quarta-feira, 29 de junho de 2011

holly saco

O cliente me comunicou que devo acompanhá-lo numa viagem de negócios daqui há alguns dias e que sua esposa irá conosco, "afinal de contas, como um homem cristão, jamais poderei viajar na companhia de uma mulher sem a presença da minha senhora!" (Porque isto é feio, imoral, ilegal, engorda e causa gases, eu suponho).

Eu também sou cristã - apesar dele não ter levado em conta.

Imagino que cristãos contratantes sejam mais evoluídos do que cristãos contratados.

Me restou dizer "amém".

liberdade começa pelo sentir

A psicóloga que responde pelo setor de gestão de seres humanos queridos da minha empresa está concedendo uma entrevista, neste momento, para um programa de televisão.

O tema? Alienação parental.

Quando ela soube que encararia a imprensa, reuniu todo mundo na sala e promoveu a construção de um grande debate, a fim de se abastecer de mais e mais idéias. Achei muito válido.

No final concordamos que a alienação parental é um problema cujos determinantes nascem essencialmente da privação, da imposição de opiniões, da castração de sentimentos e do cárcere emocional. E olha, camaradinhas.... isto vale pro ambiente de trabalho.

Toda pessoa tem o direito de construir a sua vivência, de amores e dores, com quem quer que seja, de forma alongada, plena, e sem a interveniência de egos externos portáteis.

se me pegar no bar: to trabalhando!

Quando um pacote de serviços oferecidos a uma empresa contabiliza as horas de trabalho do especialista, é preciso deixar claro que nem sempre 'trabalhar pra voce por X horas na semana' significa 'trabalhar COM voce por X horas na semana'.

Os consultores da minha empresa já estão pra lá de doutrinados neste sentido.

A gente entende pelo termo in company tudo que envolve o universo de interesses daquela instituição, e isso, muitas vezes pode (e deve ) acontecer numa mesa de cafeteria, jogando uma partida de gamão, dando um passeio ao ar livre.

A alegação é muito singela: experimentar o olhar externo das coisas nos favorece a sobrevivência nos momentos de clausura organizacional.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

a revolução do derretimento

Por onde andei hoje ouvi toda sorte de reclamações de funcionários com relação às baixas temperaturas. Nestes dias de frio, enquanto aumenta o consumo de café nas instituições, diminui a capacidade de interação.

Encapsuladas pelas roupas pesadas, as pessoas se acomodam nas suas geleiras particulares de indiferença, preguiça e pouca disposição. E olha... coitado do inverno, nem merece pagar esta conta.

A melhor forma de rebater o gélido ambiente é garantir o aquecimento permanente das emoções. É possível derreter a mesmice, derreter as frustrações, descongelar a solidariedade e aquecer o único departamento imune à nevasca: o espírito.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

som na caixa, didiêi

"A oportunidade dança com aqueles que já estão no salão" - (H. Brown).

Por isso trabalhar aos sábados.

Porque quem não dança, não mama - ou alguma coisa assim.

furazóio com hashi

Não tá fácil convencer uma cliente de que os processos de recrutamento e seleção que ela adota desobecem a legislação e o juízo mínimo.

Além de determinar a idade dos candidatos, o peso, o grau de instrução, ela ainda condensa o processo para comportar apenas orientais ou descendentes.

Do jeito que o desemprego anda feroz, reconheço que é mais fácil ter gente alisando o cabelo e esticando os olhos com fita adesiva pra caber na vaga, do que órgãos competentes vigiando esta baixaria inominável.

Princesa Isabel: nada mudou!

Pessoas, ou seja, seres humanos na sua existência mais singela, são a razão de tudo na minha rotina. Das grandes mancadas às inesquecíveis aventuras emocionais. Não trabalho para um mundo onde haja a sobreposição da matéria sobre corações, mas onde exista o reconhecimento da virtude afetiva.

