segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

mensagens de esperança em dupla versão

"Deus nos dá as nozes, mas não as quebra" (provérbio alemão).

"Deus não nos quebra. Somos nozes que administramos mal." (provérbio corporativo da Monga).

tem caroço neste angú

Com duas coisas eu miborro dimedo.

Uma delas é família me chamando pelo nome de batismo. Composto, com pausas e testa franzida. É b.o na certa.

Outra é cliente pagando a vista, em cash, por um pacote de serviços que ele só vai usufruir em maio.

no Brasil não tem graça... an?

O C.E.O de uma renomada empresa de tecnologia, mundialmente aclamada, comentou que uma das maiores inovações para 2011 será dispor de uma ferramenta chiquéeeeerrima, complexéeeeeeerrima, fudidonérrriiiiimaaaaaa e desenvolvida "ora veja! aqui em Porto Alegre, no campus da Faculdade X!".

Entendeu a mensagem? O grande estouro não é a descoberta e a projeção genial que ela tem no mercado, mas o fato dela ter sido criada 'aqui em Porto Alegre'.

Então já sabe... se você quer se certificar do poder e da capacidade inventora, abstracionista e multi-talentosa de alguma equipe, certifique-se de que ela não trabalha 'ali em Porto Alegre'.

Sabe cumé.... se o Guaíba é xulé demais pra banhar grandes gênios também não serve pra limpar o bumbum de executivos idiotas.

nem cult nem ribeirinha

Não preciso falar numa reunião que eu já fui professora de Latim, que falo y.x.z idiomas e que conheço 27 países. Que fiz curso de barista e que História da Arte eu domino pra mais de Rodin!

Me cansa.... As minhas festas literárias acontecem nas intimidades do meu ser. Se dissolvem discretamente nas minhas palavras.

Também não preciso bater na mesa e rir de boca aberta assistindo a um vídeo do youtube que mostra uma pessoa esborrachada no chão.

Se existe um meio-termo comportamental, este pode ser exercido na vida executiva. Eu pego minha cultura pra servir de ponte até quem não me entende. E viajo na simplicidade pra tocar quem me esnoba. Sempre funciona.

só ostenta quem sustenta

Meus amigos empresários estão às voltas com adequações malucas a fim de garantir linhas de crédito salvadoras para seus empreendimentos. Com esta pressão em torno da responsabilidade ambiental há muita gente mandando a esposa viajar pra dormir com uma árvore - pois quem sabe assim se familiariza com a causa.

Sustentabilidade é a palavra do momento.

No entanto, por questão de justiça, as instituições bancárias deveriam espraiar esta modalidade para outros setores existenciais e financeiros, tipo "sustentabilidade do lar", sustentabilidade da faculdade dos filhos", "sustentabilidade das faturas do cartão American Express" e "sustentabilidade das prestações do carro".

Ia chover clientes.

e eu ainda quero ganhar um brinde da Itautec

Sempre quis participar do programa Show Business e ser entrevistada pelo fofo do João Dória Jr. a quem chamo carinhosamente de "Riquinho" (personagem gagá de revistinhas que eu lia na infância).

Fico observando o naipe dos convidados e seus rompantes de 'sucesso'. Os olhos, as mãos, o corte dos ternos, a estrutura sintática (e chata) das respostas.... tudo me atrai demais. Penso que se um dia eu fosse lá dar pitacos públicos sobre ironia executiva, por exemplo (minha grande especialidade organizacional) eu sentaria mastigando chicletes e chamando o Joãozinho de 'queridão da titia'.

Sonho com ele me perguntando "Monga, quando decidiu ser executiva?"

Minha resposta seria "quando eu percebi que não tinha talento pra nada na vida..."

sábado, 29 de janeiro de 2011

curada, em nome da clave de Sol

Lembra da canção que colou nos meus mongo-ouvidinhos?

Pois bem... já localizei o delinquente musical... A canção se chama "if U only Knew" de uma tal banda Shinedown.

A partir de segunda-feira estarei curada da minha síndrome de vozes cantantes no horário do trampinho.

(Pelo menos até que outro assediador musical me venha a encher o saco).

de mãos dadas com o avanço

Uma leitora querida perguntou quando eu me senti preparada para gerir uma empresa.

