domingo, 24 de abril de 2011

we are dodói

Nos últimos dias a Monga se recupera de uma infecção intestinal e a Executiva tenta fazer um ou outro trampinho, conforme as suas possibilidades.

Até que haja a perfeita reintegração destas duas divindades psíquicas num só corpo, o blog precisará dar uma breve (MUITO BREVE) pausa.

Mas já já a gente tá de volta - e com muito mais sorrisos e informação inútil do que litros de soro e horas no trono.

There's nothing

I'd go hungry
I'd go black and blue
I'd go crawling
Down the avenue
No, there's nothing
That I wouldn't do
To make you feel my love .

# Por alguém que te ama!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

fronteiriços da submissão

Quando escuto um líder corroborar o item 'humildade' como pre-requisito no ingresso a sua instituição, confesso que me dá calafrios.

Primeiro porque o conceito de humildade vem sendo achacado pela ótica corporativa. Entende-se esta virtude como a ciência funesta de reduzir o amor próprio a pó ou renegar a singularidade do pensamento a uma manifestação coletiva de sem gracice.

Segundo - e não menos importante - porque ser humilde é aquilo que esperam de você lá na empresa, desde que você não crie expectativas de recebê-lo de chefes e supervisores.

Faz bastante tempo que não me encaixo neste formato. Me reservo o direito de ser auto-promotora de minhas qualidades, com algum limite de honestidade, e muitas pausas pra medir o meu tamanho.

terça-feira, 19 de abril de 2011

catar coquinho é uma delícia

A maior dificuldade dos consultores organizacionais é a integração forçada ao sistema da empresa.

É quando o cara é convidado pra trazer seu frescor de opiniões, e praticar novidades gestoras, e passa a cumprir aquilo que determina o super-esperto-dono-da-firma. Hoje tal fato aconteceu com um amigo. A empresária que o contratou quis determinar o método de análise de perfis dos colaboradores, a hora para fazê-lo e como usar os índices estatísticos apurados.

Rola mesmo uma dificuldade generalizada de compreender a diferença entre consultoria e confusoria. Comigo a coisa é bem reta - pra pensar eu cobro caro. Pra pensar e executar eu cobro muito caro. Pra pensar, executar e ser manipulada oficialmente, eu cobro o impossível.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

saravá, meu filho

Existem várias mandingas aplicáveis aos que desejam melhorias nos seus empreedimentos. Ouvi dizer que na minha cidade um geógrafo naufragado no desemprego abriu uma empresa que fornece guias espirituais para empresários em sistema de delivery.

Uma espécie de tele-despacho.

Tudo bem. Não há Deus maior do que a benfeitoria fraterna, atendendo aos que precisam e acreditam. Julgamento zero.

No meu caso, tenho recebido uma alta dose de defumação diária. O cliente ainda não entendeu que na minha sala fechada, com ar-condicionado ligado, seria interessante não fumar, e principalmente não despejar a potência da baforada no meu cabelo recém lavado com xampú da Mônica.

Leminski corporativo

Perguntei pra um Assessor de Eventos, durante uma investigação de clima organizacional:

"O que te dá mais prazer, no trabalho?" e quis ilustrar o uso da palavra 'prazer', repetindo o questionamento de forma explicativa:

"O que te dá mais prazer.... compensação... alegria.... motivação?"

Ele:

Compensação.

Recomendei uma nomeação pro departamento de Poesia Concreta.

risômetro

Não há graça em ser bom quando não se pode ser levemente mau. Maniqueísmo não funciona mais - nem na novela das oito.

Hoje um cliente espinafrou um concorrente, durante um bate-papo. Falou que ele vende sonhos que não realiza. Que é mais pretencioso do que talentoso. E que dá vontade de chorar quando lembra que está amarrado por um contrato de 12 meses de amargura à prazo.

Eu queria ter distribuído altruísmo, mas na hora confesso que ri bastante. Meu riso não veio acompanhado de mais críticas e nem ultrapassou a elegância, mas foi uma concordância escancarada.

