domingo, 31 de outubro de 2010

nóis qué é qui evita

Um renomado conferencista me propôs a honra de recebê-lo pra um trabalho com minha equipe. Segundo consta na sua propaganda, ele viria nos brindar com uma aula sobre "Gestão de Conflitos".

Pois bem. Com um aluguel comercial tão caro, dezenas de salários e compromissos mensais de todos os naipes, acho nada justo investir uma grana pra alguém me ensinar a administrar caroços.

To pagando pra quem quiser nos abençoar, ensinando a "Profilaxia dos Conflitos".

contumácia eleitoreira

Para os meus avós o dia da eleição é um grande evento.

Ambos com mais de 80 anos (e casados há 60) eles fazem questão de votar. Discutem sobre os candidatos, avaliam, indagam a opinião dos netos e se lambuzam na ciranda democrática.

Fico com vergonha da minha apatia.

Acho que as gerações posteriores descobriram rapidamente o rumo tecnológico e resumiram o exercício político à meia-dúzia de manifestações sem sal.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

hierarquia não é bolha

Minha avó me contou em certa ocasião que meu avô ficava horas conversando com os empregados da sua fazenda, enquanto eles trabalhavam.

Era uma atividade bastante árdua, uma vez que nos anos 60 os recursos destinados à colheita automatizada não tinham chegado - pelo menos pra família monga.

"Mas vó, grande coisa o vô ficar de blablabla enquanto todo mundo se ferrava! Mas que porra de solidariedade esquisita era essa???"

Ela: Não é vergonhoso ser dono do pasto. Não é feio ser chefe. Mas é INACEITÁVEL se distanciar das pessoas.

"as brigas que perdi, estas sim, eu nunca esqueci"

Insisti demasiadamente na execução de um projeto. O meu olhar técnico dizia que com esforço, fé e bastante Prozac, minha empresa elevaria os índices de produtividade de uma equipe pra-lá-de-necessitada, mas os gestores direcionaram energia pro caminho oposto ao que sugeri...

Os troços corporativos são como visitas ao cardiologista.

A gente sai com uma série de prescrições debaixo do braço, que vão de caminhadas diárias ao fim do consumo de gordura e cerveja.

E faz o que? Quando sai da consulta passa no mercado, compra fritas, refrigerante e muita mostarda e se joga num sofazão pra ver tv.

hoje eu acordei meio comunista - again

A assessora de um empresário me disse que se incomoda com minhas posturas compadecidas e com meu discurso "pró-povão".

"Monga, se você acreditasse mesmo nas coisas que você fala, você nem seria executiva. Você tá no sistema. Faz parte dele!"

É bem verdade. Mas ainda bem que eu sou uma parte. O restante de mim ainda acredita em duendes e condições menos mesquinhas de gerir e administrar seres humanos.

Eba!

hoje eu acordei meio comunista

Ando meio farta de neo enriquecidos.

Pode ser por falta de fineza, por inveja embutida ou pelas duas coisas mixadas.

Enquanto meus amigos executivos decidem se trocam de empregados, eu to ralando. Acho que uns nasceram pra escolher quem os sirva à mesa e eu nasci pra ter o que servir à mesa.

Sério: acho um desaforo social arrotar o Beluga enquanto a maioria se espreme pra garantir a cesta básica.

ser butcher é bucha

Dois rapazes foram presos depois que a mocinha de uma lotérica recebeu um telefonema ameaçador, cujo autor dizia que dois de seus comparsas estavam na fila prontos pra atirar caso ela não depositasse uma quantia X.

E na fatídica fila, dois açougueiros conversavam, até que desistiram do atendimento. Foram embora. E quando chegaram no açougue, tiveram voz de prisão decretada.

Por que? Ah. Todo trabalhador tem uma carinha de bandido, né?

Eu, por exemplo, tenho cara de pobre - embora isso não me tenha levado à cadeia (por enquanto).

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

relações passionais S/A

Quando meu tio Getúlio se separou da esposa acabou alterando publicamente todas as opiniões acerca dela. De brilhante professora universitária e empreendedora magistral ela passou a ser uma xexelenta de meio-metro de razão e zero brilhantismo.

Pedir informações dela pro meu tio passou a ser a manifestação de uma tendência raivosa e magoada.

Por isso que as vezes eu abro mão de pedir referências sobre candidatos que trabalharam em determinadas empresas e liderados por determinadas pessoas.

A chance de uma análise honesta e de uma opinião franca é tão remota quanto o tio Gê falar que a Claudinha é maravilhosa.

"arando terras, provando vinhos..."

Se uma pessoa te fala que é gaúcha, mais ou menos da minha idade (ou seja, super jovem) e NÃO conhece a música Horizontes na voz da Elaine Geissler, pode saber que tem fraude aí. Esta canção faz parte de uma montagem teatral fantástica, chamada "Bailei na Curva", do querido Júlio Conte, e é um emblema cultural de Porto Alegre.

Aí a gente senta, do lado de outros executivos gaúchos, na reunião. E lança o desafio, cantando o verso:

"Há muito tempo que ando, nas ruas de um porto não muito alegre..." e o colega continua "E que no entanto, me traz encantos, e um pôr-de-sol lhe traduz em versos..."

Ok!!! 100% gaúcho! To em casa.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

academia brasileira de letras e peitos

Acho super maneiro quando a mulher se cuida. Pode ser gorda, magra, negra, parda, com dente, sem dente, baixa, alta, PHD ou analfabeta: se cuidar é tudibão.

