Hoje duas mulheres conversavam na fila do restaurante sobre as maravilhosas instalações do novo condomínio onde moram. Pelo que entendi, elas, esposas de executivos, desfrutam dentro do complexo arquitetônico em que vivem tudo que é possível: salão de beleza, academia, brinquedoteca pros filhos, trilha ecológica, spa urbano e aulas de etiqueta.
"Ainda bem que não precisamos mais sair!!" - uma delas suspirou.
Não sei em que grau de paranóia é preciso chegar para que a felicidade se traduza numa jaula de luxo. Não sei, muito menos, em que época da vida da gente a segurança ameaçada na vida social promove este tipo de 'encarceramento' patológico.
No dia em que eu trocar os riscos inerentes da rotina pela prisão domiciliar de alto padrão é sinal de que, a bem da verdade, eu já não vivo mais.