Ser solicitada para muitas consultorias: que delícia! Mas quando uma Diretora de empresa pau-no-rego feelings me fala que eu tenho que treinar suas 5 funcionárias preferidas, "a lesa 1, a lesa 2, a lesa 3, a lesa 4, e a lesa 5" me ocorre que eu talvez seja a portadora de uma má notícia:

Não existem funcionários efetivamente 'lesos'. Existem chefes suficientemente ridículos.

Tem bastante diferença.

as vezes me dá uma revolta uterina

A interpretação no processo comunicacional é ácido ou água benta.

Havia um cliente, por quem eu nutria uma admiração declarada. Publicamente eu me referia a ele como um exemplo raro de lucidez e sapiência, muito acima da média. Meus emails profissionais direcionados a ele sempre começavam com "querido doutor" ou "respeitado doutor" até que um dia, o tratamento de praxe foi considerado irônico.

Não sou imune à ironias, embora não recorra deste expediente de forma a sabotar minha limitada conduta executiva. Falo as coisas falando, digo dizendo e penso pensando. Tudo que pra mim É, assim me parece - sem mensagens subliminares.

Não obtive êxito na minha tentativa de fazê-lo compreender o equívoco na leitura das palavras.

Fica o ensinamento: como é previsto nas relações empresariais que um dia o carinho será considerado veneno, comece a empreitada já chamando o cara de Zé Bosta. Não tem erro.

materno-similaridade

Monga para a cliente:

"Dra. Maria Antônia! A Senhora se parece demais com a minha mãe!"

Cliente para a Monga:

"Ah! Então ela deve ser maravilhosa, bonitona, inteligente e competentíssima!"

Monga para a cliente:

"É... minha mãe não é humilde..."

perdão, Ivanildo Bechara

Ter um emibiêi hoje em dia me parece a síntese de competências que um profissional julga ter.

Não importando especificamente os seus sonhos, as suas habilidades pessoais e gabarito técnico, ter esta titulação responde socialmente por um punhado de chaves - que em tese, devem abrir muitas portas.

Todo dia escuto algum abençoado encher a boca de orgulho (e vento) pra divulgar este precioso patrimônio administrativo, adquirido em universidades e botecos de ensino superior de todos os naipes e para todos os bolsos.

Prevejo o dia em que se pulará automaticamente do ensino fundamental para um emibiêi. Será tão mais necessário portar este diploma, que falar "nóis vai-nóis foi" será licença poética a serviço do marketing executivo.

confusas na gringolândia

Outro dia testemunhei uma administradora que orientava as secretárias de uma empresa de RH quanto ao atendimento de candidatos.

"Queridas, aquele rapaz que está ali é americano. Mesmo que vocês não sejam bilíngues, tentem se comunicar com eficiência!" - ela sugeriu. As meninas praticamente soterradas em currículos, esqueceram o comando, que foi lembrado no momento em que os documentos de um certo "John" lhes caiu às mãos.

Instintivamente, uma delas caprichou no enrolês:

"Senhoooor John, que-e-e-i-ra me a-com-panhar. Aqui ser o seu ficha, me compre-e-e-e-nde?"

Ele: "Perfeitamente. Sou mineiro e falo português deis criancinha, uai."

sobre gestão e bigodes

A ótica de beneficiamento de funcionários através de programas de qualificação continuada é para algumas empresas o exemplo clássico da legislação em causa própria.

Não acredite quando um chefe lhe assegura que o curso, aos sábados, domingos, feriados e enterro dos mortos, é um manifesto corporativo em prol da sua melhoria individual.

Neste caso, este 'investimento' se dá pelo mesmo princípio de quem presenteia a namorada com um depilador de última geração. Nunca se sabe se a generosidade é pra garantir a beleza da mulher amada ou pra assegurar um beijo sem buço.

autenticada?

Enquanto organizo as idéias para compartilhá-las aqui e penso em alguns conteúdos pra finalizar o blog, deixo meus leitores na companhia de uma precisosidade que escutei na semana passada.

Durante a visita a um centro de diagnósticos por imagem percebi a agonia de uma paciente e passei a observar a forma como ela seria atendida.