Também considero digno todo e qualquer investimento estético. Botox, drenagem linfática, pilates, silicone, vela shape, peeling e o escambáu. Muitas executivas gastam uma grana de responsa em clínicas desta natureza.

Eu perco muito tempo combatendo a flacidez cerebral, num país onde a maioria dos olhares tá disposto a me avaliar pela bunda.

Fazer o quê se eu sou iludida, né?

que vida "bôua"

Posso gritar?

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

(viver é mesmo, e definitivamente, muito, muito melhor que sonhar).

:)

terça-feira, 26 de outubro de 2010

até o tampo de alegria

Amanhã é dia 27, e esta data sempre é celebrada de maneira especial por mim.

É o dia em que o mar-morto da minha vida virou tempestade de sorrisos.

Esta data? Sim.. tem nome e CPF.

dotes culinários Ho!

Quem disse que executivas não sabem cozinhar?

Eu sei fazer este delicioso pudim de arroz.

Aeeeee!

da série: os infinitos pecados corporativos

Gula:

"Abocanhar compulsivamente fatias que não lhe pertencem e ainda assim arrotar competência".

Brrr.

adoro uma cor diferente da minha

"Monga, é possível concordar PARCIALMENTE com um parceiro de negócios?" Getúlio, por email.

Sim, querido.

Nesta parceria de concordâncias parciais você tem o lucro TOTAL das diferenças!

o sorriso de menino é eterno

Acredito que o sofrimento tem um diâmetro cultural. Isto significa que quanto mais respostas nós supomos que temos, ou mais submetidos à perguntas nos tornamos, mais distantes da paz de espírito.

Sofre menos quem sabe menos. A ignorância é uma toca com capacidade suficiente pra asilar muitos indivíduos.

Perdi uma criança da minha família, e isso me levou a uma dor grande. Bem grandona. E me mostrou que eu não ignoro a espiritualidade, o luto, a partida. E que interpretar estes códigos mundanos me tornam inteligente (an?) e estupidamente massacrada pela morte.

holly job

O ofício de consultor é um sacerdócio. Vai do celibato financeiro à auto-flagelação social.

A liturgia desta profissão, bastante complexa, é alimentada com a variedade de discursos que vamos absorvendo e que nos vão conferindo maturidade e lucidez.

Uma infinidade de traumas organizacionais seria evitado se os profissionais do ramo de consultoria descobrissem a tempo (o máximo que pudessem) sobre suas capacidades de salvação.

1988???

Continuo assistindo à novela Vale Tudo, de 1988, no canal Viva. Esta reprise alimenta meu olhar gestor.

Frase célebre da personagem Raquel, de Regina Duarte, num rompante de atemporalidade comportamental:

"Pobre não conhece nem Buenos Aires mas se encalacra mandando os filhos pra Disney."

dando um "coicing" na seriedade

Nunca consegui enquadrar minhas consultas de aconselhamento de carreira no título de coaching. Eu não gosto deste termo, por razões variadíssimas.

Acho que determinados coaches debocham do dinheiro das pessoas, e algumas pessoas aceitam este deboche.

Seria uma estróina deliciosa em meio a tantas dúvidas e dificuldades que se tem, se este esquema não envolvesse muito mais do que grana - porque, de verdade, ele envolve sonhos e expectativas.

Aí não tem graça a "piada".

pagou, levou, duvidou, certificou

A insistência do cliente pra transformar uma suspeita sem subsídios num processo de auditoria seria uma coisa plausível se não ponderássemos o fato de que uma única pessoa lida com as contas, as senhas, os laudos e os caixas.

E esta única pessoa é o dono. O próprio cliente. O contratante desta 'investigação mata-hari'.

Bora lá.

Se Adão insistisse num exame de DNA pra assegurar a paternidade do filho de Eva, chamaríamos isso de desconfiança, necessidade de comprovação técnica, ou falta do que fazer sagrada?

vai um broto de bambú aê?

Pois bem. Eu estive ausente durante uns míseros dias (e eu sei, eu sei, eu sei que ninguém notou), tentando maquiar o espírito e as olheiras de panda.

Ainda bem que em todo bambuzal corporativo há outros bichinhos solidários com executivas-ursas, hibernadas por conta da preguiça - simplesmente...

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

quando as crianças crescem III

Minha colega fala que a evolução do estagiário é o efetivo.

Uma pessoa que deixa de dizer 'sim, Senhora!' e passa a dizer 'por que??' não é exatamente uma espécie de evolução agradável.

:P

quando as crianças crescem II

Você pode trancar um novo estagiário num porão organizacional lá na Coréia do Norte: ele sempre vai se comunicar com o estagiário antigo que há 67 anos você não vê.

É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que dois estagiários não fofocarem a respeito das suas intimidades corporativas.

quando as crianças crescem

Ex-estagiário, ao telefone: "Monga! Deu saudade de você! Cê ta bem?"

Eu: "Querido! Eu também tô! Ta querendo voltar, né???"

Ex-estagiário: "Deosmelivre! Você é uma chata, sem noção, garota-enxaqueca e ainda por cima torce pro Grêmio!"

Eu: "Eu também te adoro!"

mamãe me mandou quebrar vidraças

Olha, chefiar determinadas pessoas é um exercício de auto-revelação. Assim como os bichos de estimação se assemelham aos donos, os funcionários refletem seus patrões.

É a lei especular de mais perfeita aplicação na nossa vida.