Eu respondi que NUNCA. Nunquinha mesmo. Depois de muitos anos enfrentando os animais silvestres da corporação, continuo me sentindo despreparadíssima.

Isso não é uma tijolada de desânimo nas cabeças jovens e nem uma injeção de desistência nas veias dos sêniores. Estar despreparado é a única condição real que fortalece nossa busca pelo aperfeiçoamento diário.

Gente 'preparadinha' sempre tem cheiro de prepotência e eu prefiro uma leve colônia de 'posso saber mais'.

muitos tank-u-a-lot

Recebi muitas dicas de leitores e nos próximos dias estou reabastecida de leituras bacanas.

Agradeço à Rô, a Ivana, ao Antonio, a Julia, a Dry e toda galera que plantou sua florzinha na caixa de emails. Deixo meu obrigada especial a Ana, que escreveu contando que 'não se reconhece em nada que eu escrevo' mas que adora meu bom humor.

Diversão é assim. A gente não precisa se reconhecer - basta se render, porque o riso é a viga que sustenta nosso prédio e suas vidraças.

donde estavas, Monguita?

Estava em viagem, por isso a ausência do blog e a demora em responder aos emails dos leitores.

Passeei muito, sorri muito, curti compras, shopping, lanchinhos, ócio, abraços, beijos, calor, lágrimas de alegria, amor aos montes... Se tivesse que classificar a categoria deste tipo de 'turismo' imprevisto, eu chamaria de 'viagem de negócios'.

Não sei quanto aos executivos no geral, mas na minha corporativice, é justamente este o investimento mais apropriado para uma gestão de resultados prováveis.

Viver. Viver. Viver.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

no meio do expediente me surgem dúvidas

Tem uma canção que toca na propaganda do Universal Channel que não sai da minha cabeça.

É um comercial rápido sobre as séries, e a letra é num sei quê, num sei quê lá believeeeee, believeeeeee, believeeeeee.

Se alguém souber quem canta, a banda, o cantor ou a entidade, por favor me avise. Não, eu não vou baixar a música. Eu vou é exorcizar esta voz que fica cantando e atrapalhando minha concentração - que já é raríssima.

Obrigada.

e isso é nome de cor, cacete?

As empresas de esmalte esquecem que nós, executivas, também gostamos de acompanhar as tendências coloridas, fazendo uso constante de novidades "unhais".

Se a indústria de cosméticos levasse isso em conta, estaríamos a salvo de constrangimentos.

É foda visitar um cliente sofisticado que arrota páginas do Guia Michelin e ele me perguntar qual a cor do meu esmalte (tão fino e blablabla).

Respondo que é 'maria joão'?

Ah vá.

sem borrar o rímel

Quando preciso causar uma impressão de agilidade acima da média, os espíritos graciosos me dão uma forcinha.

A cliente mais chata, que quer tudo pra ontem, pra encarnação passada, enviou um sms solicitando a minha presença, assim que possível. E eu estava à meia-quadra-da-empresa-dela.

Assim que cheguei a secretária perguntou - "Como você veio tão rápido???"

"Ah, querida... desejos de clientes especiais são prioridades incontestáveis!".

(mascaraaaaada!!!!)

Plaenge ou BNH?

Alguns colegas executivos de uma refinaria de petróleo discutiam sobre executivos engenheiros e executivos pedreiros.

Sem palpitar na discriminação subliminar dos rótulos, deduzi que se tratava de uma designação babaca para os 'chefes' e os 'subordinados'.

-E você, Monga? É engenheira ou pedreira?

Eu sou servente de pedreiro. Não me interessa a máquina de calcular, o capacete e os tijolos. Não levanto paredes. Eu gosto é de meter a mão no cimento, sujar minha cara, suar a camisa velha, ajudar o mestre de obras. Ajudar. É isso aí mesmo que eu gosto.

estranho é estranhar a bondade

To cansada de ouvir especialistas tecendo suas considerações sobre os efeitos nocivos que uma crítica severa tem no ego e na motivação dos funcionários. Desde que Adão e Eva repartiram o caroço da maçã e fizeram um chá com a casca, a gente sabe - tripudiar sobre a performance do vizinho é maldoso, inoportuno e inútil.

