quinta-feira, 31 de março de 2011

respirando de novo

Fiquei sem internet porque o serviço foi suspenso por falta de pagamento.

Logo eu, que sou a mais puritana de todas as caloteiras, tive que engolir essa.

A minha operadora de telefone não enviou a fatura pra minha casa e quando solicitei o número do código de barras eles remeteram o da conta do próximo mês, deixando em aberto a conta atual.

Paguei 2099, devendo 1967. Acontece. Com as melhores empresas, inclusive.

Felizmente depois dos esclarecimentos feitos, a companhia me deu um belo desconto, um gentilíssimo atendimento e o reestabelecimento do sinal em exatos 2 minutos e meio.

oderich feelings

Trabalhar em equipe exige um condicionamento cerebral sui generis.

"Pra que serve este conteúdo aqui, Monga, se a gente não usa?"

Serve-pra-ser-usado-se-preciso-for.

"Mas a gente nunca vai precisar. Então não é útil."

Tem razão. Por mais líquida que seja a oferta de soluções, nem sempre a gente pode matar a sede com água de salsicha. Água é água, necessidade é necessidade.

segunda-feira, 28 de março de 2011

atualidades organizacionais

Antigamente as mulheres que não tinham com quem deixar os filhos precisavam se ajeitar no limite frustrante do não-exercício profissional. Era isso, ou a possibilidade financeira de bancar uma babá.

Hoje em dia a coisa evoluiu e muito. Há uma corruptela deliciosa que facilita a vida de casais igualmente ocupados.

A esposa trabalha fora, não arca com despesas de empregada e soluciona a deriva emocional dos pimpolhos: manda o papai levá-lo pro seu escritório e conta com a performance extra da secretária da firma.

Hoje eu presenciei um caso destes. A moça estava tão dividida entre o atendimento dos clientes e o filho do chefe, que chamou um prestador de serviço de Mister Maker - hauahauhauahua.

recolocação no pedaço!

Comentei com uma amiga que tomei um susto enquanto observava uma vitrine. O gato que eu julguei se tratar de uma peça decorativa, era na verdade um bichano de carne e pulgas que diante da minha monguice contemplativa decidiu saltar com um sonoro 'miauuuuuuuu'.

Salva pelo vidro e pela simpatia felina, acabei dando risada.

Pra minha surpresa e iluminação lojista, fiquei sabendo que esta é uma "tendência neo-pet-inn"!

Manter bichos de estimação nos magazines, nas lojas, nas vitrines é uma espécie de excentricidade justificada pelo impacto fofístico que promove.

Taí. Uma boa chance de vagas pra muitos colegas pançudos e preguicentos.

under feet

Solicitei a um grupo de executivos que está analisando suas carreiras comigo que respondesse a meia-dúzia de perguntinhas.

"Podemos entregar por email?"

Não! Quero que escrevam! Esqueçam do computador! Encontrem-se consigo! Com as suas letras, com o movimento das suas mãos, com os seus pensamentos livres dos programas e editores eletrônicos!

"Mas a gente nem lembra de como isso é possível! Há vida sem computador??????"

(Pra alguns, não. Não há sequer v-i-d-a.)

"vem fazer glu glu"

Do cliente:

"Ah, não, Monga! Você mudou as môscas mas a merda é a mesma!"

Da Monga:

"Ah, siiiiiim! Pense comigo! Ao mudar as môscas você está oportunizando um rodízio importante de insetos. Esta é a verdadeira gestão de bosta, digo, de base."

meiguices da leiguice

O cara que advogada nos tempos do onça sem ter uma formação acadêmica pra tal, era chamado de "rábula".

Me admira que alguém entregasse sua desgraça ou sua felicidade judicial pra um cara com um título desses, mas pensando bem, qualquer coisa é melhor do que ser chamada de "executiva".

Do jeito que a coisa vai, brevemente estaremos associados a imagem de 'execução sumária' de seres humanos, e com TODA A RAZÃO.

tem que valer

Um amigo me contou que precisa aumentar a capacidade do seu provedor pra comportar a quantidade de emails que sua mãe envia.

"Mas Pedro... você e sua mãe moram na mesma cidade!"

Eu sei, Monga! - ele se esquivou. "É que ela sabe que a única forma de ter tempo pra lhe dar atenção é enviando correspondências pro meu endereço eletrônico profissional, porque lá eu fico plugado 24h!"

Então neste instante eu chorei muito. Muito. Dei um suspiro como há tempos não dava. E desmarquei todas as minhas reuniões do dia pra estar com a minha mãe, de mãos dadas, como há de ser, enquanto vivermos.

e taca um O.B. no chefe

A Dona Lúcia* é a querida senhora que prepara o café numa empresa onde presto serviço e hoje eu testemunhei o diálogo dela com a filha, por telefone.

Não sou a pessoa mais gabaritada pra entender papos alheios, e minha curiosidade só vai até a página 2, portanto, eu sou mais que discreta, sou uma ameba. O que ouvi promoveu meu interesse, neste caso. A mãe tentava acalmar a filha diante das regras da empresa onde a menina trabalha:

"Filhinha.... você sabe que precisa avisar que está menstruada pra poder ter licença de ir ao banheiro. São normas da sua firma, né?"

Nem preciso dizer. Das duas uma: ou eu teria três miomas por semana de sangramento fulltime ou já teria denunciado esta instituição por cárcere privado da bexiga. Putaquepariu.

tomara que seja verdade

Recebi um dado extra-oficial de que um órgão do governo ligado à previdência social prepara um ranking para ser divulgado em todo o país.

Esta lista negra contém o nome das empresas campeãs no afastamento por doenças psiquiátricas.

Daqui pra frente, eu espero que os abençoados campeões cujos nomes estampam magazines de negócios sob o título de 'melhores troncos para servir à escravidão' contribuam solidariamente com estes ambientes impregnados de adoecimento coletivo.

Ta na hora dos mais limpinhos ajudarem na faxina dos mais embarrados.

quantos tarjas pretas cabem entre nós

Há um psiquiatra trabalhando diretamente comigo, num recém criado Instituto voltado para estudos relacionados à produtividade e à saúde laboral.

Durante 4 meses, de forma silenciosa e obstinada, temos capacitado uma gang multidisciplinar para dar conta de uma demanda triste, atual e carente de operadores:

48% dos afastamentos de funcionários das corporações se dá por patologias mentais.