Quando a gente pontua de forma lúcida o comportamento erradíssimo de um empregado, e o chefe legitima a conduta, falando que "tá certo mesmo! tem que ser grosso! eu também faria como ele fez", a situação fica disparatada.

É como se uma mãe achasse a coisa-mais-linda-do-mundo quando o filho arregaça a janela do vizinho com uma bolada.

eu poderia trabalhar no CVV

Toda pessoa tem lá seus vícios. Uns bebem, outros traem; uns tiram meleca do nariz, outros mentem; uns fumam, outros instigam.

O meu vício é responder a cada currículo que chega na minha empresa - mesmo que isso me custe dias e dias de dedicação. Não tem como mandar um email 'padrão'. Cada caso é um caso.

Fico emotiva, e talvez, já conhecendo minha fama de Carinhosa Corporativa, muitas pessoas mandam recadinhos, breves relatos de suas vidas e sonhos.

(É tudo que consigo registrar neste segundo. Muitas histórias e esperanças, bem aqui, literalmente no meu colo).

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

não seria.... antes??

Na porta da empresa de um cliente, bastante temeroso com a violência urbana:

"Depois que passar pela recepção se identifique para sua segurança e a nossa".

vamu trabalhá em silêncio??

Existem termos cotidianos que abalam profundamente meu paladar e meu sono, podendo abalar também minha crença anã na seriedade organizacional.

Depois de dias preparando uma planilha de orçamentos pra uma Instituição Pública, a papelada voltou cheia de rabiscos e firulas. Praticamente um mapa de caça ao tesouro. Voltou como?? GLOSADA!

Glosa*, segundo o Tio Aurélitos: Cancelamento ou recusa, parcial ou total, dum orçamento, conta, verba, por ilegais ou indevidos.

Tô nem aí pro cancelamento ou pra recusa, mas g-l-o-s-a é pracabá, mermão.

fantoches literários

Havia comentado aqui que uma amiga solicitou minha ajuda na construção de sua monografia, e eu, metidona, taquei lá minhas teorias insípidas sobre administração e gestão de pessoas.

A professora/orientadora devolveu o rascunhão cheio de anotações reclamonas de que faltava a citação de autores, fontes e datas.

Pausa.

As idéias são minhas. Os absurdos também, tudo inédito e nunca antes publicado. Posso inventar um autor famoso pra servir de arbusto e me esconder? Posso, claro. Mas aí corremos o risco de submeter grandes pensadores ao risco máximo de tomar pra si o meu ensaio delirante corporativo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

pérolas emergenciais da Dr. Monga

"Calma é o estágio de evolução da Confiança."

(Não é filosofia corporativa, é tentativa desesperada de manter o cliente distante do pescoço da secretária).

cadeados invisíveis

Há determinado tipo de ignorância circunstancial que me torna menos produtiva numa reunião.

Sou bem capaz de defender idéias para qualquer grupo, independente do grau de envolvimento ou familiaridade que tenham com o menu dos meus devaneios.

Fico azeda com uma barreira chamada "leigação", que é o limiar do desconhecimento técnico. É quando a leiguice recebe a pergunta 'ta a fim de saber?' e responde NÃO.

álibi-alligator

Minha sobrinha de 5 anos deu vida, tardiamente, a um amigo imaginário.

Nos dias em que não deseja ir além do cesto de brinquedos, muito menos à escola, ela fala que sua mochila foi invadida por um jacaré. Ou que o jacaré está de tocaia no seu quarto, pronto pra abocanhar qualquer invasor.

Achei a idéia muito positiva e aplicável ao meu mundo geográfico de divisas reais com o pantanal, e divisas imaginárias com o absurdo.

No final das contas, a culpa por qualquer ausência pode recair sobre.... o jacaré! Boa!

tudo na vida passa e eu quero que a uva... idem!

A medida que meu relacionamento com os clientes se torna estreito e menos burocrata, eu vou ganhando mimos e formosuras.

Um presentinho aqui, uma lembrancinha de viagem ali... gestos retribuídos a medida em que minha consideração e memória correspondem à expectativa de retorno.

Hoje eu fui chamada na empresa de um destes gentis senhores pros quais presto serviços pois o mesmo acabara de chegar de uma extenuante viagem à meca do consumo de alto padrão. Um país reconhecido pelo seu refinamento comercial de muitos e muitos euros, insulado em centenas de grifes chiquérrimas.

Ele me trouxe um saquinho de frutas sêcas.

Delícia!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

alucinação corporativa

O resgate dos mineiros chilenos despertou uma comoção na minha equipe. A luz recuperada lá, reverberou aqui.

Tá rolando uma ilusão coletiva de que todo trabalhador tem seu dia de sair do buraco.

o marido da tartaruga

Tenho observado os inúmeros manifestos públicos de um palestrante que acaba de chegar na cidade prometendo revelações de como gerenciamos o tempo e aumentamos a produtividade. Todo seu material de divulgação vem envolto com a credencial de que ele é o maior especialista do Brasil em "Gestão de Tempo".

Desconfio deste tipo de ser humano.

Na minha fantasia, especialista em tempo, não é quem o economiza. Quem engarrafa os segundos e breca a máquina dos fatos a favor da escravidão organizacional. Especialista em tempo é quem dorme até as 9 da manhã, quem divide um café com os avós, quem corre no parque com o cachorro ou quem abraça sem pressa.

O resto é mal-feitor do relógio.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A Substituta

Pois bem, agora temos uma nova companheirinha de jornada.

Enquanto ela cresce e toma mais gosto pelo frenesi corporativo, nós - vocês e eu - faremos companhia pra pequena grande gênia.

