terça-feira, 31 de agosto de 2010

movimento sindical dos sem-palavras

Estou em greve de silêncio por tempo indeterminado.

(Ou enquanto durar o estoque de perplexidade - porque executiva que se preze tem fases lunares).

...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

constatações variadas

Nunca há de faltar segunda-feira pra um trabalhador cansado.

Nunca há de faltar defeitos naquilo em que você mais se empenha.

A semana começa, portanto, enforcando o corpo e dando um 'bofetãozinho' na auto-estima.

(I will survive... yeah!)

sábado, 28 de agosto de 2010

confessando o que é de conhecimento público

Eu aceito que minhas amigas adEvogadas Petit Visconti*, Ka Capraro*, Paulinha* e outras tantas venham a me explicar a funcionalidade do "Termo de Confissão de Dívida".

Partindo do princípio de que os entubados até o topete nunca gozam de privacidade na sua inadimplência, não seria mais fácil chamar estas formalidade de "Termo de Postergamento da Quitação do Calote"?

Todo mundo sabe que a maioria, deve, não paga e nega enquanto puder.

desconfio de quem não chora

No meu relatório final, tratei de assinalar como 'não apto' para o cargo de Diretor o cara 'mais qualificado' que sobreviveu com galhardia a todo o processo seletivo.

Quando perguntei se ele choraria na empresa num dia de tristeza-sem-fim, ele enfatizou: "Nunca! Jamais demonstraria minha infelicidade!".

Pois então... nos apontamentos que entreguei pra uma legião de profissionais que também o estavam analisando, escrevi, à mão:

"Se um chefe encapsula suas próprias emoções o que ele não faria com os subordinados, pípol?"

Maria Paula Alvim, a executiva das palavras

TREMORES

"Apesar da aparência sólida, sua crosta é toda recortada.
Instável como placa tectônica.
Por isso ela treme.
De gozo e dor."

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Aldous Huxley foi executivo?

"Os homens são animais muito estranhos: uma mistura do nervosismo de um cavalo, da teimosia de uma mula e da malícia de um camelo".

(Se não era executivo, convivia diretamente com centenas).

:P

closer to the edge (#fail)

O nascimento de todas as coisas, a existência efetiva, começa pelo nome.

É nomeando algo que carimbamos seu destino.

Para pessoas, determinados nomes. Para produtos, outros. Para sentimentos, outros. Para PROJETOS, outros também.

Sempre tomei muito cuidado durante os processos de criação de identidade de marcas e conceitos institucionais. Já vi muita gente empreendendo idéias brilhantes batizadas de maneira absurda - comprometendo definitivamente o posto do sucesso.

Tem como esperar a glória de uma grife chamada Losers e virilidade de um cara que se chama Caio Pinto? (...)

a batalha final

Minha ídala da estação é Morena Baccarin. Viciei em "V", não consigo perder um só capítulo da série - e depois que soube que a atriz fabulosa é uma brasileira hollywoodianamente bem sucedida, me deu até mais gosto pelo troço.

Ficção científica nunca foi minha praia, exceto por me sentir descendente de híbridos ou aliens executivos.

(O que me agrada na verdade é a possibilidade de fugir numa nave em dias de caos na Terra Corporativa).

eu só sei do que eu sei

Perguntada sobre como teria sido me dedicar a carreira de bailarina, ou pianista, caso eu não fosse executiva, eu respondi:

"O caminho pelo qual não trilhamos sempre será uma incógnita. Uma equação sem resposta."

Perde-se tempo e brilho cogitando o não realizado, enquanto a matemática da vida real fica gritando por respostas muito mais simples.

diz pra eu ficar muda...

Eu nunca vou ser boa o bastante.

Na minha juventude isso me parecia desimportante. Na minha vida adulta isso me parece utópico. Talvez na velhice, isso me pareça idiota.

Definitivamente, eu sou inteira o bastante. Em tudo. Basta?

"a falta que você me faz"

Comenta-se por aí que a maior lacuna afetiva de executivo(a)s é ter um parceiro(a) que possa compartilhar do mesmo terreno workaholic. Aquela pessoa que por afinidade de área, ou de gostos, consiga escutar tudo sobre o agitado dia de um infeliz e ainda assim não desistir do casamento. Alguém, portanto, com quem se divida as mazelas profissionais - dos contratos aos sem tratos...

Eu acho que a maior falta não é tecnicista. Não é ter alguém pra falar especificamente sobre gestão, logística, empenho, resultado e análise de custos.

Basta ter alguém pra contar o que sinto, qual situação me faz sorrir, o que me angustia o peito, com quais líderes me identifico, qual a forma de administração que me imprime alegria.

Um executivo(a) de verdade é feito de muitos mitos, mas de um coração bem pulsante.

irritada eu

Não é pelo fato de ser amante da Língua Portuguesa e ter feito uma faculdade de Letras; e também não é pelo fato de ser indefectível (porque eu cometo assassinatos com o idioma praticamente todos os dias - haja vista o 'porque' desta mesma frase que certamente tá errado...)...

Existem ranços linguísticos dando expediente nos escritórios e nas empresas e isso me deixa chatíssima. Revoltada.Fico querendo lamber meus próprios cotovelos.

Se eu digo pra alguém "muito obrigada por me atender!", por que raios a pessoa responde "obrigada eu!"?? Que construção indígena é essa, cara-pálida? Explica eu?

Pra expressar o velho "quê issoooooo, eu que devo lhe agradecer!", eu aceitaria até um 'pá, Bro, to ligado que eu curti mais te atender do eu imaginava". Agora, obrigada eu, não DÁ!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

várias marias e nenhuma razão

Funcionários tem uma locomotiva embutida que sempre está fora do trilho, seja por pressa ou por incapacidade de comunicação.

Hoje uma moça indagou no intervalo do meu curso se eu abordaria o tema "ética" na empresa, porque-a-Maria-é-uma-fia-da-puta-e-ela-dá-em-cima-do-marido-da-chefe-além-do-mais-ética-é-uma-coisa-que-faz-falta-voce-não-acha-Monga? Você-não-esta-ciente-agora-do-quanto-a-Maria-precisa?

"A Maria, é?"

...

fffffffffffffffffffffffffffffffff

Perco muito tempo perseguindo a inspiração.

Esqueço sistematicamente da RESpiração.

Meus pulmões operam em colapso temporário e eu vou ali ter certeza de que isto tem um nome: pneumonia, bródi.