A campeã delas? A depressão. E antes que alguém me sugira que esta doença se resolve com tanques de roupa pra lavar e outras iguarias pautadas no primitivismo existencial eu esclareço: ela pode te engolir também.

prece aos desafios

Diante dos obstáculos é preciso resistir aos nós, e principalmente resistir a nós.

Que assim seja.

domingo, 27 de março de 2011

overdose anunciada

Se existem atenuantes legais na distinção de traficantes e usuários isto pouco acresce na minha perspectiva dos fatos.

Não me contento em consumir toda a felicidade organizacional que existe.

Meu negócio agora é criar uma facção de executivos dispostos a servir ao crime de manter equipes sadias, de bem com a vida e aptas aos desafios.

seje macho, cabra

Percebi a necessidade de reavaliar as frentes de Gestão de Talentos que minha empresa promove no instante em que gestores e diretores passaram a definir os rumos de muitas vidas usando recomendações inexistentes.

Não determino desligamentos. Demissões. Não sugiro trocas alternativas. Não aconselho chutes estratégicos.

Chefes que precisam de agentes externos pra decisões que não bancam perante suas equipes expressam a clara necessidade de palmadas de mãe, e não de consultorias de RH.

era uma vez um curso 3

Já no final, na hora das despedidas e "até logos", uma aluna bem idosa se dirigiu a mim, como quem quisesse me abraçar. Me senti acolhida - afinal, minha auto-crítica quanto ao meu rendimento estava martelando na cabeça. Quando inclinei o corpo ela falou:

"Não. Não vou te abraçar não. Só queria te ver de perto porque passei a aula toda tentando imaginar se era uma tatuagem ou uma sujeira, isso daí no seu ombro."

ê la iá.

era uma vez um curso 2

Os profissionais para quem falei ontem trabalham na área de saúde, dentro de uma especialidade complexa e com alto grau de banalização da 'morte'.

Não por acaso o meu cansaço físico estampado em olheiras e sorrisos racionados me permitiu explorar exemplos interessantres, principalmente sobre o fenecer da vida, dos corpos e dos sonhos.

Naquele momento em que meu rendimento estava visivelmente comprometido eu saquei a compreensão silenciosa dos meus ouvintes, talvez justificada por uma relação comercial estabelecida entre nós que lhes garante uma capacitação, um diploma, e um recibo pelo investimento. Nas relações com os pacientes, não há este protocolo. Há um acordo tácito (sem garantias) que se dá a partir da entrega de uma vida na mão de um médico.

Foi disso que passamos a falar. E foi um encontro rico, principalmente pra mim.

era uma vez um curso

Ontem foi o terceiro encontro com um grupo de profissionais que, inadvertidamente, entregou as carreiras (e os cheques) na minha mão.

Foi dificílimo. No período da manhã estive com uma outra turma - de primeira viagem, e estava bastante cansada. Entendi que o tempo gasto com planos de aula, recursos visuais bem bobos e material didático que só serve pro povo rabiscar os apelidos inconfessáveis dos colegas, me faz falta.

Depois do intervalo eu fico lá, parecendo uma estivadora do Porto de Rio Grande.

Regra pro futuro: poupar minha formosura executiva e diminuir as ferramentas de apoio - que além de dispensáveis, são DISPENSÁVEIS, DISPENSÁVEIS E DISPENSÁVEIS³.

eu quero comida estrangeira

Muitos restaurantes promovem suas performances esplêndidas apelando pra publicidade mais rasa de que se tem notícia:

"COMIDA CASEIRA".

1- eu não saio da minha casa com a intenção de manter o menu apático de sempre.

2- por analogia, tudo que lembre os limites culinários do meu lar (abastecido de miojo e lasanha congelada) me amedronta a alma e o fígado.

sexta-feira, 25 de março de 2011

chega de esmola corporativa

Se um consultor quer demonstrar uma postura favorável a inclusão e quer deixar claro que não sofre de preconceitite aguda ele deve prestar atenção na maneira como se comunica.

"Nesta empresa todo mundo participa das reuniões, INCLUSIVE a faxineira".

"Inclusive" por que?

Me parece óbvio num universo administrativo a favor da gestão humanista que a faxineira participe, bem como o diretor e o estagiário. Reforçar a participação de determinados funcionários como uma caridade institucional é lamentável.

É como colocar band-aid num dente quebrado.

quinta-feira, 24 de março de 2011

batucada desafinada

O gerente de uma construtora comentou sobre o perfil dos novos proprietários de imóveis subsidiados pela Caixa Federal.

Segundo ele, são famílias que compõem renda.

Que lindo isso! Compor renda!
To querendo saber onde está esta partitura, porque a única música que tenho escutado é a sinfonia da falência.

Songa e Tonga - e quem mais chegar

Uma leitora gentil e educadíssima me contou que divide com sua melhor amiga os momentos de leitura dos meus posts e que se auto-intitulam "Songa e Tonga" - o que imagino ser uma versão híbrida e bem apessoada desta comunhão escrota que habita meu ser.

Adorei a criatividade.

Hoje por exemplo, uma executiva sênior, na faixa dos 70 anos, bravamente resistente à aposentadoria, me chamou de 'merdinha'. Se sentiu indignada com a minha presença entre dinossauras corporativas.

Taí uma promoção que eu não previa na minha carreira... ser elevada da condição de "nada absoluto" para o confortável posto de cocô organizacional. *-* Omg! Que meigo!

lições capilares

O fato do meu cabelo ter perdido as molas circunstancialmente por conta de um "erro" no salão tem me gerado altos dividendos emocionais e gestores!

O que perdi em cachos ganhei em visão de planejamento estratégico: a gente pode projetar uma infinidade de possibilidades e estar (pseudo) preparado pro que temos em mente, mas, diante da IMPREVISIBILIDADE da vida, o que nos cabe é a certeza de ter feito o melhor possível.

Este melhor é um conforto à serviço da dignidade.

Bola na trave? Eba! O que me amedronta é sair do jogo.

vô não quero não posso não

A interveniência das esposas, maridos, parceiros e agregados no âmbito de relações profissionais sempre é motivo de debate e muita especulação. Repousa um deboche velado (ou não) sobre os colaboradores que manifestam a opinião de seus pares diante das suas escolhas e das suas rotinas organizacionais.

Hoje o funcionário de uma Companhia de Turismo resistia bravamente à chacota dos seus colegas diante da sua negativa em comparecer a um evento fora da cidade. Todo mundo insinuava o tamanho de sua rédea - muito curta - e ele, timidamente se encolhia no canto da sala.

