quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

momento de reflexão semi-sério

Como diria o sábio filósofo Barão de Itararé, o tambor faz muito barulho, mas é ôco por dentro.

Assim são as metas, se não se apresentam passíveis de execução.

Meta a mão na zabumba executiva, mas preste atenção no ritmo. Tocar com força os instrumentos não garante o sucesso da bandinha. É preciso cadência organizacional.

previsões previsíveis

Entre uma onda e outra, um caldo e um quase-afogamento, tenho refletido sobre meus tempos juvenis. Nesta cidade litorânea onde reside parte da minha família eu tinha um amiguinho de férias.

Nos encontrávamos sempre, desde que tínhamos 9 ou 10 anos. Já nesta época eu era vista como uma 'menina que gostava do mundo dos meninos', e ele, 'um menino que curtia a delicadeza do mundo das meninas'. A leitura nem tinha o pé numa possível orientação sexual. Não se tratava de insinuações desta natureza.

O fato é que eu me tornei executiva. E ele, bailarino de uma Companhia famosa, em Paris.

10 a zero pro óbvio.

e o Eno Guaraná não resolve

Quando eu era criança havia uma fiscalização no meu prato a fim de evitar desperdícios de comida. "Há muitas crianças no planeta que não têm o que comer!".

Quando cresci, a vigilância cercou minha vida profissional. "Com tanta gente desempregada e você desperdiçando chances maravilhosas, se dando ao luxo de selecionar vagas!"

Me compadece a fome no mundo, sim. Me compadece a falta de oportunidades no mundo, sim.

Acontece que meu estômago e minha alma são seletivos, e tudo que fica na beira do prato ou pra fora da rotina, é porque a digestão me custa azia, infelicidade e frustração.

longos dias têm cem anos

A Rita* é a prima com quem tenho mais afinidades. Costumo brincar que ela é a favo-Rita. Temos praticamente a mesma idade e o mesmo tempo de mercado. Ao passo que me tornei executiva, ela se dedicou ao balcão de uma loja de tecidos e foi lá que teceu o que pôde, em termos profissionais.

É super amada pelo chefe (que lhe dá um ordenado muitíssimo acima da média), é companheira dos colegas (que brigam pra tê-la em cada uma das filiais) e administra seu quadrado como se fosse proprietária do troço. Não tem marido ou filhos. É amante full time da sua atividade.

Com o passar do tempo percebi na prima um índice de amargura além do normal. De 10 frases, no mínimo 9 são de protesto ou crítica severa às pessoas em geral. O nome disso?

Mistérios agudos da dedicação plena ao emprego.

vou abrir uma loja de escadas para anões

Pra quem pretende gastar alguns trocados consultando oráculos e tentando absorver ensinamentos cabalísticos para 2011, via mãe-de-santo, bruxo, adivinho ou feiticeiro, eu digo: procure um consultor do Sebrae.

Só um indivíduo deste quilate místico é capaz de declarar em rede nacional que "qualquer empreendimento dá dinheiro! qualquer um! basta saber como gerir!"

Ah! Mas como eu sou involuída espiritualmente!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

alles blau, mano

Almocei num resturante alemão com a doutora dona minha mãe e foi muito bacana.

Havia muito tempo que eu não exercitava a magnitude do meu chucrutês, e eu percebi que a destreza linguística é atemporal - ou seja - sempre é tempo de pagar micos em qualquer idioma.

Viva!!!!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

tubaína clothing

Exceto pela minha insônia crônica nestes dias de férias, a oportunidade de olhar para novos empreendimentos, reciclar minhas metas e conhecer lançamentos empresariais tem me deixado contente.

Meus irmãos, muito mais alucinados do que eu, estão em fase de estudos para o lançamento de uma grife de roupas voltadas à surfistas e já me submeteram à sabatina - como se eu tivesse mais para dar do que conselhos nada aproveitáveis.

Pintou até um convite pra uma cota nesta sociedade maluca. Não pude aceitar a brincadeira familiar, embora eu quisesse. Com a grana existente na minha conta não posso me candidatar à sócia de nada além de uma barraquinha de refrigerante fuleiro, na beira da praia.

mas é lindo

Aqui no litoral eu pude conhecer um novo conceito arquitetônico ecologicamente correto e esteticamente agradável: as lojas conteiners.

Pra algumas tendências eco-alguma-coisa eu ainda não atingi o nirvana do entendimento. Pra outras eu dou a mão à palmatória.

