terça-feira, 30 de novembro de 2010

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Você é a Monga da minha vida.
Eu te amo!

domingo, 28 de novembro de 2010

desmoralizada da silva

Que a população civil me acha uma doidivana isso não é novidade.

Pra consolidar a tese, basta que eu dê folga pros chinelos e pras camisetas e apareça de vestido e saltinho na empresa pra algum arigó se manifestar.

"Hmmmm. Vai a alguma festa?"

let's rir

Outro dia o vizinho do meu condomínio empresarial bateu na porta da minha empresa. Ele é um advogado muito famoso, que faz brilhante carreira no direito tributário.

"Ô vizinha. Dá procê fechá seu fundo que eu quero estacionar meu carro?"

Eu to até agora tentando entender a aplicabilidade racional de um fechamento de fundo.

Pra não suspeitar de uma versão ambígua e maldosa para o portão que fica ao fundo do terreno, eu prefiro crer que seja vício de linguagem de um cara que fala muito em prazos, bancos, contas, aplicações, e consequentemente, em fundos de investimento.

Platão não ia gostar nadinha disso...

Aristóteles foi o primeiro impostor a contribuir pra marginalização das mulheres no universo corporativo lá nas organizações pré-cristãs quando afirmou que 'a mulher pode ser definida como um homem inferior'.

Olha... se ele falou este troço aê, eu to pouco SE lixando.

Na minha empresa o Arizinho ia ter que rebolar na mão das "inferiores".

eu também não sou, tia

Minha tia Marlene* foi uma figura lendária na minha vida. Recebeu este nome por conta da atriz Marlene Dietrich e sua atuação no inesquecível Der Blaue Engel (O Anjo Azul, de 1930).

Pensa numa mulher tosca, multiplica por um milhão, joga três quilos de pimenta e talvez a gente chegue a 1% do ela era. Sem pruridos na comunicação, mandava seu próprio chefe à merda e no entanto tinha um senso de administração e empreendedorismo que não cabia no seu mínimo grau de instrução escolar.

Mas ela era demais. Quando soube da sua doença grave, ela me disse:

"Escuta aqui! Tu vai tratando de crescer muito nesta coisa executiva aí pra me levar a Paris. Eu vou viver muito. Não sou de raça morredeira, guria!"

vai dar tudo certo, amigão!

Hoje eu assisti ao programa da Eliana exclusivamente para saber notícias do Ariel.

O Ariel é um leão que foi domesticado e 'estragado' com todos os mimos possíveis e imagináveis num contexto familiar lindo. E eu não tenho perícia suficiente pra avaliar se isso fez bem ou mal pra um animal selvagem. O que eu sei é que o felídeo gigante está doente e não pode caminhar.

Ao ver um leão, na imponência da espécie que lhe confere o título de "Rei dos animais" se arrastando pelo chão, eu pensei no nosso próprio instinto de sobrevivência. Nas vezes em que toda força diária não é suficiente pra nos manter na 'caçada'. Nos dias em que a gente é incapaz de abater a concorrência porque não conseguimos sustentar o próprio peso.

Eu sou meio leoa. Principalmente quando se trata de defender as coisas nas quais acredito, as pessoas que eu amo. E eu também tive que me arrastar por um longo período.

o Havaí é aqui

Tenho feito pesquisas minuciosas para o projeto dos próximos dias.

Já que não posso resolver todos os problemas da minha empresa, não posso antecipar decisões cujos desdobramentos são multifatoriais, eu posso vestir meu melhor sorriso, comprar uma prancha zero kilômetro e pegar o máximo de ondas que puder.

(Executiva esperta só se afoga em mar aberto).

sábado, 27 de novembro de 2010

matemática com molas

Tá. Eu sou meio desesperada, meio tonta, muito presunçosa e muito romântica.

2 meios e 2 muitos, dá 1 uma executiva inteira e 1 monga plena.

psicodelismo na tablatura

Quero muito criar um jingle pra minha empresa. Acredito que só as músicas tem o poder de colar nas costas da memória, pra sempre. Se a marca falece, a canção, ao contrário, sobrevive.

Já escrevi a primeira parte.

"Ê ê ê ê. Lá lá. Úúúúúúú. Tchan tchan tchan."

Se ficar só nisso pelo menos o carnaval em Salvador tá garantido.

onde se nega o pão não se fatura pra carne

Fechei contrato anual para coordenar uma equipe de profissionais na concepção de imagem, captação de recursos e campanhas sociais de uma entidade de saúde.