Consensualmente sabemos: é difícil saber o que fazer com uma advertência rude.

Mas e os elogios? Algum especialista já dissecou este corpo? Estamos preparados para a apropriação de uma frase de incentivo? Estamos aptos a internalizar positivamente e concretamente uma massagem no ânimo, de maneira inesperada? O que fazemos com as pílulas de alegria que nos oferecem? As repartimos? As tomamos?

An?

o que você me recomenda?

Gostaria de receber sugestões de blogues.

Tudo bem que meus leitores tem esquecido de escrever e deixar suas considerações sobre os posts, mas umas dicas caem sempre tão bem...

Eu comparo uma boa sugestão a um presente fora de data. O efeito sobre mim é o mesmo.

"Ohhhhhhhhhh!!!!!" =)

sábado, 22 de janeiro de 2011

o necrotério do sucesso

Troco muitas idéias com colegas executivas.

Numa destas conversas fiquei sabendo que uma profissional a quem admiro muito enfrenta uma situação grossa (porque se a situação fosse 'delicada' quase tudo estaria a salvo). Segundo ela há um sistema de hierarquia ilícita na sua empresa, colocando num posto gerencial determinada moça sem que o tal cargo seja legitimado, nomeado e divulgado.

Este posicionamento obscuro promove a pior parte de uma gestão plena: a impossibilidade da gerente reconhecer intimamente o seu valor e assumir o comando de forma justa e o massacre da equipe sujeita a um chefe que, em tese, não é chefe.

Alguns chamam isso de hierarquia velada. Eu chamo de motivação morta... e velada!

fazfavô

Quando uma companhia aérea decide promover na televisão suas preciosas ofertas eu me resguardo da animação. Não que eu desacredite das vantagens nos preços, das condições de pagamento ou tenha medo de overbooking.

Eu tenho é muita raiva do desperdício de tempo a que me submeto tentanto insistentemente carregar a página.

Chamo isto de over-saco, over-encheção, over-palhaçada e over-abuso.

e voce ainda tem que ligar no dia seguinte

"Propaganda boca-a-boca" na contemporaneidade dos negócios só vale para designar alguma técnica pessoal de sedução amorosa através do beijo.

Para conquistar clientes e fincar a bandeira de ocupação no terreno de oportunidades é preciso muito mais.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

cruz vermelha, arco-íris e neon

Infelizmente não tenho grana pra bancar uma excursão solidária de meus colaboradores até o Rio de Janeiro então propus uma troca amigável com determinada agência de turismo, reconhecida pela sua popozuda conta bancária.

Em troca do deslocamento aéreo de meus pimpolhos nós prestaremos serviços de treinamento e ainda turbinaremos a publicidade deles.

Esta iniciativa se deve pela necessidade explícita de resgate e reconstrução.

Não to falando da população devastada. Me refiro à galera que trabalha comigo e que anda tonta de orbitar os problemas em seus umbigos. Nesta oportunidade cresceremos muito mais do que aqueles que perderam suas casas e suas identidades afetivas.

são tantas emoções

"Monga!!! Você é muito contraditória!!!" - gritou um cliente, batendo os punhos na mesa.

Você acha? - indaguei.

"Tenho convicção!!!!" - ele sustentou.

Ai que delícia! Finalmente alguém reconheceu minhas virtudes!

cadeia neles

Adoro spam!

Se tem algo que me fascina é a companhia de emails indesejados, porque na maioria das vezes eles me inspiram. Outro dia o título da propaganda assediadora era "curso rápido, últimas chances: o enterro da fofoca no ambiente de trabalho".

Embora eu saiba que estas contas de email não aceitam respostas, eu fiz questão de defender meus interesses. Com lágrimas nos olhos, redigi minhas humildes linhas.

Se a bandidagem vai se instalar no ambiente empresarial, que a gente comece matando e enterrando o serviço, mas assassinar a fofoca, nossa companheira de jornada favorita, é um crime inafiançável.

edital de incitação

Quando mais de duas profissionais se reunem em nome de princípios universais das delícias da vida, a perpetuação da espécie executivus felicitatus está garantida.

Se você discorda dos nossos níveis de estrogênio-organizacional-do-prazer, queira por favor levar sua frigidez existencial pra lá.