Pra um bom entendedor, gargalhada é letra.

elemento químico de massa cinzenta

Quando alguém me pergunta sobre 'experiência' me vem à mente um email que recebi, cujo autor desconheço, com uma bela metáfora sobre vivências cotidianas e sua interpretação neste quesito. Um lindo texto, aliás, cheio de figuras ilustrativas sobre o que aprendemos empiricamente e seu valor de bagagem.

Tenho sido bastante inexperiente. Ao contrário do que sugerem meus muitos anos de atuação, acumulo a inquietude de ser EXPERIMENTADORA. Podem vir os gabaritados e suas análises pesadas sobre minha aparente demagogia, mas eu sigo.

Trabalhar como executiva é carregar um laboratório portátil de soluções - muitas fórmulas, muitos erros, mas muitos pontos na tabela de tentativas.

e água fresca

O mercado, pelo menos em torno dos serviços familiares a minha empresa, está bastante aquecido. Em parte por uma infeliz circunstância de desalinhamento motivacional e uma apatia em torno de metas. Nunca foi tão fácil convencer os decisores das organizações de que é hora de faxinar a ótica da administração pra receber a visita de novos clientes.

Por maior que seja o calor promissor de ofertas, o que rola na realidade, é uma hipotermia humana, operando abaixo dos seus potenciais. Não sei se esta situação está relacionada ao descompromisso ou à descreça mas certamente o efeito não deixa dúvidas: grande parte das equipes sobrevive a este aquecimento sem grande brilho.

É aquela velha história.... enquanto uns se abanam, outros conseguem uma bela sombra.

domingo, 17 de abril de 2011

é campeã, é campeã

Ando meio farta de receber convites pra atividades desportivas-corporativas. As pessoas se reunem em torno de esportes pros quais eu não dou a mínima raquetada ou sobre os quais não sei sequer as regras fundamentais.

Ta certo que não existe uma obrigatoriedade institucional em atender minha demanda interna, mas seria uma delícia um campeonato de Uno cards ou um complexo torneio de batalha naval.

#sonhamonga.

sábado, 16 de abril de 2011

hipnotizada pela Dudalina

Ultimamente tenho usado umas roupas cheias de mimimi . Comprei várias camisas de uma marca tradicional pra ver até quando vai durar este surto.

Durante uma reunião, a minha cliente comentou:

"Olha só! Camisas 'para mulheres que decidem' " - fazendo alusão ao slogan da camisaria.

E eu:

"Típico caso de equívoco envolvendo uma marca e seu consumidor".

ministério do acolhimento

Cada profissional sabe (no fundo, sabe bem) quais os bônus invisíveis adquiridos no desempenho de suas funções, ou no desempenho EXTRA DOS SEUS TALENTOS.

Ainda penso em melhorar a minha condição financeira, sonho em atingir um número cada vez maior de pessoas com as idéias que cultivo, e me mantenho vigilante diante das minhas expectativas. Eu gosto da sensação de que a minha presença promove mudanças - para o bem e para o mal, afinal, não há doçura do conforto sem o sal das lágrimas.

Nesta semana um empresário telefonou, pedindo que eu fosse bater-papo com uma de suas colaboradoras mais preciosas - talvez a sua mão-de-obra mais refinada e mais rara. Ela andara chorona, apática, em abismo de tristeza sem fim. E eu fui.

Não pretendi substituir o papel da psicóloga (que imediatamente lhe recomendei) nem palpitar sobre suas angústias íntimas. Mas eu fui, porque minha disponibilidade e meu sacerdócio executivo determina minha conduta e de quebra, alivia o peso de alguém.

litigância moral

Tenho um parceiro de negócios que acompanhou todas as fases do desenvolvimento embrionário dos meus projetos e os primeiros passos da maioria deles. Foi testemunha de processos, de reuniões e foi um cérebro inventivo nos momentos em que minha equipe desanimava diante das curvas fechadas. Tínhamos um "casamento" acima de qualquer divórcio de interesses; mesmo porque, nossos serviços eram complementares, e nunca, concorrentes.