Quando uma das recepcionistas perguntou o que ela aguardava, ela respondeu:

"Preciso fazer um exame com urgência! Tenho que tirar uma xerox da face!"

Então. Né? Uma modalidade bem contemporânea de assistência em saúde, ao custo de 10 centavos. (Ou 15 centavos, se for frente e verso... :P)

fé em Deus e pé na jaca...oooops, tábua!

Estamos de casinha nova, o que significa retomar a regularidade de posts - aiquedelícia!

Depois de um festival de impedimentos de ordem profissional, de compromissos bombardeando a sanidade, surge uma luz no meio do túnel.

Quando se é feliz, os problemas passam do sólido pro gasoso rapidamente.

Oba!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

o nome disso é d-o-e-n-ç-a

Muitas pessoas carregam remedinhos na sua pasta executiva e se compadecem com o colega que ta com dor de cabeça, ou com aquele que comeu pastel as 3 da tarde e está fritando o fígado na azia, há os que carregam santinhos e distribuem quando percebem que Santo Expedito é o único consolo no entubamento financeiro. Há também os que carregam canetas, lapiseiras, e as disponibilizam pro desavisado que precisa anotar alguma coisa.

Muitas modalidades de solidariedade instantânea.

Eu carrego um celular na bolsa. Na caixa, zero bala. Um smártifoni novinho, com bateria, fones, tudo virgem e sem uso.

Me incomoda pensar que alguém pode ficar incomunicável de uma hora ora pra outra.

(Sim, to em terapia desde 1993.)

(1, 2, 3, 4...)

A ouvidora de uma empresa onde trabalho me mostrou as fotos de sua família, hoje, num gesto de enorme apreço a minha pessoa. Foi aquele momento "oi-você-já-faz-parte-da-minha-vida".

Eu fiquei super emocionada. Foto vai, foto vem, eu comentei:

"Nossa, este seu irmão parece aquele político X, aquele filhodumavaca que roubou milhões dos cofres do Estado... muito parecido mesmo!"

Ela: "É o próprio".

Então. Ouvidora: profissional que ouve, ouve, ouve muito. E graças a Deus não chuta, porque tem bons modos.

Oracle por nós, pecadores

O setor de TI, dentro de uma empresa, sempre é alvo de esculacho por parte dos Diretores - mesmo aqueles que supostamente se consideram mais íntimos da tecnologia e da linguagem técnica.

É como se os profissionais deste segmento essencial pra dinâmica organizacional fossem os agentes de um idioma desconhecido e desrespeitoso. Impressionante. Quando a gente vai no médico e ele fala que estamos sofrendo de um alto risco cirúrgico de comorbidade adversativa dentro dos esteróides gestores da válvula mitral e canibal, não tem problema. "Tem cura? Tem tratamento? Tomo o que? Ah, ta. Passe bem, dotô." A funcionalidade e a razão científica vencem.

Agora, se o analista, o programador, se o carinha certificado de DB2, bla bla bla, fala que é preciso compatibilizar algum sistema, que precisa instalar um service desk, pra ajudar o fluxo de trabalho... pronto! Caiu a casaaa da Joanaaaa!

Para, né? Faz tempo que TI ta mais pra 'tesourando os intelectos' do que pra Tecnologia da Informação. O pessoal não merece esta discriminação.

e a tabela num é barata

Recebi um email queixoso:

"Monga... no início do seu blog você falava mais de administração, de finanças, de recursos executivos transformados em preciosas piadas, mas de uns tempos pra cá, parece que você só fala de motivação, de sentimentos, de idéias... To errado?" Willian Aparecido - Tocantins, por email.

Não, querido. Você não tá errado.

Eu de fato só tenho falado de sentimentos, de idéias, de impressões, de carreira. Inclusive na vida real, onde (pasme!) eu recebo pra fazer isso!

só love só love

Tenho praticado o esporte da 'gorjetagem' sem nenhum pudor.

Durante as rodas de bate-papo com colegas mais abastados (financeiramente e corporativamente) sempre fica a impressão de que agraciar um trabalhador com um valor extra é um contributo à mendicância social. Olha... esta pauta já rendeu discussões patéticas e apocalípticas. Com direito à manifestações religiosas, políticas e o escambau.