E sigam-nos os bãos:

http://terapiademocinha.blogspot.com/2011/01/zecutiva-felicidade-clandestina-sob.html

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

sementes de 'sim' pra germinar sucesso

Se risada tivesse outro nome, se chamaria 'sim'.

Quando as pessoas riem bastante das minhas mini-crônicas do cotidiano corporativo é porque aceitam a piada. Se identificam. Se reconhecem.

O humor, mesmo quando retrata os bastidores profissionais, nasce do mais sincero consentimento.

A gente não acha graça do que não é verdade, não é verdade?

:)

traídos pela pesquisa

Quando tá escuro e ninguém te ouve, quando chega a noite e você pode chorar, dê uma pesquisadinha no Gúgol.

Volta e meia eu me surpreendo com as paspalhices da nossa ferramenta de pesquisa favorita. Quem busca informações sobre mim (euzinha, de verdade, executiva e demente) tem uma sorte de links bastante sugestivos. "Furto de carro" - e pá, meu nome completo logo abaixo do link.

Eu nunca roubei nada. Basta clicar e ver a notícia na íntegra de quando o carro da minha empresa foi roubado. Mais adiante você lê "criação de logotipos" e meu nome mais uma vez logo abaixo. Eu não crio nada - nem piolho. Acontece que presto consultoria pra uma agência de Propaganda e por motivos extrasensoriais, o buscador nos brinda com estas pérolas.

Se você ta atrás de referências de alguém e o único link associado ao nome da pessoa é "hemorróidas nunca mais" não se precipite. O cara pode ser um representante de laboratório.

domingo, 16 de janeiro de 2011

strudel e pão com ovo

A Alemanha sempre me agradou como destino turístico e como palco de eventos corporativos. Certa vez visitando uma montadora encontrei entre os automóveis no pátio uma carteira cheia de cartões de créditos e documentos.

Assim que localizei o dono fiz questão de entregar o pertence e percebi seu alívio. No final da minha visita um carro com motorista estava a minha disposição com um cartão de agradecimento em nome da EMPRESA: "quando um funcionário alivia suas preocupações, a gente produz mais e melhor. Obrigada."

Se tal fato acontecesse aqui no Brasil (desconsiderando a discussão se a carteira chegaria ou não ao seu dono) acho pouco provável que a empresa se manifestasse.

Aqui ainda há muitas distinções entre felicidade individual e seus reflexos coletivos.

pra que estes olhões, Loba Monga?

Minha avó tem muitos receios quando eu apareço cabisbaixa na sua casa e trata logo de comunicar que seu pagamento do mês ainda não saiu.

Quando o último porão financeiro de uma executiva é o salário de uma senhora de 83 anos, é porque a coisa ta desesperadora.

desaforo, bugrada

Nunca fui vítima de calotes traumáticos. Uma entubada aqui e outra ali é coisa natural num universo de cifras constantes.

Nesta semana, porém, eu debutei entre os empresários enganados, ferrados e não-pagos. Conviver com esta realidade azedou minha existência de uma forma visível. Estive chata, revoltada, faminta por vingança e antisocial.

É duríssimo ver o cliente desfilar seu automóvel de 300 mil reais e estampar com orgulho as fotos de suas férias na Ilha de Páscoa, na casa da Sininho e brindando com Peter Pan, e eu aqui, moscando com pilhas de contas na gaveta.

olho por olho, serviço por serviço

Um dos participantes deste big bródi (que é bartender) explicou que prova todos os seus drinques e que a regra é um pro cliente, um pra ele.

Invejei demais. Tirando o fato de ser abstêmia plena e não consumir álcool nem sob a forma de gel, achei um ponto de vista perfeito. Fiquei viajando... Deveria valer para todas as profissões!

Os pedreiros deveriam erigir uma parede pro cliente e outra pra ele mesmo. Os médicos deveriam prescrever receitas pros pacientes e pra eles também. Os executivos deveriam determinar metas pros clientes e muitas pras suas próprias carreiras e os fofoqueiros profissionais... ah... estes deveriam criar um fuxico devastador pro vizinho e um pra sua irmã mais nova.

tesouros da Monga perdida

Fui convidada pra expelir uma entrevista e o convite me chegou pelas mãos de uma jornalista muito bem reputada, de um veículo excelente.