Minha primeira exigência foi reunir as peças fundamentais para o trâmite bem sucedido das minhas idéias: os funcionários de serviços gerais, os porteiros, as zeladoras, a dona da cantina, os auxiliares que dão manutenção nas quadras desportivas e os manobristas.

A diretoria quase me tacou ovos. Se sentiram desrespeitados porque comecei mobilizando "o baixo clero" e os deixei de fora?

Não. Foi porque contratei os serviços da melhor padaria da cidade e recebi a turminha com um belíssimo café da manhã, digno de hotel de luxo.

quartzo cor de fumaça

Hoje revirando os guardados encontrei um bilhete da minha avó. Meu pára-brisa ficou cheio de lágrimas.

Tava lá, numa grafia debilitada pela sua doença, uma frase do Michel Quoist, que foi por toda a minha infância o meu autor preferido.

"A estrada da tua felicidade não parte das pessoas e das coisas para chegar a ti; parte sempre de ti em direção aos outros."

E eu caminho, sim senhora.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

muita cáca pra pouco pinico

Eu não posso mais dizer que nunca recebi uma menção honrosa. A amiga blogueira Lois* (tangaramerece.blogspot.com) abriu o envelope dos blogs mais legais e eu tava lá. Agora, de estatueta na mão, eu gostaria de discursar:

"Ai! Meo Deos! Eu...eu...eu... (tem que gaguejar nesta hora, é charme) gostaria de dedicar este ôscar (sim, com ^) ao meu ex-chefe Edilson* que um dia, durante uma viagem internacional de negócios, profetizou 'como executiva te dou 5, mas como palhaça te dou 10!"

nem sensatez nem frigidez :P

Tava lendo a entrevista de uma grande pensadora do mundo organizacional, uma espécie de guru das mentes brilhantes.

Esqueci o nome dela, mas a abençoada dizia que "a executiva é uma profissional que não deu certo. Para ser feliz no trabalho ela hipoteca a família e vive com zero prazer."

Olha... queria ver qual instituição bancária aceitaria meus enlouquecidos familiares como garantia de qualquer carta de crédito, e quanto a zero prazer... ih! definitivamente eu não me encaixo...

aiqueloucura.

dos ditados aproveitáveis corporativamente

"Diga-me com quem andas que te direi quem és..."

Com quem fechas parcerias, também.

Papai Pinóquio Ho Ho Ho

Muitas empresas passam o ano inteiro desrespeitando os colaboradores e exercendo a política da hostilidade e quando se aproxima o período natalino tentam promover eventos de capacitação e treinamentos motivacionais.

Fica meu conselho: neste caso, abra mão de artifícios inconsistentes de resgate de auto-estima e produtividade. Equipe precisa de presentes o ano todo e não vale chamar o Noel pra limpar uma imagem sujinha.

Uma caixinha de bombons é um presente mais honesto.

o perigo de viver

O Reinaldinho* é o motoboy da maior empresa onde prestei consultoria de carreira. Na primeira conversa que tivemos, ele chorou copiosamente falando da família - e me ganhou no ato. De lá pra cá nos tornamos amigos, porque eu não sofro da patologia executiva mais comum: necessidade de parecer um iceberg organizacional.

Depois de meses sem contato,encontrei-o hoje e me assustei com a cena. Sua face está totalmente desfigurada por conta de um tiro, disparado numa briga de trânsito. Para proteger a filha, ele se colocou na frente do atirador.

Fiquei engasgada durante muitos minutos. Uma mistura de sentimentos esquisita. Me pergunto quantos trabalhadores ficam estirados no meio do caminho, por conta da violência, e não voltam pra casa.

Me dei conta de que não estou livre deste projétil. Nem você.

seja antenado: alienação,não,obrigado!

Ainda acredito no poder da Educação.

Sou filha de uma Doutora no assunto, que nunca se absteve da prática educacional para teorizar e contribuir no setor de pesquisas. Minha mãe é a pensadora de Educação mais executiva que eu conheço.

Sabe... o ENEM é um caroço, o sistema de planejamento pedagógico é falho pra xuxu, os professores estão deprimidos e os alunos estão "embandidados", mas o maior bullying é a vista embaçada. É o descompromisso. A desesperança e a condição crônica de desistência.

O ensino é pra quem tem coragem - sobretudo de recebê-lo.

"que você me adora, que me acha foda"

Um dos maiores psiquiatras do país esteve me visitando hoje para tratarmos de um projeto na área de comunicação digital. Durante o papo, ele me disse que eu tenho uma capacidade surreal para traçar perfis e reconhecer habilidades nas pessoas.

