quinta-feira, 30 de setembro de 2010

e seu time, qual é?

Assisti a um debate chocho com os candidatos ao Governo do meu Estado.

Não me incomodaria pelo clima de falsa camaradagem, mas me aborreci muito com a incapacidade de formular perguntas que ultrapassem a barreira do óbvio e da preguiça intelectual.

"Qual seu plano pra culturaaaaa? Qual seu plano pra educação, hein??? O que você pretende fazer na Saúde públicaaaaa?"

Ah! Fala sério. Tava esperando a hora de um deles falar "seu xampu tem anti-frizzzzzzzzzzz, honey?"

as 7 caras da Dra. Monga

To pensando em me inscrever voluntariamente pra ser objeto de estudo antropológico e científico porque onde quer que eu vá, eu adquiro a habilidade de ser confundida com a categoria profissional vigente no lugar.

Em congressos o povo adora me pedir orientações quanto a organização. Se estou numa loja, é batata! - alguém sempre me pede ajuda pra localizar peças nas araras ou opinar sobre tamanhos.

Por esta razão camaleônica singular que eu evito passar pelo baixo meretrício da cidade.

cenas da vida deselegante

Duas coisas me chamaram a atenção durante os eventos dos quais participei nestes dias:

- a maior parte das pessoas se manteve fiel ao seu netbook, seu i-phone, seu celularzinho e simplesmente ignorou os palestrantes e conferencistas;

- no lugar onde sentei, qualquer um que desejasse atravessar a sala precisava me pedir licença e isto não aconteceu. Levei toda sorte de empurrões possíveis. Passar sim, 'com licença' não!

Admirável mundo novo e mal educado!

Viva!

conceitos apavorantes

Não sou exatamente um tipo de religiosa fanática pois penso que o exercício diário de sobrevivência diz muito sobre Fé. Apesar das minhas considerações íntimas sobre Deus, pondero com alguma lucidez sobre os ataques gratuitos que os ateus sofrem.

Durante um Congresso nesta semana, fui convidada para a palestra de um importante cientista do comportamento, que iniciou sua explanação a um grupo de 450 ouvintes, afirmando levianamente que 'psicopatas e bandidos são pessoas que não acreditam em Deus'.

Oooooo-k!

Sabe... se generalizar fosse algo tangível para cachos (de bananas) e seres humanos, poderíamos vender gente em dúzia e bananas pela cor dos olhos. Não dá. Não mesmo.

campanha do agasalho 2010

O Laurinho* é um dos meus clientes mais excêntricos. Exerce a medicina nos dias de tédio, administra uma construtora e é motoqueiro-aventureiro de responsa. Nasceu numa família de muitas posses - o que contribuiu bastante na sua total ausência de limites.

Hoje ele pôs a mão no meu ombro, e filosofou:

"Monga... há duas coisas na vida que não se pode esconder... apenas duas... a riqueza e a pobreza..."

Ele de rolex, mocassim italiano de 800 euros e abotoaduras de ouro e eu, de camiseta da C&A, calça jeans de 1949 e sapatilhas sem procedência.

A gente não esconde e nem tem como.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

guaraná, açaí e fé em Deus

Estou trabalhando há 13 horas, sem pausa - não, não almocei.

Apenas por este motivo não pude vir aqui arrotar minhas insanidades organizacionais.

(Amanhã eu duplico a jornada blogueira, ok?).

O último que sair, por favor, NÃO apague a luz, porque executiva velha trabalhando até alta madrugada, precisa de iluminação suficiente... :P

terça-feira, 28 de setembro de 2010

como se não houvesse amanhã...

Um amigo executivo me contou que atravessa a cidade pra levar pavê de ouro branco pra sua noiva, no horário em que teoricamente deveria almoçar e se preparar pra uma reunião de negócios.

Por um instante eu percebi tanta felicidade genuína no gesto, que solidificou ainda mais a minha tese de que o 'tempo é a medida do amor'.

Ajeita-se. Arruma-se.... ama-se!

neste caso, aceito moedas

A regra de sucesso que nunca falha é:

"jamais apresentar a outra pessoa a conta da sua incompetência".

(A menos que ao saldar sua dívida, a pessoa ainda te livre da execração pública).

galeria de amigos-irmãos de sucesso

Durante muitas vezes citei a Samantha de Lamare* como profissional que influenciou a minha forma de administrar a carreira.

Apesar de sermos contemporâneas e termos praticamente a mesma idade, ela é a melhor executiva que conheço, hoje atuando na construção civil.

Como se não bastasse a audácia de ser mãe de um rapaz de 15 anos, vivendo conflitos pertinentes a fase adolescente, ainda arrumou tempo pra estudar Direito.

Ahhh... 'direito' na vida da minha amiga é redundância...

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

seria profundo se não fosse idiota

Não são os grandes obstáculos que me derrubam - sobrevivi a mim mesma depois de um coma de 4 meses, então, uma lantejoula nunca vai ser um abismo.

Ao contrário, são as pedrinhas imperceptíveis que me levam ao chão. São as regras instituídas por quem não as cumpre, são os instantes em que não me condeno ou me absolvo, são os inúmeros dias em que me assisto, de longe, em razão do meu coração pulsar fora do corpo...

Nestas horas eu lanço mão da poética de "Mongospeare":

"Mongar ou não mongar... esta é a questão..."

elogie JÁ

A maioria das empresas que conheço adota a filosofia "não valorizamos na entrada e elogiamos na saída".

Povo é incapaz de cuidar do patrimônio humano que dispõe (a custos financeiros e emocionais irrisórios) e quase nunca se empenha em polir as 'pratas da casa'. Ignoram o valor das equipes numa cadência cruel, comprimem as auto-estimas ao diâmetro de uma ervilha, mas, no instante em que este funcionário assina as suas 'contas', recebe junto com os protocolos financeiros-trabalhistas, um colar de elogios...