"aniversarismo"

Hoje se comemora O Dia Mundial do Coração Feliz.

(Acabei de instituir a data).

E tem até trilha sonora, da Sara Bareilles...

"You loved me 'cause I'm fragile / When I thought that I was strong / But you touch me for a little while and all my fragile strength is gone..."

(Till the end, honey...)

criando teia de aranha na moral

Três amigas executivas super trabalhadas no glamur e eu, a caipira-padrão, conversávamos sobre os artifícios extras que são utilizados em negociações emperradas.

Duas delas falaram que capricham no vestido e no perfume. "Clientes são homens e homens são iguais. Só querem tirar uma casquinha."

Outra comentou que tenta ser maternal, e ainda explora bastante o decote, porque o silicone turbina também os contratos.

"E você, Monga?" - indagaram.

"Ah. Eu vou de burca. Porque eu sou do tempo da persuasão cerebral."

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

negócios tão sinceros de nós dois

Cliente-canastrão: "Eu sei como ganhar dinheiro. Vou ser sincero. Sou meio pilantra."

Monga-Executiva: "Eu sei como ganhar dinheiro. Eu só não sei ganhar, vou ser sincera. Sou meio honesta."

negócios são poesia...

Cliente-egocêntrico: "Eu sei tudo. Só me falta tempo, por isso te chamei."

Monga-Executiva: "Aham. Só me falta saber tudo, por isso tenho tempo, e por isso, também, eu vim".

o subproduto dos negócios se chama caráter zero

Comigo não rola moral de cuecas - moral de calcinhas, talvez. Não fujo ao inexorável destino de uma formação careta ao extremo.

Longe dos meu galhos os insetos e parasitas da traição, da falta de decência conjugal, da mentira ridícula, dos crimes contra a honra familiar. No ambiente corporativo, isso me coloca no paredão da inexistência. Turminha da pesada não me quer por perto.

Um colega insistiu em me convidar pra um jantar com ele e a amante. Me fiz de surda na primeira tentativa. Na segunda me fiz de muda. Na terceira me fiz invisível... e s-u-m-i da frente dele.

O limite da minha mudeeeernidade se encerra em meia-dúzia de tatuagens. E só.

Luísa tem uma irmãzinha!

Um beijo pra Roberta Lippi*, autora do blog http://meuprojetinhodevida.blogspot.com/.

Eu sempre penso que meu ventre cede espaço demais pra gestação de idéias mercadológicas e vai ficando pra trás a continuação da espécie monguística.

Onde há o compromisso real com o amor, em sua manifestação mais divina, há sim a construção de um projeto lindo, que quase sempre tem nome de criança.

Um beijo também pra Rafaela. E que no futuro ela nunca duvide do quanto foi desejada. Esta é a melhor fórmula pra uma pessoa dar as mãos pro sucesso: amor aos montes!

7200 horas...

... é o tempo que percorri até agora num grande projeto.

Não é qualquer coisinha. É O projeto.

O slogan da empreitada é "Aurora has a roof and fire in your hands ".

(Não precisa entender, mas eu aceito os votos de sucesso).

:)

domingo, 22 de agosto de 2010

evangelho segundo Santa Monga

Há melhores profissionais no mercado do que você.

Perdoe sempre (o mercado).

she is not broken

Versão feminina de Sansão (embora minha força não esteja nas molas dançantes sobre minha cabeça), plenos conhecimentos do inútil mundo corporativo, sapatos sem meias, risada desconcertante, compromissos da agenda honrados com clave de sol:

Esta sou eu. Monga, Executiva e gente.

Quem me compra pelo preço profissional, e descarta o pacote de carne e osso, quase sempre se ferra.

Não sei executivar distante da alma. E eu sempre sobrevivo.

exercício de auto-brilho

Poder de síntese é uma arte dominada por poucas mentes. Não é o meu caso - sou prolixa e nada coerente (amém).

Pra não sentir o peso do desperdício, tenho falado menos novidades, e concentrado a repetição pros mantras fundamentais:

"A semana vai ser ótima. A semana vai ser ótima. A semana vai ser ótima."

(Se funcionar, eu aviso).

data de fundação da demência

Lendo o blog do meu querido MR (http://animipe.blogspot.com/) tive um surto de saudosismo do Jardel*, que foi um jogador do Grêmio especialista em bolas na trave - quando se tratava de comunicação em franca língua portuguesa. É comum, porém, assistirmos ao declínio cognitivo de 'brilhantes' executivos.

Em certa ocasião eu almoçava na sede campestre de um clube famoso, na companhia de vários homens, mulheres e animais de negócios. Rolava música, falsa camaradagem e canapés chiques. E uma partidinha de futebol. Lá pelas tantas o Diretor de um Banco lançou a bola telhado acima e ao capturá-la de volta, encontrou perdida entre as telhas uma outra bola, de plástico, do Grêmio.

Desceu com o rotundo brinquedinho na mão e falou pra 'galera': "Olha! Olha! Olha o que encontrei! Uma bola do Grêmio! Ta escrito aqui 1903. Porra, que relíquia, este troço aqui há tantoooos anos em cima do telhado."

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

"conto contigo, pela madrugada, só me derrube no final..."

Pra Medicina eu tenho mais dois anos de vida.

Pros religiosos eu tenho uma vida eterna.

Pro cliente eu tenho até amanhã pra entregar um big relatório.

A vida é assim. Não importa a perspectiva do drama - o lance é o tempo.

não importa quem começa, mas quem chega

Da minha life coach:

"Muitas pessoas perdem tempo discutindo sobre quem vai-dar-um-primeiro-passo-na-direção-de-alguém. Os maiores empreendedores do mundo preocuparam-se apenas com O ENCONTRO."

o teu contrato não é melhor que o dele

Prazo é a condição que coloca igualdade entre distintos bolsos.

Não existe privilégio pra ele existir. Ele vale pro cliente bom e pro cliente mala. Pro ricaço e pro new-glamour-business-man.

O calendário que a gente ganha de brinde e o fantástico relógio que custa seiscentos mil reais fazem o mesmo serviço em qualquer lugar do mundo: conferem o tempo dos fatos.

churrasquinho de executiva idiota

Vou ter que alterar minha abordagem ilustrativa nos aconselhamentos que faço.

Pra corroborar a tese de que recepcionista é vital no processo de encantamento do cliente, falei pra duas secretárias:

"Vocês são importantíssimas nesta pescaria! Vocês colocam a isca no anzol. Percebe o grau de valor que voces tem? E o chefe fica segurando a vara!"