Saquei que ali a questão ia além da piada. Perguntei o motivo de tanta tristeza. Ele me contou que não poderia viajar porque a filhinha recém-nascida estava na UTI neonatal. Neste momento me ocorreu sugerir a ele uma resposta coletiva à altura: "vão a merda sim, dane-se sim, eu sou pai sim, minha mulher importa sim."

terça-feira, 22 de março de 2011

vassoura nova nem sempre varre melhor

Me acostumei a ver os crachás dos novatos pedindo licença pros possíveis erros.

Quando um serumano ta em período de experiência numa instituição, dá a impressão de que a identificação pregada na camisa "EM TREINAMENTO" é uma franquia adicional pra usar nas colisões do caminho. E é certo que nós passamos a exercer melhor nossa tolerância quando (e se) atendidos por esta pessoa.

Por mim os funcionários mais velhos deveriam usar o crachá "EM SUCATEAMENTO". É por estes e pra estes que eu costumo esticar meu tolerômetro.

Não é fácil ficar numa função durante muito tempo e administrar a pesada carga dos dias com fôlego zerado.

pelo seu direito de ficar ilhado

Reconheço como legítima a necessidade de produção individual que algumas pessoas tem.

Há quem interaja numa boa com a galere lá da firma - somos adestrados culturalmente a parecer cheirosos e bonzinhos quando predispostos aos trabalhos em grupo (desde a escola). Porém, eu acredito demais naqueles que produzem muito e com qualidade na clausura de suas existências.

Competência não significa pertencer ao coletivo. Se meu funcionário é habilidoso, gente boa, e honesto (inclusive quanto às suas predileções de solidão), eu devo respeitá-lo.

O único lugar em que nem sempre dispomos de isolamento é no terreno compartilhado de sepulturas.

domingo, 20 de março de 2011

a minha estava no off

Um dos tópicos que desenvolvi nos meus aconselhamentos profissionais diz respeito a nossa capacidade de aguçar a intuição. Não esta intuição que é promovida pelas revistinhas do João Bidu, mas aquela conexãozinha extra que vem de fábrica.

As vezes eu perco a moral no meu ensaio neo-meta-físico.

Principalmente quando o povo descobre que eu já caí numa pegadinha de televisão e abracei um anão numa rodoviária lotada.

Indiana Papis

Na minha mesa tem uma foto do meu papai com um filhote de onça no colo, numa de suas investidas militares em algum confim brasileiro.

A intenção é mostrar que eu tenho sangue selvagem, mano.

É por isto que não penteio o cabelo e não uso sapato fechado.

além do nosso casulo

Socializar não é emprestar o corpo pra roupas de festa, em compromissos variados.

Defendo a tese de que a socialização é conceder uma parte da gente pra estar com quem precisa ou com quem nos quer. É pensar junto, trocar idéias, repartir experiências, acolher, ouvir, transcender.

Pra isso não preciso sair de casa, só preciso sair de 'mim'.

as exceções estão cochilando

Eu adoro o músico Frank Zappa. Ele brincava que a parte mais feia do nosso corpo é a nossa mente.

Pensei nisso ao constatar o quanto executivos são criaturas miseráveis afetivamente, indisponíveis a solidariedade a às causas sociais - a menos que isso gere resultados corporativos óbvios.

A mim foi mais fácil sobreviver a um coma de 4 meses do que ao convívio destes espiões organizacionais - sabotadores quase perfeitos da esperança nossa de cada dia.

intimidade é uma goma!

Não sei se procede esta polêmica em torno da Suzana Vieira que teria tirado um chiclete mastigado da boca e dado pra sua assessora 'despachar' em alguma lixeira no meio de uma coletiva.

A questão que fica vai além da etiqueta. Qual o papel de um fiel escudeiro? Quais as funções pertinentes a um secretário pessoal? O motivo das críticas as quais tenho acompanhado é um forte julgamento em torno do relacionamento e da ética entre patrões e empregados.

Por definição, um funcionário cuja tarefa seja acompanhar (aos moldes de sombra) o seu boss, está licenciado a partilhar de muitas intimidades. Aniversários em família. Dias de crise de identidade. Finais de namoro e recomeços amorosos. Épocas de calotes e farturas. Manchetes sensacionalistas e piedade de imprensa.

Assessores recebem cargas muitos mais tensas do que uma goma de mascar babada.

e se demorar I'll wait for U

Cada pessoa tem seu ritmo na exploração dos seus talentos. Saber reconhecer o momento de resguardar e amadurecer este talento é também uma espécie variável dele.

Se apropriar de uma competência e um dom ao invés de sufocá-lo nas gavetas emocionais é divino.

Tem gente que não nasceu pra brilhar, somente, mas pra espraiar o brilho por onde quer que vá; e sempre que voltam para suas atividades depois de longos invernos, é uma celebração sem fim.

emprego nos tempos do cólera

Currículo é a mais complexa das auto-biografias.

A gente tem que falar sobre si mesmo de forma a interessar a quem nos compra, com a sutileza de quem não está a venda.

um Mar de razões

Um casamento homologado pelas leis do amor é assim: a carreira do outro passa a ser motivo de preocupação e alegria, de reflexão e investimento, de parceria e novas aquisições.

Com meu amigo Marcelo* a coisa é ainda mais sofisticada. Além de saltar pra um posto mais digno profissionalmente graças a sua incontestável competência, ele ainda recebe o incentivo diário da sua esposa "eu quero uma vaga no emprego dele, Mongaaaaa". "Ah.... lá é bom demaisssssssssssss". "Pôxa, por que eu não posso ter um emprego tãoooooooo bommmmm?"

Ok. Ok. Eu sei que parte desta graciosa bagagem motivacional promovida pela Kakinha* se deve pelo fato de que, ali, num possível cargo ao lado do maridão, ela conseguiria cobrá-lo full time do i-pad que ele prometeu.

Sucesso compartilhado não serve pra poupar dos presentes prometidos. Ho ho ho.

sexta-feira, 18 de março de 2011

salve Millôr!

"Democracia é quando eu mando em você.

Ditadura é quando você manda em mim."

(silenciosa)

Os colegas executivos me proibiram de chamar as pessoas de 'querido' e 'querida'.

Falaram que soa muito fake. Que é muita forçação num ambiente organizacional.

Vou acatar. De fato o mundo executivo é caracterizado pelo polimento verbal dos líderes e pela transparência afetiva das relações profissionais. Não posso comprometer a eficiência da comunicação institucional com minhas abordagens grosseiras.

Quá.

imagina se eu mandasse pra...