Sim, isso é verdade.

No ano passado eu conheci um baita talento juvenil, daqueles passíveis de romance e lendas atemporais. Foi a reflexão mais instantânea da minha vida: esta pessoinha vai bater asa nos topos da vida. Não deu outra. Incontáveis vitórias e prêmios estudantis, até engolir centenas de candidatos num vestibular daqueles bem cabeludos.

Pessoas grandes tem grandes sonhos, mas pessoas grandes tem (principalmente) grandes conquistas.

casa nova, ebaaaa!

Eu não sei se acredito em previsões para o próximo ano, mas eu acredito em mudanças.

Em 2011 este pequeno paraíso bloguístico da Monga passará por um extreme make over.

Já reserva o fraque pro grande baile de inauguração, ok?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

certifique-se longe daqui

A secretária de um amigo está cursando um destes emibiêis em pó, que vem em saquinhos e que a gente chacoalha no intervalo de almoço, bebe e tá formado em (indi) gestão.

Me telefonou hoje indagando o que a ISO 14001 tem de interessante e se a minha empresa se adequa a algum selo de isonomia.

Respondi que sim. Que nós estamos em processo de certificação da Mongo 14171.

"E como é, Monga???"

"É uma maravilha! Não serve pra nada, portanto, cumpre com maestria o seu papel!"

executiva versão intuition follower

Quase todas as pessoas que conheço fazem bolo a partir das medidas que a receita ordena. E também seguem o protocolo de ações que a receita igualmente contempla.

Eu não sou nenhuma boleira de ocasião, e ainda que fosse, não utilizaria estas referências. Vai além da minha capacidade mental-estrutural.

Comigo a fórmula da receita é a falta de fórmula. Nunca sou capaz de ensinar moldes, de orientar execuções, afinal de contas, minha massa é guiada pelos ingredientes e não pelas quantidades ideais, nem pelas fôrmas adequadas. Sim, isso é ruim. Sim, isso é um anarquismo quase inaceitável num período institucional em que os modelos de gestão nos querem acomodar em sistemas, formatos e concepções.

No dia em que bater uma insônia, eu penso nisso.

se piorar, melhora

As regras foram feitas para o uso inteligente da transgressão.

Se a modificação radical de uma conduta organizacional põe em risco a estabilidade que se conquistou ao longo de 30 anos de mercado, é aí então que ela DEVE ser adotada.

Quem tem medo de adoecer não come pastel de feira... mas também não se delicia!

não dá pra ficar parado

Eu invejo demais a nova presidenta do país e nem é por conta de seu apuradíssimo senso fashionista.

É que ela tem uma equipe de "transição". Isso é tão high profile.

Pra que serve? Ah... pouco importa a dinâmica do processo e as funcionalidades executivas, o fato é que o rótulo dá idéia de m-o-v-i-m-e-n-t-o.

Transição, transposição, transformação, TRANSITAÇÃO.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

réguas e regras

As minhas margens de erro não são mais curtas do que as de todo mundo.

A minha dedicação é que é mais extensa.

crie, recrie e distribua

" ... recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça." (Cora Coralina, em “Aninha e suas pedras”)

É justamente isso que acabei de ler aqui:

http://crierecrieedistribua.blogspot.com/

onde mais se perde, mais se ganha!

Durante dois dias trabalhei numa proposta de consultoria, tentando adequar de maneira justa os serviços a que me proponho e as cifras pelas quais me iludo... rs

A resposta do cliente foi "Adorável, adorável! Desejo tanto investir nas pessoas que trabalham comigo mas não tenho esta grana toda...".

Pronto. Desejotanto+investir+PESSOAS = executiva flexível.

Reduzi custos, costurei probabilidades e ofereci compaixão corporativa circunstancial.

Contrato fechado, em nome daquela luzinha interior chamada generosidade.

cinderela bagaceira

Taí uma criatura pra subverter o convencional: euzinha da silva.

Pra me locomover eu lanço mão de qualquer veículo, desde que eu vá. Eu sou a favor do encontro. Do sim. Do agora. Do 'eu posso'.

Numa dessas, eu embarquei numa moto-táxi e em 10 minutos estava no meu escritório para a reunião.

Eu estava, mas meu sapato, do pé direito, não. Numa das manobras do motoqueiro, ficou na avenida... Boa chance de lançar meus modismos bizarros.

"Executivas que se garantem pulam num pé só!"

os carecas estão fadados ao fracasso?

Acabei de chegar do salão de beleza onde fui podar meus cachos.