Rá. As duas, evangélicas e pudentes, quase me aspergiram a água-benta que existe no mundo inteiro.

(Eu vou ali me jogar na fogueira-santa e já venho).

turma do Fábio

Tive a honra de conhecer e conversar com o Fábio Bibancos*. Dentista-figuraça, pensador ímpar, capitão da ONG Turma do Bem - que transformou o voluntariado de muitos profissionais em efetiva contribuição social.

Fiquei de fato fascinada.

Pelo papo, pela simplicidade dele, pelas idéias lúcidas e nada politiqueiras e principalmente pelo look do cara.

(Em dado momento me peguei mais preocupada em saber onde ele comprou o tênis e a jaqueta jeans. Felizmente ele não notou. Ho).

careta e com perfume em dia

Escutei dois estudantes conversando sobre 'quais cursos superiores a gente pode estudar chapado'.

Começou a lista de possibilidades. Um falou 'arquitetura'. O outro falou 'artes visuais'. Um falou 'direito'. O outro rebateu 'pedagogia'.

Eu tava esperando que eles falassem 'comunicação' pra tacar minha sandália na cabeça deles.

Pobres, feios, mal remunerados, egocêntricos. Tolero tudo sobre 'nozes' comunicólogos. Drogadaços, não. A única substância ilícita que eu consumia em época de universitária era João Gilberto.

você me indica e eu te dedico (again)

Por não dar a devida atenção à natureza do nosso comportamento fora do ambiente profissional é que as relações corporativas rendem menos leite do que poderiam.

Ontem durante um evento onde estive rapidamente encontrei um ex-cliente. Fiz questão de pará-lo pra uma atenção especial, pra saber do andamento dos negócios, pra lhe sorrir cordialmente. Não. Não era um tratado informal sobre economia no hall de um Centro de Convenções. Era educação atemporal e sem contratos.

Ele estava acompanhado de um outro empresário, que hoje, telefonou dizendo que gostou muito da minha postura e estava interessado numa consultoria.

Moral da história: ninguém precisa puxar saco em período integral, ou forçar uma simpatia inexistente - mas a gente pode valorizar o prestígio conquistado. Pós-venda inclui pós- delicadeza.

você me indica e eu te dedico

Aumentou em 40% o número de novos clientes da minha empresa que chegam via recomendações de clientes pros quais trabalhamos um dia.

Este dado estatístico me fez caprichar na relação com meus consumidores.

Caprichar com os novos? Também. Mas principalmente com estes pra quem já não trabalho, mas que agora, gentilmente, trabalham pra mim.

Me importa muito aconchegar estes indicadores e lembrá-los que a gratidão também é uma "oferta da casa".

sim, eu estava...

... em catatonia emocional, em luto, em depressão, em espamos de ego triturado, pelo título conquistado pelo Internacional.

Cancelei compromissos, me escondi no fundo da gaveta, mas não teve jeito.

Lá do Rio Grande do Sul meus irmãos (todos colorados e sem caráter) me mandaram lembretes constantes em tom de humilhação.

Tá. Tem nada, não.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

vermelho é uma cor irritante

Se o Internacional ganhar alguma coisa na vida esportiva que não seja o caminho da roça, eu não vou trabalhar amanhã.

É um luto indescritível, do tipo que me leva ao buraco criativo e a mais profunda dor gremista.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Eu Monga, 34 anos. Drogada e mal paga.

Vício é uma coisa que corrói as entranhas da decência.

Principalmente quando não se vive SEM DESCONGESTIONANTE NASAL.

Profissionalismo, gestão por apreciação operacional, frufru's na comunicação: nada segura uma bunda (na cadeira) quando o nariz esta entupido, porra!

eu queria morar na minha

Espia este blog:

http://morandonacabeca.blogspot.com/


(Tem executiva espalhando pétalas pela China... Um beijo Frô!).

respeito jaz aqui


Meu cabelo ta enorme. E por motivos variados (e complementares) eu não vou podar.

Causadisso o povo me chama de "Coalhada".

Tá.

Paz na Terra aos homens e mulheres executivas de boa vontade e tolerância giganteeeeee.

valores inversos? ah... jura?

O policial estava batendo no rapaz que faz malabares no trânsito, ali, no mesmo farol, há anos.

Ele é um ilustre desconhecido e potencial bandido (?) pro guarda. Mas pra mim ele é praticamente um amigo. O vejo com mais frequencia do que vejo meus irmãos que moram no Rio Grande do Sul, e o maior perigo que ele já me representou foi quando me chamou de 'rainha' (pensei comigo: "nossa! descobriu minha linhagem nobre! quá!").

Parei o carro no meio da muvuca, no final de tarde. A polícia ocupada com a minha barbeiragem intencional, acabou perdendo o garotão de vista - já que ele foi ágil pra caramba.

Minha vontade era de ter gritado "foge, mané! foge da polícia mesmo! acha uma empresa pra você assaltar em paz, que certamente ninguém te prende, mano!"

meta cumprida e comprida

Quando minha mãe pergunta qual meu compromisso de amanhã, é sinal de que hoje eu já estou com o enlouquecedor profissional mode ON.

É engraçado como a gente encara com naturalidade o estado ridículo de viver em função de metas.

(E leva 17 anos pra parar de fumar. Bora levar 17 minutos pra desconectar que o ganho é o mesmo: pulmão limpo e respiração em dia.)

porque ela é íntima

Adoro quando a Elis*, secretária de uma cliente, entra em contato:

"Monga, você gostaria de vir aqui discutir algumas dúvidas da consultoria?"

Eu sempre respondo:

"Não, eu não gostaria. Você sabe que eu não gostaria. E você sabe que eu acho um saco ir aí. Mas eu vou. Quando?"

em briga de sócio e sócio não se mete a colher

Intermediar contato de futuros sócios é praticamente uma cupidagem executiva.

De início a gente apresenta as partes interessadas. É o flerte institucional.

Depois confraterniza com os 'apaixonados'. É o casamento público.

Depois empresta o ombro pra um deles (ou pra ambos). É o divórcio financeiro.

executiva boa não tem respostas prontas (II)

Podem me chamar de demagoga. Eu realmente não ligo.

Sou demagoga, politiqueira, Poliana, crédula, inocente. Tenho fé na vida. Tenho motivos de sobra pra enfiar o pé no meu freio invisível e gritar pro gari do outro lado da rua "Eeeee aí, meu! Bom dia!". Não me alimento de votos. Nunca investi em posições ou cargos eletivos. Meu trabalho é minha ferramenta de mudança. Hoje é ali dentro de uma ou outra empresa. É limitado, é utópico.