Recomendei a uma cliente que tirasse uns dias de férias e sugeri que desse um pulinho em Biarritz, já que ela estará lá por perto. Fiz um roteiro bacana com altas dicas!

Como reconhecimento pela minha delicadeza, ela me deu a chave de seu escritório e falou que eu posso passar lá todos-os-dias-pra-aguar-as-plantas-e-coordenar-a-equipe.

Na próxima vez eu vou recomendar destinos menos abençoados pra garantir a minha paradisíaca paz corporativa.

whata porra is that?

Uma executiva que não bebe nada além de água com gás e coca-cola não tem necessidade de brindar. Não tem sequer motivos pra pegar numa taça.

Mas aí a Monga chega, no primeiro grande meeting empresarial da sua vida lá no Nihon, e taca um sonoro "TIM TIMMMMMMM*". Tropecei na mancada mais clichê do universo.

Até a minha sobrinha de 5 anos sabe o que significa isso* em japonês.

Tudo bem. Kampai, salute, saúde, pênis, pinto, funk, olho puxado, executivo ou mameluco, é tudo a mesma coisa quando a gente ta fora de casa.

por esta eu faço propaganda - de graça!

Conceito é aquilo que dorme nos livros e acorda longe da nossa realidade.

Marketing, por exemplo, é um termo muito usado para explorar situações de investimento em publicidade rasa, para designar uma vaga de 'vendas' , para rotular a facilidade de relacionamento de uma instituição.

O real 'marketing' no entanto, com maior ou menor benefício comercial que dele decorra, é aquele que minimiza o apelo consumista, reconhece a superficialidade do objetivo, mas SERVE AO CORAÇÃO DE ALGUÉM.

O fato da TIM ter disponibilizado (pelo menos é o que me contaram) ligações gratuitas do Brasil pro Japão me faz aceitar tranquilamente o possível 'golpe de oportunismo' da empresa - porque afinal de contas, enquanto a cambada fica aqui discutindo o sexo dos anjos, as famílias aquecem as almas e recobram a paz das madrugadas.

free pero no mucho

Quando eu me sinto pressionada ou diante de uma tensão com a qual não lido bem, coloco uma bermuda e um par de chinelos e tiro um dia off.

E vou trabalhar. Marco uma visita àquele cliente que me tira o sono. Aquele cricricri³.

É incrível o quanto a perspectiva da minha presença ali, num ambiente sabidamente sabotador e ruim, se faz leve. A disponibilidade de tempo é um mecanismo muito mais acolhedor do que a gente cogita. Basta dizer "to de folga hoje, mas vim dar uma espiada no trabalho e ver se você precisa de alguma coisa!".

Pronto. É a concessão de mentirinha mais honesta e mais eficiente que eu promovo.

Resultados? Muito mais cordialidade e sorrisos. Acreditem em mim.

obrigada, rér istáilisti

Nunca recebi tantos emails quanto depois do post sobre meu cabelo.

As opiniões são variadas. Algumas com sabor de caramelo e outras com sabor de meia soquete de maratonista. Pensei mais uma vez sobre o (pseudo) erro da cabeleireira e aproximei este fato à lupa da minha realidade; pros eventos organizacionais permeados de falhas. E é isso mesmo que acredito... ainda bem que as cagadas nos permitem uma visão diferente acerca de uma situação. Ou sobre nós.

No cotidiano profissional, os enganos podem nos proporcionar uma ótica alternativa sobre nossa existência. Tenha calma. Reconsidere aquele aparente absurdo.É a chance belíssima e rara de uma avaria circunstancial ser uma pele novinha pra criar novas rugas e calos executivos. Isso é bom demais!

o marido da Betânia

Não há honraria corporativa mais importante pra um homem, seja ele CEO ou gari, do que "o marido DE".

O cargo de marido de alguém é passível somente aos que executam com sensibilidade, competência e amor as tarefas de companheirismo, de solidariedade, de LEALDADE, e que constroem a quatro (ou muitas) mãos uma empresinha aconchegante chamada LAR.

Este cara aqui poderia capacitar equipes frágeis em dignidade:

www.rubinhopirola.com

(Daqueles que a gente tem orgulho de conhecer. Espia lá!)

quarta-feira, 16 de março de 2011

programa de desintoxicação profissional

16 de março de 2011.

Só por hoje eu não vou trabalhar até as 4 da madruga.

Só por hoje.

e não é que sou executiva?

Fui chamada por uma empresa pra palpitar num processo seletivo. Minha função na dinâmica inteira é exatamente essa: conhecer os candidatos, bater papo, ouvir e contar historietas.

Por acaso enquanto esperava a candidata sentou do meu lado na recepção e engatou um papo.Eu de havaianas, calça fusô (que alguns apelidam de legging) e camiseta. Ela de terninho, make up Vogue cover e salto agulha.

"Eu sei que vou conversar com uma executiva que vai me dar uns toques. To nervosa! E você? Trabalha aqui nos serviços gerais?"

Eu: trabalho. Bem gerais. Geraismente eu dou toques pra candidatos... isso quando não to com balde e rodo.

deixa o drama pra quem precisa

Faz tempo que uso meu cabelo blackpower. Se eu não sou uma mulher comum, isso inclui não ser uma mulher chapinha. Ontem fui fazer um relaxamento muscular nos meus super cachos dançantes e por alguma reação química inexplicável meu cabelo ficou liso. Tão liso que serviria de tobogã de piolhos. A cabeleireira entrou em desespero. Chorava copiosamente e pedia perdão como quem tivesse destruído minha vida. Percebi a dimensão que um erro representou praquela profissional, e fiz o que manda a regra de uma cliente ferrada, né?

Sentei do seu lado. Pedi água e café pra nós duas. Tentei lhe explicar que o cabelo é um item na minha existência que ocupa um milímetro da minha aparência... Eu sou feita de palavras, de bons sorrisos, de muitas birras, de desodorante que vence depois de 24h de trampo, de contradições, de idéias que proporciono e impressões que causo. E quem me mede pelo cabelo, eu quero mais é que se dane.

Rimos juntas. E a vida segue, mais lisa e mais leve.

Pipeline corporativo

A partir da próxima semana eu entubo a maior onda da minha vida.

Projeto itinerante de capacitação para gestores em 72 municípios. Venci uma concorrência onde as outras propostas incluiam temas como 'vender mais e melhor', 'conhecer os princípios de isonomia', 'a gestão de resultados' e por aí vai...

Eu não descrevi meus temas, mas meus contratantes sabem a real dimensão desta jornada comigo. Formar líderes não é um objetivo final nos meus planejamentos de carreira.

