento. Sem ele, nem "executivar" vale a pena.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quem não guia, deixa-se guiar (ou não)

Meu lugar preferido num automóvel é no banco do carona, e esta condição imposta por alguma limitação motora, também me limita a sorte de palpites sobre o trajeto.

Foi nesta condição passiva, na companhia de uma colega ao volante, que a ouvi observar agressivamente sobre o quanto eu "dou esmolas pra qualquer um na rua". E no quanto eu desconsidero que a esmola é "pra bebida, pra drogas, pra prostituição..."

Eu ia mesmo ponderar que a minha ótica de generosidade só alcança até o momento da doação. O uso do que entrego não me compete. Mas aí achei bem melhor sintetizar:

"Querida, eu também te pago uma esmola todo mes e você faz o que? Vai lá e compra suas drogas... ingresso pra show de música sertaneja, roupa com brilho e até perfume do avon pro seu namorado. Cala boca e prestenção no farol."

cade a decência que estava aqui?

Globalização é quando a terra treme no Haiti e a gente se esfola no Brasil. Quebra a cara de vergonha.

Quem tiver idosos e crianças em casa, por favor, remova-os. O teor é pesado, mas eu preciso contar.

Mentira. Não é pesado, é bagaceiro....mas dá no mesmo. Uma colega enviou e-mail pra um contato comercial, de uma empresa parceira de negócios. E como toda moça fina e de bons modos perguntou da esposa do dito-cujo, como quem pergunta educadamente se a vida lhe cai bem ultimamente.

E ele, respondeu "ah, vai bem. Mulher bem f..... sorri à toa."

(Posso chorar gente? De depressão profunda e escárnio pela raça humana?)

da honestidade

Num dos currículos que a Psicóloga da empresa lançou sobre minha mesa, um bilhetinho escrito num post-it escandaloso:

"As pessoas verdadeiras continuam sendo queridas entre nós, né?"

Só depois entendi o recado. No item pretensões profissionais, a pessoa escreveu um nocaute: desejo enriquecer rapidamente.

Parabéns! Deus te abençoe.

marcelo, o recreacionista

Convocação aos meus leitores:

Espiem o blog do Mar*, o maridão-queridão da Kakinha (minha miguxa), por favor. Especialmente se assim como eu, estiverem a fim de um relax ininterrupto. Assuntos pra todos os naipes... a-t-ó-r-u-m!!!

www.daredacao.com

e a família, vai bem?

Quem não gosta de receber elogios? Né?

Problema é quando a gente passa a conhecer as referências globais da pessoa, dona da boca de onde saiu o elogio.

Assim sendo, quem adoooora o Benito de Paula, dá a alma por uma batata-recheada e consome livros de numerologia da Aparecida Liberato, não pode querer que me chamar de "super executiva" caia na lista de delícias-pro-ego.

Lamento.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

espanque com moderação

Uma pessoa que vai a um meeting empresarial em Dubai e passa boa parte do tempo assistindo aos jogos de futebol na televisão do hotel pode ser considerada um caso de naufrágio executivo?

Fiquei pensando nisso depois que uma amiga falou que esta minha conduta merecia uma "havaiana de pau".

Resolvi pesquisar o vídeo da tal da "havaiana de pau". Gente, Mell Dells!

(Quem tiver paciência, corre e espia o tal vídeo. É antigo e é só procurar no gúgôl.)

a realidade sobre nossas fraquezas íntimas

Dia extenuante rende uns absurdos saídos do âmago da minha tontice - corporativa e pessoal. O maior de hoje foi dizer a uma amiga que parei de fumar, mas ainda morro de tesão por cigarros.

E ela, boa fumante, devolveu "ah Monga... é mais vergonhoso expressar que se A-D-O-R-A fumar do que fumar em si..."

E é bem verdade. Nem tá mais aqui quem falou.

Cigarro? O que é isso? Nunca-ouvi-dizer.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

para Gabi Pinheiro

Hoje vou mandar um beijo público pra Gabi, minha amiga, leitora, parceirona de altos papos...

Agradecer pelo e-mail tão fofo, e tão impregnado de amor ao próximo e lucidez para com as coisas que nos cercam que me fez reunir os colegas... Este é o poder das palavras: elas também são agregadoras de outros seres humanos.

Um e-mail pode ser objeto de troca e celebração durante um café, numa tarde chuvosa.

(Obrigada, querida.)

nada de novo no front

Gestor que faz cursinho no Sebrae e sai de lá "palestrando" pros colegas com grande grau de arrogância me deprime profundamente.

É como ir pra guerra com canivete. E achar que o inimigo vai se borrar de medo.

da silva sauro

Desespero de usar um sobrenome em comum para angariar vantagens faz as pessoas cometerem atos de suicídio profissional. Eu evito me associar até com mamãe, que dirá com parente de quinta geração...

Se a pessoa é minha parente de fato, eu confirmo. Se não é, nunca-vi-mais-magro-ou-mais-fofinho, pra que mentir?

Compensa dizer que é meu parente por parte de Adão e Eva, porque o cara é famoso no mundo corporativo? E vai que ele é fotografado com uma modelo sem calcinha?

Sou católica, gente.

oferecendo o dedo e perdendo a perna

Quando a gente faz um FAVOR pra um cliente deveria fazê-lo assinar em algum lugar (nem que fosse na parede do banheiro) que está tomando ciência desta condição.

Éfe á vê ô érre = favor. Do verbo das gentilezas.

Porque aí quando o cara insistir numa cobrança mais acintosa, a gente poupa o assessor jurídico de esfregar um contrato na cara da pessoa.

Prontodesabafei.

momento super star

"Monga, as vezes não quero aceitar determinado projeto e fico sem jeito de dispensar um cliente. Sugestões?" Maria Eduarda Mello - SP

Dudinha, querida... eu uso a tática "camarim de estrela".

Peço uma sala com tapete persa, muitas tâmaras, 25 toalhas brancas, um sofá com couro de elefante - pra começar. Depois exijo 2 motoristas (um loiro e um moreno), refeições tailandesas e um monitor de plasma com episódios ininterruptos de Gossip Girl.

Na inviabilidade de atender aos meus pedidos, não rola. Dispensa fácil, fácil.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

oversize overdose overtudo

Não tenho absolutamente nada contra mulheres fashionistas e homens pavão. Nada mesmo, afinal de contas nenhuma executiva que use camiseta branca de segunda à sexta tem o direito de cagar regras.

O que pega é a tal saia de cintura alta. As executivas que convivem comigo usam e eu fico angustiada, desvia a minha atenção, perco o foco na conversa e quando dou por mim quero baixar a saia da criatura como se a estivesse livrando de um grande sufocamento abdominal. Sem contar que me pego pensando "esta mulher não tem umbigo, só tem peito e piriquita".

Se usar o combo saia com cintura alta e cinto gigante, aí me acaba de vez. Concordo que seja elegante, mas sei lá.

Rola uma crise interna. Deve ser porque exijo meu corpo livre, todo o tempo. Visto calça 48 num corpo de manequim 40.

evitando a morte e a invalidez

Educação e bons modos é aquilo que dá expediente quando a verdade fede.

Assim, ó: pra demitir um funcionário que estava sob minha supervisão direta, em treinamento e experimentação pro cargo de Diretor eu precisei notificar seu chefe e precisei elencar algumas justificativas.

Está "sendo suicidado" do cargo porque: 1- não está apto para a função; 2- apresenta uma imaturidade crônica; 3- sua conduta agride aos princípios da empresa e 4- o moço tem metas pessoais duvidosas.

(Real motivo: chama o chefe de corno e fotografa as coxas das clientes na surdina).

a mais profunda cópia

Me ensinaram uma técnica moderníssima para não cumprimentar aquela visita indesejada na empresa: enfiar a cara dentro da máquina de xerox.

Além da dispensa de "oi" e "tchau", você ainda pode argumentar que está tirando uma cópia do seu eu interior.

neste vale de lágrimas

Tem dias em que venho à empresa pra deliberar, noutros dias venho pra formatar as idéias, conferir-lhes o mínimo de ordem careta.

E as vezes eu venho pra empresa pra chorar. Simplesmente trancar a minha sala e chorar.

Qualquer produção tem que ser gerada a partir de uma verdade indissolúvel. Logo na contratação eu aviso aos colegas: se a sua verdade é dormir até as 15h todos os dias, pois então d-u-r-m-a.

Mas quando chegar, revele-se. Saia do limbo profissional. Cause. Aconteça.

Nos dias em que minha produção é choro, é nisso que me concentro, até as 18h. E ai de quem me interromper. Demissão por justíssima causa.

ballroom

Convidei uma professora de dança de salão pra ensinar uns passinhos pros colegas lá na empresa. Foi uma coisa imprevista, fora de qualquer agendamento ou aviso prévio.

(Eu sei dançar estas coisas - e ritmos me atraem normalmente - e facilmente).

Também não previa a revelação de muitos pés-de-valsa e surpresas do tipo "estagiários-com-menos-de-20-anos-que-são-exímios-maxixeiros."

Fico certa de que quando a gente descobre alguma aptidão adormecida, cabe neste momento uma dose de "metidez". Ser metido não significa chutar a canela do parceiro, propositadamente. Nem arrogante a ponto de dispensar a condução do "cavalheiro".

Ser levemente metido significa que o maestro pode mandar a música, que a gente baila. Baila lindamente, com ou sem par-constante.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

rodas-gigantes, cérebros idem

O que me fascina num ambiente de estranhas ofertas de pouco-cérebro e muito anseio salarial é encontrar pessoas que estimulam um estudo de caso.

Segundo os colegas psicólogos da minha equipe, as escolhas dos profissionais que trabalham comigo estão diretamente condicionadas à forma como estas pessoas pensam.

Verdade.

Porque trabalhar aspectos técnicos num cara qualquer, a gente consegue. Ensinar a pensar, não.

Ou sabe ou num sabe.

dentro de mim bate uma curiosidade

Estive reunida com alguns executivos e um terapeuta holístico que foi contratado (glup) por uma empresa pra desenvolver um troço lá que ele chama de adequação de energia do ambiente.

Comigo é assim. Se tocar valsa eu valso, se tocar funk eu vou até-o-chão. Em termos de adaptabilidade sou a própria mulher borracha.

O único momento em que me senti desconfortável foi quando o Dr. Floral me perguntou porque eu sou tão falante e sorridente. E porque eu me chamo xxxxx*, e porque o céu do meu mundo é azul.

Eu respondi educadamente. E também perguntei porque os periquitos quando comem batata com curry têm diarréia. Eu também tenho as minhas curiosidades holísticas, uai.

domingo, 17 de janeiro de 2010

o efeito de reger (again)

Ninguém na minha empresa concorda quando eu digo que emibiêi não serve pra bosta nenhuma em certas ocasiões.

As instituições de ensino podem até oficializar alguma coisinha que caiba num canudo, mas educação por princípios é dever lá de casa.

(Eu nunca tive aula na faculdade de "Gestão Moderna de Sistemas Motores: como não colocar os pés sobre a mesa do escritório, módulo I". Pelo menos não que eu me lembre.)

o efeito de reger

Regimento interno é uma coisa bem arcaica. Do tipo "criancinhas, é desejável que vocês não coloquem o dedinho nas tomadas, meus anjos."

Eu sempre opto pelo caminho da educação/formação de base que dispense qualquer lembrete espartano. Sei que não é fácil impor consciência suiça em comportamento brasileiro, mas alguém tem que peitar este esforço.

A começar pela coisa do "regimento" que só traduz em normas uma política nem sempre coerente.

Talvez porque eu seja preguiçosa, e como tal, penso que os pressupostos são t-u-d-o. Acho um pé no saco oficializar num documento que a vaga do cliente, por exemplo, não deve ser usada pelos funcionários da empresa. (...)

enquanto isso...

Do blog da Dani* e da genialidade do Millôr:

"Eu sofro de mimfobia, tenho medo de mim mesmo.
Mas me enfrento todo dia."

[Millôr Fernandes]

compreensão brochante

A gente sabe que chegou num grau máximo de feitos lendários quando os pais sentam pra conversar já falando "minha filha, se você quiser virar padeira, ou sei lá, comprar aquele Puma GT e viajar ali pra Sidrolândia... papai-mamãe vão te apoiar, ok?"

Eu só queria falar que a empresa, a vida amorosa, os planos, tudo vai indo bem.