Clica aqui: http://querosermonga.blogspot.com enquanto eu ensaio a aposentadoria.

:)

domingo, 17 de outubro de 2010

vagas limitadas

Terminei de redigir a apostila do novo workshop.

"Pepinologia - curso superior de formação para Pepinólogos que desejam atuar no mercado de soluções utópicas,com visibilidade suficiente para promoções e aumentos salariais. Requisitos: ausência de vida social e disponibilidade integral. Validade do diploma: em todo território corporativo".

genética da alegria funciona como botox

O curso que eu promovi ontem foi ímpar!

Não é fácil manter elevados os níveis de atenção e de integração quando a maioria lê como obrigatória a sua presença, num sábado previsto para o descanso (ou pra gandaia).

Falei de muitas coisas úteis - nem sempre interessantes. Planejamento organizacional, metas, normatização e outras frutas. Lá pelas tantas uma das ouvintes tacou:

"Tá, mas cê não tem 35 anos não! Fala a verdade pra gente, pow! Cê tem 25, né?"

Aí eu lembro do Armstrong, 'and think to myself', WHAT A WONDERFULL WORLD...

Sérgio, o filósofo clínico

O rapaz que fornece água para os filtros da minha residência é esquisitão. Durante 5 anos entrou mudo e saiu calado e isso sempre me fez pensar a respeito do desleixo das empresas que não guarnecem seus funcionários com algumas ferramentas de comunicação. Ainda mais transitando intimamente nos espaços das famílias, adentrando lares, circulando por ambientes de consumidores variados, de perfis amplos. Ok.

Pois ontem o Sérgio* abriu a boca. Perguntou se eu não achava "que a vida era mais feliz carregando galões de água nas costas do que carregando o peso do mundo na alma". Que o meu trabalho de executiva é "o inferno remunerado".

É o que sempre digo... a empresa não é desleixada porque quer. Comunicação não faz falta mesmo. Gente calada é mó gostoso.

"não me elegeram chefe de nada"

Depois que eu descobri que num dos canais a cabo está reprisando a novela Vale Tudo, pronto. Fundiu o motor da concentração. Adoro!

Quem quiser entender de fato o conceito literário de verossimilhança deve assistir. Quem quiser entender o grau assustador de atemporalidade, principalmente do comportamento gestor de algumas personagens, deve assistir também. A gente ri de vergonha!

Entre Heleninhas e Ivans, caricaturas e deboche cítrico à sociedade, o fato é que a diversão ta garantida. To pensando em substituir aqueles dvd's bregas que tentam falar de motivação pras equipes e reunir a galera em torno de determinados capítulos da novela.

(Pouco importa se a gente já sabe quem matou a Odete Roitman).

do ré mi fá sol lá na empresa

Assisti num programa televisivo o encontro de Dave Matthews e Regina Spektor, dois músicos que eu curto demais. Ele sul-africano. Ela russa. Ambos cantando em inglês.

Melodia linda é o resultado de uma harmonia que dispensa semelhanças. Então no trabalho, lá naquela Babel onde todos travam batalhas invisíveis (e visíveis) para a subsistência dos cargos, também é possível afinar 'os instrumentos'.

Em nome da produtividade e da saúde laboral é preciso achar uma tablatura onde todas as notas musicais gerem uma canção legal.

Esta é a mágica.

o que eu encontro quando eu perco

Quando me sinto extenuada fisicamente o sono foge e eu fico perambulando pelos corredores dos meus pensamentos.

No silêncio presumido da madrugada, centenas de vozes me falam ao ouvido. Reflito, pondero, me estanco. Haja balde pra tantas goteiras de palavras!

No meu mundo ideal, executiva só tem expediente as 4 da manhã: enquanto a maioria dorme, eu descubro respostas geniais, só reveladas pela ausência de luz.

sábado, 16 de outubro de 2010

ps*

Batizei o treinamento de hoje de SWU Corporativo, pra tornar a coisa atrativa pras pessoas.

To até pensando em usar um vestido longo e chegar de pés descalços, calculadamente largada...

Versão rampeira de Joss Stone com Monga.

MONGSS STONE, yeaaaah!

sequestro relâmpago

Daqui a pouco eu começo um treinamento super interessante.

Nos últimos dias, a construção de idéias específicas para esta turma de funcionárias, me absorveu quase todo o tempo, culminando com uma faxina completa no salão de beleza, porque o fato é que ninguém merece passar o sábado com uma executiva com cara de sovaco de boxeador.

Té mais, póvus.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

revelações da bunda

Mesmo antes do cara abrir a boca eu descubro qual o cargo que ele ocupa na empresa.

Cumprimento, faço aquele teatro das boas maneiras e peço pra ir ao toalétchi. Se o papel for de primeira, gofrado, acetinado e sensualizado num perfume, o cara é Diretor. Peixão. Tubarãozão.

Se o papel for primo-irmão da lixa, pode crê que o cidadão é a ralé organizacional.

que seja feliz quem souber o que é o Bem

Meu projeto de final de ano já começou.

Criei um pacote de palestras e workshops pra área de varejo e estou permutando com os empresários. Eles me fornecem cestas básicas e desfrutam da minha loucura na sua Corporação, através de eventos para suas equipes.

A intenção é não mais me restringir ao meu Estado. Vou disseminar minha insensatez humanitária por onde me quiserem, garantindo aos colegas que aderirem a idéia, que os alimentos a mim confiados encontrarão pratos e almas necessitadas.

tomou na cara, Mongúda!