Tento resgatar pessoas que essencialmente podem ser o que sonharem, inclusive, LÍDERES.

e eu ainda tiro meleca do nariz! cuidado!

Resistir às tentações de endurecer o coração não é fácil. A gente tenta esvaziar a cabeça assistindo à merda da televisão e aí uma psiquiatra desgovernada vem sugerir que tenhamos cautela com as pessoas legais.

"Fique com o pé atrás com gente bacana, que vive mandando presentes, que não comete erros aparentes, que é gentil o tempo todo e que é quase perfeita. Desconfie da bondade. Aí tem."

Era pra soar como uma advertência importante? Uma profilaxia pra traumas? A solução preventiva pra doença da decepção?

Ih. Então falhou. Porque eu, especialmente na minha profissão, atravesso numa boa esta ponte pra psicopatia; ainda mais se as minhas gargalhadas potencializam este perfil perigoso descrito pela doutora.

as primaveras da Unimed

Hoje em dia eu venho adquirindo novas abordagens sociais pra não constranger determinadas pessoas. Quando quero saber a idade de alguém eu engato uma conversa sobre planos de saúde.

É. Isso mesmo. Eu pergunto "Ce paga quanto mensalmente pelo seu plano?"

Se o cidadão fala que paga em torno de umas 100 mixarias, ele ainda é semi-novo. Se paga um valor perto do salário mínimo, já ta no outono existencial. Agora, eu que tenho dois avôs explorados na casa dos 1000 paus pra ter uma assistência de saúde mequetrefe, sei bem que mensalidade cara é sinal de senilidade total.

Ta dobrando o cabo da boa (des) esperança.

e ainda vem com pilhas extras!

O cliente enviou um parecer por escrito com todas as atribuições necessárias pro cargo que disponibilizará na semana que vem.

"Monga! Pra trabalhar comigo a pessoa tem que se adequar a um espaço físico pequeno, ser bastante regrada nos seus horários de intervalo e lanche, com disponibilidade pra viagens e precisa gostar de crianças. Minha dúvida é quanto ao nome do cargo, aceito as suas sugestões. Ass: Dr. Berimbau da Silva"

Ok. Com esta descrição, me ocorreu na hora: Tamagotchi.

leitores queridos e suas fofices

Eu respondo a todos os emails que recebo, mesmo que com atrasos eventuais. Este é o motivo da ausência de comentários por aqui - eu posso falar "ao pé do ouvido" com todo mundo. É uma honra, de fato...

Hoje eu vou falar em especial de uma galerinha que andou proliferando sabores e aromas na minha caixa de correspondências... Um afago pro Alvinho e suas gentilezas de lorde, pra amiga-irmã Kakinha, pra Rô (que é uma grande designer), pra Karina e pra Juliana.

Sinceramente, se a vida de oportunidades corporativas me revolta, o círculo de amizades me renova!

(E eu vou dar um jeito de enviar o toque da Funérea, querida...*)

segunda-feira, 14 de março de 2011

quebra tudoooooo

Hoje eu chamei a executiva Kate Perry pra falar de motivação, já que ela é bem queridinha e costuma animar as pistas aqui de casa...

Clica aí e aproveita os clichês motivacionais, porque vida muito intelectual é um saco:




não há demérito em nenhuma profissão

Não respeito gente que ignora o conhecimento em qualquer de suas manifestações.

O indivíduo que fala que "ta fazendo outra faculdade porque gastou tempo e dinheiro no curso Y" pode pegar seu currículo e voltar pelo caminho da roça.

Minha eterna admiração aos candidatos que ao contrário, dizem "estou fazendo outra faculdade pra tentar OUTRAS POSSIBILIDADES, mas aprendi muito fazendo um curso de engenharia de rôscas e biscoitos."

dor boa é pra ser respeitada II

O princípio que move atitudes de comiseração e respeito aos valores íntimos não tem nada a ver com ser 'boazinha'.

Aliás, eu sou uma babaca sem a menor disposição de candura.

A questão é pensar no motivo que faz das corporações um ambiente com objetivos definidos: a produtividade! E se algo é ameaçador a sua existência, bora pra casa, que amanhã tem mais desta bagaça executiva na área!

dor boa é pra ser respeitada

Quando se estabelece um julgamento de valores qualquer manifestação contrária a esta escala favorece o tumulto. To querendo dizer que a grande maioria dos chefes e supervisores no geral se acha no direito (e alguns no dever) de decidir os argumentos cabíveis pras ausências justificadas.

Se um colaborador, um colega, um AMIGO que trabalha comigo me relata o falecimento do seu cão de estimação, tem todo o reconhecimento do seu luto e a garantia da sua licença. Se aquela prima de cagagésimo grau caiu de uma escada e precisa de acompanhante no hospital, eu acho digno dispensar. Não tenho medo de mentiras; se tivesse jamais seria executiva numa área sabidamente habitada por pinóquios de terno e gravata.

"Mas Monga... daqui a pouco o cara vai manchar a camisa favorita e pedir folga porque está deprimido..."

Não tem problema! Eu sei a mágoa profunda que se abate sobre um peito quando aquela roupa de estimação vai pro lixo.

carro de quem, velho?

O Áique Batista é um empreendedor que estimula o nosso lado poliana, mesmo que este lado não resista a um noticiário global. Largo absolutamente tudo que estiver fazendo pra ouvi-lo compartilhar ensinamentos facílimos de como enriquecer e como engordar a própria fortuna com sinceros investimentos em prol da coletividade descamisada.

Fica aqui registrada a sua mais comovente declaração neo-social:

"Sonho com um Brasil em que possamos deixar as chaves dos carros na ignição e as portas destravadas..."

(#comovida).


pois é...

Tenho buscado respostas íntimas pro meu desinteresse automobilístico. O meu modelo de carro favorito é o que me carrega, o que sai do lugar com mínima segurança e conforto - isso basta.

Pra usufruir de narcisismo financeiro ou me render aos apelos de consumo a última aquisição em que penso está numa concessionária. O mesmo vale nas reuniões de executivos... eu sou a única que não revira os olhos enquanto a maioria disputa prestígio social em nome da Mercedes ou da BMW.

Sinto que esta postura se estende pra minha administração. Conservo em sutilezas esquecidas pelo mercado a minha vaidade. As instalações, os cartões de visita feitos por designers premiados, os móveis em madeira certificada pra eu arrotar uma pseudo preocupação socioambiental, nada disso me fala à alma... To sempre com os cinco sentidos voltados pro meu pensar e pro meu agir.

