A maioria das empresas que conheço admite a sua resistência em contratar adictos em recuperação. Não julgo, porque cada um sabe se nasceu para liderar espíritos ou para passear nos próprios limites.
Acolher as fragilidades dos outros é um super exercício de resignação, ainda maior do que se abster do vício.
Vivi esta experiência nos últimos meses quando dei guarita corporativa a um rapaz que estava no fundo do poço. Pra ele criei um cargo inexistente, uma função inventada e uma série de metas particulares. Não fui chefe, fui uma ama-seca, uma guardiã do restinho da honra, uma vigilante da auto-estima - e fui, muito, muito mais feliz do que ele supõe, no momento em que o mercado encontrou uma chance para lhe ofertar, diferente do berço circunstancial em que o mantinha.
Eu tenho sorte. O meu vício é não desistir.