Quando eu preciso recusar um projeto, seja pela complexidade ou pela azia que o contratante representa, eu taco lá uma cifra muito absurda.

É uma alternativa nem sempre sutil de impedir a execução e levar o chatonildo em questão ao porão da baixa auto-estima.

Aí, quando acontece do demente ligar e falar "eu pago! quando você começa?" o que EU faço?

Siferro#.

se fosse em guarani eu encararia

Falta muito pra eu ser considerada uma poliglota mas eu consigo falar umas merdinhas em inglês, alemão, francês, italiano e japonês - até melhor do que me expresso em português.

Dei uma força como intérprete voluntária quando o pessoal da BBC de Londres veio cá rodar um documentário. Não sei se eu fiz o serviço a contento, mas me diverti pacas e ainda tirei onda de assistente do Diretor Howard Reid*.

Desta vez me convocaram para uma missão pra lá de especial: traduzir uma palestra de um conferencista espanhol em tempo real, pra um bando de véio xonha.

Espanhol é a única língua que eu não falo nada. Não falo, não hablo, não quiero.

To "fuera".

tem dedo de Monga neste angú

Sinto que os dirigentes, ou os decisores das empresas ensaiam um movimento contrário à desumanização reinante.

Se antes a maioria ou quase totalidade dos meus clientes preferia decapitar funcionários a ter que investir nas suas capacitações afetivas, hoje a coisa está diferente.

O nome deste milagre é articulação de idéias tendo por princípio o reconhecimento muscular.

Muscular??? É!!!

O reconhecimento de que o CORAÇÃO não fica em casa quando a gente chega na firma. E se ele ainda bate, há salvação na Terra dos Homens de Bons Negócios.

a mágica de sorrir no adeus

A única forma de medir o grau de amizade que temos com determinadas pessoas é quando (e se) chamamos seus pais de 'tio' e 'tia'.

Dentre as heranças que minha vovó deixou está a amizade da família Amaral* - que começou portanto com avós, escorregou pros filhos e se manteve nos netos. E a minha amiga Isabel*, que dirige meus interesses profissionais no Rio Grande do Sul é um dos raminhos desta bela árvore. Infelizmente o 'tio' Adão*, pai da Bebel, foi descansar nos braços de todos os anjos.

Guardo dele a imagem de um jurista por formação, e vendedor de livros por devoção. Um cara que mantinha o porta-malas repleto de edições bonitas, de enciclopédias e histórias emocionantes e que hipnotizava a garotada com o coração e os olhos repletos de cores.

Quando telefonei para emprestar meu ombro à querida amiga, ela me disse: meu pai morreu como viveu... espalhando sorrisos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

funcionária do coletivo

Outro dia um empresário me criticou severamente. Disse que eu deveria deixar claro nas reuniões que eu não sou funcionária e sim a dona da empresa. Que isso faz diferença numa conversa de negócios. Da forma que pude fiz com que ele entendesse que se tal informação for de fato relevante, teremos um grande problema nas mãos.

Na minha equipe todo mundo é dono. Das idéias, da gestão, dos princípios, da sua originalidade e da sua forma de vestir.

Eu sou dona do prédio, do nome e da marca e isso em si, não vale nada - nem tratamento especial. Não iria a lugar algum sem grandes pessoas ao meu lado; nem mesmo à reuniões idiotas.

tão fina quanto salsicha enlatada

Ultimamente as mulheres executivas que conheço, e com as quais tenho mínima convivência, entraram numas de consumir vinhos e charutos caros, criando confrarias femininas muito seletas. Isso faz parte da convenção social que utiliza referências de consumo e marcas poderosas como passaporte pra um patamar de prestígio ou como sinônimo de sofisticação.

Tirando o fato de que até ontem eu achava que sommelier era algum xingamento e que fumar qualquer troço me apavora, cada um no seu queijinho. Sem pânico.

Comigo infelizmente só rolam degustações de Guaraná Jesus e tubaína on the rocks, que são drinks excelentes pra servir em copo plástico, acompanhados de jujubas e muito Dorito's com catchup.

mendiga corporativa

A diarista da minha casa trabalha pra outro executivo há 16 anos e vive costurando comparações.

"Na casa do Dr. Fulano tem 4 geladeiras e elas vivem cheias!" . "Na casa do Dr. Fulano as persianas tem controle remoto e ele construiu um mini-golfe dentro do escritório, que é enorme". Resolvi por conta disso, explicar-lhe as diferenças de categorias salariais e poder de compra no mundo executivo, fazendo um cartaz.

Executivos entre 35 e 50 anos : $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

Executivas entre 35 e 50 anos: $

se cuida, Willy Wonka!

Nestas horas é que eu vejo que não entendo nada de marketing... uma "empresa" comprou espaço na televisão local para anunciar que "devido a desacordo comercial, encontra-se estacionado no ponto X da cidade um caminhão lotado de chocolates sendo vendidos por valores minúsculooooos!!!!".

Coincidentemente, TODO ANO rola este pepino transacional e eles acabam obrigados a comercializar de forma alternativa os seus tabletinhos de "hidrogenation chocofuckers".

Do ponto de vista dos negócios, o que se depreende de tal fato é que não importa a dor de barriga, o que vale é esvaziar o estoque.

stand up tragedy

Toda corporação tem um exemplar do agorentus rarus, que é uma ave organizacional responsável pela disseminação da descrença coletiva.