Eu e minha mania de gostar de pessoas e não de coisas....

setorizando a bucha

Dentre os ganhos efetivos que uma claríssima política de cargos e funções pode assegurar há um em especial que me fascina.

Conhecer as responsabilidades e atribuições não é nada, se compararmos à deliciosa possibilidade de remeter ao sujeito o pepino que lhe cabe (sem trocadilhos).

Eu chamo esta benfeitoria organizacional de GESTÃO DESCENTRALIZADA DE ENCRENCAS, ou para os íntimos, departamentalização de problemas.

domingo, 13 de março de 2011

respeitável públicooooo!

Minha mãe ocupou durante um tempo o cargo de conselheira de investimentos na minha empresa, emprestando pra gente boa parte do seu know-how em 30 anos de comércio.

Depois do seu afastamento pra tratamento de saúde, procurou se manter informada de tudo; uma espécie de opinadora full time. Hoje ela se entusiasmou com as novidades institucionais e as perspectivas de novos e grandes clientes, e concluiu:

"Nossa! Estamos com uma platéia bem crescente!"

P-l-a-t-é-i-a.

Posso duvidar das minhas competências executivas, mas quanto as de artista, ta tudo certo!

olhando de fora

Pra avaliar a sua reputação no mercado não leve em conta o que dizem de você e da sua performance, mas como interpretam as suas indicações.

Me sinto mais estável e grandona à medida em que os profissionais indicados por mim para empregos variados, em empresas variadas, são recebidos como um tesouro incontestável.

É melhor do que uma medalha de honra ao mérito!

"como se o vento de um tufão..."

Quando eu repito constantemente que a resignação é o alicerce fundamental de uma vida não me refiro a um comportamento de aceitação passiva e inércia eterna.

No meu "dicionarismo" íntimo, resignar-se é transformar o pó das ruínas em purpurina pessoal, pra um tempo de novas fantasias. É o que o Japão fez e faz em muitas situações. É o que quase todos fazem diante de terremotos desastrosos na sua profissão.

Uma bomba sobre você, pode fazer nascer um "você em paz..."


sábado, 12 de março de 2011

gentileza gera... o que mesmo?

Num mundo onde se incentiva o comportamento gentil e se espera um olhar menos glacial sobre as relações é preciso também preparar os seresumanos para receber calor e delicadeza. A emissão de raios ultra-amistosos requer o desarmamento condicionado que nos escraviza.

Enquanto esperava minha vez numa fila de atendimento observei que a moça imediatamente atrás de mim estava cheia de curativos e visivelmente enferma. Pedi que passasse na minha frente e me mostrei naturalmente convicta da atitude.

Ela quase me empurrou e me disse em tom zangado:

"Se eu quisesse discriminação e frescura tinha ido no caixa preferencial. "

Na minha empresa este passará a ser um critério formalizado: quem não sabe receber um benefício, seja ele de qualquer natureza, terá anulado sua condição de merecedor.

holocausto cultural

Num grupo de executivos de idades e cortes de cabelo variados sou sempre a que adora falar da paixão por cinema. Já nem me considero cinéfila - to mais pra cinefissurada, e não me basta ficar nisso. Eu começo a mencionar os filmes e diretores que gosto, as trilhas, e todo aquele mimimi de quem supostamente sabe do que ta falando.

E as vezes eu me choco. Outro dia, por exemplo, mencionei que "Laranja Mecânica" era um dos meus favoritos. A executiva que estava do meu lado teve uma crise de riso!

"Ela deve abominar o Kubrick." - pensei. Ou no mínimo desabona minha escolha.

Que nada... Ela comentou: "Ai Monga! Como você é criativa! De onde tirou uma piada dessas? Um filme chamado Laranja Mecânica!!! Ha ha ha ha."

Ha. É. O importante é o emibiêi. Laranja Mecânica deve ser alguma modalidade de tecnologia a serviço da agricultura - ou a evolução da fruta auto-espremível.

terça-feira, 8 de março de 2011

08 till the end

Me ocorre que ser mulher é também voltar à meninice da vida, todos os dias. É reviver sem culpa algumas etapas que o 'mundo de gente grande' nos compele a descartar.

Tenho a sorte de estar com dois pés nos canteiros da juventude, olhando estrelas e com alguém me sorrindo enquanto segura a minha mão. <3

as mulheres de meus marços - parte 2

Procuro desviar o foco das disparidades de gênero no ambiente corporativo. Esta é uma ilusão que cultivo intencionalmente, porque prefiro me aproximar das essências humanas, ao ponto de que batom ou terno sejam uma referência qualquer. Como gostar de azul, ou torcer pelo São Paulo.

Não sinto o peso da discriminação enquanto administro empreendimentos, e isso se deve pela minha surdez declarada. Eu não escuto aquilo que me faz mal. Ser mulher é um veneno delicioso.

Parte destas habilidades se deve a chance que tenho de receber amor, todos os dias. E pulverizar este amor em infinitas gotas de alegria, de maluquice, de sorrisos e de aventura organizacional. Na minha gestão todos os dias são 08.

as mulheres de meus marços - parte 1

Não obstante ter sido acariciada por vó desde que nasci, minha vida se erigiu entre pilares femininos. No entanto, foi a contribuição masculina que fortaleceu a delicadeza de ser mulher - ainda que comandando equipes.

Penso no meu pai e sua doçura imprevista conduzindo sua tropa militar. Até hoje nas nossas andanças um ex-recruta lhe vem agradecer pelo carinho e pelas palavras fraternas. Penso no meu irmão mais velho e sua predileção por artes e culinária. No mano mais novo, que abandonou o futebol profissional porque preferia os livros.

É muito fácil ser uma mulher de verdade quando nossos homens esticam seus braços pros nossos sonhos.

segunda-feira, 7 de março de 2011

aconselhamento a la Rochelle

"Monga, me sinto desanimada com o mercado. Minhas colegas são muito mais jovens e sequer respeitam meus pareceres técnicos na área tributária. Como poderia respondê-las a altura?" Mercedes, por email.

Então, Memê... Tem um tele-curso muito bacana na área corporativa, que se chama "Todo mundo odeia o Chris". De lá você pode roubar uma frase bastante útil:

"Não preciso disso. Meu marido tem 2 empregos!"