Jóia falsa não faz valsa...

entre a Cruz e Freud

O lance é o seguinte... quer marido melhor? Análise 3 vezes por semana.

Quer empresa melhor? Reze o terço 3 vezes ao dia.

sangue positivo, conta negativa

To na fila do transplante de conta bancária.

Se o doador não aparecer a tempo... falência múltipla das finanças.

manobristas do bem

Conversava com o taxista hoje pela manhã e entre discordâncias políticas e"futeboleiras" acabamos por concordar em um ponto.

A ausência de estacionamento para clientes, é, nos tempos atuais, motivo de inviabilização de um comércio, seja ele qual for.

Mas o que pesa, em verdade, é que as empresas no geral disponibilizem lugares para sua freguesia acomodar muito mais do que os veículos. Que haja espaço para o acolhimento irrestrito, que haja vagas especiais para os deficientes de humor, que se mantenha o espaço suficiente para as diferenças e sempre haja rodízio da boa vontade.

Este tipo de garagem, tá super em falta.

domingo, 26 de setembro de 2010

Pré 27

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã.

Eu amo muito você, Monga!

sábado, 25 de setembro de 2010

mortadela ceratti na veia

No novo endereço da empresa há também a companhia de novos colegas de jornada.

Tem gente nova no atendimento telefônico, na recepção e na copa. Talvez pela minha eterna expressão de carência materna, uma coisa se mantém ainda que a geografia mude: desperto nos colegas mais velhos uma candura especial.

Ontem enquanto arrancava os cabelos pra espremer um contrato encravado, a Ivanilde* deslizou por entre meus móveis e deixou um sanduichinho delicioso, acompanhado por uma caneca de café.

É bom receber alimento no meio do expediente. (E eu to falando do espírito...)

a dúvida é se também usarei capacete

Eu não vejo vantagem nenhuma quando uma empresa se gaba de ter contratado uma assessora de moda e imagem para realinhar uniformes.

No caso da firma do meu amigo, eles mandaram fazer terninhos lindos (e nada funcionais) para o pessoal que limpa e dá manutenção nos equipamentos industriais.

Desta atitude eu só consegui extrair uma idéia über fantástica: vou fazer o caminho inverso e produzir uns macacões de operário pra trabalhar com o corpo tão livre quanto meu espírito.

Eeeeeeeeeba!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

se arruma, tem espaço na van

Tá rolando um "baile" executivo muito esquisito. Alguns diretores que antes se mostravam irredutíveis quanto à novas contratações se mostram subitamente interessados em recrutar temporariamente para cargos e funções ainda mais fora-de-mão.

Perguntei pra um amigo o motivo deste overbooking sazonal, e ele, com larga experiência em operações obscuras, respondeu:

"Final de campanha política. Algumas empresas emprestam suas máquinas pra lavar grana."

Pois na minha empresa a gente não tem esta tal máquina. Deve ser por isso que sempre sobram assentos na janela...

frito ou poché?

As vezes um ex-estagiário liga, no meio do meu expediente, pra falar que está com desejo de comer ovo.

Nestas horas eu vejo que as minhas efetivas contribuições nas carreiras juvenis são a aquisição do deboche e a manutenção do absurdo.

onze

Pra uma menininha linda, leitora do coração, que deseja ser fisioterapeuta:

A PIPA E O VENTO (Cleonice Rainho)

Aprumo a máquina,
dou linha à pipa
e ela sobe alto
pela força do vento.
O vento é feliz
porque leva a pipa,
a pipa é feliz
porque tem o vento.
Se tudo correr bem,
pipa e vento,
num lindo momento,
vão chegar ao céu.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

faz avião, só se dá bem

No Estado onde moro foram apreendidas 500 calças jeans que passaram por um processo de 'engomação' com cocaína pra disfarçar o tráfico do entorpecente. Enquanto a polícia, porém, focava nesta versão fashionista de malandragem, um avião com muitos quilos da droga atravessava a fronteira.

Gostei da técnica.

A partir de amanhã eu vou adotar o case dos traficantes. Enquanto minha equipe foca nos 500 relatórios sobre a mesa, eu contrato mais uns 3000 projetos pra atravessar a fronteira (da sanidade mental).

quer passear, Lulu?

Tem um bichinho que a gente precisa criar no ambiente profissional e que dá um trabalho danado. O nome dele é 'coletividade'.

Este "coiso", que não se alimenta de ração ou restos e tãopouco tem pedigree, requer uma atenção toda especial. Se simplesmente ignoramos a sua presença, ele é capaz de nos engolir de uma só vez.

Na minha empresa a gente não precisa mais mantê-lo na gaiolinha. Ele já é capaz de permanecer entre nós mesmo que de vez em quando, a galera insista em olhar só pros bichinhos internos da própria existência.

incomodada ficava a sua vó!

Engraçado como os colegas executivos (homens com H) atribuem à tensão pre-menstrual qualquer manifestação mais rude que a gente imprima.

Primeiro que eu fico MONSTRUada, versão mais compatível a minha personalidade sacripanta.

Segundo que a tecnologia a serviço da medicina transformou a gangorra hormonal em balanço de playground, fófis.

Por fim, eu não preciso de subterfúgios mensais regulares pra me encapetar.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

enterro certo de defunto errado

Uma cliente me chamou pra um evento sobre gestão e economia solidária e eu fui. Linda, loira e sem chapéu - chegando meia-hora atrasada por conta de um equívoco no convite.

Entrei e vi várias cadeiras de quickmassage com dezenas de massoterapeutas a disposição... nem pensei duas vezes! Fui logo me acomodando pra um relaxamento imprevisto (enquanto admirava a genialidade dos organizadores!).

Evento errado, lógico - mas massagem a gente não pode devolver, né?

rezando pra ir pra casa

Levei um 'mijão' bem severo hoje.