É aquele cara que tem um rol de piadas imbecis e sempre tenta colocar uma nuvenzinha no sol alheio, com o discurso de que "é tudo em nome do realismo, não é pessimismo!".

A melhor forma de combater esta praga é arrancar-lhe as asas e o bico: "no mesmo cargo, na mesma praça, mesmos colegas, no mesmo jardim, la ra ra".

:P

filha sem pilha

O Dia da Criança lá da minha infância não é muito diferente de hoje. Guardadas as devidas limitações tecnológicas, os brinquedos eram desejados e esperados com pompa e circunstância.

Também naquela época, o tempo era artigo de luxo. Era exatamente ele, embrulhado ou não, que eu esperava receber dos meus pais. Tempo pra brincar, tempo pra procurar joaninhas no jardim, tempo pras mesmas histórias requentadas e re-contadas, tempo, tempo, tempo.

O avanço de consumo pode ser uma excelente maquiagem para as necessidades infantis, mas elas continuam lá eternamente, portanto, aquele relatório ridículo que se dane.

Bora lá correr com a molecada!

domingo, 10 de outubro de 2010

pode crer

É possível comandar com respeito, carinho e amor pelas pessoas.

Quem duvida disso deve ter perdido as botas da compaixão e da fé no meio do caminho, e as bolhas causaram feridas nos pés e no coração.

não fui eu

"Monga, você poderia me dar uma dica para entrevista de emprego? É difícil saber como agradar!" Sérgio, por email.

Serginho, meu amigo... certa vez um entrevistador começou a ler meu currículo como se estivéssemos numa Delegacia. "Você trabalhou em TAL LUGAR? QUANDO? POR QUE SAIU?" (aos berros).

Então, minha dica é lembrar o Gestor que ele não é um Delegado e deixar claro, que seja qual for a acusação, você é inocente.

verdade com carinho não dói

O bom senso manda me esquivar de todas as discussões calientes nas empresas de gestão familiar - e claro, sempre rolam umas baixarias d-a-q-u-e-l-a-s.

Nos últimos três anos eu já testemunhei revelações adúlteras, golpes de cartão de crédito e mágoas de infância. Tudo dentro da mais absoluta licença poética que o laço doméstico permite.

Quando esta lavação de roupa parental me contamina, eu tenho, porém, uns surtos instantâneos. O irmão tá lá chamando o outro de 'pateta', de 'banana' e o ofendido, tentando asilo político na minha amistosa presença, pergunta:

"Monga!!! Eu sou banana????"

"Você é. Mas eu adoro trabalhar aqui, ta?"

"sometimes I get my head in a dilly"

A trilha que embala os devaneios organizacionais ultimamente fica por conta da cantora VV Brown, com a deliciosa "Shark in the Water".

É o tipo de som que das duas, uma: ou você terá companhia pra sacodir a sala, ou a preciosa solidão,tão desejada, enquanto trabalha.

http://www.youtube.com/watch?v=wPQlxHWsemI

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

lendas da clientela (segunda história)

Sempre que determinado médico precisava de apoio institucional pra sua Clínica ele usava a técnica que batizei de 'inversão de dívida'.

"Monga, tava aqui pensando na honra que vai ser pra sua empresa oferecer serviços em troca de ter seu nome vinculado ao nosso".

Até que um dia eu expliquei que a gente suspendeu relações comerciais com nossos fornecedores de HONRA.

"Sêmo tudo xexelento agora, dotô."

lendas da clientela (primeira história)

Todo mês a fulana telefona e fala:

"Monga, preciso te pagar né?? To há dias sem dormir, preocupada... tantas contas..."

Todo mês eu falo:

"Ah... preciso receber, né? To há dias só dormindo... sem preocupação... tantos clientes bons..."

o mercado ta indecente

Tive a chance de conversar com uma Doutora em Economia cujo prestígio e respeito na área de consultorias muito me inspirou. Para minha surpresa, durante o bate-papo, ela revelou a cifra de sua hora/trabalho.

Hoje em dia eu recebo cinco vezes mais do que ela. Significa que eu sou melhor profissional? Não.

Significa que ela não sabe cobrar na proporcionalidade do seu talento? Não!

Significa que ta na hora de você chamar as crianças pra dentro de casa, trancar portas e janelas e começar a rezar.

O Apocalipse começou.

caviar pro vizinho e sardinha no prato

O que alavanca resultados financeiros no universo empresarial é a miserabilidade voluntária.

Digo isso porque um de meus clientes investiu 2 milhões e meio de Reais no novo show room de sua grife e para tal atrevimento estrutural, partiu pro aluguel de um quarto-e-sala e pra aquisição de um Uno 1992.

Eu jamais entraria numa dessas. Não é nem pelo detalhe de não dispor de uma grana peluda pra bancar um comércio assim, mas pelo fato de que eu não tenho nenhum degrau pra descer.

Só se eu deixar de andar a pé e passar a andar de joelhos... taí...

bola murcha

Eu juro que nunca mais vou fazer piadas em torno de futebol durante os cursos que promovo.

Um dos meus ouvintes, integrante da torcida organizada de determinado time, foi de uma grosseria atroz depois de uma piada ingênua (sim, as vezes eu sou infantilóide). Sua manifestação culminou com uma ameaça real de me atirar pela janela, seguida de socos na mesa.

Os colegas de empresa se solidarizaram bastante.

(Com o torcedor, acreditam?).

eu poderia sofrer em Miami

Durante um café hoje cedo com a equipe de vendas de uma multinacional eu percebi a carga de valores bizarrona que se instala em determinados profissionais.