As opções infindáveis de tratamentos capilares acabam afetando a raiz do raciocínio: com queratina, sem queratina, com leav-in, sem leav-in, com chapinha, sem chapinha, com restauração da mobília cacheada, sem restauração da mobília...

Nada contra. Esta criatividade é de fato um artifício de susbistência, mas, tive uma crise de riso quando li uma placa com a seguinte teoria:

"Seu cabelo é a chave do seu sucesso".

piadas de pontinhos - na ótica corporativa

O que é o que é, um pontinho vermelho no canto da sala?

O extrato bancário amassado de uma executiva pré-falida.

acredite se quiser

Parece que meu humilde blog tem perturbado a paz de algumas instituições.

Percebam... aqui eu não nomeio empresas, não nomeio dirigentes e não critico estabelecimentos. É tudo generalizado-ficcionado em nome de legítima liberdade de pensamento organizacional.

E mesmo assim, ta rolando um movimento de censura hightech pra me calar.

Posso rir?

Rá.

domingo, 21 de novembro de 2010

vambora pra Maracangalha

A próxima semana vai ser linda, pra você e pra mim.

Não chamo isto de otimismo, mas de tranquilidade típica dos cri-cris.

;)

colando um post it no pensamento

A vida é deliciosa pra quem tem coragem e recompensadora pra quem tem paciência.

Paciência, neguinho, paciência....

vale até Roberta Miranda


Enquanto os estudiosos dos ambientes corporativos ficam contabilizando domingos em intermináveis discurssões sobre saúde laboral e ergonomia e projetando investimentos facilitadores do conforto, eu posso garantir:

O único instrumento que é capaz de assegurar um clima hospitaleiro e manter os índices de cordialidade é mesmo o fone de ouvido.

Assim sendo, cada funcionário pode pecar contra o bom gosto musical sem comprometer a tolerância coletiva.

escrevendo errado eu cobro mais caro

Recebi uma proposta de consultoria de um empresário fodão, morador no município vizinho ao meu. Seu empreedimento tem a mesma robustez da sua habilidade linguística.

O que ele dizia no e-mail?

Que queria "ESPERMENTAR meus serviços".

É... num tá fácil pra ninguém.

a gestão das canções

As vezes o meu perfil gestor cabe nas palavras de um compositor qualquer. A vida organizacional é de fato uma trilha, bastante sonora.

Lembrei disso ao me reconhecer nos versos do saudosíssimo Nico Rezende -

"Um dom, não se negar a ser feliz
Aprendi posso ser rico sem tostão
Quero é muita história pra poder contar
da vida NUNCA FUGI
Mas se ela fica complicada
penso nisso amanhã... "

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

sabia?

A moda agora é a tal da zona.

Zona de c-o-n-f-o-r-t-o. Todo dia, em situações variadas, escuto alguém falar que fulano não se sente bem fora de sua zona de conforto. Ou que beltrano só trabalha se nada atingir a sua zona de conforto.

Eu não sei onde que fica este lugar. E eu também não tenho um local específico de conforto pras minhas emoções.

Na minha vida profissional toda zona é confortabilíssima.

limites para quem não os tem

O dono da maior rede farmacêutica que conheço resolveu se gabar da sua gestão.Me contou que não tem sala particular, mesmo comandando um conglomerado de 11 empresas e que a sua sala é dividida com vários funcionários "de cargos humildes". Talvez esta seja a alegoria de humildade e disponibilidade em que ele acredita.

Eu não.

A arrogância e a indisposição ao humanismo formam barreiras muito mais sólidas. De nada adianta a ausência de paredes na presença de um líder especialista em achatar egos.

Prefiro um chefe encastelado, de carne e osso, do que um ditador acessível.

eita função boa pra má fama!!!

Nas imediações da casa da minha avó existe um motel, destes bem mixurucas, cuja fachada denuncia o nível de 'humanidade'.

É impossível não reparar no estabelecimento e por conta disso observei a saída de dois rapazes, a bordo de uma pick-up. Desconcertados, esquivados dos olhares e com a notória postura de apavoramento...

Se eles estivessem de fato romanceando no horário comercial, talvez estivessem a vontade, mas os cidadãos estavam num carro com letras garrafais:

"LAVANDERIA X. BUSCAMOS E ENTREGAMOS SUAS ROUPAS DE CAMA. TODA REDE HOTELEIRA - HOTÉIS E MOTÉIS - LIGUE AGORA!".

demagogias honestas

Durante os treinamentos que promovo eu abdiquei de algumas proibições e uma delas é quanto ao uso do celular.