Mas é só por hoje!

Realmente acredito que posso mudar o mundo! É esta fantasia quase pueril que aquece minha alma quando o precioso mundo dos negócios se esquece de tampar o ralo da sua podridão.

executiva boa não tem respostas prontas

As vezes eu fico bem triste, e lá no fundo a voz da Monga perde o tom da graça. Fica a Executiva sentada, segurando a cabeça com uma das mãos, pra não cair com o susto do absurdo.

Há uma faísca dentro de mim que é capaz de provocar um grande incêndio. Ela chama-se "maus tratos". Determinado contrato no qual tem-se ocupado minha equipe inclui zelar pelos seres humanos da empresa X. Escutá-los, entende-los, irmaná-los; se possível, acariciá-los na fonte da auto-estima.

Tá bem complicado. O chefe é talvez o maior tirano que eu já conheci em quase 20 anos de trabalho. Por mim já teria desistido, mas meu reforço se fez hoje, quando simplesmente permiti que várias funcionárias chorassem na minha presença o choro da humilhação.

Minha sinceridade precisou se manifestar: também não sei como faremos a partir de amanhã.

tentativa tosca de manipulação

É comum a gente ler sobre os estudos da Síndrome da Alienação Parental. O nome é muito rebuscado pra traduzir um fato ordinário - quando a mãe carca a lenha no pai ou o pai incute nos filhos a idéia de que a mãe é uma vaquinha.

Tudo regado a muito carinho com o filho, lógico.

Talvez seja a mais deprimente herança da Idade da Pedra Emocional. Mas percebam, numa relação profissional onde tenhamos gestores com posturas maternais e/ou paternais, ou sociedades constituídas por investidores de perfis diferentes, que despertam DIFERENTES opiniões na equipe também rola uma guerra velada. Um ataque silencioso de difamação às escuras.

Poderia ser a Síndrome da Alienação Societária?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

spa íntimo

O mal uso da palavra 'dever' e suas variantes transformou a nossa vida profissional na jaula oficial da felicidade.

Na frase "hoje é segunda-feira e eu deveria estar trabalhando!" onde está o erro?

Está nela. Na bendita construção verbal de obrigatoriedade. Eu não d-e-v-e-r-i-a nada. E eu não devo mesmo. To em casa, faceira, de pijamas e com 14 gibis pra ler.

Se eu to doente? Não. Eu to no primeiro estágio da saúde emocional, que começa quando a gente manda a regra corporativa cantar noutra freguesia.

Beijos, boa tarde, boa noite, e até amanhã.

domingo, 15 de agosto de 2010

sombras

Não concordo que o mercado de certas profissões esteja saturado.

O que eu vejo são seres humanos saturados. Sem paciência pra traçar objetivos mínimos. Desprovidos de auto-crítica. Distantes de sonhos possíveis e acalentados por outros tantos sonhos impossíveis e desnecessários. Perdidos no desperdício crônico de energia com fogo fátuo. Emaranhados em redes de relações vazias e vampirescas.

Então o mercado tá aí, muito bem, obrigado.

O que não tá bem é GENTE pra quem este mercado existe.

devolve a minha alienação?

Com o avanço imposto (na marra) pela tecnologia, pelos veículos de informação real time,pelas redes sociais de fiscalização da intimidade alheia, a gente perdeu a mais preciosa opção de vida:

Decidir por NÃO SABER DAS COISAS.

Simplesmente não dá. Mesmo que a gente esteja evitando saber de determinados fatos, eles nos encontram, à revelia.

ninguém foge ao seu ranço

Convidei a Diretora de RH pra prestigiarmos um almoço beneficente. Como a minha dose homeopática de sociabilidade está nas últimas gotas, levei minha marmita pra servir a minha parte e vir pra casa.

Havia um espaço para as pessoas que desejassem almoçar por lá mesmo, na instituição. E muitos voluntários distribuídos nas tarefas de pegar os ingressos, servir, embrulhar, acalmar os mais entusiastas e famintos.

Lá pelas tantas notei minha Diretora sistematizando o trabalho da galera, colocando razão organizacional onde deveria reinar a mais absoluta bagunça permitida em nome de uma causa.

Domingo é dia de despir a fantasia da perfeição executiva.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

pequenas monguices, grandes negócios

Sei pouquíssimo sobre a projeção de mercado pra um futuro próximo, sobre ofícios promissores e perspectivas de formação. Como especialista em planejamento de carreiras eu correspondo a um Corcel 72 - só temos valor para colecionadores ou excêntricos.

O que eu sei, é que há uma fórmula muito eficiente pra quem tem grandes aspirações profissionais. Basta usar os termos 'neuro', 'psico' e 'social'. Aí é só bater com duas gotas de limão:

"Sou neuropsico consultor".

"Sou social manager de projetos".

"Sou psicosocialneuroespecialista de empresas."

Aeeeeeeeeeeeeeee.

ensinamento valioso

Me perguntaram qual curso superior ou de pós-graduação eu indico pra um executivo que está se aposentando (ou que já se aposentou).

Eu indico o curso de Familiologia. É pouco difundido entre profissionais mas tem uma aceitação no mercado doméstico impressionante: reabsorve imediatamente qualquer executivo aos braços da esposa, dos pais, dos filhos e principalmente da felicidade.

Heloíso, mexe a cadeira, nêgo!

Nesta última parceria que formalizei tenho experimentado o dissabor de compartilhar dezenas de clientes da minha empresa e não obter nenhuma reciprocidade por parte do meu partner. Ele simplesmente não encaminha aos meus braços corporativos nenhum negócio. Nenhunzinho.

As vezes as coisas funcionam assim pra determinados tipos de empreendedores: o conceito de parceria é meio "passiveria".

salve, irmã!

Dois exemplos de reabilitação profissional que podem estufar qualquer auto-estima:

- Não trabalharei mais aos finais de semana.

- A Narjara Turetta não vende mais côcos nas calçadas da vida.

quanto de leveza tem no depósito?

À medida que o tempo vai deslizando pelo calendário eu vou me tornando mais exigente com as empresas que me prestam serviço.

Prazo, preço justo e cordialidade, são pré-requisitos numa relação comercial. Aplicáveis na Mongólia ou em Taboão da Serra; podem inclusive ser oferecidos como troco. Minha exigência está focada na a-l-e-g-r-i-a. Não vejo competência alguma em profissional que não sabe me sorrir.