Tá certo que não tenho mais idade pra rebeldia, mas meus pais são tãoooo tolerantes que isso até me frustra...

sábado, 16 de janeiro de 2010

se perguntarem por mim, digam que eu s-u-m-i

"Pra quando é este neném??" - perguntou minha mãe toda faceira, acariciando a barriga de uma das minhas maiores clientes.

E ela retribuiu, docemente: "Dona Mãe da Monga, não estou grávida. Estou gorda, mesmo."

(então eu vou dar um pulo no Haiti pra ver se dou uma morridinha básica e já volto...)

até a fessora se apavora

Quando eu era estudante nunca reparei no sortimento de capas de caderno, estojinhos com estampa florida ou post-it com cheiro de limão.

Aliás, eu quase nunca tinha caderno e levava uma flauta pras aulas só pra encher o saco. Fui suspensa um milhão e setecentas mil vezes por "conduta inadequada" (que injustiça...)...

Hoje fui comprar materiais de escolinha pra dar de presente a uma menininha e fiquei rosa-chiclete! Tantas opções de lápis, borrachas, etc. etc...

Calculo que este mercado deva movimentar uma grana preta, porque o mesmo caderno com uma capa blasé = 15 reais. Com uma capa da Hannah Montana = 3.657, 53 reais (ou quase isso).

To pensando em licenciar alguns bloquinhos da Monga. Será que alguém compraria?

e por falar em caminhões

Agora dei pra exercer uma mediunidade sabotadora.

Penso num cliente e plim! Ele aparece no restaurante onde estou, ou no supermercado, ou no shopping. Porque não basta falar em trabalho, o trabalho tem que agir persecutoriamente.

A prova cabal foi que desci do meu carro, vi uma pick-up enorme, estilo big foot, estacionada ao lado e pensei "ah... o zé-breguice ia amar este carro".

No instante seguinte, ele, a patroa e as criancinhas saltaram do veículo.

To com medo.

vale quanto pesa ou pesa quanto vale?

Quando eu ouço a frase "tal pessoa ou tal coisa é muita areia pro meu caminhãozinho" eu sempre penso o seguinte:

Tá. Vamos inverter.

E se a areinha for "muito pouca" pro meu caminhãozão?

Porque o sucesso não tem a ver com o tamanho da carga ou do veículo, mas com o valor de ambos.

haja paciência!!!!

Ao me dirigir a um quiosque no shopping pra pedir informações, me deparei com a cena ao lado: a senhora-funcionária estava jogando paciência, ora veja!
Que absurdo...
... eu precisando de alguém na empresa pra me ajudar a melhorar meus índices no joguinho e esta pessoa mal aproveitada num estabelecimento qualquer!!!
Ah!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

cacofonia medonha

Olha pípol... não sou das mais rançosas com a linguagem, nem poderia, porque vez ou outra eu falo umas merdas (e ainda as registro em ofícios, cartas e relatóriusss). Mas se tem coisa que me azeda é frase que dá a entender outra frase, em função dos ganchos. A "boca dela" então, me tira o sono...

Pra piorar, escuto esta pérola:

"Monga, só confio em você."

Eu: pode socar o fio noutras bandas, tchê.

posso perguntar?

Ouvi de um colega evangélico fervoroso:

"A fulana quer arrotar na empresa que se converteu a minha religião mas eu sei que ela era uma promíscua que vivia drogada, na sarjeta."

A pergunta da executiva Monga e ignorante-religiosa:

Converter não significa modificar alguma coisinha? Transformar? E não é bom que ela tenha sido "salva"?

Ah! Mais uma perguntinha.... quem precisa ser "salvo" de alguma coisa, a propósito? (só por curiosidade...)

com meus votos de sucesso

Abraço de irmã pra Isa*, minha amiga blogueira (Blog do Rádio Carioca), companheira de reflexões espirituais e pessoais e agora JORNALISTA formada e encanudada.

(Querida, diploma na mão certa sempre vai ser importante. Parabéns pela vitória!)

vamu pulá, vamu pulá, vamu pulá, vamu pulá

Descobri que admiro muito os funcionários públicos ou as pessoas que acreditam que têm vocação PARA. Ou que apostam tudo numa aprovação em concurso.

Admiro mesmo, do verbo ADMIRAR.

Não tenho disciplina pra estudos sistemáticos, não tenho paciência pra serviços contínuos e iguais e não tenho perfil pra nada que inclua a minha manutenção num espaço geográfico único.

Sem contar a tal da estabilidade, porque nem no leito de morte eu desejaria algo estável pra mim.

Eu sofro de hiperatividade multisetorial pessoal, ou seja, adoraria ser "piloto de prova" de camas elásticas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

instrutivo e lúdico

Precisava traçar um planejamento e escolher video-aulinhas pra um grupo que está sofrendo a minha consultoria.

Eram tantas opções enobrecedoras e úteis, que foi difícil eleger uma proposta logo de cara. Consultei meu pedagogo organizacional favorito e juntos decidimos:

Exibiremos episódios de "Todo mundo odeia Chris."

Mó legal!

Ka, posso furar a fila?

Minha amiga Ka* e eu costumamos dizer que se nada der certo nesta vida a gente simplesmente empacota os corretivos, os esmaltes e cuecas femininas da Dior e se apavora rumo à São Thomé das Letras, em Minas Gerais.

Ficaremos lá sentadas na Pedra da Bruxa, porque lugar melhor não há "quando tudo está perdidooooo".

Ontem ficamos sabendo que existe uma pousada pra arrendamento. Baratinha, limpinha e gentil.

Então, vida-minha, empresa-minha, amor-meu... se pintar dor... já tenho esconderijo!

quem voa não teme

A situação do Haiti acabou comigo e a morte da Zilda Arns me empurrou a uma reflexão enorme.

Especialmente quando ouvi seu filho falar "se minha mãe soubesse que seria atingida por esta tragédia antes de ir lá levar sua mensagem pra'quelas pessoas, ainda assim ela teria ido."

Perdi uma figura importantíssima no meu imaginário sobre mulheres fodásticas.

Mas ganhei um exemplo insubstituível pro conceito de LIDERANÇA.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

pense-se!

"A maior tragédia industrial foi separar o trabalho da vida."

(Waldez Ludwig)

compulsão corporativo-alimentar

Quer saber se algum quitute que você oferece na empresa está vencido? Se aquela bolachinha fuleira deu fungo, ou se o café é de quinta? Precisa de avaliação quanto às balinhas da recepção?

Me chame pra uma visita.

Por onde passo eu vou consumindo o que vejo pela frente. (Antes mesmo de dar bom-dia pras pessoas...)

Impressionante.

me deixa (que hoje eu to de bobeira)

Diálogo previsível, de uma executiva mais previsível ainda:

Pessoa-sabichona: - "Monga, dá impressão as vezes que você quer salvar o mundo!"

Monga-eu: - "Dá a impressão? Que pena! Não tem como dar certeza de que eu quero salvar o mundo?"

Uhu.

compaixão, meu filho, vem antes do cifrão

A maior dúvida de um gestor é se, durante a consultoria, ele deve e pode demitir alguém. Particularmente eu e meus colegas executivos aconselhamos que não, pois isso fere a base de valores que procuramos fortalecer durante as mudanças.

Hoje ouvi um contra-argumento aflito "Maaaaassss Mongaaaaaa!!!! Pra que vamos nos preocupar com a imagem que alguém tem da empresa, se esta pessoa estiver saindo da empresa???"

Porque esta pessoa é uma pessoa. E pessoas vem antes dos processos.

E porque nossa preocupação é com quem fica. Não é possível a gente convencer a um grupo a produzir com qualidade se eles perceberem que não ligamos a mínima pra seres humanos.

"Saída" ou "entrada" são só plaquinhas na portaria.

só quero saber do que pode dar certo

Hoje descobri a primeira limitação motora e sinestésica que meu problema neurológico deixou de herança. Juro que não pensei que seria tão rápido, mas saúde é um grande mistério e vamo que vamo.

Por alguns instantes avaliei de que forma isso poderia intervir na minha vida. E na escala de valores, a primeira preocupação envolve a pessoa que eu amo.

Em segundo lugar, pensei na pessoa que eu amo. E em terceiro lugar, na pessoa que eu amo e com quem escolhi ficar até a velhice (sim, sou baita piegas...). Como a opção carreira não apareceu entre minhas necessidades vitais já posso começar a pensar na aposentadoria compulsória.

(E posso sorrir. Sempre, sempre).

e fodam-se as normas

Perguntei pra um administrador que há muito me pede uma vaga de trainee:

- Qual a coisa mais importante na sua vida?

Ele: - Meu filho! - (com os olhos marejados)

Eu: - Tá contratado!

me dei por vencida

A gestora de finanças que trabalha comigo foi mais criativa na hora de definir a estrutura deste novo projeto, ao passo que eu fui mais molenga.

Segundo ela a síntese do que ofereceremos é "não basta trabalhar só com as necessidades de quem procura um emprego. Temos de trabalhar também com quem oferece as vagas."

"Trabalharemos com os precisados e com os precisantes."

Me poupou o esforço marketeiro.

novidades no ar

Com algum esforço e sobretudo com excesso de maluquice, adquiri uma empresinha nova.

Não sei o que fazer com ela ainda, mas brincar de descobrir, me agrada.De certeza, posso antecipar que trabalharemos com convites e acompanhamentos.

Convidaremos as pessoas a trabalhar e as acompanharemos no mercado de trabalho.

Acho que o nome disso antigamente era RH. Ou recrutamento e seleção.

Alguma caretice dessas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

genialidades sobre a genética

Bastante intrigada, a funcionária me indagou:

"Monga, os chefes aqui da empresa são gêmeos vitalícios?"

Eu pensei... pensei... e bocejei:

"Olha, a menos que um deles morra antes, são vitalícios sim."

:)

prioridade é comprar canequinhas

Cliente recebe seu cartão do BNDES e se empolga no traçado de planos.

O verbo regente que até ontem era "conter" hoje é "comprar".

E chama a copeira pra trazer cafezinhos (porque executiva Monga só brinda com cafeína) e juntos celebrarmos este momento "desatolando a gente chega lá".

Aí eu estrago a alegria contagiante, porque posso até engolir toda sorte de privações emocionais e financeiras em prol de um projeto, mas brindar em copinho de requeijão NUNCA.

o pavão misterioso (parte II)

Depois que passa a raiva, a alegria segue o curso. Não minimizo a dor de ninguém, mas é notório que não me permito olhar pra espinhos por muito tempo. E vou puxando a galera pra sorrir comigo (punimos a angústia com excesso de felicidade).

Pensei que se soubesse antes desta "atividade extra" do moço teria indicado uma vaga no setor dele pra uma amiguinha necessitada.

(E com certeza nesta hora ele estaria me chamando pra prestar queixa do assédio DELA!!hauahuahauahaua)

o pavão misterioso

Não rolou uma surpresa quando esta Senhora me falou quem foi o rapaz que a molestou (vide post abaixo). Se eu disser que não avalio as pessoas por intuição estarei mentindo duplamente: pra mim e pra vocês. Alguma sirene irritante disparou em mim desde o primeiro instante em que conversei com este funcionário.

Mesmo assim, resolvi reler meus relatórios íntimos de impressões sobre as pessoas da empresa e lá estava...

"Funcionário W.....* = reticente, incoerente por vezes, de uma ironia desconcertante e inclinado a associar situações de trabalho com a vida sexual das pessoas."

(Foi uma prova pessoal que me confortou, afinal, nem só de subsídios técnicos vive uma executiva...)

o terror silencioso

Não basta enfiar o dedo na ferida, tem que propor tratamento.

Uma das frases mais recorrentes no meu cotidiano é que eu não costumo vender band-aid's. Quem estiver disposto a uma cura por princípio endógeno e quiser consertar as coisas desde as entranhas, aí sim eu posso contribuir.

A pele é a última camada - sempre.

Pela primeira vez me vi às voltas com uma situação de assédio sexual pesadíssima num ambiente corporativo onde estou trabalhando. E a Senhora vítima desta truculência, já com seus 50 e poucos anos, escolheu a mim pra relatar o fato.

Evidentemente tomei minhas providências cabíveis. Sem execração, mas com punição.

E trataremos os adoecidos (tanto a vítima quanto o algoz).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vivendo de mesada

Ninguém entende porque chamo o pai de uma amiga de "Sr. Highlander".