Numa desta armadilhas da imprevisibilidade, descobri que os clientes que nós compartilhamos por muitos anos estavam sendo assediados de forma sorrateira por uma empresa que meu ex-parceiro montou, com cópias idênticas dos meus produtos de capacitação. Meu sentimento inicial foi de muita raiva. Raiva primitiva, raiva passional.

Depois, me comportei como uma esposa traída, que dignamente escolhe o caminho que melhor lhe toca: onde falta verdade, falta a confiança. E onde falta a confiança não pode morar nenhuma parceria.

eu quero que o leão se dane

Quando a gente não trabalha formalmente, paga o pesado imposto do escárnio social.

Quando a gente trabalha formalmente, paga toda a sorte de impostos - inclusive o de renda.

Tenho a impressão de que uma taxa única, pela existência humana, poderia acabar com estas variantes e facilitar a gestão da nossa sobrevivência.

guiados por Nastassja Kinski

O atendimento contínuo de clientes, em linha reta, ou em setores variados da organização, é a parte da rotina corporativa mais ligada às artes cênicas. Considero impossível uma comparação deste naipe quando se trata de lidar com pessoas que buscam o espetáculo repetitivo de serem orientadas, assistidas, encantadas.

Vender, igualmente, é o estágio mais elevado para atores empresariais.

Esta não é uma ilustração que leva para a superficialidade da encenação o tratamento dispensado aos clientes - claro que não. É preciso ser muito profissional no teatro cotidiano para persuadir mesmo na discordância, para sorrir mesmo no sofrimento, para atender mesmo nas crises agudas de enjôo crônico da raça humana.

Se o show nunca deve parar, eu não sei. Mas quando ele está em sintonia, a platéia agradece.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

o sol por testemunha

Sabe quando a gente vai ao médico e percebe que ele também adoece?

Parece a maior das descobertas óbvias, e no entanto, embaça a nossa lupa.

Executivos que trabalham diuturnamente pela promoção de empresas alheias também são paspalhões no trato gestor de suas empreitadas individuais. Projetam mal, sacam suas limitações, criam negócios furados, perdem grana... É muito tênue o cordão que divide a incompetência irremediável das pessoas e sua singela licença de viver - se possível, gargalhando dos próprios erros.

Faltam mais errantes alegres no mercado e sobram, infelizmente, competentes chatos.

mascando chicletes

A rotina é uma prisão quando se confunde a repetição de ações com a apatia do pensamento.

Não precisamos de roteiros diferentes para o exercício da renovação do olhar, das palavras, da audição mais apurada e do coração menos habitado por espectros não-funcionais.

viva e deixe viver

Há uma infinidade de consultores que anda promovendo a eutanásia de carreira.

O cara tá lá, desmotivado e respirando a vida profissional com a ajuda de aparelhos, até que um sábio aconselhador, decide que é a hora de tirar-lhe do sofrimento organizacional.

Como? Ah... insistindo em fórmulas não aplicáveis, recomendando metas não aplicáveis, sugerindo posturas não aplicáveis.

Eu jogo no time dos fisioterapeutas de carreira. Torsão a gente resolve. Morte, não.

perdão perdão perdão

O blog está com algumas teias de aranha, porque o volume de trabalho beira o impossível. Isto não é uma reclamação. A grama do vizinho não é mais verde, só é a do vizinho.

Eu sou feliz, tenho um emprego lindo, leitores compreensivos - e insulina e ilusão pros próximos vinte anos!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

peregrinação on the rocks

Esta semana será ocupada com visitas. Estabeleci esta meta a despeito da tonelada de trabalho sobre a mesa.

Quando falo em "visitas" não me refiro à prospecção de clientes ou ao fomento de parcerias.

Dediquei uma fatia do meu tempo para tomar café com antigos clientes. Para voltar nas instituições onde já não trabalho e para dar mais um abraço nas pessoas que fazem da minha vida um grande celeiro de humanização.

discovery Mong's

Eu já vi de-um-tudo nesta vida organizacional - desde jumentos comandando abelhas até aposentadoria precoce de estagiário com salário de Diretor. Já... já vi.