Ausência de sorrisos no trato com clientes "transforma qualquer estoque de produtos numa sala de fidelização vazia"!

o esquerdo ou o direito?

Tempo seco, com umidade relativa do ar em torno de - 234% nesta capital onde me escondo.

O cérebro resseca, a pele se magoa e o nariz... sangra! E eu, como boa virginiana limpinha, sento na recepção da empresa que fui visitar, enfio uma buchinha de algodão no narizinho para estancar o sangue. E pego no sono. Acordo com uma secretária apavoradaaaaaa, me cutucando, suando frio, achando que eu era alguma alma penada. Uma versão pançuda de "loira do banheiro" - ou executiva do W.C...

Não chegou a ser um grande susto mas foi bizarro escutá-la falando "Se você ta viva levanta o braço, levanta o braço!"

hauahauhauahauhauahuaha.

decadence corporation

Minha amiga que é executiva de uma Companhia Portuguesa vive reclamando da sua falta de grana - eu não sei se ela ganha mal ou bem, porque salário dos outros é terreno que não se pisa.

Hoje fui forçada a crer que o caroço do angú entalou feio na vida da companheira. Ao me contar que sua casa foi roubada ela simplesmente contabilizou:

- "Levaram a única coisa de valor que tava à mão. Uma máquina fotográfica de 1,5 megapixel."

(#medo).

desperate mongo-kisses

Vou mandar um beijão pra Bia, do http://biadesperatehousewife.blogspot.com/ que escreveu pra esta xonha aqui.

Achei muito honesto da parte dela revelar que a palavra 'executiva' lhe causava uma certa resistência em me visitar. Mas sabe cumé, né? Executiva bôua é capaz de garantir 'clientes' tão logo se quebre a primeira má impressão... rs

(Querida, obrigada pela doçura! Dê um abraço na galera Gomes por mim!)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

comigo é no esculacho

Hoje eu dei minha contribuição para a antropologia e para a sociologia do novo milênio.

Tirei uma foto de um mendigo faceirão jogando no seu Gameboy.

No futuro eu usarei isto contra meus filhotes:

"Ta vendo o que acontece com quem acredita no Governo? Tem poder de compra mas mora na rua."

auto-justificável

Indiquei a um Gestor, a pedido dele, quais os funcionários mereciam ganhar um prêmio especial pelos 25 anos de empresa. O pacote premiadão inclui uma semana nas praias do Nordeste e tratamento VIP na empresa; com direito a quick massage, reflexologia, florais, hora do desenho animado e guloseimas de nível avançado.

Optei pelas duas funcionárias da faxina, a copeira, quatro zeladores que se revezam e um estoquista. Quasi que mi mataram.

"Cê ta de deboche com a gente, Monga?" - me fuzilaram a queima-terno.

"Deboche? Eu? Você tem funcionários aqui há duas décadas que limpam seu chão, cuidam da sua segurança, do seu café quentinho e do seu patrimônio e você precisou que eu indicasse os 'merecedores' seu debochadão da titia!..."

porque em secretária não se bate nem com flor

Por duas vezes eu escutei o empresário que me contratou se manifestando de forma criminosa, e no meu entendimento TOSCO, o crime se dá no ensaio e nos requintes que o antecedem.

Fica ameaçando bater e matar a secretária. Se for piada, não tem a menor graça. Se for sério, ele vai rir na frente do Delegado-Juiz-Papa.

To aqui elaborando a minha carta de repúdio, minha rescisão voluntária de contrato e meu discurso na hora em que for (e eu vou) denunciá-lo.

CVV da língua portuguesa

"Oi Monga, todos os dias liga alguem querendo saber meu endereço de e-mail.. quando vou soletrar o idiota do outro lado me pergunta: É TUDOJUNTO?? Aiiii que ódio que me dá!!!" Moniquinha Bruno - por email.

Querida amiga... se fosse comigo eu responderia de forma bem compatível com minha polidez executiva... claro...

"Não. Não é tudo junto. É que estamos promovendo uma campanha de inclusão das letras solitárias e gostaria de contar com a sua colaboração. Pede pro Mzinho dar a mão pro Ozinho, pro Nzinho, pro Izinho, pro Czinho e pro Azinho?"

executivas também choram, porra!

Tem dias em que a gente se sente mais desafiado quando tem que levantar da cama. Quando tem que sorrir pros colegas com o peito ardendo, em silêncio. Quando aquele projeto nos tira o sono. Eu sei que tem. Os dias especialmente delicados.

Hoje é um dia desta espécie, pra mim. Aniversário da minha mãe biológica. Quando eu assumo publicamente a dor de uma ausência... Quando sento sozinha na minha sala e vou absolvendo a minha própria história - que não é mais ou menos trágica e nem conhece reais CULPADOS.

Não condeno minha mãe por ter priorizado a carreira. Sinto saudade, apenas. E uma inveja declarada da minha sobrinha que pode rolar com ela pelo tapete da sala.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

tava pensando na morte da bezerra

Hoje foi um dia perturbador.

Eu nem achava que tava tão feia a coisa, mas na hora em que me vi embrulhando as compras de outra pessoa e saindo faceira pelo supermercado eu me dei conta.

Executiva, débil mental, cara de Pão de Hambúrguer e LADRA nas horas vagas.

Alôooooca.

teste seu conhecimento executivo

Eu e outra companheira de executivismo estamos como facilitadoras de conteúdo numa capacitação (e a gente faz de tudo, menos facilitar). Durante a semana acaba rolando uma coincidência de nossas pérolas institucionais para os mesmos clientes em horários alternados, abordando os mesmos conteúdos.

Como a gente faz?

(A) Discutimos tecnicamente cada caso e escolhemos qual das duas divas assume o treinamento;

(B) Como falaremos a mesma coisa para as mesmas pessoas decidimos no par ou ímpar, tomando sorvete na praça.

(Leitor assíduo, você tem obrigação de saber a resposta).

adictos em relacionamentos? foraaaa

Acompanhei o processo de 'entrevistação' coordenado por uma Gestora de Talentos. Quis saber a metodologia que ela utiliza mas no meio da trilha acabei desfocando.

Na hora em que ela perguntou pro guri "Qual seu estado civil?" ele respondeu às gargalhadas:

"Reabilitado!"

economiza lenha, santo

Eu acho deprimente conhecer os programas de qualidade de algumas empresas que criam uma expectativa de performance desnecessária, tendo em vista que parte delas não tem nem concorrente a altura pra se preocupar.