A explicação é simples e indolor: se ela com quase 40 anos nunca se manifestou no sentido de obter sua independência financeira é sinal que acredita que seu paizinho é imortal.

Né?

num raio de meio metro

Muitos colegas recorrem à emblemas históricos pra falar de pessoas que usaram a inteligência à serviço da crueldade, como se isso plasmasse melhor certos exemplos pros funcionários em treinamento.

De Hitler à Muamar Kadhafi, eu nem chego a passear entre a Alemanha e a Líbia.

Fico ali pela esquina, mesmo. Até o dono da maior rede de supermercados que proibe o operador de caixa a sentar ou beber água durante o expediente, já serve de anti-cristo empresarial.

(Ok. Ok. Ok. Isso é só crueldade. Inteligência passou looooooonge.)

mesmerizando

Tantas conversas cansativas sobre quem concentra maiores doses de poder decisório que acabei provando pro cliente que isto nem faz diferença na prática.

Na sua empresa, o dono do cetro é aquele que tem poder "influenciatório".

(É quando as decisões são apenas o registro oficial do que alguém já manipulou).

;)

domingo, 10 de janeiro de 2010

o valor da comunicação

Conheço gente que caminha 3 km numa fazenda pra ter sinal da operadora telefônica e conseguir f-a-l-a-r com alguém e conheço gente que não dá dez passos pra falar com alguém da sala ao lado.

A diferença entre ambas as situações não tem a ver com distâncias.

Na escala evolutiva em que se encontra cada indivíduo, a sua linguagem obedece ao valor do seu conteúdo.

glicerina corporativa

A maior lição sobre aconselhamento de carreira a gente aprende lavando a louça de domingo.

Quando o executivo - ou seja lá que profissional for - estiver confuso e cheio de molho ressecado por todas as reflexões que deixou no forno emocional por horas, a gente pega um detergente bom, mistura num tantão d´água e coloca o refratário de molho dentro da pia.

Na hora em que as crostas descolarem, a gente consegue novamente um vidro limpinho e transparente.

Assim é a consciência da condução de carreira. Sujou, lavou, tá apta pra qualquer receita.

consultoria de caminhoneiro

As constatações óbvias que adoramos....

"Hemorróida e salário alto, quem tem, esconde."

banho de arroz agora não é só pra noivos

Entendo nadinha de budismo, islamismo, parasitismo e afins. Ocorre que no quarto da Doutora Minha Mãe Biológica há uma imagem clássica de Buda sobre um pratinho com arroz cru.

E minha sobrinha* de 3 aninhos volta e meia pede pra "vovó mais arroz pra por no Bunda!"

Hoje leio no blog da Rosana Hermann sobre uma prática pra salvar celulares e eletrônicos molhados, que parece bem eficiente. Segundo ela deixando por algumas horas o objeto molhado-suado soterrado no arroz cru, ele recupera a vida útil. Pensei em muitas situações de adequação disso aê. Se virar moda, já já os spas criarão os banhos de "arroz nobre" (sim, porque tudo depende do apelo chique).

Vou contar pra Julinha* que a titia não vai mais rir sobre Budas, bundas, suor e arroz.

sábado, 9 de janeiro de 2010

incentivo ou deboche, minha filha?

Tenho visto uns carros cor-de-rosa circulando pela cidade e alguém me disse que é prêmio de produtividade de uma destas empresas enlatadas. Dessas que vendem shake, blush ou sabão em pó. E só mulheres que recebem este mimo (super discriminação, gente...)

Sinceramente se meu incentivo num programa de desempenho e metas fosse ganhar um Astra (e desta cor), eu tava ferrada.

(Tentaria trocar por um patins ou uma prancha de surf nova - que eu to precisando à beça.)

enquanto seu Lobo não vem

Sinto falta daqueles vendedores ambulantes que vendiam de porta em porta.

Bateu aquela necessidade de comprar aquilo que não preciso. Sei lá, uns baldes de plástico vagabundo, umas cadeiras com estofamento florido...

Ou então é pretexto pra conversar com estranhos. Isso sempre estimula minha criatividade.

troca o filtro, pelo menos!

Desemprego é uma triste cena, porém, tenho tido a chance de sopesar e reconsiderar este dado de realidade.

No meu quadrado executivo tem pintado muitas vagas. Me sobram pessoas muito interessantes e poucos interessadas.

Eu falei interessadas.

Parece que não é só o ar que é c-o-n-d-i-c-i-o-n-a-d-o. As pessoas também são. Especialmente condicionadas à preguiça.

circulando - segundo ato

Vou registrar na memória a expressão de felicidade deste moço (recém-formado, com expectativas aos montes e num vácuo de perspectivas doloroso) quando eu falei:

"Aqui não vai rolar a mínima adequação pra sua carreira. A empresa não tem interesse em mantê-lo amigão..." - e guardei uma pausa longa. Silêncio.

E engatei "Maaaaaaaaaaaassssssssss, já arranjei algo pra você, bem melhor, inclusive."

Foi uma situação de felicidade tão genuína que me empolguei no samba.

Momento Globeleza.

circulando

Sapatos e roupas quando não tem serventia no closet eu mando encontrar abrigo em outro corpo.

É a generosidade de abrir espaços.

Hoje perguntei pra um gestor se ele iria de uma vez por todas encontrar finalidade no administrador júnior que estava ocioso. Ele sustentou que NÃO. Nada mais natural que eu conduzisse o rapaz a uma vaga excelente que caiu no meu colo - lá em um reino distante do paraíso corporativo...

Chefes que misturam colaboradores com entulho de obra não me agradam.

Neste caso, final feliz. Eba-eba.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

não gabo o burro antes de passar na lama

"Monga, você está enfatizando tanto as qualidades deste funcionário com a intenção de que eu o contrate, que certamente esta pessoa é da sua família, não?" - indagou meu cliente-empresário.

(Na na ni na não. Prova maior de que este serumano não é da minha família é eu ter este excesso de formosura ao promover suas características. O que intensifica a tese é que eu usei bastante a expressão "é uma pessoa equilibrada".)

aqui o sistema é bruto

Numa relação social, familiar ou amorosa qualquer, as pessoas tendem a buscar eco pros seus gemidos. Ouvidos pras suas lamúrias. E parceria pras suas tiranias.

Na empresa também. Consultores sempre são submetidos à pressões.

Se há uma sociedade constituída, um dos lados quer usar a consultoria pra implantar os anseios pros quais nunca foi atendido. O nome disso é tentativa de manipulação.

Meu pai questionava, no almoço, como eu iria proceder. Respondi tecnicamente - ao que ele sugeriu " Não é mais fácil você mandar este povo à merda?"

Alguém me entende! Eeeeeee.

em nome do amor

Na hora em que ia dispensar o funcionário que estava em treinamento, escutei sem querer um telefonema dele informando a um parente que vai casar, porque finalmente saiu da fila dos desempregados.

Aí eu pensei. O motivo da dispensa era a pouca iniciativa. A inércia constante.

Mas... já que eu soube que ele vai construir uma vida com alguém, resolvi usar este projeto pessoal dele como estímulo. Vou dar uma chance ao moço.

E uma big chance pro casal, inclusive.

cada um com suas medalhas

Os critérios das pessoas são mesmo bem variados. Uma executiva me apontava "adquiro meus bens de consumo pelo valor de mercado... o carro... o imóvel, os eletrônicos... não importa meu gosto e sim quanto eles valem pro comércio."

Eu já sou o contrário. As coisas tem que valer especificamente, aquilo que só valem pra mim. Nunca dei bola pra valor "do mercado".

A não ser que mercado seja o nome alternativo do meu desejo íntimo.

não tem como manter o nível

Quando não se tem certeza deve-se manter a retidão das opiniões.

Presenciei o "sepultamento da moral" de uma mocinha que trabalha no shopping, numa dessas lotéricas. Uma cliente histérica a chamava de "ladra", de "trambiqueira" e outros adjetivos do gênero - tudo porque a tal cliente afirmava que o troco estava errado e lhe faltavam 50 reais.

Depois de um excessivo manifesto, a mulher se calou. E eu, por sorte, ouvi quando o marido lhe murmurou "Meu bem, fizemos a conta errada... o dinheiro está comigo."

Mas ah! Certas coisas "caídas" no ouvido de uma Monga com sede de vingança.... uuuuuuuu.

Bafão em nome do Bem. Faça o que quiser, mas não humilhe nenhum trabalhador na minha frente. Grande chance de barraco irracional.

poetando em 5 minutos e trabalhando em 20 horas

Displicência é muito pior do que uma agressão.

Um grande lago de silêncio é a mais terrorífica encenação do caos. Quando eu canso, pra valer, assim na versão full do cansaço, eu fico catatônica.

Sempre falo pros colegas que me tragam pepinos (muitos, vários) preferencialmente em saladas inéditas.

E que se atentem pra minha regra fundamental de convivência... erre de propósito, quando estiver com a alma quebradiça. Mas não erre pela tal da displicência.

Porque toda displicência é uma forma de abandonar as mensagens importantes.

sobre rodas e ciclos

Passados tantos anos da minha infância continuo apreciando parques de diversão...

O sabor da brincadeira não se envergou no meu exercício profissional.

Importante é o que gira. Topo ou chão nem é mais uma questão de merecimento. Faz parte da dinâmica do "brinquedo"...

(Jenny*, obrigada pela foto. Lov U.)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

yeah, I am

- Monga, você é daltônica por acaso??? (cara de xi, esta executiva mistura as cores pessimamente).

Eu: - Sou, desde que fiz uma neurocirurgia (verdade absoluta, gente).

- Ai, mil perdões. (cara de xi, falei besteira-fui-indelicada)

Mal sabe a colega que esta é uma desculpa muito confortável pra eu usar fúcsia com verde limão.

Delícia.

em más companhias (segundo ato)

Consultar opinião de mãe sobre carreira é igual fazer exame de DST.

Depois que você fode tudo é que resolve ouvir alguém.

em más companhias

A candidata a uma vaga na minha empresa falou que precisa consultar sua mãe pra saber se aceita a minha oferta.

Já conheço este lero-lero. Na hora em que "a senhora mãe da moça" me conhecer, acabou a chance de carreira comigo.

Eu sou péssima influência.

a ocasião faz o bobalhão

Ainda hoje presencio no ambiente corporativo o exemplo clássico de conduta medieval. Conduta esta que parte de sentimentos de igual monta. Medievais, inapropriados e toscos.

Testar o caráter de um funcionário formando arapucas que envolvem dinheiro é fim de carreira pra qualquer gestor. Por vários motivos. Nenhuma ocasião faz nenhum ladrão. Eles se fazem sozinhos.

Há outras formas de analisar a conduta alheia, porque esta é uma conferência rude do comportamento feita por mecanismos sujos e limitados. Denota na verdade a falta de caráter do superior (mais uma vez lembrando que superior neste caso é apenas a retórica da hierarquia funcional).

Promova testes mais relevantes. Convide seu funcionário pra um trabalho voluntário. Crie uma horta no quintal da empresa. Faça o "dia do circo". Teste e muito. Mas teste as habilidades das pessoas no exercício de seus papéis... hmmm... vejamos... HUMANOS!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

tem coisas que só a Deusa-Mãe explica

Há quatro anos eu conheci uma profissional que fez muita diferença na minha vida. Alguém a quem eu admirei instantaneamente. Eu fui pra um lado da caminhada, ela pra outro. Nos perdemos. Soube que ela se aposentou da Universidade onde lecionava Economia, enfim... Só que nunca a esqueci... e nem das suas palavras fortalecedoras de estima.

E hoje, pela força mágica da vida, falei pra uma colega "eu vou visitar este cliente novo! me deu vontade! Fica aí lendo a Gloss deste mês, querida..."

Lá chegando, era ela. Ela,minha í-d-a-l-a.

Reencontro, surpresa, sorrisos, carinho genuíno. Fechei o melhor negócio da tarde porque abri o coração em felicidade!

carão

Recebi hoje o convite profissional mais aguardado do século!!!

Aquele momento que a gente espera pra caramba, quase desejando que toque Frank Sinatra e vários sinos badalem pelas ruas da cidade.

Ta. Uma coisa bem beesha, mesmo.

E na "hora-Acme" eu fiz cara de tatu-bola. Eu fiz cara de paisagem. De indiferença. Não esbocei um sorrisinho.