Dou gorjeta mesmooooo. Esmola? Bah! Nem se fala! Já tenho um pro-labore-pro-galera justamente destinado pra esta minha necessidade íntima.

Prestou atenção? MINHA necessidade. Deixa o cara lá receber uns reais a mais - quase sempre ele merece. Mas principalmente, me deixe exercer este sentimento fresquinho que pulveriza meu coração de bons fluídos emocionais. Quando eu arredondo um valor, geralmente a mais, eu aparo as arestas de algumas injustiças.

Sim, eu sou pura e tremendamente brega.

e o leite mau na cara dos caretas

Taí um troço que me faz crer absurdamente no alto nível de um profissional: a sua capacidade de rir. Não aquele risinho social, consensual, sobre a piada que todo mundo ri.

Não aquele riso que tripudia a dor alheia, o cansaço de sexta-feira a tarde, as dívidas atoladas nos bolsos, mas o riso manifestado como ferramenta de descongelamento criativo.

O riso pelo riso. O alegramento circunstancial de existir.

Como já dizia o consultor Caetano "respeito muito minhas lágrimas mas ainda mais minha risada".

pli pli pli

Eu sempre disse que se tivesse um filho, batizaria o rebento de "Nofundo".

É que a gente sempre ouve "Nofundo ele é um cara legal". "Nofundo tinha razão." "Nofundo é uma pessoa amável".

Nestes dias executivos pra lá de insanos, a coisa ta me atacando.

"Ai, Monga... nofundo eu saquei que seu trabalho é útil aqui na empresa." "Ai, Monga, nofundo você tinha razão quanto aos dados apurados sobre nosso desvio de caráter."

Nofundo, nofundo, nofundo. E no rasinho, nada?

terça-feira, 14 de junho de 2011

inveja tinta

"Consultoria de Queijos e Vinhos".

(Este é o único nome plausível para aceitar que meus colegas sejam mandados para Campos do Jordão enquanto eu me limito às paredes mofadas de algumas empresas locais).

:(

o que é meu é meu

Numa empresa que fatura milhões a cada mês e que possui uma estrutura financeira aos moldes de uma locomotiva (veloz e nos trilhos) não é impossível uma contabilidade escorregadia.

Quando fui receber o pagamento por uma consultoria prestada em determinada corporação, a minha conta respirou a quantia extra de 1600 reais. Por alguns instantes procurei situar a que condição se devia um crédito extra. Pelos meus cachos hidratados? Não. Pela minha franqueza alegre? Também não. O fato é que um valor indevido me chegou às mãos.

Minha reação imediata foi procurar os caminhos para a devolução da grana. O departamento jurídico e de finanças, respectivamente, debocharam da minha atitude. Me olharam com tanto espanto, que me senti ofensiva - ora veja, na tentativa de agir conforme rezam as bulas lá de casa. A peregrinação foi imensa. Depois de horas, finalmente mandei pro cofre aquilo que não me pertencia.

Não, não tiro nenhuma lição deste episódio. A moral da história é que não existe mais moral. Existe é perplexidade no lugar do óbvio.

1 + 1 = todos

Um dos maiores desafios na condução de um time de talentos é a dissipação do sentimento de "EUquipe".

Além da intolerância típica dos gênios que reconhecem em si a força de mil funcionários, é preciso diminuir a resistência de algumas pessoas em dividir os méritos e as amarguras com outros companheiros de jornada.

O brilhante Caio Fernando Abreu certa vez registrou que a gente tem que ser capaz de reconhecer o poder do outro sem esquecer do nosso. Vale o complemento de que não esquecer do nosso tamanho significa encolher a mola da vaidade para esticar o mínimo senso de coletividade.

"sometimes I wonder..."

Ser executivo abduz as criaturas para um mundo onde só brilham os gráficos estatísticos e as posições estratégicas de mercado. Qualquer ensaio que fuja desta perspectiva limitada, dá merda.