"Monga! Você dormiu durante a reunião com os novos clientes!!!" - reclamou meu gerente de contas.

"E como você sabe, Guido*??" - perguntei portando beiço e cara de ofendida.

"Porque na saída um deles falou ahhh que bonitinha, ela abaixa a cabeça e reza, de olhos fechados enquanto discutimos os pormenores... mulher de fé!"

Fédimais.

contrabando por contrabando...

Minha irmã perguntou como tenho coragem de comprar estes eletrônicos chineses comercializados em sites fuleiros, cuja durabilidade não ultrapassa os 3 meses.

Oras. Com o mesmo atrevimento que contrato funcionários fuleiros, cuja confiabilidade não ultrapassa 3 semanas... (e eu nem posso pagar com boleto).

um curso de tricô cai bem II

"Mas Mongaaaaaaaa.... no final das contas nenhuma faculdade dá estofo o suficiente e pra um desempenho de alto padrão, há que se buscar complementações!!!!"

Sim. Complementar é uma coisa, "complicalar" é outra.

Dentista com pós-graduação em Gestão pode organizar sua clínica, mas administrador com workshop em Saúde não pode arrancar os meus dentes.

um curso de tricô cai bem

Uma peculiaridade extra nos meus últimos dias: 90% dos clientes que passam por uma primeira lavagem cerebral comigo revelam uma dissociação entre suas formações acadêmicas e suas atividades atuais.

Um se formou em publicidade mas quer aprender gestão. O outro tem 5 emibiêis mas não sabe planejar. Alguns são arquitetos mas administram lojas de sapatos. Tem ainda uma safra de advogados que dirigem o comércio dos pais.

Moral da história: empreendedor de sucesso pode se graduar em qualquer coisa (porque sempre vai faltar a outra ponta do cadarço profissional).

errata (pra você, papaizão!)

O Doutor Meu Pai (sim, ser meu pai é por si um cargo reputadíssimo) corrigiu meu equívoco postado num dia de pensamentos nublados. Eu falei que segunda-feira era o primeiro dia da semana - sendo que, na norma culta da ciência cronológica, o primeiro dia semanal é o domingo.

Perdão, fofo!

O que eu quis dizer é que em tese (e em prática) a segunda-feira é o primeiro dia do buraco negro institucional; e pra isto, não há enganos. :)

na noite de autógrafos eu vou de chinelos

A Lois*, minha leitorinha de Londrina escreveu um email mó bacana. Se fosse discutir na íntegra, teria pauta para uns 20 posts, mas por hoje, vou ficar com uma fatia doce:

Ela "pitacou" que eu deveria transformar o blog em livro.

Tá. Adorei a hipótese e pra ser franca, venho ensaiando esta coisa há algum tempo (motivo pelo qual escrevi uma versão da Monga Executiva para criancinhas hiperativas).

(Resta saber se algum editor psicótico e sem amor ao mercado editorial, encararia este absurdo de bancar tanta porcaria impressa pra posteridade).

valores sem cifrões são só bobagens

Vou oferecer gratuitamente uma consultoria pense rápido, morra de raiva.

"A fórmula mais eficiente para demonstrar o grau de maturação de seu empreendimento e das suas crenças pessoais é aplaudir a conduta inadequada do funcionário e demitir o supervisor".

Não sei se isso acontece com frequência nas Companhias de sucesso, mas no Santos, sim!

(Afinal de contas não é qualquer guri que vale 70 milhões, né?)

Carlinha, obrigada!

Ultimamente minha caixa de emails tem merecido um tapetão vermelho... só a realeza humana desfila por lá... gente que por alguns instantes abdica de outras funções para me escrever, para contar de sua vida e de seus sonhos.

Sim, fico lisonjeada. Me pergunto (inclusive) se mereço esta deferência - e na medida do possível, respondo a todos, ainda que de forma mais suscinta do que gostaria. Este é um dos motivos de não existir comentários aqui. Desta forma encontrei um caminho privado com cada leitor.

Hoje meu beijo vai para Carla Farinazzi* do http://pequenosbarulhosinternos.blogspot.com/ que foi muito querida e replicou coisas minhas por lá.

Quando alguém me pergunta se pode reproduzir o que escrevo, dá vontade de perguntar se EU FICO DEVENDO alguma coisa, porque é uma honra semear minhas palavras em outros jardins.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

voa, passarinho

"Monga, meu filho de 18 anos não quer seguir a carreira do meu marido e portanto, abrirá mão de começar uma trajetória de sucesso conquistada pelo pai!" Marilda, por email.

Querida... Além de abrir mão ele abriu foi a cabeça... esteja pronta para testemunhar mais um grande homem de negócios na família.

E viva as diferenças climáticas!

aceita visa?

To devendo 50 centavos pra moça de uma empresa que visitei hoje.

O cafezinho da recepção é cobrado, eu tomei dois copos plásticos cheios, mas ela prometeu me cobrar só um.

(Não é piada - nem a cobrança e nem o fato de eu não ter uma moeda no bolso).

cena III do Circo Corporativo

Acho que fui sabotada. Alguma empresa concorrente, sabendo da minha insanidade à prova de bala, mandou a candidata me derrubar.

"Qual formação você tem para me entrevistar? Desde quando você faz isso? Qual seu critério de análise? Como vou saber que você não está sendo tendenciosa? Suas perguntas foram elaboradas por quem?"

Depois que me fez toda a sorte de perguntas (incluindo meu estado civil e ecumênico) levantou e deixou o aviso "vou pensar se quero a vaga".

(Esqueci de anotar a placa, mas quem quiser, pode chamar o SAMU).

cena II do Circo Corporativo

Trabalhar com Gestão de Pessoas é uma droga muito poderosa sem a qual eu não ligo o brilho nos olhos. Adoro gente. Mais do que isso: respeito gente. Acolho gente. Empregar é uma forma de resgate. A carteira de trabalho assinada é um andaime que sustenta toda a auto-estima.