O traço válido, que seria exigir posturas para aprimorar ganhos acaba se perdendo. É como guardar um poderio bélico pra guerra e a tal da guerra nunca vir.

Ou melhor... é como a manchete: "Ronaldo se esforça muito, rala horrores, para enfrentar o Avaí".

O A-v-a-í.

invisível e impossível

Toda executiva tem seu dia de SAMAMBAIA.

Calma. Eu não estou passando por funilaria corporal e encurtamento cerebral. Nada a ver com a MULHER SAMAMBAIA (mesmo porque aquilo que Deus detonou a mão do homem não há de consertar).

A analogia graciosa é porque fui paga para ficar algumas horas sentada na recepção de uma empresa analisando o comportamento das recepcionistas. Ninguém me viu, ninguém me notou, ninguém sequer quis saber se eu queria desabafar ou tomar um café.

Se demorasse mais meia-hora eu ia pedir um vasinho e voluntariamente me enterrar.

em terreno fértil minhoca não entra

Não tem coisa pior pra sanidade familiar do que ter um profissional de Psicologia em casa.

Da minha irmã, a única coisa que posso esperar é vê-la assistir sistematicamente a todos os programas de televisão esquisitos sob o pretexto de que 'é importante pra desdobrar o comportamento humano'. O último deles é um bizarro "Papo Calcinha" que passa na tv a cabo.

Ó, sinceramente... Se o comportamento humano dobra-e-desdobra, se é um origami fajuto, pouco me interessa. O fato é que enquanto a louça na pia tá acenando a bunita ta concentrada na experiência suuuuper construtiva de analisar a fauna televisionada.

descobertas que mudam nossas vidas

Há um flat chiquérrimo onde eu pretendia morar e durante uma pesquisa mais minuciosa acabei descobrindo que faz parte do home service um beijo de boa noite do Brad Pitt e um beijo de bom dia da Angelina Jolie*.

(*Sim sim sim. Por 10 mil reais mensais, é a única justificativa que me ocorre).

domingo, 8 de agosto de 2010

em cash?

A sábia lição executiva pra esta segunda-feira que nos ameaça a sanidade vem pela voz da fofa Jordin Sparks, na musiquinha Tattoo:

"I gotta let my spirit be freeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee".

Espírito livre é o primeiro passo pro enriquecimento emocional. O resto o banco financia.

meu nome agora vai ser Maria Odete

O poder de consagração de uma marca se dá a medida que sua absorção pública é incontestável.

A gente consegue mensurar melhor isso quando ocorrem modificações estranhas àquilo que nos acostumamos a digerir. É como se um belo dia o MacDonald's viesse a se chamar ZéGenuíno's ou se a coca-cola ganhasse a cor do guaraná Jesus.

Não seria possível, ainda que em caráter circunstancial, achar super legal ver o Flamengo usando camisetas amarelo deos nos salve com azul céu da turquia.

A marca-flamengo não é o time. É o vermelho-preto.

Ponto.

Dia de Pais (e Filhas)

Comemorar o dia dos Pais com um homem como o MEU pai é praticamente uma imersão profunda no fantastic world of business.

Aprendo tudo com o mestre. Agronegócios, política e neogeografia mundial, variantes de mercado, novidades da tecnologia e principalmente g-e-s-t-ã-o. De farmácias, de lojas de automóveis, de padarias, de supermercados...

Se meu pai é um grande empreendedor? É sim.

Desde que se aposentou da carreira militar ele pensa. Pensa muito. Talvez por isso seja mesmo o melhor empresário que eu conheço: o maior risco que corre é de um tombo entre a sala e a cozinha. Eu amo este cara!

sábado, 7 de agosto de 2010

minha filha vai nascer com cara de churros (II)

Muito esperta, muito dotada de blablaísmo comercial, atinada pra barganhar grandes contratos, afiada pra discutir preços e prazos e etc e tal.

No entanto não sou capaz de pedir um churros fiadinho pra tia que fica na porta da igreja e que me conhece desde que eu era um zóide.

(Me odeio).

minha filha vai nascer com cara de churros

Faz tempo que eu não desfruto da honrosa companhia de alguns trocados na minha carteira.

O dinheiro de plástico-débito-crédito soterrou a presença de cédulas e moedas.

Nunca liguei pra isso, mas hoje foi extremamente triste não ter 1 real, UM ÚNICO REALZINHO pra comprar um churros.

o maior risco é ainda ter que trabalhar

Precisei de um táxi e pedi pra empresa que enviasse um automóvel que aceitasse cartão de crédito (porque não basta ser dura, tem que se endividar). Me aparece o Seu Otávio, um senhor de 72 anos, fofíssimo, que foi logo me dizendo: "ó, eu não sei usar esta maquininha, mas preciso da corrida, a senhora poderia passar sozinha o seu cartão?"

Pronto. Bastou. Me atrasei pro compromisso, expliquei tudo que pude pra ele... como proceder, como manusear e principalmente como evitar que pessoas maldosas passem-no pra trás.

(Eu queria muito, na verdade, era ter saído com a certeza de que o Seu Otávio já já não vai mais precisar trabalhar e vai poder curtir a sua merecida aposentadoria...)

rebimbocas e malabares

Fui acompanhar minha irmã na oficina de sua confiança, no bairro onde minha família reside. Os mecânicos são excelentes muito embora o ambiente seja muito feio.

E é bem assim. Nós mulheres não conseguimos visualizar a competência da mão-de-obra mas se a decoração ta 'ornando' com o lugar.

Pra minha surpresa, lá num canto estratégico um televisor de plasma enorme passando determinada apresentação do Cirque du Soleil. Os mecânicos vidrados, trabalhando em frenesi.

(Não, eu não sonhei com esta cena de um mundo melhor. Eu vi, e a-d-o-r-e-i).

por isso que eu não ligo, baby

Taí uma coisa que eu nunca soube exercer com eficiência: o egoísmo institucionalizado.

Esse lance de visitar clientes e ficar falando em monossílabos com medo do cara dispensar a consultoria e aproveitar minhas dicas pra um do.it.myself nunca me abalou. Talvez porque eu creio devotamente na tese de que a receita do bolo nunca dispensou a aula da vovó.

O número de empresas que tem usado minhas pré-considerações e promovido mudanças sem minha orientação é muito grande. Grandão. Mas é uma grande arapuca.