E hoje eu fui elevada à categoria de testemunha num assassinato linguístico, talvez justificado pelo assédio de ícones infantis - especialmente pros que tem nenéns em casa.

No relatório de despesas trimestrais encaminhados para o departamento de finanças, a coleguinha escreveu " tudo nos conformes, de acordo com a Tasha padrão". T-a-s-h-a.

Adorei! Pra quem encaminhei esta preciosidade? Ora, ora!

Pros nossoooos amigos, os Monguyardigaaaaaans. :P

e o resto vem com o tempo

Existem centenas de roteiros enlatados que os especialistas recomendam para uma entrevista de emprego. Perguntas tão apáticas que mesmo diante do maior brilhantismo não são capazes de promover nada além de bocejos e pernas balançando. Ao longo dos anos entendi que os questionamentos propostos na presença de um candidato, refletem muito mais o pensamento do entrevistador e o modelo empresarial ali traduzido do que avalia as aptidões dos concorrentes à vaga.

Entrevistar é bater-papo. É desvendar num curto espaço de tempo aquela capacidade adormecida ou aquela perspectiva nunca antes desbravada. Por mais absurdo que possa parecer - no corrimão contrário à previsível subida - eu sempre procuro saber da família, da infância, dos gostos musicais, dos dias sofridos, das celebrações.

(Talvez pelo fato de nunca ter procurado um ocupante do serviço, mas uma pessoa disposta a trabalhar e a alimentar esperanças....)

Julinha, a notável

Ser tia definiu na minha vida e na minha gestão uma série de possibilidades mais doces e bem mais próximas da alegria constante. Na ótica de uma criança, as perguntas mais complexas se tornam peças de um quebra-cabeça muito óbvio.

"Julinha, o que você quer que o Coelho da Páscoa traga pra você?" - perguntei.

Ela:

"Ué, titia... aí onde tu moras ele costuma trazer outras coisas que não seja ovo de chocolate?".

#
tomanacara.

domingo, 10 de abril de 2011

garanta seu cupom

As vezes desconfio de que grandes empresas criam determinadas promoções a fim de contribuir discretamente para a prática messiânica de acalmar almas e corações inquietos.

Não me imagino preenchendo cupons por horas a fio com paciência, caneta e fé... (mesmo porque nunca ganhei nada, nem em sorteio de benzetacil).

No dia em que minha empresa ingressar no mundo mágico dos brindeiros começaremos oferecendo promissórias vencidas e títulos protestados - porque não basta premiar.... há que se contribuir para a elevação dos seres humanos portadores de crédito na praça.

modinha Restart

A partir de amanhã eu cobrarei ingresso de todos os que desejarem conhecer a minha empresa.

Minha equipe está empenhada há dias na confecção de um kit camarim-executivo. Não considero esta atitude uma exploração vil aos meus milhares de fãs adolescentes (sim, porque executivos no geral empacam na adolescência afetiva) mas uma oportunidade de refinar a escolha dos favorecidos.

O referido kit conterá uma lista de atividades pendentes da minha rotina, um bloquinho de post it, amostras grátis de produtos duvidosos, cartões de visita e o principal: uma cópia do meu último teste de Rorschach.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

fraternidade organizacional

Promover um treinamento de sucesso para equipes - seja em que área for - já não é um transporte rumo ao aprimoramento técnico.

Não importa o conteúdo, a complexidade dos assuntos, a ementa de disciplinas.

Quem treina precisa ser um facilitador no resgate das auto-estimas.

É apenas isso que funciona.

te cuida, Mãe Dináh

Quando o Luan Santana era só um garnizé que ciscava nas rádios aqui de Campo Grande eu dizia pros amigos "um dia este guri vai fazer sucesso". O povo ria da minha cara sem dó. Hoje o rapazote taí nadando no sucesso e ganhando uma grana de responsa.