Dois deles debatiam, na minha presença, sobre seus ganhos e bonificações mensais.

"Eu ganhei 32 mil neste mês e não me sinto feliz" - disse o primeiro. "Pois eu recebi apenas 25 mil e igualmente me sinto deprimido" - concluiu o segundo.

Pus minha xícara no pires, cuidadosamente, e falei:

"Eu viveria faceira com 50% da infelicidade e depressão de vocês".

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

gratidão dá uma onda maneira

Nunca ganhei concurso nenhum, diga-se de passagem, porque nunca participei de nada.

(Nem pra síndica de manicômio eu concorri e olha que teria grandes chances!).

O fato é que estamos entre os 100 blogs mais votados para o prêmio deste ano. Quando falo "estamos" não é retórica esquisita, nem deslocamento plural de ego.

É que muita gente incrível me oferece 5 minutos do seu tempo pra correr lá e votar. Neste aspecto, o do carinho, eu já to ganhando faz tempo!

Obrigada, amigos. Mil vezes OBRIGADA!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

mea máxima culpa

Recorrer de uma consciência externa pode ter efeito mais pontual do que uma hd-portátil.

Quando alguém pergunta pra um executivo se ele está estressado, em 100% das vezes a resposta é sim.

Pensando nisso, e revendo algumas atitudes, eu decidi que amanhã é o Dia Internacional Do Let it Flow - motivo pelo qual você poderá retirar um sorriso de brinde, bem aqui:

:D

tirando o queijo da reta

Eu, num mercadinho no fim do mundo, encontrando um amigo da minha família.

"Monga, você tão inteligente comprando laticínios deste lugar! Eu sou funcionário da vigilância sanitária! Eu sei o que estou dizendo! Tá tudo vencido!"

Eu, com cara de joelho de criança:

-Puxa. É mesmo? E como profissional destacado para fiscalizar estas coisas você pretende multar este estabelecimento agora? Ou você quer terminar de passar as suas compras primeiro?

WTF.

eu já aprendi a pensar, eba!!!!!

Na última vez que estive nos EUA fui calorosamente recebida por colegas executivos e desde então mantivemos um canal bacana de troca de informações, projetos e aplicabilidades de soluções. Creio que meu visual de hippie arrependida, somado ao meu discurso sem pé nem cabeça, fez com que os gringos achassem que eu sou alguma recicladora de lixo americano e que esta prática de gestão é mais uma das características brasileiras.

Toda sucata teórica que fica sem utilidade nas gavetas do Tio Sam eles mandam pra minha empresa.

Até poderia encarar com certa lisonja, mas gente minha, detrito é detrito, em Wall Street ou no Chuí.

carregando a cruz dozoutros

Não ligo pro aro ou pro pneu. Quero é que meu triciclo corporativo me leve ao lugar de destino, e as vezes, preciso contar com escudeiros e parceiros.

Há algum tempo eu estabeleci uma parceria pecaminosa, sem saber da roubada.

O cara não cumpre os prazos dos MEUS clientes, passa um sermão zé lorota pra apaziguar o inferno mas quem reza o terço das penitências sou eu.

(Fuck.)

traduz, santa

Nunca ouvi uma pessoa falar que arranjou uma sogra. É mais comum dizer que ta namorando (os benefícios familiares agregados a gente deduz).

Agora eu tenho escutado uma putice do povo pra ilustrar a vida profissional.

"Arranjei uma oportunidade de melhorar de vida!"

Arranjou um emprego. Um trampinho. A vida vai melhorar se esta oportunidade for bem usufruída, coração.

capacite quem merece

Pior do que a falta de competência por parte da equipe é o equívoco dos gestores em fazer tais projeções e expectativas.

Se o amor nos faz ver beleza onde há defeitos, na empresa não há como ver habilidades onde elas não existem. No primeiro caso a gente faz uma aposta afetiva, no segundo caso uma aposta irracional.

omeprazol, eu te adoro!

Eu passo muito mal quando como comida temperada com alho. Pode ser um tiquinho ou uma tonelada. EU PASSO MUITO MAL.

Nos almoços com clientes educados eu sempre pontuo esta restrição alimentar pra garantir a fluência dos negócios.

Nos almoços com os malas eu me atiro num bifão carregado de alho e "infelizmente preciso de medicação e repouso em 10 minutos" pra garantir a fluência do meu tolerômetro.

se não existe fica a dica

Recebi o telefonema de uma pessoa que pegou meu telefone com outra pessoa que ouviu de uma enésima pessoa que eu tenho dinheiro pra investir. Nem sei se atendi com educação, ou pena, porque trocando em miúdos, os artigos em falta na minha vida são justamente tempo e dinheiro (não necessariamente nesta ordem).

Era um cara me falando de um projeto imobiliário para executivos. Tentando me vender uma casa de luxo...

Ultimamente eu receberia com mais entusiasmo a ligação de algum militante sindical me agraciando com um lote gostosinho num assentamento pra executivas quebradas.

saudações aos que tem história

Outro dia eu parei uns instantes pra assistir a entrevista que a Ingrid Betancourt concedeu ao jornalista Rodrigo Bocardi. Numa época carente de heróis, eu elegi a cientista política franco-colombiana como minha referência - e ó... nem vou me ater às questões políticas e blabla.

O testemunho da sua sobrevivência me comove muito. Eu costumo dizer que ela respondeu ao terrorismo escrevendo a auto-biografia da resiliência.