O meu blog será usado como exemplo de uma sandice perfeitamente aceitável, embora pouquíssimo absorvida na prática. A curiosidade é que pela primeira vez aceitei tirar a peruca da Monga e dar pitacos reais, da executiva de carne e osso que ocupa parte deste expediente.

Só Deus sabe a salada russa que isso vai dar.

tira dois dedinhos

A vida executiva é como ir a um cabeleireiro desconhecido, pela primeira vez.

Em ambas situações não sabemos o que será de 'nossas cabeças'.

decisões milimétricas de efeitos kilométricos

Alguma vez eu devo ter comentado aqui, mas repito: eu sou apaixonada por animais. Por eles sou capaz de sentir um amor idêntico ao que sinto pelos seres humanos, sem distinção alguma. Nos últimos dias não me sai da cabeça a imagem da Dona Elair* sendo resgata no Rio de Janeiro e perdendo seu cachorro nas forças da água.

O átimo de segundo entre garantir a própria vida e deixar escapar um cãozinho frágil está muito além de discussões sobre quem vale mais - humanos ou bichos. Me fez pensar, metaforicamente, nos momentos em que o resgate nos garante a vida, mas nos obriga a perdas dolorosas.

Na vida profissional, perdemos muitos seres queridos pela estrada... Amarramos a corda na cintura e permitimos que alguém nos tire da enxurrada. Sobrevivemos. Não mais sabemos o destino daqueles que se foram, e que muitas vezes nos deram a mão quando a água já batia na nuca...

é pegar ou largar

O mundo corporativo anda cheio de gracinhas linguísticas - e não é de hoje. As vezes eu espero o momento em que os chefes substituirão os comandos formais pra reunir os funcionários com um simples "bora aêêêê".

Ultimamente observo com afinco a turma dos 'pegadores'. Não, não são os requintados sedutores de terno e gravata; são simplesmente os adjuntos que explicam sua facilidade de entendimento dizendo: não precisa me orientar muito, Monga! Eu PEGO fácil o serviço.

Eu não. Nesta fase to procurando largá-lo.

sábado, 15 de janeiro de 2011

enfim de casa nova!

Toda mudança faz parte do nosso arsenal anti-acomodação.

Mudar significa trazer pro conforto uma pitada generosa de desafios. No mundo dos negócios a dinâmica das coisas se confunde com a sobrevivência necessária. Estar parado diante do ciclo da vida é como assistir a um belo espetáculo de costas. E eu costumo me assistir, atuar, e me aplaudir.

A partir de amanhã, vida nova e velhas bobagens.

(O-b-v-i-o).

(Obrigada pela ajuda, campeã-estrelinha. Eu amo você.)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Senhores leitores

Como diz a música:

Desculpe o Auê
Eu não queria magoar você.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

não dá, honey

O economista que trabalha na minha empresa já tá avisado. Não me venha com papo o.b.

Adoooro entender de dinâmica cambial, mas baixo fluxo e alto fluxo é tpm demais pra minha cabeça.

Thundercats, Ho.

venda é venda, fdp é fdp

Algumas empresas que comercializam produtos de tecnologia usam o sistema free on board, carinhosamente apelidado de FOB, na sua logística de entrega. Com tal regra, o frete e o seguro são por conta do cliente, e entende-se 'por conta' exatamente isso que cê ta imaginando: o estresse vem de brinde!

Eu penso que quando um comerciante imagina diluir o valor de transporte na venda de seus produtos, ele facilita a comunicação e a dinâmica num processo onde o comprador é totalmente descredenciado a palpitar. E há também, claro, a chance deste mesmo comerciante obter um desconto substancial de acordo com o volume de produtos que trafega.

Em síntese, é um saco. Quando rolam dissabores, o vendedor se garante no FOB, mas o cliente se FOD.

Ponto.

é que o de cima sobe e o debaixo desce

"A política só tem uma porta: a de entrada. Não tem porta de saída."

A frase é do marimbondo de fogo e ex-presidente, José Sarney.

Eu diria que a vida executiva só tem um elevador. O único movimento possível é o constante sobe e desce.