Disse o mesmo da Adriana Varejão, quando conheci seu trabalho de artista plástica lá em Londres. Me lembro de ter comentado que "um dia ela venderá uma obra por muitos milhões". Dito e feito. Uma brasileira elevada à condição de milionária graças ao valor de mercado que sua obra adquiriu.

A partir de amanhã, minha tenda de previsões de carreira estará numa praça perto de você.

#seliga.

e uma flor na cabeça (2)

Pensando bem, é fácil deduzir minha opinião acerca de uniformes e caretização empresarial.

Numa sala com 8 pessoas de terno e gravata eu sou a que está ali no cantinho.

(Aquela ali, ó, com uma camiseta do Bambi).

=)

e uma flor na cabeça

Empresas X uniformes é assunto que já deu muito pano pra manga... pra manga, pra gola, pros punhos e pra discussões calientes.

Sou contra. Este é o tipo de cárcere corporativo que tenta mostrar uma imagem de organização às custas da ridicularização da equipe. É como decidir o time de alguém, as preferências gastronômicas ou sexuais. Se é pra reforçar a marca e instituir uma política de padronização, que se comece pelo discurso. Pelo entendimento da filosofia da casa. Pela forma de tratar os clientes. Pelo conhecimento indicutível do seu cargo ou função.

Empresa nenhuma me convence de que é bacana fazendo a galere usar um terninho verde-limão e uma echarpe redícula só porque combina com a logomarca. Quero saber daquilo que combina com as verdades institucionais.... pode ser até um vestidinho de chita.

"catando a poesia que entornas no chão..."

Demitir é uma forma branda de assassinato.

Pensei nisso enquanto cumpria esta difícil tarefa, cheia de angústias, de grilos e com infinitas perguntas na cabeça. No instante em que tentava parecer racional, apresentando ao funcionário os motivos do seu desligamento, me senti bem próxima de um ritual de pena de morte. Apesar de convicta quanto ao 'culpado' me enxerguei pequena demais pra carregar um bastão de julgamento.

O meu papel de algoz me levou a uma profunda tristeza íntima.

Encerrei ali um ciclo de sonhos e projetos de um ser humano (e sim, os errantes também sonham!); contribuí para um hiato econômico e social; engrossei a fila dos desempregados. Usei a potente arma invisível que apelidamos de "chefia".

Tudo que pude dizer a esta pessoa na sua saída foi "Perdão. Perdão se hoje fui um muro. Quem sabe um dia possa ser sua ponte."

Columbine, Rio de Janeiro, 2011

Existem duas formas de morrer neste país.

A primeira é recebendo uma formação educacional torpe que nos empurra ao mercado de trabalho (e ao mercado da vida) depois de terem encarcerado a nossa criatividade, nossa capacidade de sonhar e rebaixado nossa condição intelectual para que caibamos num boletim de notas.

A segunda é sofrendo um ataque à queima-roupa, dentro de uma instituição de ensino, onde em tese, somos protegidos por algumas gotinhas de civilidade.

As duas possibilidades me ferem igualmente.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

cuidado com o Lago Ness

Perde-se tanto tempo lubrificando a crença da equipe de que a 'engrenagem vai funcionar um dia' que é preciso um tempo ainda maior pra limpar a ferrugem da motivação.

Não basta um convencimento circunstancial de que as coisas vão acontecer, e que esta expectativa dispensa uma projeção cronológica. É preciso criar um mecanismo concreto, uma perspectiva tangível pra que a aposta diária não se torne vã. Se deseja promover, diga quando. Se deseja pagar melhor, diga quanto! Se deseja mais DESEJO por parte do seu time, diga o porquê.

Acreditar num horizonte holográfico é estupidez anunciada.

Não importa que o Coelho da Páscoa não exista. Mas se sou levada a acreditar na sua figura, que ao menos ele me traga uns ovos.

prospecta e arrota

Vender refrigerante deve ser a ocupação mais prazerosa do mundo, principalmente com peças publicitárias chegando antes do representante comercial.