De tudo que ouvi, em especial, guardei um tesouro... ao falar de recuperação, de dor física e emocional, ela enfatizou que 'não pode abrir mão da dor, como forma de se manter conectada com os que ainda se encontram na selva, sequestrados'.

E você? Ta em posição melhor na sua vida profissional, hoje? O que te liga com os colegas de outrora? Só as fotos do Reveillon de 79?

porque eu recebo pra dar palpites

Para explicar com eficiência sobre minhas atividades parapsicológicas-executivas eu encontrei um rótulo condizente.

Agora eu sou OPINÓLOGA, que é uma versão híbrida de hipnóloga com consultora.

domingo, 3 de outubro de 2010

beijinho beijinho, tchao tchao

Depois alguém me faça o favor de escrever contando se rolou segundo turno.

(Estou entrando na minha nave rumo aos confins do trabalho frenético, em pleno domingo).

há empreendedorismo fora da virtualidade

Determinei que todas as mídias sociais da minha empresa fossem excluídas, apagadas e esquecidas. Manteremos o site. A meta é que todos nós possamos falar pro máximo de pessoas que consigamos sobre nossa filosofia de trabalho de forma calorosa e p-e-s-s-o-a-l-m-e-n-t-e.

"Mas Monga, assim vamos atingir pouca gente, pô." - alguém resmungou.

Faz mal não, meu filho. Sucesso não precisa de motor, precisa de pernas disponíveis e roteiro certo.

pensar dói, por acaso?

Estabilidade é a tal da coisa que me mete medo, embora eu admita que algumas pessoas precisem de certos tijolos emocionais pra sustentar a insegurança.

Eu considero o balanço do navio o grande barato de navegar. Quem gosta de pisar em terra firme sente bastante desconforto na minha excursão profissional. Observo que pra maioria, estável é a "condição salarial inalterável-graças-a-Deus que permite o pagamento regular de contas, sejam elas comerciais, emocionais ou conjugais".

Tudo bem. Tem nada demais... O que complica é a estabilidade de opiniões, que é um "benefício" agregado e invisível, automaticamente conquistado no decorrer de carreiras mornas, que passa a trabalhar para a Preguiça Mental Crônica.

minha mãe pariu uma Cinderela

Havia pedido um favor profissional a minha irmã, portanto deixei-lhe um bilhete. Ela, no alto de sua generosidade e de sua visão gestora de alta performance, entrou na minha sala, cobriu meu notebook com uma bandeirola do Flamengo e escreveu estas doces palavras (que por respeito aos leitores com menos de 6 anos, tive que 'pichar').

Esta é a hora em que eu deveria rir, né? Rá.

niilista e com orgulho

Minha família sempre teve uma efervescência política acima da média... eu, filha de um pai biológico transviado e expatriado durante a ditadura, e adotada por um militar cuca-fresca. Filha de uma mãe biológica que até hoje ocupa cargos importantes no Governo e adotada por uma mãe que escarnece de qualquer discussão partidária.

O resultado cósmico disso é uma executiva que não vota há anos.

Não transmitirei a nenhuma criatura o legado de minha abstenção política, mas continuarei promovendo os valores que considero dignos dentro do meu cercadinho.

Estes, funcionam.

sábado, 2 de outubro de 2010

nem o alpiste salva

Na janela do escritório de determinado executivo uma turma de passarinhos cantarola toda manhã. Ele se deu conta disso no dia em que sua noiva, ao telefone, comentou - "amor! que lindo! as aves ficam alegrando seu dia!".

De alguma maneira a selvageria corporativa oblitera a passagem de sons bonitos. A gente se habitua a dar corda na irritação; a reclamar da cadeira do colega, do constante toque das mil-e-uma linhas telefônicas ou do timbre de voz do chefe.

Moral da historieta: o único órgão do corpo humano executivo que funciona é a vesícula da ignorância.

não espere uma executiva em mim

A japonesinha mais linda do mundo me revelou que sua incapacidade de pertencer a guetos a tornou plural. Que o "bom mesmo é ter All Star, Havaianas e salto 15".

De minha parte, eu complementaria o brilhante raciocínio lembrando que no mundo executivo somos cobrados no mesmo regime de símbolos... que inspiremos a criatividade do All Star, a liberdade das Havaianas, mas sempre no look de um salto 15.

(E eu aqui, pra demolir as expectativas, of course.)

da série: analogias esportivas ever

Como reconhecer verdadeiramente um talento?

Quando a performance dele é elogiável e brilhante ainda que defendendo o time rival.

Isto é fácil? Sim.

Isto é comum? Não.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Serra, o Sênior

Descobri a diferença entre executivas da Comunicação e candidatos à Presidência.

Um deles, ontem, falou que não promessas, faz 'anúncios'.

Eu não faço 'anúncios', eu faço é promessas, mesmo. Prometer é a forma mais tranquila de não precisar cumprir nada, afinal.

Montéquios e Capuletos

A pior categoria de nepotismo que existe é a empregabilidade compulsiva de parentes dos seus funcionários.

Há quem caia nesta cilada organizacional por conta da confiança em rede pressuposta quando você acredita em certos indivíduos - como se a hereditariedade da competência existisse...

Não ligo muito pro grau de parentesco, esta é a verdade. Inimigos ou irmãos podem pleitear as mesmas oportunidades na minha empresa; o que me irrita (e muito!) é quando o protecionismo típico dos clãs resolve dar expediente.

Experimenta chamar a atenção do estagiário que é filho da sua secretária pra você ver só...