A única ressalva é o valor de investimento para abrir um comércio desta natureza, usando um velho e gigante caixote de metal. Achei demasiadamente caro. Na minha analogia tôsca, seria o mesmo que pagar 300 mil dólares num iate feito de garrafas pet.

Muito moderno e engajado, mas distante de um mercado de ofertas industrializadas mais práticas e razoáveis.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

natalize-se!

Não é preciso crer em fadas, duendes, Cristo ou Paraíso. Não é preciso, igualmente, supor que exista motivação eterna, felicidade plena e dias de pura sorte.

É preciso meia-dúzia de minutos de retidão. De um sorriso interno, de um desafio finalmente aceito, de um plano resgatado lá das profundezas da desistência.

É preciso aceitar a condição de humano.

Que no dia de hoje, cada um receba a sua VERDADE, e com ela divida a ceia e os olhos fartos!

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

no final do dia eu quero é sossego

Alguns clientes tem sido gentilíssimos ao enviar toda sorte de cartões e recados natalinos. Na turma dos mais melosos rolam inclusive manifestações em seus sites ou blogues declarando que a "Monga foi peça fundamental na reestruturação da empresa".

Por outro lado, são estes clientes que também transgridem minha licença temporária e continuam enviando emails e solicitações variadas como se meu expediente fosse vitalício.

No próximo ano dispensarei qualquer elogio, privado ou público, e me contentarei com uma caixa bacana recheada de 'respeito'.

there's no ending, camarada

Em nenhuma circunstância as expressões 'vida pessoal' e 'vida profissional' podem existir distante da integralidade, da fusão, da amálgama perfeita de ser uma coisa só.

Pra tudo que emprestamos os olhos, o tato, os sentidos, as amarguras e docilidades, as delicadezas e as fúrias vulcânicas, estão lá, a nos testemunhar, os pedaços que compõem nossa existência plena.

Aqui sou uma executiva de pés na praia. Na volta, serei uma pessoa mais leve na empresa.

que delícia é a vida culturete

Meu livro de cabeceira nestas férias é "O imaginário - Ensaio acerca das ciências e da filosofia da imagem".

Sempre curti pra caramba as obras deste minino, o Gilbert Durand.

Estou no exato trecho em que a discussão é sobre a 'bacia semântica'.

Quando chegar no pinico comunicacional, eu páro.

;)

Salve, Iemanjá!

Monga para uma amiga que não via há anos:

"E aí, guria! Ta trabalhando?"

Amiga com cara de entediada:

"Não, Monga... aqui no litoral tem pouca oferenda de vagas".

(A pergunta que não quer calar: perdi algum novo rito executivo?)

eu e minhas perebas profissionais

Executivos quando passam férias com a família sempre estão sujeitos a uma dissecação coletiva (e pública). A gente se sente meio alienígena. Não raramente as rodas de amigos antigos que se formam pelas esquinas passam a promover a exposição desta raça corporativa tão pouco compreendida pelos normais.

Quando eu era adolescente, imaginava que seria objeto de vergonha pros meus pais se tivesse abandonado os estudos. Hoje em dia, ao contrário, após anos de dedicação acadêmica e organizacional, paira um clima de piedade discreta:

"Esta é minha filha! Sim, ela está aqui de férias! Ah... ela é executiva... mas é aquela velha coisa... o que importa é ter saúde, né?"

bumerangue xôxo

Enquanto meus colegas executivos espiritualistas pregam suas teorias sobre "a lei do retorno" eu percebo nesta época do ano uma manifestação em sentido oposto.

Experimente ligar pra alguma empresa de produtos ou serviços. Experimente solicitar uma nota fiscal que você esqueceu e que vai impedir o fechamento decente das suas finanças. Experimente pedir aquele orçamento prometido há 40 dias, antes mesmo de você permitir que o bichinho das férias mordesse seu pé.

Experimentou? Então você concorda comigo que de 20 de dezembro de qualquer ano à 01 de janeiro de qualquer década, só existe a LEI DO NÃO-RETORNO.

quebra-tudo

Durante certos períodos de experimentações é assim... a gente vai demolindo paredes e readequando a visão do ambiente.

Tal analogia cabe pras emoções - mesmo as corporativas.