Tempos depois o malandro me liga desesperado: "Mongaaaaaaa, puramor de deos, vem aqui que a gente ta precisando de você!".

O preço, claro, acaba sendo mais elevado, inclusive pra própria empresa desastrada.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

"quem sair do Abaeté rumo à praia do Flamengo"

O momento 'um abraço' de hoje vai para o gracioso leitor Enoch* que mandou um email fofíssimo se dizendo meu fã.

Excluindo o fato de que ele deve ter algum problema mental grave (pra justificar a parte 'ser meu fã') eu fiquei foi MUITO FACEIRA - principalmente porque ele mora na Bahia, aquela terra abençoada onde os executivos tem três velocidades (devagar, devagarinho e paradinho).

Querido, muito obrigada pela visita e pelo carinho. "Todo mato está em flor, e eu me sinto um jardim..."

não basta descobrir a pólvora

Tenho estudado pra burro (pra burra, na verdade) a fim de garantir uma melhor performance na execução de um trabalho novo. Não sou nenhum primor quando se trata de auto-didatismo, mas nesta situação não tive mesmo outra alternativa.

Tudo que sobra em dicas enlatadas sobre gestão, administração tôsca e planejamento estratégico utópica falta em bibliografia sincera.

Enquanto a lista dos mais vendidos engrossa a fila dos profissionais que juram-que-descobriram-tudo-sozinhos, eu prossigo o meu caminho de ler o mundo das situações, que vai além do que cabe em 400 ou 500 páginas.

me explica?

Quando as coisas estão a beira de um fracasso, ou assim lhe parecem, é bom lembrar que os maiores expoentes do mundo dos negócios já atravessaram crises bravas. Já perderam o senso de conectividade com a lógica e o razoável.

Se até a Mariah Carey decidiu cantar em Barretos porque nós, reles executivos, não podemos assumir projetos duvidosos?

Fica.a.dica.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

pedestal é coisa de burro (II)

"Além de ser g-ê-n-i-o ele adotou um estilo de vida incrível! Sai do escritório pra nadar, caminha na praia e se alimenta de coisas saudáveis. Resolveu até voltar a morar com os pais, acredita?" continuou minha colega.

Acredito sim, mais uma vez. Se eu que sou uma ANTA adoraria este estilo de vida, imagina ele que é gênio, némesmo??

pedestal é coisa de burro

"O cara é um gênio, Monga! E você acredita que ele é suuuuuuper humilde?" - revelou a minha colega.

Acredito sim. Se ele não fosse humilde seria qualquer-coisinha, menos gênio.

Genialidade pressupõe ausência total de barreiras entre as pessoas.

o de cima sobe e o de baixo desce

Um grupo de aproximadamente 20 executivos vai esquiar na semana que vem e eu fui convidada pra esta excursão da 'elite corporativa'. Serão dez dias consumindo uma vida de neo-nababos, regada a muito desperdício crônico.

Acontece que eu jamais vou poder ingressar num clube destes, assim tão precioso - e falo sem aquela pontinha de recalque comum aos falidos.

Meu tempo é precioso, limitado, quase rarefeito. Enquanto o povo despenca neve abaixo eu estarei tentando empurrar minha empresa 'neve acima'... rs...

oi tia!

Existem estágios visíveis na construção do vínculo com um cliente.

Depois do período de testes recíprocos a etapa consecutiva é a de trocar assuntos pessoais. Logo adiante, a de trocar números de telefones residenciais.

O último patamar pra onde ascende um executivo de sucesso chama-se MÃE.

(Quando o cliente me apresenta a Santa Senhora Sua Mãe, é porque eu já invadi a sala do bem-estar particular. Sou de c-a-s-a.)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

com dois quilos (de sorrisos e orgulho)

Percebi os melindres da executiva quando a indaguei sobre seus pais. Parecia que eu tava perguntando a cor da sua calcinha - ou uma indelicadeza deste nível.

Lá pelas tantas ela suspirou - "Meus pais são feirantes, e ninguém sabe que aos finais de semana eu vou trabalhar com eles pra poder ficar mais perto..."

Feirantes? Trabalhar com eles? Ninguém sabe?

Que absurdo! (Que ABSURDO em caps lock on, gente!)

Se eu tivesse pais feirantes eu ia era contar pra todo mundo, porque não há numa essência profissional nada mais legítimo do que a nossa história.

mistérios da cacofonia

Ninguém pode reclamar que eu impossibilito a defesa de idéias na minha empresa ou que eu castro a manifestação alheia.

Fui massacradíssima porque duvidei da competência de um provável parceiro de negócios. O que o povo não sabe é que o cara estava me contando sobre seus feitos organizacionais heróicos e comentou sobre uma antiga empresa que criou.

"Monga, a empresa era ótima. Eu afundei em 1975."

Pensei que quem curte uma coisinha afundando é o Di Caprio em Titanic. Naufrágio corporativo não combina com minha bóia de crenças pessoais.

Depois é que me ocorreu que se tratava de uma análise sobre A FUNDAÇÃO da bixa. "A fundei."

sobre calcanhares de aquiles

Somos todos vulneráveis em algum aspecto durante nosso exercício profissional.

Uns mais sensíveis à luz do colega, outros mais preocupados com a chefia, além dos que se preocupam com a política salarial.

Eu tenho vulnerabilidade ultra à piso de ardósia. Pisar numa empresa com um chão desses pra mim é a morte da executiva que aluga meu corpo.

avante com suas asas

O maior desafio dos departamentos de Recursos Humanos além da interlocução funcionário X empresa é fazer com que as pessoas queiram ser melhores.

Eu disse as p-e-s-s-o-a-s. Não os cargos. Não a logística. Não o sistema. Nãs as metas.

Para ser Gestor de Gente tem que ser Promotor de Sonhos.

uma que vale por milhões

Depois de muitos anos como executiva vivi uma situação embaraçosa envolvendo uma funcionária de empresa. A recepcionista falou ao chefe que eu era arrogante e com tendências déspotas. Insistiu em me chamar de 'mandona' - que eu cheguei ditando regras.

Numa escala de avaliação por volume, colocando na estatística o ocorrido, de fato foi a primeira vez e a primeira pessoa que escancarou uma opinião contrária ao que regularmente ouço. Pensei se deveria mudar minha postura - ainda que não concordasse com a moça - mesmo em se tratando de um caso isolado.

Minha dúvida era se uma única pessoa merecia uma mudança inteirinha na minha abordagem.