A minha fineza comprada nas escolas suiças, porém, nem sempre consegue dar expediente - e eu to falando dos empregadores. Alguns, deixaram de me solicitar análises e candidatos, como foi o caso do empresário que telefonou e explicou fofamente "eu quero uma auxiliar de serviços gerais mas que não tenha cara de faxineira, porque minha empresa é de alto nível".

Fiz uma conta rápida na minha cabeça... arrogância+desrespeito+ignorância e devolvi:

"Pode deixar. As que parecerem com a sua mãe não serão encaminhadas".

cena I do Circo Corporativo

Sou muito chorona - genuinamente chorona.

Tem uma situação em específico que me deixa triste: a impossibilidade de empregar todas as pessoas que passam pela minha empresa de RH. Esta é a minha verdade mais broxante... eu não sou indiferente, não sou subnutrida emocional, e não promovo demagogia de ocasião. Simplesmente sofro e uma feridinha coletiva, a mesma que talvez em você não doa, dói bastante em mim.

Na minha casa, a gente discute em família sobre os casos e currículos que mais me tocaram e quase sempre, rola um behind the scenes - meu pai, minha mãe, meus tios, amigos, parentes e vizinhos, se dispõem a ajudar no caso de um empreguinho dando sopa.

a monga, a executiva e a diarista

Por conta desta mudança espacial e suburbana da minha empresa, minha sala nova ficou muito chique, confortável e tal, mas num nível de sujeira nunca d'antes visto na história da minha vida.

Adoro montadores de móveis! Eles sabem muito bem como nos agraciar com rebarbas de madeira, parafusos extras, isopor e plástico suficiente pra embrulhar o Amapá.

Não teve jeito. O alien motivacional adormecido na minha entranha de faxineira a-c-o-r-d-o-u.

Bora lá: rodo, balde, vassoura e muita luz para guiar esta minha atividade improvisada e super necessária.

filosofia ao som de Siouxie and the Banshees

Conversar com meu irmão é acertar na môsca. Pra qualquer necessidade de reflexão corporativa, ele, do alto de sua expertise de artista, me revela o imponderável.

Irmão: tens trabalhado muito, guria!

Monga: eu preciso, bro. Recuperar as cagadas financeiras é importante...

Irmão: o lance não é não fazer merda, mas não deixar faltar papel.

Verydeep.

democracia publicitária on the rocks

O lado bom de viver numa terra onde o assédio do consumo é a virtude máxima da democracia é que uma empresa pode alimentar ilusões.

É nisso que penso quando recebo um folder de um veículo que custa dois anos do meu salário.

Fico imaginando quantos profissionais se envolveram no processo de propaganda de um carro luxuoso - da montadora às agências - pro negócio morrer na mão de uma falida que mal e porcamente tem dinheiro pra trocar de patins.

Uuuuuuu.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

a folga é o botox natural

Excesso de segunda-feira faz mal pra pele.

(Observe o que acontece com a testa e com as rugas adjacentes toda vez que você lembra da existência deste precioso primeiro dia semanal).

chupa uma balinha antes

A dobradinha Avon + Fergie resultou no perfume "Outspoken" e na propaganda promocional onde a diva fala "Solte a voz, diga o que pensa".

Pois bem... se eu fosse soltar a voz para dizer o que penso, a última fragrância deste gesto seria de perfume.

Verdades tão mais pra esgoto do que pra flores, honey.

domingo, 19 de setembro de 2010

quem não fuma, suspira

Já que tem gente confessando que adora beber xixi, e que urinoterapia é o novo Rivotril, eu também confesso que...

... estou em embate feroz com o ímpeto de voltar a fumar.

Minha razão já levou uns três socos na cara, um cruzado de direita e se cair, sei não se levanta...

não tinha teto, não tinha nada

Na minha sala nova não existe mesa - apenas uma bancada funcional para apoiar o notebook.

Também não existem armários, gavetas e estantes colecionadoras de inutilidades. Não existe cestinho de lixo - porque não há o que jogar fora. Dispensei papéis. O relógio foi proibido de entrar.

Temos belos e confortáveis estofados, que me colocam no foco de visão e de calor humano dos meus clientes, e temos todo tempo do mundo.

Para conversar, para refletir e para compartilhar. Objetivamente, não existe nada do lado de fora da minha porta enquanto meu mundo inteiro couber em alguns metros quadrados.

Coragem, a Monga covarde

Miborro de medo, nesta ordem:

- de gente que usa o pronome 'nós' para se referir a si mesmo (tenho a sensãção de que a pessoa ta falando com espíritos);

- de gente que se incomoda com contato físico (to falando especificamente de abraços);

- de gente que promete acabar com as desigualdades (se algum dia isso acontecer, também há de acabar o combustível que nos faz perseguir 'o melhor').

falta mais Paris no seu sertão

A socialáitchy Paris Hilton é o exemplo mais explorado quando estou promovendo minhas anti-capacitações. Taí uma guria que descobriu a fórmula perfeita pr'aquilo que tira o sono de quase todo mundo, ao menos uma vez na vida:

Pra onde varrer a nossa responsabilidade diante de algum flagra?

Em lições breves, requentadas pela mídia mundial, a gente descobre... te pegou com maconha? Não é sua, é do seu colega! Te pegou com as mãos sujas de propina? Não é sua, você foi enganado! Não é habilitado pra a função? Comprou diploma falso sem saber!

Consultora excelente pra tiração-da-reta-corporation.

sucesso no dial

Alô, alô, amigo Gestor de Talentos, Chefe de Recursos Humanos, Auxiliar Administrativo!