(Quando Deus fez o blasé em potencial, eu devia estar na Terra dando capacitação. Só isso pra justificar tamanha postura "an?").

muuuuuuuuuu

"Monga, um consultor me garantiu que traz novos clientes. Que faz o meu comércio bombar. Estava meio inseguro quanto à contratação dele, mas como o mesmo foi convincente fechei o contrato. Você conhece estas táticas que trazem de fato clientes? São eficientes? Quais são elas? Grato, seu leitor Aparecido - Ponta Grossa/ PR."

Ah querido. Este consultor deve ser peão de fazenda - eu suspeito.

A única garantia que eu dou, em consultoria, é que eu não garanto nada.

E pra assegurar a vinda do cliente, assim categoricamente, só usando o laço, tchê.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ponteiros quebrados

Eficiência é cumprir prazos. Nem precisa de confetes e serpentinas. E prazos são espaços de tempo determinados.

Cumprir uma tarefa complicadíssima entre as 15:20h e as 15:30h não tem a ver com eficiência.

Dez minutos não é tempo.

É esmola do relógio.

é assim que se recebe visitas?

Hoje conheci uma holandesa muito querida, chamada Florence*. É antropóloga, está na minha cidade promovendo um trabalho voluntário destinado à crianças portadoras de necessidades especiais. Estava hospedada na casa de um casal de médicos e este casal foi viajar, assim, subitamente. E a deixou sem teto. Simplesmente não a avisou! Um grupo de amigos, sensibilizado, cedeu sua clínica para hospedá-la e mantê-la minimamente aquecida emocionalmente.

Lá, por uns dias ela terá local decente pra dormir, espaço pra fazer refeições e chuveiro (muito embora eu acredite que será preciso mais do que água encanada pra lavar esta impressão péssima que a moça traz consigo... )

A mim cabe a tarefa de desfazer esta horrorosa idéia a respeito do nosso povo. E sabe... desfazer no fundo a péssima impressão que se tem, independente da geografia, de que as pessoas atualmente são grossas, indelicadas, desumanas e ridículas.

Felizmente não estou neste censo.

cantando no escuro

Um dos grandes traumas da minha vida foi quando a dupla Milli Vanilli teve que reconhecer publicamente que apenas dublava suas músicas - ou seja - tudo uma f.a.r.s.a.

Cantar "girl I'm gonna miss you" era quase um apostolado de dor depois desta revelação bombástica. Eu até chorava.

Já nestes tempos mudernos, executivando e sobrevivendo, a dublagem ganha outra conotação.

Se todos os gestores farsantes reconhecessem que também "só dublam o discurso" de outras pessoas.... pensa só!

Quantos "fãs" iriam às lágrimas da decepção sem fim....

duplo apetite

Pessoa quando tenta explicar o que não tem explicação, quase sempre é acometida pelas manifestações selvagens e constrangedoras do idioma.

"Colega-consultor, você gostaria que este projeto fosse explanado como a Maria faz ou como a Joana faz?"

- Ah... como ambas.

"Como ambas"?

Come nada. Tá com essa moral não.

:P

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

a folha de pagamento não inchou

Nome composto foi feito basicamente pra amedrontar filho. Tipo: "Luis Albeeeerto, anda, menino!".

Pro resto ele é Betinho. Pro esporro não.

Na empresa, o nome composto foi feito pra gente saber que Adriana e Marcela não são duas funcionárias.

É uma só que se chama Adriana Marcela.

Tão simples.

e sempre, e tanto...

Eu sou bem corajosa e me orgulho disso.

É muito fácil brigar pelas idéias num ambiente profissional cotidiano; defender aquilo que se acha coerente ou mesmo garantir a concordância das opiniões. Difícil mesmo é brigar pelos sentimentos.

E eu não sinto nada que NÃO tenha nome. Amor é amor, paixão é paixão, amizade é amizade, tristeza é tristeza, frustração é frustração

Quem não quer dar forma ao que sente, não sabe sentir da forma que eu quero.

que cargo interessante

- Dr. Queridão, qual a função daquela moça aqui na sua empresa?

- Ah... ela é potencializadora de eventos.

- Comassim, Dr. Queridão? Ela trabalha promovendo serviços ou produtos?

-Não, Monga. Fazendo drama por nada e espalhando fofocas.

concurso literário-executivo

Estou aceitando sugestões para meus novos empreendimentos executivos. Preciso de um nome adequado para meus mini-cursos. Nomes são fundamentais. Sem eles não há vida nos projetos.

Não posso chamar de capacitação - porque parece que as pessoas são incapacitadas.

Não posso chamar de treinamento - porque parece que as pessoas são cachorrinhos de circo.

Não posso chamar de qualificação - porque parece que as pessoas são desqualificadas.

Como chamar?

A melhor resposta ganha um livro do Paulo Coelho autografado por mim (sim, porque livro deste Senhor, qualquer Monga pode autografar. :P).

a pressa é inimiga dos carros novos

Um de meus clientes contratou um assessor júnior em caráter emergencial - e experimental.

O "juninho-novato" por sua vez, não esperou a avaliação, muitoooo menos a regularização ( leia-se formalidades contratuais ) e fez o que??? Foi lá e comprou um carrão financiado.

Contou com "o ovo no carburador".

O meu cliente desabafou: "não sou responsável pela precipitação de ninguém. Além do mais, ele se mostrou leviano e presunçoso."

Verdade. Se enfiou num poste gerencial tremendo. E amassou o carro e a moral.

domingo, 3 de janeiro de 2010

cuspida e humilhada

Na minha casa, como diz a minha querida amiga Bica*, "é deste jeito!".

Significa que as pessoas são toscamente felizes assistindo aos filmes reprisados na Globo domingo a tarde. E sugerem que tal como o Will Smith, eu abandone o aconselhamento executivo para me dedicar ao aconselhamento amoroso.

- Posso saber por qual razão, gente?

Todos, em coro:

- Porque você é genial pra palpitar na vida afetiva das pessoas!!! E até hoje só fez cagadas na SUA!!!

(mal sabem eles que estou na melhor fase executiva-amada... ai ai)

"daí então eu fiquei aliviada" (parte 2)

(Falando baixinho, porque falar palavrão é muito feio)...

Me ocorreu que as vezes não basta tirar o cú "da reta".

Na empresa as vezes é preciso tirar o cú da fofoca.

L-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e.

"daí então eu fiquei aliviada"

Por email um colaborador de determinada empresa me contou que adotaram uma sugestão informal saída da minha boquinha linda.

Criaram no calendário organizacional o "dia da confissão". Que eu lembre era pra ser o momento em que cada pessoa contava alguma particularidade de sua vida pro grupo como pretexto de integração, revelação, acolhimento. Um exercício de conhecimento coletivo. Tanta coisa sobre os colegas que a gente não sabe, né? E que as vezes pode fazer falta na compreensão e na tolerância.

Mas daí o povo se reuniu pra contar quem-transou-com-quem. Da chefia ao fornecedor.

Primeira coisa que pensei: "alguém da minha família trabalha lá? meu amor? não? Ufa."

fazer o que, se é isso que me sobra...

Minha família tenta me convencer de que tenho usado demais o telefone.

Na realidade é um hábito mais recente na minha vida. Sempre abominei com todas as forças uterinas. Acho um veículo pálido, tenho mil traumas infantis e uma série de fragilidades que envolvem comunicação sem corpo. (Voz serve pra pouco quando a lacuna é muita).

Sinto falta de conversas ao vivo. Porque eu sou meio polvo. Meus braços, meu corpo, tudo se comunica junto comigo. Pra ajudar, minha mãe sugeriu que ganharei uma "labirintite" por conta do excesso de horas-telefonadas.

Sem perigo. Única tontura é na hora de pagar a conta.

porque me deu vontade

Estou me preparando pro doutorado. Desconheço, contudo,o motivo.

"Dra. Monga" não é exatamente o rótulo que almejo pra minha vida. Mas me atirei na idéia. Uma amigona que é professora no curso de Cinema me indagou qual será minha linha de pesquisa, quem será meu orientador e qual meu objetivo.

Por (des)ordem:

Minha linha de pesquisa está clara: é alguma coisa que ainda não defini.

O orientador está escolhido. Preciso avisá-lo, porém. (E torcer pra ele aceitar).

E quanto ao objetivo.... simples. Não-sei.

vamo nessa

Amanhã recomeça a pajelança corporativa.

Tamo lá, dançando em volta da fogueira. Mais uma vez - amém.

Única coisa que salva é ficar aqui preparando meu material de pós-férias ouvindo o Akon e a Negra Li, gatos, chiquérrimos, embalados pela batida de beautiful.

Dá uma revigorada instantânea, melhor que RedBull.

sábado, 2 de janeiro de 2010

voce tem SONO de que?

Quando eu fazia faculdade de Engenharia (lá na época em que a Hebe Camargo era virgem) bastava pegar um livro de Cálculo Integral que o sono me dominava.

Era meu lexotan matemático.

Agora o sonífero se chama "relatório de perfis". No segundo Zé que eu foco minha leitura, adeus.

"Só amanhã de manhã."

e exija nota fiscal

Odeio gestores que não justificam de maneira clara o porquê da dispensa/demissão de alguém.

Bruta falta de noção.

É o complexo de Ben Harper-Vanessa da Mata. "É só isso-num tem mais jeito-acabou-boa sorte".

Exija seus direitos de ser diminuído - se preciso for. Pensando bem, já que você está de saída, seja mesquinho. Não deixe nada nas gavetas da antiga sala. Leve tudo que é seu!!!!

Até as opiniões a seu respeito.

gritos do silêncio

De nada adianta ouvir atentamente aquilo que os fregueses expressam e não ouvir o que os balconistas falam. Empresa ou armazém, a regra é a mesma.

Pra quem quer o mínimo de adequação na sua forma de guiar a locomotiva empresarial a principal investida é no exercício da escuta.

Nada de câmeras, aparatos de áudio,eletrônicos de supervigilância.

Ouça. Ouça. Indague.Peça opiniões. Ouça novamente. Mas ouça aquilo que sai dos pensamentos das pessoas. Jogue a fita do sistema de segurança no lixo.

Ela serve pra assaltos e balas perdidas, mas faz muito pouco pelas almas que trabalham silenciosamente.

o cálculo do amor

Pra cobrir o rombo da saudade, indico uma nova política econômica.

Pagar com juros e correção "amoretária".

(Pra todas as outras transas e transações, existe o Mástercárdi).

o soldado-executivo

A situação é a seguinte: você tem um bom emprego. Desejado pelos amigos. Invejado pelos inimigos. Você ganha bem, viaja duas vezes por ano, tem um filhote de golden retriever.

Ninguém sabe é que você, todo dia pela manhã, não vai pra empresa.

Vai pro cativeiro.

A liberdade de jogar futebol no barro, lá na pracinha da infância, com a mesma turma de amiguinhos da 5ª série vale mais que o terno italiano, amarrotado de frustrações. Pruma vida feliz não se paga resgate.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

tira essa moldura que eu não me enQUADRO

Festa de reveillon onde só pintam executivos e executivas é pracabá.

Num guento, peço trégua em 3 instantinhos. Aquela mulherada taxiando na pista pra exibir as turbinas de silicone e os carinhas loucos pra se gabar da última viagem a Dubai... não, não e não.

Peguei meus trapinhos sem grife e fui brindar noutra freguesia.

Já que sou amada e irradio esta simpatia que Deus me deu (e estou em dia com minhas obrigações fiscais; também vou a missa diariamente) é justo que eu possa dormir cedo enquanto o povo brinca de Wall Street tupiniquim.

ainda bem que todo mundo me chama de bunita

De um amigo executivo:

"Exótico (a) é tudo aquilo que a gente não tem coragem de comer. De pratos à pessoas."

feliz ano novo pra você também, bambino...

Esta história de cliente ligar pra desejar "feliz ano de 2010" é tudo mentira.

O cara liga na verdade pra aproveitar o gancho e confirmar a reunião de segunda-feira, dia 04. E pra saber se está tudo ok com o planejamento organizacional afinal ele-mal-pode-esperar-pra-conferir-as-mudanças-sugeridas.

Seria tudo relativamente simples se eu não fosse este ser escroto de 1,70m.

"Querido, talvez eu tenha que desmarcar. Vou fazer uma cirurgia imprevista, mas eu ligo confirmando. Na minha ausência mandarei aquela executiva interina que vc adóóóra".