A resposta? S-I-M. Devo sempre reconsiderar atitudes. E é mais especial fazê-lo por um único indivíduo que reclama do que manter a cagada por uma maioria que se cala.

stop calling

Não basta a gente prestar atenção nos parâmetros de etiqueta corporativa e tentar usar todo arsenal de bons modos da face da terra. Etiqueta ao telefone então, é mais desafiador do que passar o tal camelo pelo buraco da agulha.

Por maior que seja o esforço pra não transgredir as regras da educação certificada, volta e meia vamos ligar numa hora inoportuna. Faz parte.

Comunicação telefônica pressupõe bom timbre, carinho com as palavras, pausas fundamentais e BOLA DE CRISTAL (única forma de evitar uma chamada intrometida no escritório alheio).

se tá na dúvida tem salvação

Uma amiga chorou as mágoas comigo, agorinha, por telefone.

Sentindo-se mal por perceber que o chefe acha que ela é idiota.

Falei pra ela que podia ser pior... ele podia TER CERTEZA ...

Estacio-nada no tempo

Participei de um encontro com Gestores do município, promovido por uma Instituição de Ensino Superior. Na fala de boas-vindas, a Diretora nos brindou com esta brilhante revelação:

"A gente tá aqui pra promover informação, mas ninguém aqui ENSINA NADA."

Pow... não sei porque eu ainda insisto em ir ao açougue pra comprar bife. Na próxima vez vou bater na porta de uma faculdade. (Ambiente educacional que não ensina deve ter "boa" carne cerebral de terceira pra vender...).

você magoou meus sentimentos

Os índices de violência contra as mulheres são alarmantes; a gente bem sabe disso. Temos, inclusive, modalidades específicas, que vão desde um assédio moral a uma desgastante tentativa de abuso sexual no ambiente corporativo.

Nem o sagrado corredor onde está a imaculada placa da ISO 32.025 se livra destas cenas tristes.

Eu, por exemplo, passei por uma situação ontem na qual me senti vítima. Numa reunião onde era a única mulher (declaradamente) em meio a 26 rapazotes, escutei este coice na minha auto-estima:

"Monga, seu cabelo é enrolado porque você dorme com aqueles rolinhos na cabeça?"

Fimdomundo.

falta senso de honestidade

Não sei o que é mais difícil - O Zé Ramalho tentando convencer as pessoas que já foi Garoto de Programa (e que recebia grana por isso) ou o Executivo da empresa concorrente falando que não conhecia meu trabalho.

Páreo duríssimo, goodfellas.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

pois eu vou de lojas Marisa

De uma executiva muito bem vestida e requintada:

"Bom gosto não resolve nada se eu não tiver BOM BOLSO".

Aham.

a carona mais amarga

Adoro clientes arrogantes a agradeço muito a chance de conviver com eles. É uma forma de fazer abdominais na minha capacidade de tolerância - sempre ganho musculatura de paciência extra.

Imagina a cena: o cara praticamente mora dentro da sua BMW e não é capaz de ser 'gente' sem encostar a bunda naquele banco ridiculamente revestido num misto de couro de jacaré com paetês. Professa em todos os cantos a seita dos self-made-men cujo MAIOR feito não é ter chegado ao topo. Não. O lance foi ter bala pra comprar a tal da BMW.

E hoje a jubiraca importada q-u-e-b-r-o-u. E quem o conduziu pra sua reuniãozona? Esta humilde escrava corporativa, num Golzinho todo ralado da empresa, e ao som de Prince.

Melhor um burrico servil do que um puro-sangue empacado.

domingo, 1 de agosto de 2010

o patrão invisível

Falei pra um grupo de executivos de multinacionais variadas que eles trabalham pra um Chefe em comum. Pela cara de estranheza que imediatamente se fez, fui logo explicando:

"Cês trabalham pra um investidor que não tem um pingo de compaixão: o Estresse!"

É ele que comanda a jornada de deterioração dos profissionais e torna as pessoas reféns de si mesmas. Se eu to fora deste grupelho? Não, mas na maior parte do tempo eu mando meu superior imaginário praquele lugar.

capacitando pinóquios

Chefes tem uma maneira sui generis de legitimar (e adorar!) certos equívocos comportamentais quando assim lhes convém.

A mentira é um exemplo emblemático do que to falando. O mesmo patrão que crucifica a maria secretária quando ela justifica seu atraso matando uma avó inexistente é o cara que pede pra esta mesma maria falar pra uma multidão de pessoas na recepção que ele não está na empresa. Que teve uma emergência hospitalar.

E quando ela faz uma cara de indignação ele devolve com um gentilíssimo:

"Se vira!"

Parece que nesta partida de tênis corporativa alguém dá uma raquetada na bolinha e recebe de volta uma granada, bem gorducha.

estupro virtual

Estes programas e sistemas de Gestão que adotamos e que podem ser gerenciados por qualquer pé-de-chipa, de maneira remota, são um abuso consentido!

Treinam pessoas pra elas montarem a sua agenda e você receber a 'doce notificação' do volume de trabalho assim, em pleno domingo.

Sistemas, são, portanto, o novo vudú deste século.

Eu si apavoro!

para Paula SM

Tenho por hábito checar todos os dias quem são meus seguidores, ler seus perfis, ver suas fotinhos e passear por seus blogs. É uma forma de não me encapsular num monólogo chato e tedioso.

Foi assim que esbarrei no blog da Paulinha, e apesar de nunca termos trocado sequer um e-mail, fiquei muito sensibilizada com a história dela , guardadinha e descrita aqui: http://experienciadeumadicto.blogspot.com/.

Praqueles que pensam que a realidade dela é muito distante da nossa, vale refletir o quanto temos nossas caixinhas de adicção na vida.... nos viciamos em não dar bom-dia, em colecionar mágoas, em mentir no trabalho, em postergar as metas pro ano que vem, e a desamar sistematicamente as pessoas que convivem conosco. Bora lá fazer companhia pra ela um tiquinho? :)

novos galhos para velhas raízes

Vez ou outra este blog passa por ajustes para que as coisas não se tornem demasiadamente monótonas aos olhos dos leitores.

Costumo dizer que a vantagem da mudança não tem a ver com o tamanho dela, mas com a intensidade de sensações que ela pode provocar.

Vale pra blogs, pra vida, pra relacionamentos, pra carreiras mofadas e praquela mesa velha que você jura que vai mandar lixar-e-envernizar e nunca o faz....

(Obrigada, Jennynha*! Amo você!)