Observo que em diversos momentos as mudanças são necessárias. Em outros momentos penso que exigir que o funcionário mude o corte de cabelo, altere sua maneira de falar ou suas crenças pessoais, é uma forma de violentar o sagrado direito de ser quem se é.

Sempre que penso em desistir, inclusive do blog, eu lembro da fábula da executiva* que nada temia, e que ao disparar seus sorrisos destruía qualquer obstáculo do caminho.

(Não me pergunte a legitimidade desta fábula.... acabei de inventá-la!)

sábado, 18 de dezembro de 2010

sobre consertos e concertos

Sou escrava da felicidade.

Somente por ela trabalho e vivo. Então, quando ela me diz que sou complexa e que a gestão exagerada das minhas metas é feita de incompetências variadas, eu reflito por muitos dias.

"E eu que pensei que sabia tudo..."

bandeira 2, alívio 1000!!!

O cotidiano nos molda os olhos. Passamos a ver aquilo que consumimos sob a lupa de referências locais. Aí quando saímos da barraca, as coisas ganham outra perspectiva.

Peguei um táxi aqui na praia e me assustei com o preço.

Caro? Que nada! Baratíssimo, quase irreal.

Me contive do comentário com o taxista, por vários motivos. O alívio no meu bolso não pode ser ferramenta para diminuir o ânimo de um trabalhador diante dos seus ganhos financeiros.

(Mas deu vontade de falar 'ufaaaaaa'.... rs)

mas tchê

Os primeiros dias de férias não cabem em mil posts.

Desde minha chegada aqui no litoral, uma dúzia de acontecimentos (alguns funestos e outros hilários) se fez presente: um acidente de carro, minha mãe fazendo leitura crítica do meu blog, uma virose de última hora, uma prancha encostada na garagem (porque ta frio pacas!), clientes respingando sua falta de respeito por email e insônia inédita.

Tudo bem. Ainda me resta o Roberto Carlos na televisão.

Delícia! :P

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ok, só vou terminar este relatório

Amanhã é o último dia de trabalho deste ano.

Férias. F-é-r-i-a-s. Estado transitório de NÃO trabalhar. Permissão social para o ócio.

(Sim, é um mantra que funciona como auto-recomendação).

ataque de pelanca executiva

Sei lá o que me deu hoje. Comecei a dar uns gritos, a falar sozinha e a fazer drama.

Muito drama. Era como se uma carreira de tantos anos se resumisse ao compromisso simplório que perdi.

Olha... tenho muita sorte de ter pessoas que me amam INCONDICIONALMENTE, porque se eu estivesse no lado 'de lá', me daria um belo tabefe.

"ô ô ô ô se não der, pau vai comer"

Minha irmã tem muitos amigos que são comissários de vôo e de vez em quando me conta fatos pitorescos.

Hoje fiquei sabendo que um grupo de índios pataxós causou durante uma viagem aérea até Manaus e imaginei que fosse por falta de adequação à hábitos de transporte comuns a nós, caras-pálidas.

Que nada. Eles queriam ganhar cartões "de milhas, de milhas, de milhas!!!!"

Pássaro grande de metal faz sucesso - e mim também querer assentos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

a tribo dos waka-waka

Toda fonte de sabedoria provém de mentes e corações genuinamente muito simples. Foi isso que aprendi nos momentos em que muitas nuvens insistiam em tirar meu sol do close. Confio e acredito na capacidade de muitas famílias perpetuarem seu maior patrimônio: a gestão honesta dos seus sentimentos.

Eu, uma trabalhadora incansável, uma operária assumida do mundinho executivo, dou pausas estratégicas na minha jornada pra assistir gratuitamente a aulas de "aquecimento existencial".

Nunca vou longe pra aprender sábias lições.... hoje eu só precisei de um abraço de avó.

a humanidade me fascina

A psicóloga da minha empresa precisou de assistência psicológica pra triturar alguns problemas pessoais. Eis que esta informação promoveu um desconforto gástrico coletivo na pança do raciocínio de muitos colegas.

Porque a vida é assim... padre não peca, médico não erra, jogador não perde pênalti e psicólogo não tem sentimentos.

Cê não sabia, não?

cristina, mais brasil do que nunca

É por estas e outras que eu amo as coisas que ela decora, pinta, borda e escreve:

http://www.cristinabrasil.com.br/blog/?p=8957

desinibidora de apetite

Existe uma diferença fundamental no ritmo de cada pessoa no regime educacional.