Desmarcar nada. É só pra irritar. Delícia!

joguei água oxigenada na cruz

Mais triste do que ter uma irmã loira é esta irmã loira morar fora do Brasil inviabilizando que eu lhe dê uns tabefes.

Acaba de me contar que alguém lhe recomendou o livro "Marley e eu" (certamente porque a pessoa conhece bem sua capacidade cognitiva à meia-bomba) e que ela nem quis procurar porque ela não curte reggae.

- Bixaaaaa.... O que "reggae" tem a ver com isso????

Ela, calmamente: "tchê... não é uma biografia do Bob Marley, escrita por alguma amante ou coisa assim?"

Respira Monga. R-e-s-p-i-r-a.

cala a boca, Raul!

Nem sempre a liberdade de comportamento quer dizer que NÃO somos burocratas.

Eu sou burocrata ao extremo. E a culpa é toda do Sr. Seixas.

Fiquei com aquele refrão plunct-plact-zuniano por longos anos na cabeça.

"Tem que ser selado,
registrado,
carimbado
Avaliado,
rotulado se quiser voar!"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

e o primeiro decreto...

... é que decidi não encapsular minhas invencionices no blog. Outros projetos que incluem minhas navalhadas corporativas estão nascendo. (É quase uma ameaça, percebe? ha-ha).

Aproveitando a revolucionária técnica que inventei para tratar de temas chatos e comuns nos ambientes profissionais, em breve excursionarei o país com a minha Kombi Executiva, contendo anti-manuais, balões de festa, discos de vinil e perucas rosa pink.

Postes e pessoas, muito cuidado.

:)

"vou sair, vou andar, pra ver, o mundo..."

Vou deixar aqui a postificação dos meus desejos para o ano fresquinho que se inicia.

Que a gente fale muita merda. E ria muito disso. E ria principalmente DE SI mesmo.

Que a gente pense muita besteira. E não se culpe por isso.

Que a gente queira o melhor pra SI. E não se ache egoísta por isso.

Que a gente sonhe SEM ter pés no chão. E não se ache maluco por isso.

Que a gente pense que o trabalho não É a negação do prazer. E não se ache um anarquista por isso.

2000 é 10 !!!

Minha ex-roommate enviou um vídeo desejando feliz Ano Novo, com a seguinte análise:

"Falta pouco para o novo ano. Muito para novas mentalidades."

Verdade.

Eu já adquiri meu estoque de novas posturas (e novos sentimentos) para 2010.

Novo não é necessariamente aquilo que ninguém fez ou pensou. É um passaporte em branco. Um caderno cheio de páginas vazias. É o coração cheinho de espaços vagos. É um desafio imprevisto, um colega recém chegado. Uma promoção. Um recomeço. Todo amanhã é o começo do novo (de novo).

executiva prendada e antiquada

To bem convencida do quanto sou demodeé.

Ser assediada por outras empresas nem sempre significa que o seu currículo é um escândalo ou que seu talento é tão formidável que dispense o mínimo de postura decente (porque ética é um conceito de abrangência duvidosa) por parte da concorrência. Cantadas corporativas também exigem doses de respeito. A promiscuidade profissional nunca foi bom indício.

Falava isso pra minha irmã usando como comparação as cantadas que se recebe mesmo quando se usa uma aliança gigante. No que ela respondeu:

"E desde quando usar aliança impede alguma coisa?"

Hellooo. Não impede? Eu cochilei enquanto mudaram os princípios de relacionamento no planeta? Como que ninguém me avisa??

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

obrigada, Gabriela Maciel

Uma leitora me chamou a atenção, de maneira gentilíssima, que ao passo que critiquei o "seje" da ex-colega-funcionária, também caguei feeeeeio ao escrever num dos posts abaixo "o ciúmes" quando o correto seria O CIÚME. Coloquei plural no lugar do solitário artigo.

Oh. Fiquei envergonhadinha. Mas graças a Deus não tenho melindres.

E brinquei, no meu email de resposta à Gabi, que talvez faça parte de um planejamento inconsciente de sabotar a norma culta do que quer que sej......A.

(Obrigada, querida. E continue me fazendo companhia, se possível, perdoando o barro que eu espalho na Língua Portuguesa...rs)

che, que mala!

Achei tão meigo o email de uma ex-funcionária da minha empresa sugerindo que em 2010 eu "seje" sempre esta pessoa legal-sincera. Que eu S-E-J-E.

Posso morrer de rir? Posso? hauahauhauahauahauhauahauhau.

Hay que EMBURRECER pero sin perder la ternura jamas.

se for invejar, melhor sentar...

O ciúmes é uma virose de espirros inúteis. A inveja também.

Não acredito que toda força misteriosa sirva para compelir as pessoas na busca pelos seus desejos. Quando invejamos muito o emprego da ex-colega de faculdade, quando invejamos o carro novinho daquele primo chato, estamos na verdade acomodando o traseiro no sofá da passividade.

Nunca conheci nenhum grande invejoso; ágil, sedento...

Todos com quem convivi são mentecaptos, iludidos e pançudos - pançudos aliás, porque invejar também cansa.

Justifica a passividade então? Blergh.

de Marcelo Montenegro

(...) "na dúvida, rindo da vida...

A musa fatiada na véspera
do mágico. E o jeito encantador
com que a executiva
mexe o canudo
no copo de suco."

nem melhor, nem pior... diferente

Tem gente que adora embarcar num projeto em andamento. Que gosta do tempo de situar-se e encontrar o seu espaço indivisível. Que produz com qualidade e agrega novos valores dentro da idéia de alguém. Eu já gosto da fertilização das idéias.

Por exemplo: nunca curti ganhar flores, pra decepção de muitas pessoas.

Prefiro que me presenteiem com sementes.

Sou das que plantam, colhem, e oferecem as flores nascidas pra outras pessoas.

culpando a gravidade por cair de amores

Associar a vagabundice com profissões ligadas à arte ou à qualquer outra manifestação de prazer não é deste tempo. É assim há "montes de anos" e estações culturais. Este trem não descarrila.

Ainda hoje minha avó me chama de "transviada" quando quer lembrar que eu sou a jujuba mais diferente no pote hermético (careta) do mundo corporativo.

Creio que músicos já foram em algum momento chamados de vagabundos,assim como atores, atrizes, performers, grafiteiros porque toda profissão ligada a algum gozo emocional tem este rótulo. Sem contar as profissões ligadas ao sexo...

Se o rótulo de vagabunda me garantir a frequência cardíaca de quem é irremediavelmente feliz... perfeito. Executiva e vagabunda - com certeza!!!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

me conta, vai...

Dizer "compromissada" é bem mais bonito do que comprometida.

É só por predileção, ta? "Comprometida" me dá idéia de "metida-em-algo-não-bacana"/Envolvida em algum projeto profissional ou pessoal de caráter duvidoso/Guiada por uma conduta pouco louvável.

Eu to compromissadíssima. E feliz. Muito feliz!

E você? Ta na pista executiva e amorosa?

porque o roto não fala do descosturado

Aprendi mesmo, que uma opinião relevante, que chegue a formar outras opiniões, é avaliada igualmente pela boca que a expressa.

Já há muito tempo percebo que as pessoas minimamente perspicazes não dão ouvidos à críticas de bueiro.

Pra falar com propriedade, tem que ser à luz da coerência.

amor de verão sobe a serra?

Por dois momentos ontem vieram me perguntar o que sugiro pra resgatar a reputação de uma empresa.

Eu me importei muito com a opinião das pessoas a respeito do meu caráter em únicas duas ou três situações na minha vida, sempre envolvendo pessoas pelas quais o MEU nível de admiração era altíssimo. A opção mais prudente é perceber que a necessidade de uma excelente imagem tem a ver com paixão.

É o mesmo sentimento que nos move quando queremos causar "uma boa impressão" na pessoa por quem estamos arrastando um bonde.

Resta saber se este desejo de boa imagem é transitório e efêmero, tanto quanto uma paixonite, ou é amor casamenteiro - com intenções de construir história.

você é meu herói meu bandido

Cabemus-logo-com-a-teoria-de-que-netinhos salvam idosos insanos.

Se meu pai poderia se (e nos) isentar de tropeços e negociatas absurdas se ocupando de um (primeiro) netinho, "se ferramo, mano."

Sem chance de criancinhas ruivas e sardentas circulando entre nós.

E pensando melhor, não há mal nenhum no meu velho mais uma vez quebrar a cara no mercado.

Enobrece. Depura os pecados.

faltando um neto e sobrando desespero

Tenho uma grave crise de pânico quando meu pai fala que teve idéia pra um grande negócio.

Com exceção da pousada que tivemos em Bonito (MS), todas as "grandes idéias" envolveram criação de animais nojentos, sociedade com amigos bêbados, enrabadas financeiras históricas e muita, mas muita degustação coletiva de maracujina.

Todo aposentado deveria ter acompanhamento psicológico vitalício.

não pode rolar uma mímica?

Crianças gritam quando estão alegres, gritam quando estão com fome, gritam quando tem sede, gritam quando tem sono e gritam muitooooo quando notam que estão no shopping pra assistir Avatar com outras crianças que também gritam muito.

Sendo assim, o último lugar do mundo pra apreciar um belo "prato de silêncio" é um shopping cheio (de crianças).

Sim, to falando sozinha ( bem baixinho...).

Monga em fuga

Me recuso a responder emails profissionais nas férias ainda que seja pra justificar que estou de férias, porque meus clientes não conseguem entender que existe vida fútil na web. E que eu tenho direitos (e motivos) pra navegar simplesmente em busca do perfume ideal em alguma lojinha.

O fato de dedilhar a mínima mensagem que seja, por educação ou fineza, acaba por causar ainda mais frenesi. O cara acha que eu to plugada no notebook ansiosa por algum relatório de última hora. Então... melhor não responder nada. Tudo corre o risco de soar "moço, a mamãe mandou dizer que não está."

Como diria o executivo Seu Jorge... é isso aí.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

velocidade 6 e créuuuuuuuu

Quando se tem um projeto para o qual se deve ter paciência, digestão adequada, persistência e sobretudo foco, se tem na mão o desafio de uma vida.

Administrar o tempo e tolerar "o excesso do que faz falta".

Ou a variante "lotação máxima de ausência".

faltam diodos na alma

Sem a mais vaga idéia de gestão um conhecido resolveu entrar no matagal corporativo.

Escolheu o segmento de consultoria em T.I, quadrado pro qual tem uma excelente formação acadêmica e um caráter suficientemente ilibado.

O que falta a ele é brilho. É o entusiasmo típico de quem vai errar muito e vai entender todos os erros de forma leve e auto-tolerante.

Não existe led que substitua a luz natural dos sonhadores.

modo passional ON

No senso comum das pessoas que me circundam minha etiqueta é de "gente faminta, intensa, que engole o mundo e arrota satisfação."

É.

Eu sou intensa. Grudo em todas as coisas que me são vitais.

Sou meio Manoel de Barros... "para ter azul eu uso pássaros."

super mínimos

Profissionais e chefes centralizadores não duvidam da capacidade dos outros.

Quem tem este perfil na verdade exerce a descrença em si, e na eficiência daquilo que deliberam ou ensinam aos colaboradores/subordinados.

Centralizar é problema de auto-estima.

Beeeeeeem baixa.

explicação axilar

"Monga, sou muito cobrada pra defender bandeiras de causas em função do meu cargo executivo. Já expliquei que não gosto de levantar bandeira nenhuma, acho que minha contribuição pode ser bem mais prática. Como você se comporta com pressões deste tipo? Qual seria uma justificativa aceitável pra minha resistência em levantar bandeiras?" Márcia Henriques - por email

Eu justifico com o suvaco.

"Não fui na depiladora esta semana."

(Levantar o braço fica pra próxima...)

domingo, 27 de dezembro de 2009

desabafo imprevisto

As vezes eu to mesmo mais pra lixa do que pra veludo. Mas se tem ranço que eu evito é mal-dizer de datas comemorativas, se a colocação se restringir ao aspecto "falsidade coletiva", "hipocrisia" e "apelo consumista e fútil".

A hipocrisia não pertence à data. É das pessoas, e as pessoas são hipócritas o ano todo. Quando elogiam um relatório muito chinfrim, quando abraçam a nora que detestam e quando dizem pro chefe "tudo bem!" quando gostariam de mandá-lo tomar naquele furinho.