Liga o rádio corporativo e viaja na canção que foi escrita-idealizada-pensada pela Rihanna e pelo Eminen para homenager os candidatos durante as entrevistas:

"I love the way you lie".

:)

flow, baby, flow

Minha amiga Isa* escreveu um email perguntando se eu poderia indicar algum profissional counselor para orientá-la no Estado do Rio de Janeiro.

Acredito que assim que novas decisões de carreira são consideradas, o papel de counseling é importantissimo e requer de fato a ajudinha de alguém pra reverter um comportamento fora de padrão.

Ainda que distante de Copacabana Waves, posso indicar o cara perfeito: meu avô Tito*.

Se tem alguém no mundo que devolve qualquer pessoa ao seu eixo de produtividade e consciência emocional, é o meu velhinho. Ele não estudou, não foi um grande líder (pelo menos não fora do seu terreiro) mas dominou durante toda a vida a técnica de ajustar os desgarrados da família com seu programa de elucidação de metas utilizando uma ferramenta sábia:

Mão na enxada.

sábado, 18 de setembro de 2010

pois é...

"na vida sabedoria
(que o contrário se prove)
é sem qualquer teoria
tirar dez
naquela prova
dos nove"

-Luci Collin-

não me fira os feelings

Não há como achar normal se relacionar com alguém que fique buscando no passado todas as comparações viáveis. E que em alguns casos, derrape, e nos chame por outro nome. Talvez seja esta a maior humilhação emocional a que um ser humano possa ser submetido.

Na empresa as coisas são nesta ordem também. A política comum de alguns funcionários que teimam em comparar a 'antiga casa' com a 'atual' não só é desnecessária, como pode promover feridas institucionais de difícil tratamento. Um amigo de infância costumava chamar todas as namoradas de 'fofinha' pra evitar conflitos de esquecimento ou troca.

Na vida profissional é utópico pensar que podemos chamar todas as firmas de 'empresinha' - embora algumas mereçam o carimbo diminuto.

lição para os jovenzinhos

Se eu tivesse largado os estudos, dado um montão de dor de cabeça pra minha avó e insistisse em ficar morando numa barraca com beduínos vendedores de carros, hoje eu não estaria aqui!

(Estaria ocupando algum cargo de alto escalão do governo e certamente dispensada de trabalhar aos sábados).

#pensenisso.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

bons modos sim, frescura não II

Da única vez que assisti a um troço destes, a mulher ficou 20 minutos deliberando sobre a importância de portar uma bela caneta, de preferência Mont Blanc*, pra assinar algum protocolo na presença de outros executivos.

Interessantíssimo.

Acho válido que a galera fixe a atenção no manuseio de canetas e na ostentação das marcas, enquanto eu me ocupo de pegar a enxada e garantir CONTRATOS PRA ASSINAR.

:P

bons modos sim, frescura não

Ta chegando uma comitiva de engomados na minha cidade pra promover um curso de 'etiqueta corporativa'. Ganhei convites vip's pra levar a minha quadrilha organizacional, mas particularmente, prefiro não comparecer.

Me ocupo tanto de viver e celebrar que não posso permitir que qualquer um venha me ensinar a mentir e a ser quem não sou sob o pretexto fuleiro de garantir uma 'boa impressão'.

To-nem-aí.

absenteísmo é uma delícia

Diversos clientes tem me pedido auxílio no intuito de amenizar a incidência de atrasos e faltas dos funcionários. Alguns expressam este descontentamento de forma hostil (e infantil) chegando ao ponto de impedir a entrada do colega naquele dia e ainda submetendo-o a um desconto salarial cuja legalidade eu desconheço.

Cá entre nós, se a Lei Trabalhista prevê a punição deste tipo de conduta, pouco me importa. Lei é essencial na mão de quem precisa dela, principalmente quando os olhos e o coração não se manifestam pela boca. Pra saber gerir eu dispenso gesso e ferro. Eu quebro cadeados e libero a porteira.

Não me preocupo com a permanência de corpos ao meu lado. Pontualidade só vale a pena quando a gente chega de corpo e alma. (Na impossibilidade de comunhão, deixe os dois em casa).

a hereditariedade da monguice

Do twitter do meu irmão mais velho:

"Voto em NINGUÉM. Não voto em ALGUÉM. ALGUÉM promete. NINGUÉM cumpre."

Bravo!

executivas maduras. Onde?

Adquiri o objeto da foto ao lado para coroar este espírito fanfarrão que habita meu corpo executivo.

Mesmo porque, cada profissional preconiza o que é importante na sua vida - e na minha as cores são fundamentais.

Sorte que até agora ninguém me perguntou as horas.

(PS: Eu nunca aprendi e pra ser franca a única função deste reloginho é quebrar o protocolo monocromático desta vida corporativa insuportável).

(PS2: E dá pra carregar as pulseiras na pasta e ficar trocando durante a reunião).

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

depois não me venha reclamar

Amizade é a instância superior da loucura. É quando a gente deposita algumas fichas de roleta no número da sorte do outro e acha que vai ficar rico.

Pois bem, minha amiga Angeluda* me incumbiu da tarefa de revisora de sua monografia, num destes emibiêis iguais a Tang: abra-misture-beba-e-pronto. Acha mesmo que eu tenho competência pra coisa.

Tá. Eu vou dar minha contribuição.

Na pior das hipóteses, o que não for material científico, a gente apelida de 'literatura'.

família boa não faz quitanda

Não que eu seja uma super especialista em gestão familiar, mas eu dou uns pitacos atinados - as vezes.

E hoje, ao ser chamada pra opinar despudoradamente a um executivo a respeito das aventuras fantásticas de sua família na empresa, usei da velha-atemporal sinceridade...

Precisa levar sua tia pra trabalhar com você pra descobrir que ela é ranzinza? Precisa arrancar sua irmã da cama todos os dias pra descobrir que ela é uma folgada crônica? Precisa forçar seu pai a calcular metas quando o forte dele é jogar xadrez na praça com outros veteranos de guerra?