Se eu vendesse coca-cola, hoje em dia, iria deitar e rolar com a campanha atual de que "os bons são a maioria".

O primeiro butequeiro que dispensasse a minha oferta de abastecimento ia escutar:

"Ih. Minoria, minoria, minoria!"

terça-feira, 5 de abril de 2011

permanência: abre as asas sobre nós

Dos amigos que tenho, poucos são executivos. Eu vivo impregnada de artistas, cantantes, religiosos, pândegos e sábios... muitos sábios... Sapiência é o nível sênior do profissionalismo e as vagas para formação na área estão racionadas há pelo menos meio-século.

Aprendi hoje que na vida corporativa não somos insubstituíveis, mas somos todos necessários.

A minha importância para a empresa não acaba quando começa a sua.

Monxtel - bem-vindo ao clube

"Você me fez rir quando eu errei;

Você foi aquele que me fez companhia nas tardes cheias de metas a cumprir;

Você entendeu claramente que a gente pode ser feliz mesmo diante de tantas
adversidades e de forma mais simples do que a maioria impõe;

Eu quero continuar assim para ser que nem você... Mazzaropi!"

(Esta seria a minha campanha institucional de telefonia bip bip, porque o Neymar
tá muito murcho pra representar a marca...)

concordata partners

Há certos rompantes de vaidade que trabalham com muito mais eficiência à serviço da nossa falência. Foi o que aconteceu com um ex-cliente, a quem orientei há alguns meses a respeito da necessária contenção de despesas e de um certo regime vegan em termos de expansão de filiais.

Não me parecia plausível na ocasião desconsiderar a solidez da matriz, em todos os aspectos, a fim de investir num elefante branquinho pra atender ao egocentrismo gestor.

O saldo dessa mancada é um empreendimento que 'mamou' milhões para ganhar cinco gramas de faturamento.

E o dono? Tá na pista, tentando conquistar um sócio que, aos sustos, aceite bancar um projeto do qual não participou, mas cujo cheque em branco é super bem-vindo.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

AACC, APAE, e o que mais vier

A decisão de apoiar projetos assistenciais não passa pelos critérios organizacionais, fiscais e éticos. É um compromisso firmado diante dos valores íntimos que resguardamos na batalha cotidiana.

Pra quem busca um destaque no mundo dos negócios através de ações que elevam a projeção moral da empresa, cabe a reflexão de que é melhor uma casa bacana e quitada na periferia da vida, bem alicerçada, de arquitetura honesta do que uma mansão em bairro nobre, quando devemos em penhor todos os valores humanos possíveis.

Se acreditar, apóie. Se acreditar e achar justo, invista. Se acreditar, achar justo e se apaixonar pela causa, SE JOGUE.

madrinha

Dar nomes às coisas é captar a alma do troço. Taí o pulo do gato essencial pra transição de uma simples idéia ao posto de grande investida.

Num projeto editorial corporativo me coube batizar determinado livro que será lançado nacionalmente. Escolher o título e o slogan comercial.

Foi um processo muito complexo, que envolveu minha capacidade intelectual de forma profunda.

Sentei com um gibi na mão, um pacote de Dorito's, pés descalços, uma musiquinha do Chimarruts e pá. Nasceu!

A vida executiva me cansa demais.

panela boa é que faz comida farta

É dificílimo ajustar os filhos criados pra idéia de mais um irmãozinho. Além da briga territorial repousa uma competição compreensível pela atenção dos pais. É como ter o terreno do conforto invadido pela barbárie de um ilustre ranhento.

Na empresa a coisa vai mais ou menos nesta maré. Equipes instaladas na sombra de vantagens administrativas e comportamentais, recebem com pouco entusiasmo os novatos. Se esboçam maior tolerância é porque sofreram uma pre-advertência quanto a receptividade.

Sou a favor da aglutinação em grupos de acordo com afinidades, com o tempo de convivência e pelas predileções esportivas. Mas sou radicalmente contra o isolamento imposto ao novo colega por conta de sua chegada "indesejada".