Os nauseados emocionais, que não suportam o ritmo, estão lascados.

e nem precisa exame de urina

Li no blog da amiga Juju Bala* (terapiademocinha.blogspot.com).

"A felicidade é um produto legalizado. É como álcool, cigarro. É bom, em doses adequadas. Causa medo porque vicia."

Concordo e discordo. Vicia, sim, mas ainda está longe da legalização. Penso nisso enquanto avalio a minha postura de traficante, nos corredores empresariais.

É preciso muita firmeza de propósitos pra convencer os decisores das intituições de que nós, usuários e defensores desta morfina organizacional chamada FELICIDADE podemos exercer dignamente as funções para as quais somos pagos fazendo uso dela.

don't hang your shit on me

Animados pelos programas de qualidade que contemplam uma série de atitudes bio-corretas, alguns empresários apostaram em campanhas internas de conscientização.

Desde então, olha-se muito para o destino do lixo das organizações, para as posturas de uso racional de água, luz, telefone e bom senso (oooops) e para o compromisso efetivo de contribuir para um planeta mais habitável.

Certíssimo. Bravo! Como existe um número suficiente de mentes brilhantes trabalhando a serviço desta dinâmica, eu posso me concentrar no destino final que todo entulho emocional encontra, nos ambientes organizacionais. Funcionários precisam aprender a esvaziar seus latifúndios de falta de educação coletiva.

Eu não quero viver num planeta com água garantida, com áreas verdes preservadas, habitado por seres humanos irrecicláveis!

cuidado com a marreta, mais uma vez

Que eu sofro de hiperatividade hiperativa hiper über, todo mundo sabe. Não tem como esperar a saída dos pedreiros pra dar expediente por aqui.

Então, entre uma marretada e outra, eu me esquivo da sujeira e sigo firme.

Nada de folga, mano. O show pode até parar, mas o blog não.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

cuidado com a marreta

O blog está passando por uma reforma ultra maravilha, mas sabe cumé... É barulho de parede quebrando, é cheiro de tinta frêsca e pedreiro atrapalhado que esquece de destravar o portão e deixa muitos leitores buzinando do lado de fora.

Provavelmente em dois dias, esta tenda dionisíaca corporativa estará de volta.

(Sim, isto é uma ameaça, principalmente à caretice empresarial).

Beijos da Monga!

domingo, 9 de janeiro de 2011

juntos chegaremos lá (parte 2)

O gatilho para este passo empreendedor disparou numa conversa com dois estagiários.

Um deles estava empolgado com o mega desconto que aproveitou pra papar um rodízio de sushis num lugarzinho da moda.

"Que bacana, Biel! Você deve estar com água na boca, né?"

"Não, Moguinha. Eu odeio sushi. Comprei porque tava super barato!"

Então é isso. Para um novo espetáculo de consumo, no topo da cadeia econômica e cultural, siga a regra: não importa a serventia, se estiver barato, compre!

juntos chegaremos lá

Depois do peixe urbano, do arara urbana e de toda a fauna de sites de compras coletivas, eu decidi lançar o URUBU SUBURBANO.

No meu espaço eletrônico as pessoas terão a chance de adquirir toda variedade de carniças tecnológicas. Tíquetes para o botequim risca-bucho. Ingressos para o show do cover dos Ramones. Depilação com cêra reciclada no salão da Zéfa.

A intenção é comprovar a tese de que neste país, em se oferecendo, tudo se compra.

os paralíticos existenciais

Enquanto a maioria fica se gabando dos carros e dos inúmeros carimbos nos passaportes eu fico aqui festejando a saúde das minhas articulações.

A maioria dos empreendedores que desfila por aí vive em constante estado de imobilização cerebral.

Três moedas prum pensamento rico valem mais do que mil patacas de ouro pra uma mente pobrinha, pobrinha...

boy band an band-aid

Tem um cara pra quem eu presto aconselhamento de carreira que foi apelidado de Nick Carter. As vezes de Howie D - ou algum nome de integrante dos Back Street Boys (e se você leitor tem mais de 25 anos, não venha com xurumelas de que nunca escutou as melosas canções destes rapazolas).

Tudo porque a frase regente da vida deste cidadão é "eu quero assim".