Tocou? Atenda! Quer conversar? Pode sair! Quer mandar sms? Fique a vontade!

A aprendizagem é feita de licenças administradas pela intuição e pelo bom senso. Nunca tive problemas de conduta, uma vez que já chego arrancando as portas ao invés de deixá-las abertas.

Por conta disso a vida me devolve sinais positivos, mesmo em situações delicadas. Hoje um de meus treinandos atendeu a um telefonema avisando do falecimento súbito da sua mãe no meio da minha aulinha. Se ele estivesse proibido de atender eu me sentiria uma pulha, eternamente.

(pausa).

executiva invisível: nesta você pode confiar

Muitos de meus clientes me convidam pras suas festas de família. Isto indica que eu já sou de casa (ou que a temporada de exposição pública da minha demência pode agradar socialmente).

Acreditem ou não, eu sou um ser anti-celebrante.

Me perguntei durante anos se esta postura de não comparecimento crônico poderia agir de maneira antipática aos meus 'fregueses', mas, cheguei a conclusão de que minha ausência é menos notada do que minha presença.

Sou imperceptível na medida inversamente proporcional ao tanto de barulho que causo quando estou trabalhando.

restrições de consumo

A capital onde moro não é reconhecida pela delicadeza dos seus vendedores e isso se estende a qualquer segmento comercial - de frutas à mansões.

Outro dia a secretária de um cliente adentrou a empresa aos prantos.

Motivo: ao tentar comprar uma roupa para o batizado da filha, que tem 4 anos, recebeu uma excomungação pública do pessoal da loja. "Como que você tem coragem de entrar aqui e pedir roupa pra batizar uma criança deste tamanhooooo? Que tipo de mãe é você??? Crie vergonha nesta sua caraaaa!"

Se fiquei surpresa? Sim e não.

Gostaria de saber se a defesa de teses deste tipo são aplicáveis a quem comercializa bebida...

motor mil-ponto-zero

Todo ano é preciso renovar a "frota".

Quero dizer que os carros da empresa podem continuar com deficiências de motor e pneus carecas, mas o pensamento requer um constante recall.

A gente roda pra caramba com veículos antigos, mas não vai na esquina se não limpar a rebimboca do raciocício.

graninha extra

E depois de muitos e muitos anos enfrentando um mercado de impossibilidades, me dou conta que o horizonte apontou uma nova empreitada organizacional, ora veja!

Sou terapeuta corporativa - uma variação bastante diminuta de analista freudiano.

Os clientes, empresários ou funcionários, marcam horário comigo e são convidados a uma sessão de alguns (muitos) minutos estabelecida para fins reflexivos. Simplesmente.

As coisas melhoram na vida profissional deles? Não sei.

Mas na minha melhoram bastantão.

sábado, 13 de novembro de 2010

constatações de uma escrava

Feriadão? Hmmm... f-e-r-i-a-d-ã-o??

Eu já ouvi falar!

ser mulher é bailarinar no improvável

Sempre evitei me contaminar com discursos de gênero, mesmo porque, os únicos gêneros cabíveis nos meus compartimentos são o narrativo e o dramático.

Masculino e Feminino dizem respeito apenas a um pedacinho de carne a mais ou a menos. Na empresa isso tudo é bobice das grandes.

Enquanto o povo fica decidindo a política de queima de sutiãs ou de cuecas, eu me enterro nas oportunidades, e pra ser franca, meu salário não vem dividido em notas de dinheirA ou de dinheirO.

pra avaliar desempenho tem que aprender a voar

Desenhar cursos e capacitações longas para equipes imensas é um desafio e tanto.

E não digo isso pelo volume numérico em questão. Tomo por parâmetro as fragilidades que repousam no meu colo e no de minha equipe multidisciplinar durante TODO o processo.

Quando um chefe contrata programas de treinamento, ele só leva em análise os prováveis ganhos - sobretudo nos resultados. É uma conta tangível, que cabe na calculadora.

O que não cabe na maquininha, e é muito mais relevante, diz respeito ao conforto e a metamorfose emocional. Só depois de virar borboleta é que a larvinha institucional pode ser cobrada quanto ao número de vezes que bate suas asas durante o dia, a semana ou o mês.

só a defenestração salva

Há algum tempo eu não entrava em crise de existência empresarial.

To impedida de convencer determinados clientes a consumirem soluções que não me dizem quase nada. Isso inclui as ferramentas de comunicação digital, especificamente.