Outro dia eu estava conversando com uma colega e lá no fundinho da sala o Justin Bieber cantarolava uma cançãozinha bem mais-ou-menos no rádio. Enquanto eu acompanhava os laralás e tchururus, ela comentou:

- "Nossa! Ce vê, né Monga? A indústria fonográfica as vezes resolve nos brindar com a volta de alguns artistas... isso é tão bom..."

Eu: "Volta de quem, querida?"

Ela: "Ué... quem tá cantando esta música não é a Nikka Costa?"

se bem não faz, mal também não

As empresas responsáveis pela composição das marcas de certos produtos poderiam entrar num consenso digno na hora de patenteá-los.

Eu, uma pessoa profundamente desplugada das diferenças essenciais no batismo das coisas, vez ou outra me enrosco em alguma trapalhada conceitual, favorecida pela semelhança dos nomes destas mesmas coisas.

Um iogurte chamado Actívia. Um creme para o rosto anti-age-baby, chamado Active. Um mix no cérebro conturbado. Resultado?

Passar iogurte na cara pra evitar rugas.

#esta-sou-eu.

voluntariado emocional

Se fala tanto em absenteísmo e suas consequências na cadeia produtiva, que as vezes as pessoas esquecem que o comparecimento ao trabalho não é a condução do próprio corpo ao prédio da empresa.

Comparecer é antes de tudo a assiduidade do desejo.

Quem não ta a fim de trabalhar é sempre um faltante, mesmo batendo o ponto todos os dias.

ainda ontem chorei de saudade

Há 18 anos, num dia 15 de junho, eu perdia a minha avó - tantas vezes citada aqui no blog.

Na ocasião, eu uma pentelha de 17 anos, já tinha a real medida do seu significado na minha vida. Foi a partir da sua generosidade e da sua visão vanguardista de resguardar a essência das relações humanas que eu também humanizei a minha carreira.

Não existe nada mais significativo na condução de uma trilha profissional do que o entendimento de nossa história.

É em cada lembrança da infância, da juventude, que legitimamos o nosso perfil empreendedor pois só consegue liderar com liberdade, quem já não é escravo de si.

(Obrigada, Grand'Ma. <3)

terça-feira, 7 de junho de 2011

acabou a roda de chimarrão

As vezes eu penso que os banheiros das empresas mais modernosas e cheias de frescuragem servem pra testar nossa habilidade executiva antes mesmo da reunião.

Evitar o uso de toalhétchis tem sido um hábito na minha vida.

A primeira gafe foi ficar dando soquinhos na torneira esperando que a água, fornecida pelo toque sensual de um feixe de luz, caísse nas minhas mãos. A segunda gafe foi meter as mãos na tampa do cesto de lixo quando o mesmo seria aberto pelo simples contato com meu pezinho, num dispositivo ultra hightech invisible for nuts. A terceira, e mais potente, foi usar o sanitário infantil e nem perceber o tamanho econômico do vaso, muito menos a altura milimétrica.

Então é isso. Aconteça o que acontecer, tem que segurar, Mongolilda.

sugestões de tratamento?

Eu sou péssima negociante e um desastre em acordos comerciais.

Se estou num dia pessoalmente esplêndido costumo ser ineficiente conduzindo negociatas. Se estou num dia ruim aí a coisa fica beirando o impossível.

A ponto do Diretor da empresa contratante me perguntar porque o meu valor de consultoria é tão alto e eu responder "porque Deus quis assim".

Não. Isso não é motivo de orgulho íntimo.

um sol maior aí, maestro

Diz a lenda que a Diana Krall, uma de minhas cantoras favoritas, tem uma técnica para disfarçar a pouca extensão vocal. Ela encosta bem o microfone na boca, assim não precisa comprometer aquilo que faz de melhor.

Se esta síntese de limites é verdadeira, eu não sei. Na realidade o resultado que ela promove desconsidera automaticamente a sua pseudo-incapacidade berrística.