Algumas pessoas são estudantes. Outras são frequentantes, apenas.

Estudar, pra mim, é praticamente um vício. Não posso me satisfazer com pratos modestos de informação quando existem banquetes culturais fabulosos no mercado. Não sou um corpo anoréxico quando se trata de engolir conhecimento.

Sou glutona.

sábado, 11 de dezembro de 2010

com certeza

"Mas Mongaaaaaaa, você promove um curso pra ficar lá chorando na frente dozoutros?"

Sim!!!!

Meus cursos não são pra falar do mundo corporativo. São pra falar de pessoas e sentimentos que transitam no mundo corporativo, e este mundo corporativo quase sempre esquece deste detalhe.

ainda no curso de hoje...

... vivi uma situação memorável. Numa das dinâmicas promovidas eu leio os relatos dos sonhos das pessoas e tentamos descobrir juntos, de quem é aquele desejo. É uma forma do anonimato da redação merecer o reconhecimento coletivo dos sentimentos alheios.

Lá pelas tantas, comecei a ler 'meu sonho não é um sonho. É a força da minha Fé. Perdi duas filhas, de 6 e 8 anos num acidente de carro e acredito que um dia poderei abraçá-las novamente. Por esta razão eu sobrevivo, todos os dias'.

Enquanto eu chorava copiosamente, tentava descobrir entre tantas pessoas, quem seria esta mãe. E ela se revelou a mulher mais serena e sorridente da sala, pra me provar mais uma vez que milhares de trabalhadores acomodam nos bolsos a sua tristeza pra servir clientes que sequer cogitam o rombo dos seus corações.

quando os ídolos nos assistem

Penso que só vale a pena viver num mundo de oportunidades valorizadas, mesmo as pequeninas, que poderiam passar em branco. Durante o curso que ministrei hoje, uma discreta senhora se acomodou entre os inúmeros funcionários com quem há meses convivo. Galera pra lá de conhecida.

Na primeira chance me aproximei, perguntei seu nome e tentei me desculpar sutilmente por não a reconhecer, assim de imediato. Ela respondeu "não querida... fique tranquila... eu estou aposentada desta empresa, mas quando soube do seu curso, quis participar".

Não beijei-lhe a mão por pura falta de audácia. Deveria ter feito - e seria pouco para agradecer a MINHA oportunidade rara de crescimento pessoal e profissional.

cada vez pior, graças a Deus!

Logo no começo da reunião o cliente me advertiu que nosso encontro não era pra falar de sonhos, de planos e de intenções baratas de mudar o mundo.

Peguei minhas coisinhas e fui saindo, calmamente.

"Onde você vai, menina???"

"Desculpe. Acho que to no compromisso errado."

be yourself, just be

Tenho passado um sabão nos meus clientes que abusam dos editores de imagem nas fotos institucionais que veiculam.

Ficam desfigurados, plásticos, inanimados, irreais.

Além disto, esta ditadura do fotoxópi promove um grande estelionato cultural: o da falsidade ideológica corporal.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

valor no que se tem

Sou capaz de mandar dezenas de emails pra pessoa que amo. De falar incansavelmente as mesmas frases, durante uma vida inteira. Minha insistência é o que chamo de disciplina afetuosa.

A minha natureza é da reconquista diária. Enquanto muitos executivos fazem esforços gigantes para se relacionar com clientes já fidelizados, considerando a investida um desperdício de energia, eu encaro como parte do compromisso e do apreço.

nem Emmanuel explica

Nos últimos meses tenho encontrado dificuldades pra gerir uma fatia da minha empresa que é responsável pela captura e inserção de profissionais no mercado. Principalmente para as vagas de secretária e auxiliar administrativo o negócio anda turbulento.

Atribuo a isso o fato destas atividades não carregarem o status de profissão, do ponto de vista salarial e de respeito social. É como se secretárias, em especial, fossem um estado transitório de espírito.

Quando este espírito decide povoar outros planetas profissionais e ganha perspectiva de crescimento, não cabe mais numa vaga assim.

não é piada (parte 2)

Este hábito de puro instinto solidário e organizacional já é tão acolhido pelos clientes, que alguns chegam a telefonar e perguntar se "estou bem".

Se a resposta é afirmativa, seguida de muito entusiasmo, eles ficam very tristinhos.