Não, não precisa. O que a gente precisa é do eterno reforço de companhia afetiva, de colo, de segurança ética de quem tem o mesmo sangue nas veias. E o preço disso, quase sempre, é o sucesso emocional e o fracasso financeiro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

mil felicidades e amor no coração!

Hoje é meu aniversarinho e como presente, pedi a todos os clientes e amigos que me dessem fraldas geriátricas.

Não, eu não vou promover uma ação filantrópica em algum asilo da cidade. Não vou. Seria muito clichê pra minha absurda falta de convenções.

É estoque preventivo pra uso pessoal.

(Nunca se sabe como será o futuro executivo quando a idade avança na contramão da sanidade mental e f-í-s-i-c-a).

terça-feira, 14 de setembro de 2010

e no final, aplausos

E quem disser que o exercício profissional não tem uma certa tinta de teatralização esquecerá que a repetição exaustiva de ações, nada mais é do que investir num papel.

Se fosse de outra maneira, não perguntaríamos ao zé e a maria:

"Em que área você ATUA"?

quer ser lembrado? seja visto!

O princípio de sustentação de qualquer investimento ou parceria fica amarrado nas teias de comunicação - e olha que não inventei esta maravilha, eu juro!

A medida que vamos diminuindo a intensidade das nossas palavras, que vamos esquecendo o velho cartão de aniversário pro cliente, desconsideramos a necessidade de reforçar o vínculo, a tendência é reduzirmos também a promoção de nossa marca.

Certa vez conversava com o Fernando*, meu cliente, quando ele traduziu com maestria:

"Se eu não for à feira de tecnologias ninguém vai notar minha ausência. Mas se eu for, eu sei o que fazer com a minha presença!""

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

recebendo em silêncio

Trabalhar pra cliente ateu, com esta minha postura à toa, é engraçadíssimo.

(Pegar o cheque e falar "graças a Deus!" é quase uma prática criminosa).

hoje eu to maloqueira, mano

Porque é o seguinte.... hoje eu vi um executivo todo torto, vítima de um acidente vascular, lá, bengalando pela rua... e pensei com minhas rugas recém instaladas:

A pior coisa da vida é quando a mente e o corpo estão divorciados. Se a gente tá com as idéias ferradas e o corpo idem, beleza. Se tá com o corpo em dia e o pensamento em ordem, maravilha.

Agora, quando um dos dois resolve passar a rasteira no outro é difudê.

domingo, 12 de setembro de 2010

discordância sonolenta

Um chefe é aquele que diz 'vá'.

Um líder é aquele que diz 'vamos'.

Uma executiva Monga é aquela que implora 'melhor dormirmos até o meio-dia'.

she's so unusual

Me chamaram pra participar de uma roda da alegria, uma espécie de organização privada para jovens empreendedores.

Enquanto o povo se perdia nas explicações e defendia com entusiasmo a interação deste clube infantil de executivos, eu tava era felizona.

Pra uma mulher pra lá de passada dos 30, com uma série de projetos muito cafonas e pouco rentáveis, soa como uma menção honrosa, duplamente. Talvez eu até aceite o convite só pra tirar onda de "jovem". E de "empreendedora".

saudade de vó (parte 2)

Do nascimento aos dezoito anos eu vivi com a Cuca*, minha avó.

Se ela ainda estivesse viva, faria aniversário hoje - virginiana e malucona, como eu.

Numa das últimas conversas sobre escolhas profissionais que tivemos, ela segurou minha mão e falou "ninguém precisa saber o que fazer da vida aos dezoito. Nem aos quarenta. Não assim, definitivamente... Mas a gente precisa ter lanternas, sempre. Não importa o ofício, nossa obrigação é direcionar luz pras pessoas, é salvar muita gente da escuridão dos próprios pensamentos".

saudade de vó

"Naquela mesa ela sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ela contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ela juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que sua filha
Eu fiquei sua fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída, não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa ta faltando ela
E a saudade dela ta doendo em mim"

(Sérgio Bittencourt*)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

ditados corporativos

"Deus ajuda quem cedo DESPLUGA".

(Vaimbora pra casa, hoje é sexta-feira, leitor-querido, e já passaram da validade: sua paciência, sua crença de atingir a meta semanal e o seu desodorante).

a gafe que o véu não esconde

Quando eu coloco apelidos nos meus clientes não é especificamente pra debochar - pelo menos não publicamente. É que eu preciso de conexões e ganchos associativos o tempo todo.

O empresário árabe gay que me contratou é sempre representado na minha cabeça pela figura de uma odalisca. Desta forma eu lembro do nome dele, da nacionalidade, da cultura e do orgulho que ele tem do seu lado feminino (mais que o meu, inclusive).

Só que as vezes eu entro em curto circuito. Ontem chamei o cara de Dr. Oda....oooops.

idades variadas e vaiadas

Em algumas profissões há o avesso da costura etária.

Por exemplo.... profissionais de saúde, adquirem mais credibilidade com os pacientes quando não são tão jovenzinhos. É como se a pouca idade não lhes favorecesse em confiança e know-how. Rola inclusive uma resistência em consultar um médico recém formado, né?

No mundo corporativo o buraco é mais denso. Quanto mais fresquinho e viçoso for o executivo, mais sangue disponível para o vampírico exercício organizacional.

motor 3.5 com desempenho de carrinho de rolimã

Semana que vem é meu aniversário, e isso não é um convite, é uma ameaça mesmo.

To muito jovem pra aposentadoria e muito velha pra super produtividade.

Isso não é triste, é patético.

"eu não preciso de muito dinheiro, graças a Deus"

Um amigo executivo me falou que anda recebendo muitas propostas de 'parceiros achando que vão mudar o mundo'. E que ele fala: 'vai lá, muda o mundo sozinho e volta aqui quando pudermos ganhar dinheiro juntos'.