Troco quinze funcionários antipáticos e egoístas por um único que seja acolhedor e generoso, porque onde não há espaço pra mais um, não há garantias pra nem-um.

dando uma tremidinha

Quando escuto um profissional dizer "que a concorrência não o assusta" eu peço pra ele imaginar a concorrência com a cara da Linda Blair, em "O Exorcista". Ou com a aparência da Charlize Theron em "Monster".

Tem que ter medo da concorrência, sim. Nem que seja um medo protocolar, pro-forma, uma burocracia a serviço da (pseudo) humildade.

Ausência declarada de insegurança num mercado que se caracteriza pela competitividade pode ser um diferencial. Mas pode ser um desdém que custa caro.

e viva a farofa

Meu respeito pelo Max-num-sei-que-lá anda bem trincado. Não sei se meu nível de percepção já ultrapassou a fronteira da sanidade ou se de fato ele atua frente a um modelo organizacional que só tem razão de existir num quadro do Fantástico. Ou, na pior das hipóteses, há um shake com as duas doses.

Quando escutei a dica do consultor a respeito do momento de apresentação do candidato a sua equipe, procurei me poupar de muito alarde. Seria razoável entender que "não devemos sair por aí beijando e abraçando os colegas sem saber se esta é uma política da empresa".

Seria. Tudo bem.

Cada orientador de carreira precisa se amparar no tipo de ambiente corporativo em que acredita, ou ao que presta continências. No meu quadrado a gente se beija, se abraça e dança mambo. Porque a vida real é bem mais razoável fora da televisão.

só temos de carne e osso

Há muitos empresários delegando aos chefes de RH a missão mais inglória do mercado que é capturar funcionárias altamente gabaritadas e plenamente disciplinadas - se possível, bonitas, cheias de retidão e bons modos.

Lamento informar que a única robô com a cara da Flávia Alessandra já está trabalhando numa novela da globo.

domingo, 3 de abril de 2011

pára de reclamar

O mesmo número de segundas-feiras que o ano nos oferece, ele também oferece em terças, quartas, quintas, sextas e finais de semana.

Não dá pra reclamar de uma maçã podrinha no cesto da motivação, quando há tantas outras frutas bem doces ao alcance do paladar profissional.

Monga de Oz

Comecei minha empresa com 50 reais. Era tudo que eu tinha pra apostar em alguma coisa sem comprometer um orçamento deficiente pras necessidades básicas.

Depois de 12 meses ralando, tinha 60 clientes atendidos, uma graninha maisomênus no bolso, e outros empreendimentos nascendo, então, não posso aturar gente ramelenta que me fala que precisa de 500 mil pra dar um rumo na sua vida profissional.

A única coisa que levanta os cadáveres da nossa carreira é o renascimento da coragem.

cupido da seta torta

Ao indicar um parceiro de negócios pro meu melhor cliente tomei por princípio a competência do primeiro e a necessidade justa do segundo.

Seis meses depois de expirar o prazo de entrega do projeto, o colega executivo que deveria ter sanado o problema me advertiu: "Olha, não deu pra cumprir o contrato. Esqueci de te avisar..."

As vezes a gente peca por excesso de atitudes, quando uma omissão branda é capaz de nos manter na castidade corporativa. A grande lição que tirei deste fato, é que minha responsabilidade solidária, há que ser de fato SOLIDARÍSSIMA.

Cabe a mim compreender a minha participação neste 'namoro furado' e tentar consertar a expectativa não condizente em torno do prestador de serviços que ajudei a 'vender'.

calendário 2011 com cheiro de 1964

Uma revista semanal teve sua capa censurada por conta de uma citação a um cara, de prestígio e poder financeiro indubitável. Na matéria sua ex-mulher, que suicidou-se, deixou declarações de que ele não valia mais do que 3 canecos furados.