Talvez a diferença é que durante o ano não se defina uma data pra brindar a falsidade com panetone e rabanadas. Ou não usemos roupa branca ao som de foguetes pra celebrar com os indesejados.

Só isso.

till the end

No marcador, incontáveis opções de caminhos profissionais (e pessoais).

Pois é justamente o sortimento de possibilidades que intensifica a escolha.

nem toda brasileira é bunda

Tenho uma amiga muito amada que participou de uma das edições do Big Brother Brasil. É uma moça do "lado A da vida"; querida, focada nas suas metas, linda-linda-encantadora. Com ela divido sorvetes, e-mails e passeios. Nos visitamos ao menos uma vez por ano...

E ao contrário de outras moças, respeitáveis tanto quanto ela, minha amiga não se interessou em trilhar nos vagões mais óbvios.

Sim, pousou nua. Sim, fez participações televisivas, recebeu cachês e zigue-zagueou no mundinho high profile da fama.... e hoje ta aí... na guerra diária de sobreviver ao mercado corporativo, pro qual tem uma sólida formação acadêmica.

Algumas pessoas escolhem a bundificação do cerébro. Outras escolhem a cerebralização da bunda.

can U hear me?

Escutar significa - também - dar condições para que o outro fale.

(A frase não é minha, e sim da psicóloga clínica da minha empresa, reiterando que comunicação organizacional exige organização da comunicação).

sábado, 26 de dezembro de 2009

onde já se viu, santa?

O principal sintoma de má influência nos trainees e estagiários começa quando identificamos neles uma série de condutas embutidas em nós mesmos. As erradas, principalmente.

Exemplo disso é minha pequena grande ajudante preocupada (nas férias!!!) se poderia adiantar algumas tarefinhas de seu setor. Sugeriu manter consigo um netbook, carregando na bolsa o peso do trampo - literalmente.

Ah não. Não, não e não. Tecnologia não serve pra escravizar.

Mobilidade é uma coisa. BOBILIDADE outra, bem diferente.

marcha à ré

Não se pode comemorar nenhuma aposentadoria nos dias de hoje.

Nem dá pra ficar felizão que o "mala" do chefe, ou aquele infeliz zarolho do departamento de cobrança vai tirar finalmente a lupa do seu decote. Sobre concorrentes prefiro nem comentar...

A crise Schumacher me apavora.

Este faz-que-vai-mas-fica é fodex.

uma esmolinha pelamor de Deus

O mundo dos "brindeiros" me fascinou completamente. Não pelos brindes em si que estas pessoas ficam pescando na internet, mas pela sistematização do esquema.

Sem querer acabei caindo no blog de uma pessoa que não só divide com os internautas as fotos dos prêmios que recebe, como explica em tutorial como proceder para ganhar lindezinhas no conforto do lar.

Balas, vídeos, amostras de perfume, chaveiros e etc. Tanta variedade de produtos que eu fiquei impressionada.

Pedintes virtuais era a última categoria comportamental que faltava ingressar no fantástico mundo de bytes.

anarquização corporativa, sim senhor

Uma vez por ano, geralmente nesta época, um grupo de amigos executivos ao qual eu pertenço, se encontra.

Cada um vive num singular pontinho do país, e é uma celebração especialíssima este encontro. Ou era...

Estou bem cansada de sessões coletivas de opiniões e idéias sobre técnicas de abordagens e cases de clientes.

Expliquei ontem que minhas gavetas profissionais estão temporariamente fechadas. Preciso dançar em cima da cômoda e não organizar as meias e calcinhas.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

desliguei meus telefones profissionais

Excesso de disponibilidade gera automaticamente excesso de desvalorização.

Não quero ser lembrada - justamente para NÃO ser vista.

Uhú.

acabaram com minha alegria

Faz dias que li numa revista especializada uma entrevista com aquele que é chamado de Coach Número 1. (Ohhhhhhhhhhh!!!). Tá. Não lembro o nome do cara mas algumas coisas que o indivíduo falou me marcaram profundamente.

Primeiro quando ele disse que o Tiger Woods tem 3 coaches exclusivos (referência péssima numa hora em que o golfista mal sabe a diferença entre buzina, peitos de silicone e postes).

Segundo quando ele, a fim de dizimar a eterna dúvida entre terapia e coaching, e-x-p-l-i-c-o-u que "o coach não quer saber nada do seu pai e sua mãe, sua vida passada, só olha pra frente. Sem referências prévias."

(Então nunca vai saber dos elementos fundamentais da origem de uma pessoa, que tangem inclusive sua postura gestora. Já não sirvo mais pra ser coach. Que triste.)

até Papai Noel persegue a meta

O mercado não perdoa, no máximo se adequa. Ta pensando que vida de Papai Noel é o jardim das delícias?

Acabei de saber que o Santa Papas que deu expediente no shopping da cidade vai receber por produtividade, ou seja, existia um marcador da quantidade de pessoas e criancinhas que pousavam pras fotos.

E você acha ruim ter que atender 5 clientes numa semana? Sem barriga, sem barba e no ar-condicionado?

Ah pára.

corpo e corporação doentes

Nas minhas visitas constantes à "terra da elucidação" eu percebo estas amostras aplicáveis ao universo corporativo.

Hipocondria, segundo o tio Aurélio é "Afecção mental em que há depressão e preocupação obsessiva com o próprio estado de saúde: o doente, por efeito de sensações subjetivas, julga-se preso a condições mórbidas na realidade inexistentes e PASSA A PROCURAR, permanentemente, tratamentos que, além de descabidos, são muitas vezes perigosos... (...)"

Estamos todos de alguma forma afetados pela idéia de que ficamos com a carreira doente. E sim, perseguimos tratamentos descabidos e perigosos.

A compulsão pela crença de que estamos com estruturas profissionais muito frágeis, também é uma doença, porque as vezes não é o prego que entortou e sim a mão que segura o martelo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

das minhas mãos pro seu coração


voodoo

Antes era comum eu mandar uns estímulos verbais pra garantir performances de resultado na empresa, por exemplo "anda lá senão eu te ponho no tronco e capricho na tortura".

Brincadeirinhas culturalmente inofensivas.

Hoje em dia se eu falar "anda lá senão te enfio umas agulhas" periga o povo me denunciar pra polícia.

Estas novidades no segmento da crueldade profissional são um escândalo.

adquira sorrindo e pague aos prantos

Observo os ritos de consumo natalinos e reflito sobre a máxima "as pessoas gastam o que tem e o que não tem".

Principalmente o QUE NÃO TEM - já diria o sábio profeta Individadus Krônicus.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

besta e bucha - parte 2

Pra entender o quilate das coisas na minha vida:

Pode dizer que eu sou uma executiva de merda. Com M maiúsculo.

Mas me permita crer que eu era uma bailarina razoável.

Aí fica tudo em ordem.

besta e bucha

De tanto desdenhar de algumas amigas executivas sobre a minha liberdade em ir trabalhar de havaianas e calça jeans jurássica, uma delas foi à forra.

- "Tá, Monga. Você está no seu topinho executivo. Mas o topinho do ballet quem conseguiu foi a D*, que já dançou no Bolshoi".

Legenda: Me cutucar com qualquer coisa que lembre balé, minhas pernas podres de 20 anos pulando ou qualquer outra analogia, é um ato entendido como expressão "cai dentro que é briga".

Eu: - "Bolshói? Aquela uma lá? Humpf. Dançou no Buchói, só se for."

Não admito este tipo de retaliação.

entre tantos Lordes repousa um favelado

Nunca precisei voar numa vassoura pra me "embruxar".

Este processo de me transformar num ser assustador e cheio de imprecações acontece naturalmente. Flui quando um cliente não se toca que estou de férias e telefona as 8 da manhã pra disparar meu alerta máximo socorrista.

Aproveitei o ensejo pra desejar Feliz Natal 2010, 2011, 2012, 2013 e todos os anos consecutivos.

Vai demorar muito tempo pra eu querer vê-lo.

(Vai sim).

filoso-poetando

Tudo ao redor nos leva à filosofia regular de que "SER é melhor do que TER". Somos estimulados a crer nisso e "isso" é bem uma verdade.

Mas pense comigo, neste lindo dia 23 de Dezembro, que às vezes a vida nos obriga a violar esta ordem sugerida. Se alguém te aprisiona num conceito ruim, de que você É ruim, de que você ESTÁ ruim e só pode SER uma referência ruim, analise o que você TEM.

Aí camaradinha, se você tem amigos, um emprego que te tira o sono mas te compra a cama, se tem um amor com quem faz planos, então TER é a melhor forma de saber quem você É.

E chuta a uruca, que é macumba.

Vai dançar na praça, descalço. Pode me chamar.

prestação de contas

Esta história de remover a opção de comentários do blog e pedir que meus leitores me escrevam está rendendo meus melhores presentes de Natal.

Cada dia minha caixinha apresenta uma nova flor.

E eu bem faceira de poder responder e conhecer melhor as pessoas que me abraçam e me acolhem tão docemente.

Executiva sortuda - é o que se pode falar a meu respeito!

:)
:)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

pena da imobilidade

Pior pecado do comportamento?

A inanição.

O hábito imbecil de algumas pessoas que pensam que tudo poderia ser "melhor" mesmo reconhecendo que não moveram sequer as pálpebras pra enxergar "o melhor".

(Mexer as mãos aí já seria exigir demais... bah.)

"Time, where did You go?"

B. Murphy, minha atriz número-favorita faleceu tem uns dias.

Fiquei mesmo muito jururu. E lembrei de uma canção que eu costumo tocar em casa, que era trilha de um de seus filmes - imediatamente pensando nas mensagens não tão ao acaso que se escondem nos nossos "papéis..."

I should've known better / Eu devia ter conhecido melhor
I shouldn't have wasted those days / Eu não devia ter desperdiçado esses dias
And afternoons and mornings / E tardes e manhãs
I threw them all away / Eu os joguei fora
Now this is my time / Agora este é meu tempo
And I'm gonna make this moment mine / Eu vou fazer este momento meu

otimismo avante

Conversei com uma leitora do blog ontem. Uma gracinha de menina, aliás.

Agora quando percebo que as pessoas são dignas de habitar meu msn, eu permito. Mesmo porque, as indignas foram pro ralo junto com a poeira inútil de 2009.

Esta faxina sazonal é importante. Na vida, nas gavetas, nas curvas da estrada de Santos. Onde existir pedregulho do mal, chute-o.

Na conversa com esta mocinha querida acabei me apropriando/transformando uma de sua frases.

Ela dizia "Então, Monga... como nem tudo é perfeito, problemas..."

E eu: "Então, C*.... na minha vida como nem tudo são problemas, p-e-r-f-e-i-t-o".

Maestro, dá um si bemol

Pra algumas pessoas a simples indagação "E você, faz o que da vida?" vira uma apresentação curricular.

"Formada ali, pos-graduada acolá, faladeira de 35467859 idiomas, militante de tais e tais ações, funcionária modelo de empresa YXZ, experiente em desarmar bombas, em pentear macacos e atirar pedrinhas no Rio Sucuri."

Fora as pessoas que parecem estar sempre de microfone na mão. Caprichando na entonação vira quase um karaokê de dotes organizacionais.

"Formaaaaaada em Administração, ô lê lê ô lá lá...."

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

leitor bom é aquele que traz a família

Mando um beijo especial pra Dona Paula, mãe da minha leitorinha Chrys*, lá de Belém.

Sempre acreditando que a comunicação não tem fronteiras, a vida se encarrega de me mostrar que o amor é que não tem divisas, muros, cadeados, portões.

Isso tem um valor muito especial pra mim, já que a relação com o tempo e com as palavras é a razão do meu ofício - na empresa, e aqui.

murinho das lamentações

Há algum tempo a Psicanalista da minha empresa indicou a um operário bastante sofrido, usado e mal-pago, um atendimento especializado.

Pra ampará-lo, pra acolhê-lo e pra fazê-lo crer que é melhor rosnar PRA vida e não DA vida.

Mas leões feridos as vezes se atrapalham. Não conseguem falar com ninguém - falam sozinhos, no labirinto de quem se perdeu em si.

Faz parte do comportamento desta confusa geração de neo-executivos "ordem e progresso" que se deixa vampirizar pra poder comprar seu "carrinho".

nova gestão blogueira

Pra uma de minhas fundamentações teóricas dentro de meus estudos de cabala-comunicacional à luz da razão semiótica-sem-fronteiras, o espaço de comentários foi temporariamente suspenso.