Aproximar os veículos tem este efeito, generalizadamente. Na empresa o encurtamento de idéias, por exemplo, ou a mínima noção comunicacional pra grandes grupos se atenua pela proximidade das pessoas.

Tem que chegar junto, falar pertinho, sentir o que pulsa dentro de cada um, dar valor pro que é dito em tom menor, e pra quem se dispõe a cantar as regras com elegância.

clap clap clap

Nunca vou esquecer da despedida do Ronaldo Fenômeno neste jogo do Brasil.

Quem sabe um dia eu também consiga encerrar a carreira de forma digna, e deixar os gramados executivos de cabeça erguida.

(Um pouco menos pançuda, em nome da vaidade feminina que vai bem, obrigada).

vai futilizar lá na casa do *%&¨$%#

Existem milhares de regras inexequíveis no mundo corporativo e não cumprí-las é o efetivamente esperado. Nunca conheci um gestor fantástico que tenha se enquadrado naquilo que se espera dele. Em algum momento, escapar da virtude de ser perfeito é o que melhor se adequa.

De qualquer forma, algumas coisas que envolvem o comportamento humano, estão pra lá de qualquer análise organizacional.

Se eu contrato um funcionário em condições de precariedade salarial e submeto este indivíduo ao constrangedor regime de mendicância profissa, é no mínimo uma judiação ficar esfregando na fuça do camarada as minhas faturas de cartão de crédito com cifras esmagadoras - se comparadas ao que ele ganha por mês.

Paira uma confusão no ar. Uma coisa é eu estar num posto superior, na hierarquia imbecil do espaço-executivo. Outra coisa é eu pagar 500 mangos sofriiiiiiiidos pro Zé e fazer questão de lhe contar que gasto 5000 com uma bolsa de grife.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

penhora também não

O princípio mais rudimentar na prestação de serviços é "Você precisa-você me contrata-eu executo- eu recebo".

Como toda a base de relações empresariais é mutante pelo gene da safadeza, a situação tem sido "Você precisa-você me contrata-eu executo- eu NÃO recebo".

Infelizmente ao contrário dos fornecedores de equipamentos que podem remover seus 'bens' quando não são quitados, ainda não existe uma política de confisco de idéias. Nem uma regra para a busca e apreensão de projetos entregues.

pedagogia do oprimido

Me chegou aos ouvidos um testemunho absurdo de imposição de regras organizacionais.

A funcionária de uma grande empresa de Gestão de Pessoas famosa por adotar programas modernos e sensíveis no trato com equipes sofreu na pele o rebote da propaganda. Enquanto sua firma solidifica no mercado a imagem de dignificar carreiras, nos bastidores a coisa não é bem assim.

Como reprimenda por uma tarefa 'mal cumprida' a moça está proibida de amamentar o filho.

A comoção geral diz respeito ao descumprimento da lei. Em mim fica a dúvida: há leis firmes o bastante para resolver problemas de transgressão afetiva? Se a ótica administrativa caminha para que a gente corra atrás dos direitos óbvios, talvez seja o caso de construir o primeiro parágrafo.

"Todo funcionário pode respirar enquanto exerce suas funções."

na margem da empresa eu sentei e chorei

Não tem sido fácil acompanhar com passos cadenciados as evoluções do mercado na área de capacitação. Se a gente oferece cursos muito filosóficos com o intuito de fomentar a última célula pensante, recebemos o emblema de 'viajantes na maionese'.

Se buscamos versar de forma mais técnica sobre assuntos operacionais, lá estamos nós com o rótulo de 'pouco propensos ao motivacional'.

Então, neste tiroteio burro, eu tento desviar.

Quem promove treinamentos sabe que não existe receita de bolo. Existe uma entrega legítima na construção de propostas, na análise de perfil da empresa e dos envolvidos neste processo. A chance de uma massa de conteúdos bem batida embatumar, é pequena. Bem pequena.

a cronologia do caos

No começo do blog, há cerca de 2 anos, eu me dava ao desfrute institucional de reconsiderar compromissos para estar aqui postando. Era uma válvula de escape oportuna, deliciosa e reconfortante.