Isso pouco me interessa. Meu nível de sociabilidade acerca da periferia afetiva das pessoas não ocupa tempo. A censura da imprensa, sim, me diz muito. A tentativa de encarcerar as opiniões, os fatos, os boatos, ou qualquer outra forma de falar. De expressar.

Responsabilidade sobre o que se fala? Super a favor! Inclusive dentro das empresas, onde nem sempre somos tolerados pelas idéias genuínas e posições contundentes.

Me preocupa que 'prestar atenção no que se diz' seja confundido com 'dizer aquilo que determinam, e ááái da gente se não prestar a atenção!'

playboy ou G magazine?

A medida que a qualificação dos funcionários vai encolhendo e o desespero dos gestores vai se esticando, uma série de ações vai tomando conta das empresas, instituindo parâmetros de comportamento magníficos.

Para ter certeza da existência desta nova realidade organizacional, perguntei pras recepcionistas de uma empresa qual era a receita pra uma constante simpatia, acompanhada de um largo sorriso, nas 12 horas de atendimento.

"Nosso chefe nos deu uma super dica. Cada vez que entra uma pessoa aqui, é pra gente imaginá-la correndo pelada pela rua. Não tem como não sorrir, Monga!"

Nestas horas eu me dou conta do meu limitado poder de imaginação.

supermercado wal-merda

Na minha casa existe uma regra interna: qualquer atendimento ruim que recebamos no comércio, é motivo de muito debate e reflexão. A 'premiada' de hoje foi minha mãe. Ao passar suas compras no caixa de um supermercado foi grosseiramente atacada pela funcionária que não queria fornecer sacolas. "Eu terei que levantar daqui pra ir láááááá buscar, e por lei, eu nem sou obrigada a isso, minha senhora. Carregue nas mãos."

Depois da perplexidade inicial, chegamos a conclusão de que a moça se comportou dentro do padrão de excelência que é preconizado por estes estabelecimentos. Tradução:

Eu terei que levantar daqui = me afastarei desta preciosa posição, prejudicando o atendimento.

Por lei não sou obrigada a isso = consciência de qualidade amparada pela Lei.

Carregue nas mãos = volte sempre!

sábado, 2 de abril de 2011

residência em bons modos

Ontem participei de um evento com 180 acadêmicos de medicina, promovido por três famosas instituições públicas.

A iniciativa pretendia deixá-los familiarizados com o universo de atuação e especialidades médicas, permitindo que desde o primeiro ano do curso seja mais fácil uma escolha quanto a área a ser seguida. Tudo muito justo, diante da diversidade de opções que o mercado impõe, nem sempre de fácil absorção por esta galerinha.

O que eu testemunhei, no entanto, foi a reunião de jovens em condição de miserabilidade existencial, arruaceiros, zombeteiros e desprezíveis. Totalmente aptos, desde já, para o exercício profissional que vai lhes caber:

Doutor Fulano - especialista em cagada.

bendito é o fruto

Um dia desses fui surpreendida com o email de um menininho muito gente boa. Penso que minha afinidade com adolescentes se dá porque eu desconsidero sistematicamente as diferenças etárias e permito que jovens se encham de esperança quanto a um futuro profissional menos escravo da caretice.

O blog do Lucas*, é este aí:

http://umgurientregurias.blogspot.com/

(Um abraço, amigão!)

"você vai ser promovido!"

A grande vantagem social que o mundo dos negócios promove é a celebração diária dos costumes.

O dia 1º de Abril, por exemplo, instituído como o dia da mentira, é mantido com carinho durante todos os outros dias do ano...

Chega a emocionar.

in memoriam

O querido amigo Millôr publicou certa vez que "morrer é uma coisa que se deve deixar sempre pra depois".

Aplico esta consideração ao José de lencar, que resistiu bravamente ao fenecimento, como quem sabe que na vida a posição de vice só serve ao conjunto de protocolos quando somos agentes principais da nossa história.

Se o país perdeu uma grande referência política eu não sei. De fato não sei. Mas perdemos um homem espetacular; um desafiador dos limites; um herói discreto diante da tirania da morte.