Bjus.

motor 10 educação 0

Quando grandes empresas fazem aquisições de equipamentos caros cuja operacionalidade precisa ser ensinada, embutido ao preço da máquina está a disposição carinhosa do técnico ou daquele que promoverá um treinamento aos usuários. Tenho visto muitas arapucas no mercado. Seduzidos pelo aparato tecnológico que os empurra à frente da concorrência, empresários adquirem estruturas gigantes, caríssimas, que são apresentadas e exploradas por gente sem um pingo de educação - e nem me refiro aos bons modos corporativos.

Falo de educação basilar. Outro dia estava em reunião numa empresa e dois técnicos representantes do fabricante promoviam atrocidades comportamentais. Entravam e saiam sem bater nas portas, riam alto e debochavam dos funcionários que tentavam desbravar aquele robô desconhecido.

A falha começa pelos representantes autorizados destes grandes equipamentos. Não basta comercializar o produto se a marca está entregue a anti-vendedores. Junto com a graxa e os rolamentos deveriam mandar seres humanos aptos.

da série 'mentiras institucionais'

Pra gente ter certeza da inviabilidade de certos projetos (em especial os que envolvem investimentos na equipe) basta prestar atenção no que é dito pelo RH:

"Em breve promoveremos uma capacitação para motivá-los e melhorar as condições de trabalho."

Ahááá. Em-breve.

Traduzindo: a capacitação não vai acontecer. Nunquinha.

te filmei na pipoca, malandro

Funcionário que tenta engabelar patrão sempre se lasca. Mente que vai viajar pra enterrar a avó e a CNN filma o cara assistindo ao jogo do L.A Lakers bem faceiro.

Aqui, em época de carnaval, vez ou outra assisto algum sem-noção pulando enquanto fala pra repórter:

"Ai, meu chefe nem sabe que eu to em Salvador, por isso que pus esta peruca amarela."

Baita disfarce.

poder das ervas

Sou adepta assumida das terapias alternativas pra fugir da imposição alopática.

Já tomei muito chá de sumiço na minha vida, diante de discordâncias profissionais irreconciliáveis.

Ultimamente tenho explicado pros sem iniciativa sobre as propriedades milagrosas do chá-comigo.

(É super indicado pra gente acomodada).

domingo, 6 de março de 2011

ti méti!

"Repousa uma culpa histórica e equivocada de que produzimos mais e melhor quando atuamos de maneira rígida. Todas as funções que envolvem liderança e chefia, em algum momento tropeçam nisso."

(parte da entrevista que cometi pra um periódico cuja publicação acontece neste mês.)

deboche com aval high-tech

Fiquei sabendo que uma companhia de trens japonesa criou um sorrisômetro pra avaliar o atendimento. Com a ajuda de um equipamento digital que adota critérios visuais aferidos pela tecnologia, o camarada ri e imediatamente recebe uma avaliação da envergadura do sorriso.

De acordo com os pontos obtidos, mede-se a eficiência da simpatia - ou da falta dela, e portanto, fica mais fácil controlar o comportamento e suas consequências organizacionais.

Penso numa estrutura compatível aqui pra Tieta do Agreste Corporativa. Na terra Brasil, a gente sairia em pequena vantagem 'sorrisística'. O pessoal que lida com atendimento é sempre risonho... ri de tudo... inclusive da cara do cliente.

sábado, 5 de março de 2011

pense bem

Precisava rascunhar uma dinâmica de grupo legal pro encerramento de um curso que promoverei dia 26 de março. Segui os conselhos da minha mãe. Vou colar notas de 10 mangos debaixo de todas as cadeiras e no final do evento, pedirei que cada um se levante e retire o envelope que está lá colado.

Depois que cada participante pegar sua nota, eu vou deixar a seguinte mensagem:

"Pra ganhar dinheiro na vida a gente tem que tirar a bunda da cadeira."

com licença poética e licença de Adélia

"Quando nasci um anjo esbelto destes que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

MAS O QUE SINTO, ESCREVO. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos - dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável.

E eu sou."


(Adélia Prado - gênia, escritora e senhora de si).

e a vernissage? é quando?

O funcionário de uma empresa de tecnologia odontológica tentava me explicar o motivo de seu desgaste motivacional. Sentamos pra um café em meio a muitas rebimbocas de parafusetas, numa sala toda decorada com poeira de gêsso e moldeiras de dente.

"Sabe, Monga... aqui todo mundo é reconhecido pela sua importância, mas falta reconhecimento pela sua raridade... eu sou uma mão-de-obra raríssima no mercado..."

Partindo desta análise passarei a oferecer os serviços de marchand de pessoas.

"Obras raras à disposição de sua empresa".

Sci-Fi Sex Stars

Estes programas de imersão pra executivos é uma novidade igual ao Sigue Sigue Sputnik, aquela banda dos anos 80. O Tony James*, que era um dos integrantes, usava um cabelo diferente, um estilo meio new punk, mas tocava um rockabilly eletronicão. Era o novo velho.

Fazer acampamento no carnaval pra resgatar a essência da carreira soa tão eficiente e original quanto usar galochas pra tomar banho de piscina.

beneditinos ou cistercienses

Se eu pudesse fazer um pedido coletivo a todos os profissionais que conheço, eu diria "tenham mais paciência".

Paciência para com aqueles que sempre tem um tempo pra te ouvir. Paciência em forma de carinho verbal. Paciência pra tolerar a forma diferente do colega se comunicar. Paciência pra respeitar o sonho alheio (mesmo que pra você seja ridículo). Paciência pra aceitar que muitas expectativas sobre você são sim geradas à sua revelia.

Paciência pra aceitar quando alguém te pede pra ter mais paciência.

quem não escuta a equipe gasta à toa

Eu não aceito aconselhar a carreira de ninguém, muito menos encaçapar um cheque se o diagnóstico do problema for simples e dispensar minha intervenção.

Esta transparência faz parte do meu compromisso de não exercer a empurroterapia de soluções.

Na empresa Y havia um grande conflito entre as duas secretárias executivas da plataforma sênior. Fui chamada para uma consultoria de apagamento de fógus. O Diretor queria uma capacitação profunda, com módulos, certificação e treinamento de bons modos, porque elas estavam impossíveis! Na concepção dele, havia algo grave nesta relação, e que certamente envolvia os interesses da corporação. Me foi solicitado um parecer por escrito descrevendo o problema.

Eis minha resposta: O problema é o iogurte. A Maria come o iogurte da Elisabete sem pedir, todos os dias. Tenho dito.

eu topo tudo, mas vai com carinho

Na verdade o preconceito que se estabelece por circunstâncias étnicas não me causa estranheza. Nestes tempos malucos eu acredito até em capacitação de pessoas -portanto tudo é possível.