Depois de algum empenho em lhe revelar os entraves pra realizar tudo que ele deseja, ele sempre indaga: "me diga o porquê!"

Ou seja... "I waaaaaant it that way..../ Tell me why....."

ter um amor é pra isso

Bom lembrar que as bóias essenciais nos chegam igualmente pelos nossos companheiros, companheiras, esposos, esposas, amantes, namorados, namoradas, encostadinhos e entrincheirados.

Ser executivo de sucesso não inclui brindar sozinho num quarto de hotel.

Neste quesito, eu também me cerco de uma fartura invejável.

:)

advogada das causas perdidas

Ter amigos é como ter bóias.

A gente não percebe que nossas inseguranças profissionais representam um desgaste tão grande nas braçadas, que lá, no mar aberto corporativo, o afogamento pode ser uma realidade.

Toda vez que eu quis chutar o pau da barraca eu recebi uma generosa dose de reflexão organizacional da minha amiga Kakinha Capraro*, que advoga publicamente (e gratuitamente) no sistema de humanização das coisas.

(Obrigada, sua mala!).

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

esposa: sua melhor assessora de imagem

Por acaso, durante as férias, reencontrei um amigo da família, talvez uns 10 anos mais velho do que eu. O papo é sempre o mesmo. Oquefazes, oquefaço, oquetens, oquetenho, comovai, comovai. Eu, uma executiva. Ele um Doutor. Um professor arrogante, é verdade, de uma instituição metida a besta, e com postura típica de quem quer defecar na cabeça dos mortais.

Quando perguntei a área de atuação dele, sua limitação foi: "pesquiso microorganismos em espécies marinhas". Sua mulher, contudo, foi mais simpática:

"Querido!!! Você trabalha com vermes fedorentos que comem os peixinhos, néan?"

Eeeeeee. Das minhas!

Lampião e Maria Monga

Quando o chefe quer castigar o malandro executivo, transfere o cara lá pro cangaço da terra de ninguém. Pra cidade de Nossa Senhora do Nunca Mais. Isso é um padrão de comportamento corporativo bastante recorrente.

Me socar no cafundó do planeta teria efeito contrário. Seria uma benfeitoria!

Transferência caótica, pra mim, tem o tamanho da metrópole. São Paulo, Nova Iórque e Tóquio.

O resto, é bônus de salvação!

cocô é o que se faz sozinho

"Os americanos chamam as pessoas que conseguiram subir na vida com o próprio esforço de self-made man."

Da forma como o termo é depreendido e tragado, dá a impressão de que self-made é um dispositivo intra-gestor capaz de dispensar ajuda, ajuda, ajuda, ajuda (porque não há equivalentes sutis pra este negocinho tão evitado e tão necessário, este coisículo chamado AJUDAAAAA).

Não existe auto-gestão de carreira. A caminhada individual, pessoal e intransferível, também é feita de uma legião de coadjuvantes silenciosos que podem salvar uma vida com uma xícara de chá quentinho servida no momento crítico.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

marcianos, me liberem da abdução!

Percebi o grau de anomalia do organismo 'empresa' no instante em que aterrissei na primeira reunião pós-férias. Em uníssono um grupo de executivos me culpou por desconhecer os trâmites de determinado projeto.

"Eu tava em férias!!!!!" - bradei.

A resposta? "Mas você deveria ter trabalhado nisso mesmo assim".

Tá. E o banco deveria me dar 365 dias sem juros no cheque especial.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

de gente fria eu quero d-i-s-t-a-n-c-e

Se você quer conhecer de fato um líder, conceda-lhe o direito de interromper as inutilidades organizacionais pra falar da sua família.

Há quem acredite que a pureza cristalina de uma mente corporativa se mede pelo grau de abismo entre parentes, filhos, pais, netos e genros da figura executiva. Que homens de real business se fazem no desamparo familiar.

Eu penso o contrário. O cara que bréca a reunião pra contar da alfabetização do neto, já é meu favorito no ranking de um belo contrato.

domingo, 2 de janeiro de 2011

empregos horrorosos são um crime

"Monga, Feliz 2011! Adoro seu blog! Ele me ajuda muito quando as coisas estão pretas. Agora vai um pedido: como eu posso citar numa entrevista uma ocupação profissional que tive e que não foi lá estas coisas?" Belmira, São José do Rio Preto - por email

Belmira, querida, Feliz 2011 pra você também!