É como se oficialmente eu dissesse "não, não to a fim de arrumar sua sala, querido".

não é piada

Muita gente exerce sua sessão de auto-análise arrumando gavetas, organizando armários e dando uma geral no guarda-roupa. Ou lavando roupas. Ou lustrando móveis...

...nas suas casas.

Eu participo de uma modalidade corporativa (e remunerada) desta atividade. Quando alguma coisa me entristece ou angustia, eu vou nos clientes arrumar as suas salas e dar uma geral nas gavetas.

lixo?? ma quê isso!

Durante o ano de 2010 eu fiz uma pesquisa a respeito dos entregadores de panfleto que ficam nos semáforos e aceitei absolutamente toda a sorte de propagandas impressas que me ofereceram.

O carro, como vocês devem imaginar, está pelos tampos de papel.

(Esta é a explicação mais elegante que eu arranjei para rebatizar o 'entulho' que circula confortavelmente no banco de trás).

assim sendo...

A minha educação suiça tinha uma cláusula implícita: mulher fina não fala palavrões. Pois e eu pras regras? Andando, né?De qualquer forma, a castração das minhas manifestações chulas tentou me tornar uma 'dama'.

Pensei nisso quando aceitei tranquilamente a palhaçada linguística do salão de beleza por onde passei. Depilação de axila: 5 pilas. Depilação de virilha: 10 pilas. Depilação de buço: 15 pilas. Depilação de púbis: 20 pilas. Depilação de extra: 25 pilas.

Extra. Ok.

Ta decretado. Na empresa, em caso de descontrole psíquico, nada de xingamentos baixos, a menos que você mande, a partir de hoje, o colega tomar no extra.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

vale quanto impressiona

Outra coisa que me deixa bicuda é a tal cota de valor pro amigo oculto.

Neste momento a gente vê claramente a miserabilidade emocional dos caras. Depois que abre o papelzinho é que o fulano resolve gritar "óhhhhhh! neste ano o máximo que podemos determinar é 20 pilas, gente."

Observe no dia das revelações que ele tirou o descamisado do terceiro andar. SE fosse a gostosona do faturamento ele ficaria em silêncio absoluto.

o básico não cabe na cesta

Tem muita gente que capricha no presente daquele sobrinho que vai casar. Vai no magazine ching-ling e compra um sofazão de 5 mil pratas pra impressionar a família ou um refrigerador que atira gelos e canta Infinita Highway.

Enquanto isso o sofá da patroa ta afundado e a geladeira de casa só descongela com a ajuda de um ventilador.

Nas festas de final de ano de algumas empresas é assim... os Diretores compram vinhos de safras especiais e delicadezas caríssimas pra alguns clientes e presenteiam os colaboradores com aquela cesta básica recheada de produtos de vigésima categoria.

nomo-o-what?

Cê já ouviu falar em nomofobia? Aquela cólica intensa que dá em gente que não se mantém conectada 24h, sabe? Seja no telefone, na internet... São os tais dos sofrenildos do século XXI, os reféns da tecnologia.

O nome deste cupim, nomofobia, dizem que deriva da expressão No-Mobile, ou seja, sem telefone.

É a segunda vez que a imprensa me convida pra opinar sobre isto e suas relevâncias no comportamento executivo. E pela segunda vez a jornalista telefona pra mim sem paraaaaaar e eu nem tchuns pro telefone.

Hiperconectada eu não sou. Eu sou é hiper distraída.

velho oeste organizacional

As vezes eu fico sentada na recepção com meus fones de ouvido escutando Suzy Quatro* e lixando minhas unhas.

Certo dia um cliente chegou, e me ignorou totalmente.

Perguntei, em tom irônico, se ele só me conhecia da porta da Diretoria pra dentro. Se a resposta fosse sim, eu também só o aceitaria da porta da empresa PRA FORA.

Aqui neste rancho, a vaqueira líder sou eu.

ficha limpa, eu?

Fui denunciada por falta de decoro corporativo.

O órgão que regulamenta o exercício da administração de empresas recebeu informações de que a minha pessoa é um risco enorme para a boa reputação da categoria e que minha empresa promove uma algazarra institucional que vai contra os princípios éticos.

Se eu fiquei magoada? Lógico que não. Estas entidades representativas de classe existem para fiscalizar gente como eu... que paga as suas contas, que transforma corporações em estado de putrefação emocional em ambientes de felicidade, que encontra no abraço dos colegas o motivo pra acreditar na vida..