Me sinto compelida a mandar as pessoas abandonarem seus notebooks e celulares, e resgatar de dentro delas alguma chama rústica de convívio social.

É a minha fase concreta de anti-consultoria.

Pegar ou largar.

me pôs na roda, eu brinco

Dentre as reivindicações habituais de clientes que visitam o meu office caos estão o café, o copo d'água, biscoitos e balas de menta.

Há quem peça o jornal do dia, ou algum brinde ordinário - canetas e coisas do tipo.

Ultimamente, porém, meus contratantes comparecem às reuniões com alguma criança debaixo do suvaco (porque demitiu a babá ou porque a esposa ta viajando) e isso me faz pensar nas mudanças estruturais a serem adotadas nas instalações do meu cafofo organizacional.

O problema é eu formar uma equipe paralela de consultores de games e animês e esquecer os papais com suas chatices executivas.

habilidades na mudança de voz - second floor

Não, não é bacana fazer isso.

O que me absolve parcialmente, é que 100% das tais reclamações que recaem sobre mim dizem respeito à discordâncias deprimentes, que na sua totalidade incluem maus tratos a funcionários, preconceitos mistos e tortura corporativa.

Pra estes eu reservo, SIM, meu estoque de troco.

habilidades na mudança de voz

Uma das coisas mais engraçadas que acontece no exercício do meu trampinho é quando algum gestor abobado insiste em dizer que vai fazer uma reclamação das minhas atitudes ao meu superior, e faz questão de me perguntar o nome da pessoa.

Já tive fases de variar na criatividade, mas de tempos pra cá, o nome que escolhi é Honorina. E quando percebo que a tal reclamação vai rolar de fato, é óbvio que eu não digo pro elemento que eu sou a dona da empresa e que, portanto, a minha chefe não vai me matar. :P

Simplesmente anoto o telefone do sujeito no meu celular, cujo número já forneci como sendo da "Ouvidora Honorina" e registro na agenda "atender-com-carinho".

E capricho master na hora de me esculhambar: "Mazoquêeee? A executiva fez isso?" "Vou-estar-anotando-a-sua-queixa".

zé do caroço

Pra fazer um discurso superficial de anti-favelização dos cargos e salários tem gente pra caramba.

Pra por a mão nos pepinos, abacaxis e outros ingredientes da hortifruti-ciranda organizacional, tem quase ninguém.

Eita samba desigual...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

os automóveis tem alma, gente

Determinados tipos de profissionais tem o dom de transportar a auto-estima que tá cochilando no porão para a claridade da vida.

O manobrista de uma Clínica onde fui é um destes exemplares.

"Cuidado, bonitão. Virandoooo, bonitão. Vai com Deus, bonitão!"

Ele não pensou que eu fosse uma traveca.

(É que ele tava falando com o meu carro).

os ossos (do ofício) também crescem

Uma empresa é ainda mais comparável ao corpo humano quando começa a sentir "as dores do crescimento".

Seja qual a estatura atingida, ninguém passa incólume por este processo - nem as instituições.

oh céus

terça-feira, 9 de novembro de 2010

executiva techno-nada

No início da minha carreira o mundo me parecia mais dark e menos maniqueísta. A trilha sonora era cities in dust, da fantástica Siouxie & the Banshees.

Agora, no poente da vida profissional, o mundo me parece mais dark e menos maniqueísta. A trilha sonora é Sexy Bitch, do David Guetta com o Akon.

Moral da história: a bolsa de valores poderia despencar diariamente. Se a gente mantivesse o nível musical já taria bão dimais.

relaxa, aê

A Psicóloga da minha empresa demorou mais do que o habitual para encerrar uma entrevista organizacional com uma moça.

Nestas horas a gente recorre para os instrumentos de alerta-vermelho comportamental. Vai saber se alguém decidiu abrir a gaiola da psicose e manter a pobrezinha em cárcere corporativo? Eu não creio em malucos, mas que eles existem, eles existem!

No final das contas ela estava prestando solidariedade adicional a uma pessoa que acabara de perder dois entes queridos - portanto, poderia ter usado todo tempo necessário.

Salva-perdoada-compreendida: bingo!

bazar da mixuruquice

Música natalina me deprime pra caramba. Parece que meu botão de flagelação existencial acende sua luz mais potente, e muitas das pessoas com quem convivo também reclamam desta manifestação esquisita. Não to sozinha neste balaio.

Assim sendo, acho que os lojistas com algum tino e comiseração, deveriam reconsiderar sobre este apelo sonoro nos ambientes a fim de resguardar as compras de final de ano.