Neste caso aí, eu diria que "cometi um emprego no passado, mas já estou totalmente reintegrada à sociedade depois de cumprir a pena da humilhação pública e da falta de dinheiro suficiente no final do mês."

fábulas reais

Vi num outdoor a propaganda de uma empresa fantástica que vende ovos líquidos e em pó.

Eu acho que dei uma cochilada neste tempo de profunda evolução natural. Em 2011 minhas metas são, nesta ordem: aceitar a permanência da ISO entre nós, reconhecer a legitimidade do ensino à distância, torcer pelo Grêmio apesar do Renato Gaúcho e entender que as galinhas têm o direito de submeter seu produto às geniais invenções modernas.

raiva

Há quem aproveite o ensejo de voltar de férias pra sacanear os colegas menos privilegiados turisticamente.

Muitos executivos com quem convivo contam os segundos para esfregar o passaporte na cara do colega que juntou todas as moedas da família pra ir ali na casa da tia no litoral paulista. Fazem da sua possibilidade financeira farta um motivo pra triturar o ego dos outros.

Felizmente isso quase nunca funciona. Primeiro porque quem conta moedas em família pode se dar ao luxo de jantar no quintal (eis o grande sabor da vida!) e segundo porque quem se utiliza de vantagem financeira pra alguma coisa pode até viajar, mas nunca sairá do porão existencial.

#sefoder.

mais que a mim (till the end)

Falta de grana não me apavora (não mais). Perder o limite gestor também não.

O que me amedronta regularmente é deixar de ser admirável.

Isso não tem a ver com vaidade - tem a ver unicamente com meu compromisso íntimo de refletir nos espelhos de quem me ama.

cantinho da disciplina para adultos

Atendimento ruim é uma espécie de tumor social que acomete uma coletividade consumidora.

No bar em que jantava com amigos e familiares foi promovido um arrastão informal de péssimo tratamento por parte dos garçons e até do gerente. A indigestão nos alcançou antes da primeira garfada. Demora foi a menor parte. Tivemos coices, ironia e um prato inteiro de descaso.

Para amenizar o clima, convidei minha galera pra 'vazarmos-nos'.

A solução de um gestor mal posicionado também começa com o abandono estratégico do seu público. Solidão comercial e caixa vazio é uma consultoria deliciosa!

tunado e obstinado

Na carreira executiva quase sempre se faz um check up regular das condições do motor.

Se há algum curso de formação para condutor desta máquina veloz e maluca, eu desconheço. Gestão é uma manobra radical que se aprende com o pé na tábua.

Imagine como é, pra uma criatura do meu naipe, trafegar nesta freeway a pé, carregada de pensamentos fantásticos... é como transcender à condição organizacional e filosofar a origem da vida sob uma chuva de buzinas apressadas e incrédulas.

(Eu não tenho pressa, eu só quero chegar).

;)

pra tudo que se acredita

O sentimento que volta comigo nas malas é o de perseverança.

É a possibilidade de render mais, contrariando o cansaço.

Há em mim uma força braçal tão grande, que sou capaz de segurar os dentes enormes de um mercado que há anos me mastiga, mastiga, mastiga, mas não consegue me cuspir e muito menos me engolir.

sensualizando com Dilma

Assisti pela televisão à cerimônia de posse da nova presidenta e confesso que foi um momento de pura magia.

Eu sou favorável a ausência total de política partidária como forma de garantir a saúde psíquica da minha pessoa, e durante um ano e meio promovi discursos discretos contra a diferença de gêneros na gestão. Neste momento a caminhada feminina ao posto maior da República nem deveria me tocar, partindo do princípio monguiano de que somos seres amorfos, assexuados e desvairados quando estamos no comando.

Bla bla bla.

Me senti parte daquela cena. Eu, Monga, Executiva e Mulher, assim, com "M" maiúsculo.

sandy e júnior, ho!

Tem horas em que o retorno de férias cabe numa canção de gosto duvidoso, de timbre desgraçado, mas de teor lúcido...

"viver sonhando quem me dera... la ra ra".

Amanhã tudo volta ao impossível. E vamo que vamo.