Agora as coisas estão um pouco mais complicadas.

Com água até o pescoço, tento não submergir em tantos projetos, consultorias, palestras e exorcismos corporativos. Sinto tanta saudade....

Que meus leitores me perdoem as ausências - blogar é fundamental.

Que meus clientes me perdoem a franqueza - trabalhar é absolutamente dispensável.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

diálogos caridosos

As empresas refletem modelos muito familiares a nós, reles-reles. Tão familiares que não raro a gente bisbilhota as atitudes de algum gestor bem paizão. De alguma gestora bem mãezona.

Isso seria afetuosíssimo, se as vezes não significasse uma conduta excessiva de paparicos, permissividade e MUITA dificuldade comunicacional.

Ta achando que pais e mães que não conversam sobre sexo é inadmissível?

Né não. Pior é chefe que não conversa sobre TRABALHO. Ai já viu... o funcionário tem que aprender na rua, por fontes não muito saudáveis....

miragem no DF

Ontem o marido de uma amiga perdeu o vôo de Brasília a Sumpaulo. Sabendo que eu morei lá por alguns anos, ela me perguntou se poderia indicar algum hotel barato, afinal, perdido sim, rasgando grana não.

Eu até tentei mas na capital do país, hotel barato, quórum e decôro são coisinhas bem difíceis.

alô terráqueos

Quando criança eu insistia na tese de ter sido defenestrada de alguma janela de Plutão direto pro jardim da vovó. Nunca me pareceu lá muito normal ler Michel Quoist aos 4 anos e chorar assistindo Casa Blanca aos 7.

O universo tentou cumprir sua programação em alguma carreira que me comportasse. Uma advogada mediana, uma engenheira tímida, uma médica sem fronteiras, talvez uma professora de ensino primário. Talvez.

Quando um Diretor de empresa me fala "você não poderia ter sido outra coisa a não ser executiva!" eu penso que este cara não me conheceu. Não soube das minhas tentativas frustradas de ser bailarina. Do meu fascínio pela Sociologia. Me dá vontade de responder:

"É... neste mundo tão vasto, eu vim cagar justamente na sua empresa."

do país dos leitores

A amiga Aucilene Freitas*, assídua leitora deste blog, enviou uma matéria super interessante a respeito da gameficação, uma forma pseudo-novinha de criar, através dos ambientes lúdicos, um universo de recursos que sirvam para avaliação de competências executivas.

É um nível de pensamento organizacional onde se encontra a gincana existencial e a nerdice do comportamento moderno. Lógico que existe todo um fundamento teórico que justifique esta "tendença". A partir dos estímulos oferecidos uma porção de elementos gestores e motores dos seres-empresariais são avaliados.

No caso da minha empresa, a gente adotou um esquema bem mais avançado - com perdão aos estudiosos do assunto. Deixamos à mão um monte de jogos. Quem pára o serviço e vai jogar é legal, quem continua preocupado com o serviço não se adequa ao nosso perfil.

pobre é burro, rico é excêntrico

Taí uma coisa que me faz pensar: campanha publicitária de telefonia móvel.

O último episódio que me trouxe questões reflexivas foi um em que o funcionário é promovido do apelido "Dudu" pro nome "Eduardo". Em dado momento organizacional, seu reconhecimento de valor passa pelo registro verbal. É algo do tipo "agora você é gente".

Durante anos acompanho a transição de funcionários saídos da "dududição" pra "eduardização".

Quando rompemos o lacre da invisibilidade corporativa toda a nossa existência ganha uma relevância antes ignorada. É provável que quando estagiário você use aquele velho paletó que foi do avô, e que certamente era motivo de piada, até que um dia, sênior na vida, o casaquinho seja chamado de "vintage". Da breguice ao charme.

Tudo na empresa depende do apelido ou do nome.

bora pra drenagem

A gente sabe que chegou ao entardecer existencial quando ser chamada de 'chefe bunda-mole' tem mais a ver com a falência muscular do que com a postura chatonilda.

Envelhecer: never fails.