A única coisa que me inspira ao som de "Noite Feliz" é a aquisição de lenços.

você também acha?

Liguei pra determinada cliente, pedindo uma foto bacana pra que os jornalistas da minha empresa montem uma divulgação legal da nova engenhoca empresarial que ela ta lançando.

Não precisava ser uma foto muito careta, com um ar de amazona real.

Mas... também não precisava ser uma foto de baile de carnaval de 1977 com uma pluma na cabeça e meias de lurex.

Eu acho que ela quis me zoar.

hey sister!

Há no mundo das pessoas "importantes" um mundo paralelo de inexistência.

Digo isso baseada na observação de hoje, enquanto consumia meu refrigerante na praça de alimentação de um shopping center.

Lá, entre famosos e famigerados, dezenas de trabalhadores limpam mesas, carregam copos plásticos sujos, recolhem do chão as sobras do desperdício... E estas pessoas que lindamente exercem seu ofício não tem rosto. Não tem história. Talvez não tenham nome.

A única forma de sabotar esta jaula invisível é ser farofeira íntima, como eu. Levantar a bunda, desfocar das bolhas da coca-cola e perguntar: "Você trabalha aqui faz tempo? Como se chama? Obrigada por me servir!"

(Eu não sou candidata a nada. Mas eu to disponível pra vida.)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

eu sou amadíssima, e você?

O que eu sei sobre palestras, programas de galhardia institucional, motivação enlatada ou em pó e técnicas de sobrevivência na empresa é pouco. Bem pouquinho. Observo muita gente gastando grana, investindo em horas irrecuperáveis com o propósito de obter alguma paz no ambiente de trabalho - e se possível, algum brilhantismo.

Sabe... há algum tempo cheguei a conclusão de que nenhum processo sistematizado se compara ao amor.

É! Este amor das novelas, dos clássicos literários, das fabulações. Ele é o único vetor do crescimento interno.

Quem espera "mais da carreira do que do amor", mente-mal-pra-burro.

vela preta sucks

Comentei durante minha aula para representantes comerciais de uma multinacional suiça que o aperto de mão, no momento da venda, é quando os espíritos (do comprador e do vendedor) se alinham. E que dependendo da calibragem inapropriada deste gesto, a compra morre ali mesmo.

Pronto. Falar a palavra 'espírito' num ambiente corporativo nos dias de hoje é uma dupla audácia.

Por mais que eu tente considerar a ilustração como um exemplo de 'sintonia' entre partes negociantes, sobra pra mim o título de MACUMBEIRA ORGANIZACIONAL.

E-ê.

selos: sê-los

A Lois*, minha querida amiga-blogueira do tangaramerece.blogspot.com teve a gracice-fofice de me presentear com esta comenda virtual.

Eu adoro selos. A filatelia da internet tem um significado especial... conheci tanta gente nos últimos tempos, que não sabe quase nada sobre minhas espinhas e rugas, mas que sempre tem um carinho a oferecer.

(Obrigada, querida. E eu divido o selinho com todos os meus leitores.)

sábado, 6 de novembro de 2010

herdeiros do ENEM

Perguntei pra uma estudante do último ano do ensino médio:

"As carteiras da sua classe são aquelas que tem aquele trocinho na lateral pra gente escrever?"

Ela:

"Deosmelivre, Monga! Aquelas são muito ruins! Na minha classe a gente usa aquelas carteiras tradicionais, que são mesa e cadeira. Muito melhores pra gente dormir!"

Pánaminhacara#.

inteligentes fazem escolhas idem

Minha bisavó Staël costumava dizer que "quem não estuda só arranjará na vida o emprego de cabungueiro".

(Cabungueiro, a propósito, era uma profissão muito interessante nos tempos idos).

Hoje em dia, quem não estuda, só arranjará na vida o emprego de executivo.

serviço de vigilância extra

As vezes algum empresário tenta usar meu conhecimento como golpe de nocaute.

Outro dia o Presidente de uma poderosa instituição pública pra qual fui contratada chamou o Gestor de Pessoas e disse que minha presença ali se devia a patente incapacidade do setor de Recursos Humanos, que não sabia gerir absolutamente nada.

Pedi licença, fui lá fora contar cabritos e voltei.