Eu contei a ele que ando recebendo muitas propostas de 'parceiros achando que vão ganhar dinheiro'. E que eu falo: 'vai lá, promove alguma mudança no seu mundo e volta aqui quando pudermos merecer esta grana'.

ti...ngana que é uma beleza

Fazia tempo que eu queria apreciar o almoço de um restaurante badaladinho na cidade, onde miseráveis executivinhos brindam seus feitos heróicos.

Enquanto o povo flerta com vinhos caríssimos e novidades gastronômicas, eu tava a fim de um bifão de responsa e muita batata-frita envolta em catchup (pra acompanhar minha maturidade de paladar).

O menu porém, tratou de enterrar junto com o cocô do gato a minha animação. "Tilápia com arroz". "Tilápia com creme". "Tilápia com batatas". "Iscas de Tilápia". "Tilápia grelhada".

Eu não sei quanto ao resto do planeta, mas alimentação frugal pra uma jornada de dinossaura não me sustenta. Daqui uns dias, só o canibalismo vai repor suficientemente as minhas energias.

xingar equivale a uma limpeza de pele, honey

Eu vou ser presa qualquer dia desses por atentado violento a hipocrisia. Até poderia dizer que eu não me vendo por pouco, mas infelizmente, preciso admitir publicamente que eu simplesmente não me vendo - seja lá de qual montante estejamos falando.

Não obstante este olhar corporativo blasé e desconfiado, eu ainda escrevo emails queridos para clientes merecedores da minha serenata online.

Hoje, o ouvinte em questão foi brindado com a profunda mensagem organizacional da Lily Allen, em sua adorável canção FUCK YOU.

"Fuck you (fuck you)
Fuck you very, very much
Cause we hate what you do
And we hate your whole crew
So please don't stay in touch"

(Fala que a vida não é bárbara? Ho ho ho!)

bicho-papão, hein?

No mundo dos negócios ideal, a frase "quanto eu tenho que gastar?" deve ser susbtituída pela frase "quanto isso me fará ganhar?".

Empreendedores são muito mais empobrecidos pelas paredes que achatam o cérebro, do que pelo investimento financeiro.

libera a geral, que carinho é dádiva

Ainda me causa surpresa a surpresa alheia.

Quando eu chego nas empresas, de bolsos lotados de afeto, e abraço os funcionários, beijo-lhes fraternalmente o rosto, lhes sorrio em paz, vez ou outra alguém reage mal.

É como se eu os assaltasse - ou roubasse algo, enfim... e então eu penso que eu ROUBO mesmo.

Principalmente uma coisa chama resistência (e eu sei que ela faz falta a muitas pessoas de carne, osso e pedra).

terça-feira, 7 de setembro de 2010

ainda sobre gincanas

Certa vez me empurraram a uma pseudo-aventura corporativa que incluía caminhar sobre brasas e gritar palavras de ordem sem o menor valor. Uma fuleiragem das bravas - e eu, blasé porqueavidaquisassim.

"Monga, vai! Ou você não tem espírito empreendedor?" - fuzilou o organizador.

"Tenho! Ô! Espiritão, mano! Só não tenho corpo disposto a trabalhar por este espírito aí..."

;)

e se eu quebrar a unha? nãoooo!

Não é de hoje que eu tenho calafrios quando escuto a associação "instituto" + "desafio" + "programas de treinamento" + "gritos de guerra".

Pois hoje eu fui brindada com uma esquisitice corporativa deste naipe: um monte de gente dando depoimento num canal de televisão sobre as maravilhas promovidas num encontro radicaaaaaal, cujas atividades incluem pular numa tirolesa iradaaaa, de olhos vendadoooos, pra reforçar o espírito de liderança. Altas trilhas no meio do mato na madruga, sem lanterna e sem papel higiênico pra despertar a essência do líder obscuro que mora ni-nóis.

Deus guarde a minha alma insólita. Definitivamente eu não pertenço ao clube dos executivos normais. Na minha empresa o único despertar de liderança inclui programas muito leves, hotéis com grande conforto e comida de responsa.

O resto é moderno e intangível à nossa caipirice coletiva.

em feriados a gente adora divagar

"Só quem leva muito a sério seu ofício é capaz de executá-lo às gargalhadas".

(Da filósofa Monga, A Grande).

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

tamo aí, na batalha

To fazendo um cursinho a jato de webdesign. Não sei especificamente o que um serumano daltônico como uma cabra pode querer se atrevendo nesta área, mas eu to lá, me achando uma gênia da computação gráfica.

A coisa está tão efervescente na minha cabeça, que entrei numas de ter alguns clientes experimentais pra ver se eu dou conta de brincar deste lego digital.

Perguntei pro tio da pipoca, em frente a igreja, se ele tinha site (pra corroborar a tese de que a inclusão atingiu o mercado informal e nanico) e ele disse que não e nem sabia de que forma uma homepage poderia ser útil.

Pronto. Eu também ainda não sei, mas já fiz uma permuta: uma página simples, mais o registro de domínio, em troca de 20 saquinhos com torresmo e queijo ralado.

anamnese cinéfila

"Monga, como você faz pra avaliar num breve encontro se a secretária executiva tem perfil ideal no cargo que ocupa?" - Sandra Otero (por email)

Olha, querida... eu costumo chegar na recepção da empresa e me identificar como 'Bridget Jones'. Se a secretária sorrir, estamos no caminho da iluminação intelectual e cultural. Se a secretária pedir pra eu soletrar aí o trem ferrou de vez.

;)

fala da minha mãe, do Grêmio não

O povo sabendo da minha paixão elevada pelo Grêmio adooora encher meu saco com piadas acéfalas.