Gente da minha espécie é um desaforo cósmico!

domingo, 5 de dezembro de 2010

o paciente não pode sentar, mas eu posso, porra!

Comentei com um funcionário da minha empresa que certa médica me intimou a falar do meu programa de capacitação para profissionais de saúde e nem ao menos teve a gentileza de me convidar pra sentar no seu consultório.

Fiquei lá, falando de pé, na frente da sua mesa. Bizarrice pura.

"Mas Monga, pensa comigo... ela está acostumada a atender os pacientes de pé, querida...Liga não..."

Por que de pé, cê tá maluco??

"Monga, ela é proctologista..."

estatísticas da minha gaveta

50% das pessoas que recusam uma oferta de trabalho bacana é porque não se acham bacanas o bastante.

70% das pessoas que migram pra concorrência por 50 reais a mais, venderiam seus princípios por muito menos que isso.

100% das pessoas que abandonam empregos é porque SE abandonaram há muito tempo.

vai procurar a tua turma

Sabendo da minha futura temporada na praia, um grupo de amigos executivos perguntou se eu poderia bolar alguma coisa interessante; uma espécie de coaching litorâneo.

Ninguém respeita meu estado de plug-off.

As vezes eu tenho medo de comentar com alguém onde passarei a minha lua-de-mel.

direto do túnel dos emails

Tenho recebido emails bacanérrimos. Gracias!

Num deles a leitora dividiu sua angústia comigo. "Empreender ou não empreender, eis a sofrida questão". Precisa do salário fixo do emprego atual mas entrou num segmento promissor e com perspectivas excelentes, onde ainda por cima está livre do cardápio azedo do chefe.

Difícil acertar sem riscos, mas eu sempre penso que esta é a mística da coisa. A certeza da morte me leva sempre a crer que a vida merece ser "brincada". E a vida profissional, principalmente!

registrado para a posteridade insana

Por mais que eu odeie o mis-en-scéne a que se submetem determinados seres humanos, as vezes eu dou uma derrapadinha e me deixo clicar pra alguma coluna social.

Ninguém me conhece. Eu sou um grande nome no mercado, mas uma escultura nunca vista, repousada no porão da casa de campo. É assim que eu gosto; um nome com significado mas uma marca sem rosto. Quando acontece um momento destes, eu sempre apronto. Prova disso é pegar o jornal de domingo e ver que o fotógrafo iniciante colocou a legenda tal qual eu sugeri.

"Qual seu nome, moça? Preciso anotar pro jornal.."

Eu: "Milady Rêgo".

cuequinha, pode?

A perversidade tem muitas caras, e muitos nomes. Enquanto para alguns ela veste disfarces de "sinceridade" para outros ela simplesmente aparece com o traje de "inadequação".

Na empresa de um grupo de amigos o funcionário responsável pela Gestão de Pessoas foi trabalhar usando uma camiseta do Santos, seu time de predileção, num dia em que o código de vestir é liberado, uma vez que não existe expediente externo.

O cara foi demitido. Motivo: "postura acintosa com claro propósito de criar animosidades".

Em tempo: o Diretor da empresa é torcedor fanático de um outro time.

somos parentes dos gnomos

Eu pertenço a um grupo de executivos em franca temporada de extermínio.

A minha turma é a que ainda sabe a data de aniversário dos pais, que construiu relacionamentos longos e duradouros, que não acha a Xuxa um ícone deprimente e que acredita em contratos, prazos e etiqueta corporativa.

o buraco do tempo é o "sim"

Por falar em criancinhas adoráveis, hoje encontrei um amigo médico na companhia do filho mais novo. O menino deve ter lá seus 8 ou 9 anos e é o supra-sumo da falta de educação.

Tenho me dado conta de que os pais ausentes em virtude do caótico ritmo de trabalho procuram inconscientemente (ou não) compensar a lacuna afetiva com generosas doses de PERMISSIVIDADE.

É aquela velha história... o fruto do amanhã tem recebido um hormônio extra de crescimento... crescimento da falta de noção.

acelera, Julinha (parte 2)

A minha decisão teve a contribuição efetiva da vendedora da loja de brinquedos.

Ao me ver perdida e deliciada entre milhares de caixas de playmobil ela me indagou pra quem era o presente. Quando disse que era pra uma menina de 5 anos, ela se revoltou:

"Ah! Não acredito!!! Playmobil é coisa de adultos, senhora! Ó... pega este super bacana aqui pra você e leva algo mais útil pra menina... um telefone ou um i-pod, sabe?"