Esta não foi a primeira vez que fui expulsa do paraíso organizacional por ter pecado contra a pureza de alguma raça. E olha gente... toda a anarquia existencial da minha pessoa se dá na medida oposta no que se refere ao respeito religioso e cultural. Eu respeito mesmo.

Na vez anterior o fundamentalismo religioso pesou. Havia um Diretor de empresa doidinho pra me enfiar uma burca.

até o Pokemon me odeia :(

No período em que vivi na Ásia pude aproveitar todas as experiências culturais, comportamentais e linguísticas cabíveis e absorvíveis na minha prática profissional. Conhecimento não gera excesso de bagagem e passa facilmente pelos check-ins e esteiras de aeroporto.

Em virtude da minha familiaridade étnica, fui convidada a acompanhar um grupo de executivos numa viagem de negócios ao Japão. Mesmo que eu não possa concretizar esta programação, tenho participado de reuniões legais e procurado ser grata a esta chance.

Tudo muito lindo e muito regado à gengibre se não fosse o fato de que ontem levei uma pá de preconceito na cara. O fato de não ter o cabelo lisinho da silva, os olhos puxadinhos e um carimbo biológico da raça, fez com que determinado executivo demonstrasse verbalmente sua contrariedade com a minha presença. Peguei meu hashi e saí da tigela, quietinha...

sobre quase-humildes

O novelista Gilberto Braga cometeu uma entrevista sincericida pra uma revista feminina e eu adorei boa parte de suas considerações.

Aforando a sua desconcertante capacidade de dizimar jornalistas, fica aqui o registro corajoso daquilo que muita gente sabe, mas que poucos se atrevem a verbalizar:

"Toda as pessoas bem-sucedidas que conheci são ou foram inseguras. A segurança só existe entre os medíocres. A Fernanda Montenegro, maior intérprete deste país, grava uma cena e corre para o monitor para ver como ficou. Nunca acha que arrasou. Quando a pessoa chega muito segura, dona da bola, pode apostar que vai dar merda..."

sexta-feira, 4 de março de 2011

eu também ajoelho nos milhos - again

Pra não dizer que não me diverti com os testes:

"Monga, o que você mais gosta na vida?" - psicóloga perguntou.

"Ah! Eu gosto de gente!" - disparei.

"
Como assim? Gente? Gente como?" - psicóloga desafiou.

"Gente como? Gente. Gente, aquela coisa que faz xixi, cocô, tem cpf, acorda com bafo matinal, tem predileções variadas, gera filhos, viaja e faz besteira. Gente do tipo gente. Existe alguma variante de 'gente'? Categorias?" - respondi

"
Hahahahaha" - psicóloga simijou.

eu também ajoelho nos milhos

Pra completar o processo de contratação de prestação de serviços numa grande companhia, fui convidada a passar por uma bateria de testes psicológicos. A política da casa é clara: qualquer colaborador, ainda quem em regime transitório e terceirizado, consultor ou piromaníaco, tem que se disponibilizar às psicólogas do RH.

E eu fui. Depois de décadas sem vivenciar esta experiência, me dei de bandeja às avaliações múltiplas.

Foi incrível! Fez bem ao meu dosímetro de vaidade, ao meu senso de auto-ajuste, ao meu pretenso arsenal de argumentos. Foi um desarmamento necessário. Um resgate emergencial de posturas.

Fica comigo o parecer final, como farol de melhorias - "Você é brilhante, Monga. Mas é inquieta demais. Cuidado pra não fugir de você mesma."

quinta-feira, 3 de março de 2011

Funérea pra Presidente

Toques de celular são excelentes parâmetros pra gente conhecer um profissional. Outro dia eu escutei as dicas da Adriana-não-sei-que-lá, professora de etiqueta corporativa. Segundo ela não existe nada mais desagradável do que manter o aparelho de telefone ligado durante uma reunião e mais: ser interrompido por um freak-le-boom-boom
com a voz da Gretchen.

Pensando nisso, eu optei pela voz da adorável personagenzinha Funérea.

Hoje mesmo enquanto clientes debatiam a previsão de metas, meu mobile disparou:

"Ai que infortúnio!".

muuuuuuuuuuuuuuuuuu

Uma das angústias da colega administradora é a presença, na equipe, do filho de um ex-empregado cuja reputação é péssima. Na sua perspectiva analítica, filho de encrenca sem caráter é.

Esquisita esta visão. A hipótese de uma hereditariedade comportamental tem lá seus milímetros de lógica, mas me assusta a proporção que isso adquire no desempenho de um colaborador, em começo de carreira. Este vaticínio corporativo é cruel demais. O rapaz não merece um pré-julgamento como herança profissional.

Eu, por exemplo, se fosse carimbada pelo selo de qualidade do meu pai biológico,conseguiria no máximo uma vaga de "coordenadora adjunta de falcatruagem organizacional". O único lugar no mundo em que a relação parental determina o valor da carne, é em leilão de linhagem nobre de nelores.

opinando com atraso

Notícia que já passou é como macarrão requentado... o cheiro agrada, mas não desce não...

Desculpem minha falta de pontualidade jornalística, mas fica aqui meu registro em torno de duas notícias. A morte do Scliar, um de meus autores preferidos, médico e pensador com que tive a honra de conversar em mais de uma ocasião. Discordo da manchete de um jornal gaúcho: "A literatura perde um grande nome". Não, a literatura não perde nada. É atemporal, é permanente, é eterna. Quem perde somos nós. Menos um brilhante pra dividir o fardo dos dias...

Fiquei passada também com o cara que atropelou os bicicletistas. Strike igual eu só conheci com o Guto*, meu colega de multinacional, nos anos 90. Infelizmente as coisas caminham pro pior. Tresloucados pilotando carros, caminhões, motocicletas e... empresas.

Salve-se quem puder.

quarta-feira, 2 de março de 2011

soro nele!

Quem sou eu pra duvidar da capacidade executiva de adaptação ambiental... conheço histórias de colegas que circularam por ambientes de todas as envergaduras sociais pra dar conta de clientes malucos.

No meu caso, vivi a primeira reunião de negócios num quarto de hospital.

(Minha saúde vai bem, obrigada!; o cliente, no entanto, não pode dizer o mesmo - nem no que se refere à gestão de sua carreira).

terça-feira, 1 de março de 2011

super bonder emocional

Talvez a inércia seja o refúgio natural dos exautos e dos não recompensados.

Da imobilidade, hoje, ninguém me tira.