Até aí tudo bem. A digestão da Libertadores colorada já se fez e eu até consigo conversar com a minha família numa boa. O que me torra de verdade a paciência é ter que aguentar um bando de executivos que faz capacitação gratuita da FGV online querendo tirar onda com a minha cara.

Dá até vontade de dizer o Grêmio ta mal mas pode se recuperar e você, que ta em falência múltipla do talento? Comofas?

Humpf.

e viva a gentileza

Agradeço aqui a visitinha da Loisane*, do blog http://tangaramerece.blogspot.com/ que deixou queridas palavras na minha caixinha.

Uma amiga outro dia perguntou - como quem afirma - se eu acreditava que caminhos trilhados eram de fato caminhos, ainda que virtuais.

E eu, devolvi que qualquer caminho leva a um 'encontro' e este é o grande barato dos mecanismos de comunicação: poder estar perto de pessoas cuja feição não se conhece, mas cujos sentimentos bons é impossível de se duvidar.

domingo, 5 de setembro de 2010

cuidados paliativos posteriores

Duas coisas no mundo perdem a força negativa dependendo da situação:

Prato de comida ruim a gente engole quando a sobremesa é boa.

Segunda-feira insuportável a gente tolera quando a terça é de feriado.

quer ser meu sócio?

Minha inquietude não me permite repousar a satisfação numa única atividade remunerada. Volta e meia eu me pego viajando na maionese (e em outros condimentos) elaborando planos perfeitos de sucesso e lucro.

Ontem mesmo eu vi o material promocional de um negócio chamado franja express.

Cá com meus botões de pressão, fiquei a pensar... numa terra brasilis onde a gente está acostumado a ter podólogo, nutrólogo, tarólogo e geólogo, nada mais justo que um FRANJÓLOGO.

Com uma pitada de sorte e a manutenção da tendência hair istáili a la Curumim-fashion, é o tipo de investimento que pode arrecadar algumas moedas.

animais ilustres, donos nem sempre...

Aplaudo de pé as empresas e comércios em geral que acolhem o trânsito de animais, reconhecendo efetivamente aquilo que os índices de mercado apontam a olho nu: o crescimento enorme do vínculo entre seres humanos e seus fantásticos bichos de estimação.

Minha vizinha que acabou de chegar do Japão em companhia da sua beagle Tulipa comentou que a cadelinha foi tratada com muito carinho pelos comissários da Japan Air Lines. A amiga blogueira Angela também me falou sobre uma cafeteria em sampa que permite a entrada de seu fiel akita Hachi - sem esquecer de lhe servir uma providencial aguinha fresca.

A lógica disso não tem nenhum mérito extra: em 90% dos casos os estabelecimentos precisam tolerar animais muito menos dignos que cachorros e afins, cuja única diferença é o porte de um cartãozinho de crédito.

Ellen Mil*

Do email de uma leitora, feliz pela minha marca de mil seguidores:

"Suas informações são importantes, mas o poder está na sua expressão".

Em síntese: não importa que eu fale merda se elas lhe parecem flores... :P

(Obrigada, querida).

sábado, 4 de setembro de 2010

invendável e impossível!

Recebi uma oferta interessantíssima...

O executivo queria saber qual meu preço para retirar do mercado um pacote de serviços que compete diretamente com os dele.

Eu conheci profissional cagão em muitas áreas, mas a grande maioria, entende a concorrência como mecanismo salutar de auto-aperfeiçoamento. Tudo bem.

Me limitei a dizer "ah, que pena... a feirinha corporativa fechou tem duas horas..."

:P

meu momento Simone de Beauvoir

Vamos entender a diferença de feminismo e machismo à luz da consciência capital e corporativa.

De posse dos meus melhores elogios, quis quebrar o clima pouco amistoso de dois de meus clientes, em situações isoladas. Uma mulher e um homem, ambos contratantes dos meus serviços, e ambos empresários de grande sucesso (sobretudo na falta de simpatia).

Pra um deles criei um discurso de valorização do talento. "Você é demais! Você é the best! Tecnicamente irretocável!" Pro outro fui mais na superfície do ego. "Seu sapato é lindo! Seu óculos te rejuvenesceu muito!". Os dois se renderam aos elogios. O clima ficou levinhoooooo....

Qual dos elogios foi pra mulher? Qual foi pro homem?

(Bingo pra quem apostou que o cara só sorriu quando eu babei-ovo na sua produção de roupa).

o primeiro investimento é em INFORMAÇÃO

É assustador o nível de alienação de alguns profissionais recém-formados. Os caras saem suvacando o diploma e não se preocupam em adquirir prévia intimidade com sua área de atuação.

Se eu, por exemplo, fosse uma profissa da área de beleza e hair stuff, na minha busca frenética por uma oportunidade, saberia na ponta da língua a lista dos melhores salões, conheceria os caras mais respeitados, a dinâmica de vagas e o escambau.

Aí eu ligo pra guria, graduada-mestrada, pra lhe oferecer na boca uma garfada com a melhor vaga na sua área. "É na empresa X, ta?". E ela: "Nunca ouvi falar".

Ok. Temos os analfabetos funcionais, digitais e anormais (categoria nova e infeliz).

pra mil pessoas o cachê vai aumentar

Ainda ontem éramos uma pequena 'rodinha de chimarrão'.

Hoje ultrapassamos a marca de 1000 seguidores, e eu certamente usarei meu próprio exemplo pra convencer meus clientes avessos à comunicação. Elementar - se uma débil mental como eu com expertise de pulga consegue aglomerar muitas pessoas em torno das abobrinhas que escreve, empresas com o mínimo de conteúdo institucional podem quintuplicar a minha marca e alcançar o píncaro do sucesso.

Easy, easy.

e eu remo

A melhor resposta à tentativa de esmagamento pessoal é a sobrevivência.

Se gatos têm sete vidas, executivas têm sete bilhões de possibilidades.