(Não sabia, mas to sabendo).

acelera, Julinha

Na dúvida sobre o presente de natal da minha sobrinha de 5 anos, acabei optando por um telefone celular pré-pago.

Minha linha de raciocínio foi: com 5 anos ela já fala inglês, domina a internet melhor do que a minha mãe, palpita nas decisões familiares, é viciada em MTV e blogs de moda.

Neste passo, com 6 anos estará em alguma faculdade.

Não tem como ficar dependendo do celular dos pais.

do almanaque Sadol de 1946

"Apresente a sua decisão e nunca as suas razões; as decisões podem estar certas, as razões sem dúvidas estarão erradas". (Mansfield)

Very contemporâneo, não?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

coerência corporativa

Quando um cliente reclama do valor da minha hora de aconselhamento de carreira eu o faço refletir sobre o adágio popular mais conhecido no mundo.

"Se conselho fosse bom, a gente venderia".

Pois então... eu vendo!

deselegância móvel

Ontem eu participei do coquetel de lançamento da homepage de um cliente.

O palco de tal acontecimento foi uma prestigiada galeria de arte, frequentada por culturetes e afins. Ambiente regado a muito espumante e considerações típicas de segundo caderno, bastante comuns a este tipo de situação. O comportamento, porém, já não é o mesmo de antigamente.

Se antes os convidados desta categoria de evento eram pessoas dispostas a se entreter e conhecer outras pessoas, hoje são onanistas manipulando seus telefones compulsivamente.

Penso que eu poderia ter desrespeitado o traje exigido pra ocasião e ido de pijamas, que certamente ninguém notaria, tamanho vício das criaturas de tuitar, blogar e acessar emails nas reuniões sociais.

nova modalidade de seleção

Pra quem pensa que só o Big Brother é capaz de despertar a essência de auto-ridicularização das pessoas eu digo QUE é preciso conhecer os candidatos às vagas de emprego que minha empresa divulgou.

Talvez seja um fenômeno sintomático do desespero de causa - ocorre é que a grande maioria, além dos currículos, tem mandado fotos, pequenas resenhas com suas histórias de vida e superação e VÍDEOS DE APRESENTAÇÃO.

Depois da perplexidade inicial, eu tô é mi divertindu.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

mas...

... o blog não tira férias.

Alguém precisa testemunhar, ainda que silenciosamente, os devaneios de uma executiva no litoral.

não enxergo mais o inferno que me atraiu

Não me vejo mais na condição de trabalhadora compulsiva. Sacrificar meus natais, meus feriados e minhas horas de esvaziamento mental não faz parte do meu menu de delícias corporativas.

No dia 15 de dezembro retiro cuidadosamente minha bateria, descarrego o cartão de memória e só volto ao sistema operacional em meados de janeiro.

;)

planejamento organizacional e infantil

Ultimamente eu ando merecendo tarefas de babá.

Na maioria dos meus compromissos rola uma mãe na companhia dos pimpolhos, esperando uma executiva monga e especialista em recreação.

Se antes eu telefonava pedindo a confirmação das reuniões, de uns tempos pra cá estudo a viabilidade de ligar confirmando também a presença da filharada.

"Quantos virão, hein?"

e tenho dito!

É bem comum ouvirmos determinadas apelações de comportamento, como por exemplo, que a gente respeite nosso tipo físico. Que a gente não persiga um ideal, uma ditadura de magreza, que não se torne refém dos modismos e das tendências.

Pois eu acredito que a gente deve, basicamente, respeitar nosso TIPO EMOCIONAL. O corpo é mais flexível do que determinados espíritos enrijecidos.

Se você é emotivo, abra o berreiro. Chore muito. Chore na empresa, na sala do chefe, no cafezinho. Se você é comunicativo, descontrole a língua! Fale o máximo que puder. Pule pelos corredores e F-A-L-E. Se você é tímido, retire-se em si mesmo. Se encolha, se economize.

De nada adianta o senso da adequação corporal se a alma é forçada a ser quem não é.

ouvintes da rádio monga

Percebeu que ontem meu blog foi invadido?

Pois então... eu não conto, ninguém pergunta, mas o amor transborda.

Chega pra lá que eu vou passar com meu coração florido.

(trilha pra executiva amada, tem aê, dj?)