Brincadeirinha!!! Motivos reais, amigos:

- Porque recebo mais e-mails do que comentários;
- Porque respondo a todos os e-mails que recebo, já que meu plug nas caixas de correio é mais confiável.

Vamos testar juntos?

licenciado pra conduzir

Entre os votos de Feliz 2010 meu "guru executivo" comentou que está fatidicamente velho, pois é a terceira ou quarta vez que renova sua carteira de motorista antes de viajar de férias.

Parece um bom sinalizador da idade, de fato. Dar-se conta que novamente há que se reiterar algum voto ou licença - nem que seja a de dirigir.

Pensei no ciclo de renovação em si. Na possibilidade estratégica de avaliar a forma de guiar.

(E no quanto seria maravilhoso se nos exigissem algum exame no volante-administrativo, regularmente e obrigatoriamente).

:)

minha boca-túmulo

Todo mundo empacotando as tranqueiras, acariciando as malas e eu em viagem interna.

Só de ida.

E em silêncio forçado.

a Majestade o rouxinol

Consumindo algumas leiturinhas frugais observei que um certo cantor de música sertaneja poderia multiplicar seus ensinamentos pra muitos executivos que andam por aí.

Os fotógrafos do evento onde o "rouxinol" cantou queriam registrar apenas a sua imagem junto aos outros artistas também famosos. Ele porém, exigiu que todos fossem devidamente clicados, sem distinção.

E pra tal, sentou-se no chão.

Quem trabalha em equipe deveria entender o gesto. As vezes a gente precisa se curvar pra que o colega apareça "bem na foto".

Não se trata de abdicar da nossa fatia do flash e sim em reconhecer que um rouxinol só não faz verão.

domingo, 20 de dezembro de 2009

dê vexame, mas presenteie

Um lar chega a ser um planeta inteirinho de "provas e expiações".

Prova disso é ter uma mãe inteligente, viajada e culta que junta pacotes e embalagens de coisas que adquirimos o ano inteiro. Guarda no closet. O motivo a gente já sabe - "Pra embalar os presentinhos de Natal comprados de última hora."

Aí rola a esparrela campeã.

Presentear alguém com uma agenda bem à toa e embrulhar num pacote da Hering.

(E crer devotamente que a pessoa ficará tão feliz... a ponto de ignorar que a Hering não vende agendas!!!)

Natal touch screem

Ano passado eu caí numa pegadinha de Natal de uma emissora de tv que tentava mostrar a resistência das pessoas em abraçar desconhecidos na rua.

Neste ano iniciei sozinha o movimento do hug yourself. Tenho abraçado as pessoas independente delas estarem a fim ou esperarem por isso.

O rapaz do serviço de coleta do lixo que passou em casa pra arrecadar grana pro caixinha deles pensou que eu era alguma Salomé encalhada:

"Lógico que eu colaboro! Mas entra aqui em casa e me dá um abraço?"

Loucurinha deliciosa.

filosofia da Reader's Digest

Frase genial atribuída à Susan Heller:

"Quando for viajar, coloque todas as suas roupas e dinheiro em cima da cama. Aí leve metade das roupas e o dobro do dinheiro."

(Na mosca!)

foi o shampoo que caiu no meu olho

Independente da combinação de talentos que as pessoas têm, nos encontros em equipe de final de ano sempre acontece o derretimento das camadas de rigidez.

Chororô. Lágrimas. Pedidos de perdão. Pregação das melhorias e dos empenhos em que se aposta pro ano seguinte. Colegas que passaram meses se ferindo trocam bençãos e bálsamos.

Os eventos desta ordem que presenciei me fazem crer que é melhor ir vazando o ano todo, do que cachoeirar em dezembro.

Por isso que eu choro bastante ao longo do ano. Odeio serviço acumulado - inclusive o serviço de esvaziar o coração.

sábado, 19 de dezembro de 2009

às ordens

Hoje vivi minha despedida das tarefinhas de trabalho de 2009.

Participei de um workshop muito legal onde demonstrei toda minha capacidade de ilustração e minha disciplina pra reinventar metáforas possíveis. Dezenas de impacientes tentavam se manter atentos ao conteúdo por mim defendido, mesmo com os corpos presentes e as almas lááá na praia - desde já.

No final, um dos participantes me abraçou e falou:

"Você tem muita criatividade. É a pessoa mais exemplista que eu conheço."

Aos 45 do segundo tempo de dezembro, aceito tudo. "Exemplista"? Tá, que seja.

títulos de post e opiniões sinceras

Um dos meus leitores enviou e-mail comentando que o título do post abaixo "cortando na própria carne" sugere uma conduta pouco real por parte de algumas pessoas.

"Monga, até parece que alguém sente de fato na própria carne, ou que corta de verdade a própria carne, em se tratando de vida corporativa, com a idéia de se sentir na pele do outro ou se entregar ao sacrifício." ( Vitor F. )

É mesmo.

Sem contar que, "cortar na própria carne", dá a impressão de que rola um "bifinho-executivo" de filét organizacional quando no máximo se tem pão com ovo...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

cortando na própria carne (parte doissss)

Há volubilidade nas coisas, porém, nesta contenção de problemas e coisinhas de cá-pra-lá e de-lá-pra-cá.

As vezes na tentativa de estancar o fluxo de informações que nada tem a ver (aparentemente) com nosso trabalho, acabamos impedindo que jorre a fonte da criatividade.

Na verdade tudo interessa, até que desinteresse.

cortando na própria carne

Grande impasse na vida de muitos executivos é o trânsito de problemas que influenciam no rendimento. A performance sempre sofre algum arranhão quando não conseguimos separar "o trampo", do trigo.

Ideal é restringir cada coisa ao seu universo.

Muitas pessoas não levam problemas de trabalho pra casa. Beleza pura.

Eu não consigo levar problemas de casa pro trabalho.

(Pra reforçar minha disciplina, abri mão da casa. Né não, mamãe-papai?)

Cuidado com os ovos. São ovos? Não, são pregos.

Um dos clientes mais espevitados da minha empresa anda usando como referência dos seus desejos-de-perfeição uma série de exemplos pouco aplicáveis a sua realidade.

E exemplos são iguais roupas na vitrine. Podem ser lindas numa manequim esquálida e distantes da nossa realidade corporal ; e um verdadeiro desastre quando experimentadas.

Adequar exige muita cautela.

Falei bastante sobre este limite de adaptação quando ele solicitou que moldássemos o atendimento ao seu público-alvo de acordo com o sistema adotado por uma padaria da cidade.

Louvável. Mas vender quiabos e filhotes de lagartixa são coisinhas diferentes, por mais que a simpatia, o blablabla, o compromisso e dedicação sejam honestos.

cale-se e cague-se

Como o fato de eu não comer chocolate por inúmeras razões é popular entre meus clientes, por alguma razão obscura a maioria me presenteou com trufas, chocotones e bombons. Isso quer dizer o que? An?

Ah...

Que uma diarréia é tudo o que eu mereço na vida.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

não se empolga, japonesa

Minha trainee imediata parecia impassível diante da minha avaliação de desempenho. Aprendeu rapidamente comigo a usar os elementos virginianos à serviço da indiferença.

Aliás: ela sequer queria a minha avaliação.

Mas como Monga quieta é Monga morta, eu-falei-mesmo-assim.

"Você foi aprovada com louvor na versão beta do seu sistema de eficiência."

( Mas o salário ainda ta em uploading... :P)

e por falar em obviedades

A idéia pensada é só uma traça na gaveta do pensamento.

O pensamento executado, transformado em ação, sempre recebe a etiqueta "eu já havia pensado nisso antes."

Moral da fábula corporativa: pensando ou agindo, algum zé cri-cri vai te espreitar.

sobre acordos tácitos

É perda de tempo absoluta pensar que eu sou boa em cobrar artigos óbvios.

Na minha vida afetiva, familiar e doméstica eu também me comporto assim. Ninguém vê minhas baixarias, porque elas são internas.

Se eu não preciso criar uma cartilha pra dizer pra minha mãe que minha correspondência é particular, se eu não preciso dizer pra pessoa que eu amo que fidelidade é um sub-conceito da lealdade, se eu não preciso dizer que mentir é uma auto-enganação patética, ENTÃO ESTOU DISPENSADA DE DIZER que roubar, trapacear colegas e caluniar é feio, faz mal, dá câncer, queda de cabelo e impotência sexual.

Tudo que é essencial, parte do tal de pressuposto.

envenenamento profissional

Existem dois tipos de opinião que circulam nos bastidores corporativos. A opinião que é sua, legítima e autêntica, e a que é expressada pra garantir alguma recompensa da chefia.

Esta recompensa pode ser pra alguns a simples menção pública de que você tem "muito bom gosto". Ou que você é "muito inteligente"!

Acontece que se você fala que chorou porque a Leila Lopes* se suicidou, a gente necessariamente tem que eleger uma categoria reserva na esfera dos opinadores, que não é o autêntico e nem o inteligente.

É o coitado.

herança suína (e de outros animais)

Foi-se o tempo em que peidar no elevador era motivo de discórdia e fofoca imediata entre executivos.

Isso é coisa do p-a-s-s-a-d-o. O lance que provoca um arrastão de olhares malignos é espirrar.

Se a espirradeira vier acompanhada de uma cara de cansaço, olheiras amareladas, languidez e ombros caídos, aí complica.

Provável até que alguém te fale "por favor peida, mas num espirra!"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

é a estatística da prenhez

Suspeita-se que Maricota*, Diretora de Jornalismo da minha empresa esteja gravidinha.

A torcida pelo apadrinhamento do neném já até começou. Ela jura de pé juntos que fez os testes de farmácia e nada ocorre.

Nossa gestora de finanças, porém, aconselha:

"Faça vários, muitos testes de farmácia. São baratos e rápidos. O resultado você obtém por análise do saldo médio."

(Ainda bem que este povo está saindo de férias. PQP)

opino com o que sinto, e sinto muito

Minha amiga Nina* perguntou qual seria a "maior de todas as tragédias" no meu entender. Sei lá, acho que ela teve uma crise "actor's studio" e mandou esta perguntinha xexelenta.

Mas é fácil saber.

A maior de todas as tragédias é a ausência de comunicação. A impossibilidade de falar. De expressar.

É o exílio emocional inevitável.

Papai Noel me ama

Vivi uma experiência inigualável hoje, uma espécie de antecipação do presente de Natal - deste ano e de todos os vindouros.

O meu corpo, sempre tão expressivo, acaba dando sinais públicos quando alguma seta de amor me faz alvo. Eu bailarino entre os pensamentos, sorrio com os colegas, brinco e brindo internamente a chance única de zelar pelo coração de alguém.

Porque zêlo é mão dupla. Eu me cuido muito mais quando cuidando de outra pessoa.

na marola

Minha amiga Samy* ta saindo pra um cruzeiro hoje, nestes navios de cabotagem e tá super animada.

Rimos muito ao constatar que o navio se assemelha àquelas embarcações de filmes de terror e imaginamos o Comandante recebendo a tripulação usando um tapa-olho e com um papagaio no ombro.

O fato é que o ano pode ter sido cheio de "barcas furadas", mas ao menos na reta final o navio é de luxo.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

fugir num adianta

Ainda neste processo na nova função recém adquirida, estive conversando individualmente com cerca de 30 colaboradores de uma empresa.

Apertei as jugulares ao máximo para saber o que os colegas pensavam uns dos outros. Ninguém balbuciava uma mínima opinião e se limitavam a dizer "não tenho nadaaaaaa contra ninguém. Adóruuuu todos e todos estão adequados nos seus cargos."

Não fiquei convencida. E lá pelas tantas, alterando a abordagem, veio a surpresa.

Eu: - Tá. Então você adóooora todo mundo. Belê. E quem você acha que é mais dinâmico na sua função?

Funcionária com cara de pão de x-salada: - Dinâmico de verdade? Ou dinâmico igual aquela idiota da recepção que só quer se mostrar pro chefe?

Um à zero pra "euzes".

interessados favor mandar sinais de fumaça

Incorporei outra função executiva. E assim, o verbo incorporar não poderia assumir melhor conjunção astral, porque de fato alguma luz Divina se instala por entre meus neurônios.

Sou uma espécie de "conversadeira corporativa". Cara chega, desabafa suas mágoas de carreira, refelete comigo sobre assuntos variados, traça planos impossíveis ( senão a vida não tem graça ) e eu ganho uns trocados bem legais. Tenho vários clientes neste pé.