Agora tenho um duplo desafio. Realinhar uma empresa de colaboradores apáticos e apaziguar um departamento inteiro que passou a me ver como uma sucuri organizacional pronta pra dar o bote.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

cada um com seu cada qual

Cantor sertanejo é uma gente que não tem identidade própria, já reparou? Não existe Zezé, Victor, Chitãozinho. A outra parte da dupla, é a totalidade da referência:

"A Xuxa ta namorando o Victor&Léo. A Wanessa, filha do ZezédiCamargo&Luciano. A fazenda do Chitãozinho&Xororó."

Na empresa a gente também tem os exemplares hole in one, mas neste caso as duplas são menos afinadas.

"O chefe-idiota. A supervisora-medíocre. O estagiário-inútil".

considerações sobre a masmorra (parte 2)

Se aproxima o dia em que os empresários promotores de irregularidades vão pendurar minha cabeça na praça da cidade.

Neste caso que acabei de citar eu não só dei dinheiro pro funcionário almoçar, como liberei a sua saída e ainda o substituí na função de manobrista. A todo visitante que hesitava em entregar a chave de sua caranga nas minhas adoráveis mãos, eu contava o motivo d'eu estar ali.

Me atrasei pra reunião e a-d-o-r-e-i. Troquei uma série de itens levianos e sem utilidade fraterna que seriam discutidos pela proposta urgente de reavaliação das normas (principalmente as de decência corporativa).

considerações sobre a masmorra (parte I)

Quase não creio que nos dias de hoje, em plena luz urbana do dia, ainda existam jornadas de trabalho pseudo-escravas.

Ao visitar uma empresa, descobri que o indivíduo responsável pelo estacionamento (um senhor de 70 e poucos anos) é impedido de ir ao banheiro e de almoçar, exercendo uma rotina de 14h ininterruptas.

Qual a explicação pra isso? Muito simples!

Nada que envolva o respeito é compatível com determinadas gestões bandidas.

e é lícito

Assim que acordo eu tenho um péssimo hálito e meus olhos tem ramelas. Não sou um holograma existencial de beleza e candura; sou bem humana.

Apesar deste defeito - o de ser aparentemente normal - eu gosto muito de estar com pessoas e se possível, ajudá-las. Se tenho vagas de emprego a oferecer, palavras de incentivo, tempo de concórdia, graninha, alimento pros corpos ou pros espíritos, tanto faz.

O fato é que me interessar por seres humanos é a resposta pra eu não usar drogas.

(Dá um barato estupendo!)

facilita a passagem, fazendo o favor?

Há uma tática de guerrilha coabitando as empresas e esta tática se chama "trincheira das secretárias".

A maioria dos chefes não faz a mínima idéia do que acontece no quadrado anterior a sua sala. E não calcula o nível de impedimento que algumas assessoras determinam para protegê-lo (?) de visitas indesejadas. Desarmar uma mocinha destas requer conhecimentos bélicos, numéricos e histéricos. Nem mil bombas-bombons resolvem.

É como se o mercado de Secretariado Executivo tivesse, portanto, secretárias e blindatárias.

era sinal VERDE, tio!

Hoje em dia não me aborrece ter ficado daltônica depois do coma e da neurocirurgia. Levo numa boa - e consigo me divertir com as misturas improváveis que vou tingindo na minha vida.

Até ontem, na verdade, eu pensava que este atrapalho cromático se limitava à calça rosa pink com chinelo amarelo-ouro...

Escrevi um email super formal para o cliente, na expectativa de que ele respondesse já metendo a mão no bolso, quando ele telefonou e mandou essa:

"Ô Monga... se você esperar eu dar o sinal vermelho como está escrito aqui, o projeto não vai sair minha filha..."

terça-feira, 2 de novembro de 2010

undercover boss

Algumas pessoas recomendaram que eu assistisse ao programa onde chefes se mantém escondidos atrás de cargos esquisitos, interagindo e testando o comportamento de suas equipes.

Talvez seja o reality mais xonha que eu já vi - e não sei o porquê das pessoas acharem "a minhaaaaa cááááára".

Não é de hoje que eu sou confundida com a copeira, com a estagiária, com a secretária mal amada, com a administradora ranheta. O teor de novidade disso, pra mim, é zero, a menos que eu criasse uma versão onde as pessoas me confundissem com a chefe, para descobrir que eu sou a própria, e aí sim, desacreditarem na vida inteligente na Terra.

Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.

e viva a PresidentA

Reconheço o significado histórico de termos uma mulher pela primeira vez no comando federal, mas não acredito mais em distinção de gênero.

Homem, mulher, verdura ou jaguatirica, não identifico relevâncias pontuáveis na hora de gerir.

Tudo é uma questão de circunstância, primazia e inteligência espiritual - e estes elementos não são grifados com M ou F.