Não se trata de coaching.

É "Mongoling".

a ortodontia da alma

Pra entender o motivo de alguém furtar-se ao sorriso no ambiente profissional, recebi a explicação:

"Ah. Eu uso aparelho. Muito ferro na boca é feio."

Ah, minha filha... Tanta gente com "ferro na boca" que nem usa aparelho...

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

a Ruthinha é boa...

Tenho um par de clientes vasos. Os caras são gêmeos, mas isso nunca quis dizer nada, afinal os homens são únicos em si. Impossível confundí-los.

Agora um outro cliente ( solo, sem cópias ) tem um par de assessoras gêmeas. E elas sim, adoram dificultar as coisas pro meu lado. Eu que já não sou muito cirurgiã na minha análise de roupas, cores e acessórios, acabo fazendo altas confusões.

As apelidei de Ruth e Raquel. Ou "gêmea boa e gêmea má" em função da novela Mulheres de Areia.

E quanto a mim.... Tonho da Lua, certeza.

duas facetas das muvucas natalinas

Dois fatos sobre revelações de amigos ocultos:

1- Ninguém mais se atreve a perguntar "alguém quer aproveitar pra falar sobre alguma coisa?", porque rola uma atração imediata entre mim e o microfone, ou a saliva e a articulação dos beiços, e eu não-paro-de-falar-nunca-mais. Com o agravante de apelar pra minha porção "Histórias para aquecer o coração". Aí o povo chora, eu viro celebridade mínima e é uma babação do caramba.

2- É engraçado ouvir a forma lisonjeira com que minha amiga revelou que havia me tirado no amigo secreto "a pessoa que eu tirei é calma, sempre sensata, sorridente, espiritualizada, doce..." Eu já tava levantando pra ir ao banheiro, quando ela falou "Monga, é você!".

E eu: " ah, tá." (...)

Monga at work

Acho que to com a "doença do alemão".

Alz-heimer.

Muito trabalho, a ansiedade frenética de correr pra parar, sabe? De fazer mil coisas, das quais não se faz nem 2% pois o pensamento já está lá surfando no litoral.

E quanto mais eu forço a capacidade de memorização, mais ela me manda pastar.

:(

Daniela, rodas-gigantes e pipoca doce

Mando um beijo de feliz aniversário pra Daniela.*

Junto com o beijo, um abraço beeeem apertado com votos de que a vida continue a empurrando pro desafio do auto-encontro; pois é só assim que se chega ao porão da verdade.

Querida, foi de fato muito bom a ter conhecido.

Muita luz!

broncodilatadores

Existe um tipo de exercício respiratório comum entre executivos temerosos, bundões e persecutórios. É assim:

Inspira - expira - conspira.

Os mais catarrentos-emocionais são adeptos.

domingo, 13 de dezembro de 2009

o Pai da criança

Um certo animador de tv tem um hábito detestável. Toda vez que um artista vai se apresentar no seu programa ele faz questão de sabotar o sucesso da criatura lembrando dos tempos minguados de miserabilidade na carreira.

Não bastasse fazer isso de uma maneira muito pontual, ataca de forma ainda mais indecente: sempre dá um jeitinho de lembrar o cantor, a cantora, a banda, que "foi o primeiro a abrir as portas da televisão. O primeiro a oportunizar uma aparição pública."

Pra ser descobridor de talentos, o profissional tem que ser encobridor da sua vaidade pessoal.

Vale pros headhunters.

desfazendo as bagagens e as ilusões

Ninguém chega de "malas vazias" num relacionamento, num emprego, num projeto, num cargo, numa empresa.

(A menos que se tenha 12 anos de idade - caso contrário, é muita utopia desejar a virgindade corporativa.)

Não importa ser o primeiro, em algumas circunstâncias. Nem o definitivo.

Mas o verdadeiro.

sábado, 12 de dezembro de 2009

saudades do meu amigo Manô

Ouvi agora há pouco que existem chefs de cozinha e paneleiros.

Lembrei do meu amigo Manô Well, que certa vez me explicara a diferença de executivas e executantes.



falando em Maçonaria...

Um dia ao acaso, eu e um grupo de mais ou menos 8 executivas, descobrimos que éramos todas filhas de Maçon e atiçadas pelos protocolos deste "clubinho secreto de papai", passamos a nos chamar de "prima" em todas as situações públicas em que nos encontrávamos.

Já que todo Maçon que não seja meu pai devo chamar de "tio", nada mais natural.

Rolou certa vez de um empresário, conhecido da família e Maçon, me chamar pra uma reunião. Logo na entrada eu taquei um esticadíssimo "Oooooooooooooi titioooooooo!"

Virou piada - especialmente num ambiente de predominância masculina.

Mas nem foi tão por querer assim. Escapou.

olho por olho, bode por bode

Um cliente me mandou um contrato de confidencialidade industrial. O cara teme que eu roube suas idéias. Eu, que estou ali justamente pra ajudá-lo a consolidar suas relações com os colaboradores e com o mercado. Mesmo assim, ele me empurra pra uma cansativa formalização de contrato, no qual quer garantir o mais subjetivo dos itens: "que eu jamais conte a ninguém"o que vi ali dentro da sua empresa.

Este mesmo cliente esqueceu que a cada mês aproximadamente 50 funcionários entram e saem do seu boteco - motivo este que o levou a me pedir asilo corporativo.

Agora, se ele faz tanta questão assim de viver em torno de "segredos" vou pedir pro meu pai convidá-lo pra ser Maçon. Bééééééééé.

Monga Jones, caçadora de aventuras

Inédito é um conceito, uma idéia. Inovação é um sorriso na hora de falar das mesmas velhas coisas numa reunião. É enfiar a literatura num acordo de gestão de princípios. Propor poesia com relatório, arroz com dinâmicas de grupo, feijão com tecnologia da informação.

O mercado é assim... nos garante muitas opções iguais, mas vindas de mãos diferentes.

As vezes as pessoas deduzem que tudo é muito óbvio no meu universo de achismos, de coisinhas, e nem desconfiam que eu também desbravo novidades todos os dias...

transação online é coisa do passado

A pessoa fala que vai pagar pelo serviço em cash, no final da semana, e você agenda uma série de compromissos. É um montante bem respeitável.

E na sexta-feira, a pessoa paga em cheque. As 17horas. E ainda debocha ha-ha! Não dá mais tempo de ir ao banco, hein? Vai ter que ir na segunda. Ha-ha.

A Diretora de Finanças da minha empresa me pergunta, pálida - "o que eu faço, Monga?"

Eu: "Pegue o cheque com cara de felicidade plena. Olhe firmemente pra ele. Suspire. Agradeça, DEVOLVA e diga que rescindiremos o contrato."

Não é pelo atraso ou pelo desacordo comercial. É porque não podemos vender soluções pra quem nos paga com desrespeito.

cansaço

"que tudo se foda, disse ela,

e se fodeu toda."

(Paulo Leminski)

eu aceito o que me chega

Eu sempre aceito sugestões,dicas, bulas, mapas e instruções de lavagem.

Conheci uma moça muito inteligente. Inteligente-contida, fina, artesã de palavras.

E na conversa de uma manhã chuvosa ela me falou "as pessoas bem que poderiam respeitar a astrologia, seria uma ferramenta interessante pra coaching, pra psicólogos organizacionais..."

É. As pessoas bem que poderiam respeitar que eu sou virginiana. Não lidero ninguém senão a mim. Me conduzo e me lanço ao mar, as vezes desprotegida e sem velas.

Eu sou uma executiva sem medo do naufrágio.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

da vibe: "tô na moda executiva".

Algumas pessoas não buscam resultados efetivos que lhes inspirem a merecida confiança, pois buscam na verdade saber o grau de corporativês a que se é capaz de chegar.

E a comunicação consegue dançar este samba numa boa.

É só misturar as palavras "gestão","estratégia","organizacional","prospecção" com expressões gastronômicas super in. "A estratégia alterou o paladar dos clientes diante dos produtos." "A proposta organizacional ficou marinando tempo demais no departamento" ou simplesmente "não vou a reunião de lideranças porque tofu."

há meu silêncio no meio do caminho

Nem sempre estou inspirada a conversar com muitas pessoas ao longo do dia.

Eu sou uma faladeira compulsiva mas as vezes não bato, nem apanho.

(Não falo nem ouço - pois.)

1000 e um motivos

Este é um post lendário, neste quadrado que chamo de meu.

Post de número 1000, em exatos 9 meses de blog. Com a marca de 600 seguidores, que confiam plenamente que os levarei pra lugar nenhum.

E talvez por isso mesmo tenham decidido me fazer companhia.

Só o amor permite o compartilhamento de idiotices de forma voluntária e lúcida.

Obrigada.

vai pra casa, Padilha

Cliente muito estressado com horários me aborrece. Querendo acelerar uma conversa importante e querendo a dispensa imediata de suas obrigações reflexivas então... ufa. Eu surto.

As vezes eu consigo entender os motivos que orbitam a vida de alguns empresários desesperados.

Ter 50 anos e casar com uma menina de 20 tem dessas angústias. Rola uma necessidade de monitoramento constante.

Metade da idade, trazendo o dobro de problemas.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

minha galinha não "bota" fé, só ovos

"Monga, acho publicidade e marketing uma bobagem enorme. Desculpa, mas não boto fé."

Arnaldo - leitor, por e-mail.

Nossa, cara. Que susto!!! Já pensou se você achasse uma "bobagem pequena"? Eu ia me magoar profundamente.

Sou megalomaníaca.

vamu assumir

Quem trabalha com consultoria deve entender a regra de subversão dos ditados.

"Se conselho fosse bom, se dava - não se vendia."

gramática corporativa

Bom termômetro de carreira:

Analise se na sua profissão ou nas suas rotinas laborais que envolvem escravidão, grana curta e desânimo sazonal, ainda cabem conjugações de "verbos de ligação" - ser, estar, permanecer, continuar...

É um auto-exame quase indolor.

eu disse que era normal?

Está proibido o uso da palavra "referido" ou "referida" na empresa.

Que se use "já citado", "já mencionado" ou qualquer patavina dessas.

Me irrita. Dá a impressão emocional de que se trata de alguém duplamente achincalhado.

Re-ferido.

Duas vezes cagado.

Me abateu uma espécie de compaixão executiva.

na segunda vez a gente acerta

Fêrpa*, minha trainee favorita está desesperada por ter pego exame enquanto seus coleguinhas estão de férias.

Na minha análise imprevista só consegui lhe dizer que a invejava.

Se todos os traumas corporativos fossem tal exame escolar em que a gente tem a chance de uma segunda provinha, tudo estaria a salvo.

(...)

a tecnologia é medíocre na medida do homem

Conversando com um grande empresário hoje percebi de que forma o aparato tecnológico seduz a boiada em detrimento dos valores importantes. Seduz porque a tecnologia tem limites de relação. O homem não. A tecnologia se encerra em si. O homem escolhe se amordaçar no patético.

Pois este cliente queria promover uma campanha institucional de final de ano em que pudesse associar a imagem de sua empresa ao mais alto conceito de modernidade, de super-máquinas, de avanços operacionais de última geração. E me advertiu: "nada de imagens de pessoas, de clichês de alegria, de apertos de mão e abraços. Focalizemos na tecnologia que oferecemos."

Eu nem queria brigar. Aconteceu naturalmente quando perguntei " ta, e você considera louvável que um cliente receba um cartão onde você sugere que suas máquinas estão desejando um Feliz Natal?"

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Papai Noel não enche botinha orgulhosa

As meninas que trabalham no salão (milagreiro) de beleza que frequento são encapsuladas no gueto das "patricetes de beverly hills".

São tontas, meio arrogantes-consumidoras de grifes.

E por conta desta bobice se privam de fazer o popular caixinha de final de ano.

Enchi tanto o saco, usei tantos exemplos instrutivos que elas voltaram atrás. Em cima do balcão, junto às maquinas de cartão de crédito repousa uma lata chiquérrima com a frase que sugeri:

"Fundo de promoção natalina pro-sorrisos. Colabore com a equipe do Salão kdjkdshfsf."

preguiça de falar a verdade

Num dos muitos amigos ocultos que participei acabei tirando/sorteando a mim mesma.

Vou me presentear com várias coisas bacanas.

Eu mereço, né não?