segunda-feira, 28 de junho de 2010

líderes exercitam a leitura afetiva

Vez ou outra a gente pergunta pra alguém, de assalto (geralmente alguém que fica com cara de débil mental e boca aberta - igual a mim):

"Em que qui ce tá pensandúuuu???"

É a curiosidade universal. A gente sempre quer carona na viagem alheia, nem que seja pra pentelhar.

E se a gente perguntasse mais vezes:

"O que qui ce ta SENTINDO???"

mobílias inúteis

Por ocasião da mudança de endereço do meu escritório pra um lugar mais bacaninha eu decidi me desfazer dos móveis antigos.

Minha irmã então pediu a minha velha mesa - bem velha, de fato. Falou que se a mesa "serviu pra acomodar tanta imbecilidade que eu levava pro trabalho, certamente acomodará um quarto inteiro, em 3 gavetas!!!"

(A percepção que a minha família tem da minha profissão, está diretamente ligada ao grau de conservação dos móveis que herdam).

sintomas da inanição turística

Meu passaporte anda com uma coceira insuportável.

É falta de uma carimbada das boas!

haikai das executivas engavetadas

Coragem eu tenho de sobra.

Só não me sobra muito tempo.

sinceridade não é spray

Quando eu era estudante havia uma menina na minha sala que fedia pra caramba. Dava a impressão de que ela caprichava no desodorante de provolone com enxofre. Ninguém encarava o desafio de pedir pra moça aliviar nossos narizes em sofreguidão.

Numa das empresas em que presto anti-consultoria aconteceu a mesma coisa, porém, com final um pouco mais trágico. O chefe não teve a sensatez de conversar intimamente com a funcionária e a chamou de fedorenta na frente de alguns clientes.

A única graça que eu consigo achar neste episódio é a GRAÇA ALGUMA.

Quando a gente cresce genuinamente, aprende que não pode xingar tudo que fede, caso contrário não poderia viver em sociedade em cidades como Brasília, por exemplo.

o desarmador de bombas

Toda empresa deveria ter em stand by um especialista pra solucionar problemas bélicos.

Aquele indivíduo que é capaz de ir direto no fiozinho que desliga a bomba e não fica especulando com um emaranhado de fios na mão, sabendo que um erro pode levar pros'ares a empresa inteira.

nó na língua

Novelas ditam um modismo desgranhento pra nomes. Perdi as contas de quantas Jades eu tive notícia por conta da novela da Glória Perez e em cada estréia de folhetim eu já penso "lá vem uma manada de Ringobertisson, ou Andrealva Eneida". Ou coisas da Terra dos Estapafúrdios.

Com o comércio acontece a mesma coisa.

Por mímese corporativa a gente vai tropeçando em várias espeluncas batizadas da mesma forma: "Via Som", "Via Carmeiro", "Via Tralalá", "Via Casa da Tia Chica", "Via Botequim".

Via, Via, Via.

Onde já se VIU?

penitentes e patentes

Executiva quando cisma e drogado em abstinência é a mesma coisa - dá uns shake-shake-body incríveis e até eu obter meu objeto de desejo.

Quero uma franquia. De alguma coisa. Nem precisa ser de uma boa coisa.

São tantas as opções e tantas as tolices que envolvem o sistema, que por hora tem sido mais confortável cogitar que tenho mais subsídios pra franquear outras pessoas do que representar suas baboseiras.

Já formulei o valor do meu Mongoyalty.

foi um leão que me ensinou

O meu patrimônio cresce na medida do amor que recebo.

Tenho ficado tão, tão, tão rica...

"27 milhões por mês" (piada interna).

Lily Allen nos leva a pensar

Da canção "22":

She's got an alright job but it's not a career

(Ela tem um bom emprego, mas não é uma carreira).

Quem não sabe a diferença entre emprego e carreira tem que voltar pro Mobral de Metas Pessoais, urgentemente!

normalmente a norma é ser normal

Determinado empresário me indagou "que tipo de EXPERIMENTO ele poderia adotar como forma de animar a equipe".

Eu sugeri que ele EXPERIMENTASSE ser mais educado.

E gente-fina-elegante-e-sincero.

Funciona que é uma beleza!

pior que maldade

Uma de minhas clientes ta surfando num vendaval horrível e na medida do possível eu to tentando ajudar.

O primeiro princípio que rege o resgate de corpos no tsunami empresarial é que o Gestor soterrado permita que nós, consultores, possamos manter-lhes os sinais vitais: fé, coerência e disposição. A pior coisa que pode acontecer a um sobrevivente destes é desacreditar na recuperação e colecionar a idéia de que funcionário é insubstituível.

Quando um empregado saca que vai deixar traumas, ele quebra mais meia-dúzia de louças antes de sair.

Sempre, sempre.

familiares são nossos espelhos

Outro dia meu irmão mais novo, o Samuca*, perguntou seriamente o que eu gostaria de fazer caso eu de fato abandonasse a carreira de executiva.

"Drag Queen!" - respondi.

Ele:

"Ah! Eu não perguntei algo que você quisesse de VERDADE. Pensei que você fosse brincar, dizendo-tipo que você gostaria de ser "professora" ou algo improvável assim..."

nem copa, nem copo

Óbvio que eu estou de fora de todos os bem-bolados que envolvem a Copa do Mundo.

Tenho aproveitado a minha eterna condição de abstêmia pra revestir as folgas com relatórios e exames minuciosos das cagadas corporativas que passam batido pela minha lente.

Enquanto o povo fica gritando 'é goooooool' eu posso gritar '¨%*%#$#$@$@&%$"

saco, saco, saco, qual o nome disso?

Há dias tento ler/interpretar este desânimo que toma conta das minhas manifestações blogueiras.

Ta faltando mais Monga na Executiva.

A Executiva anda tão cheia de crises organizacionais, tão seduzida pela hipótese de virar bordadeira e criar seus filhos (ainda não paridos) na companhia do amor-da-sua-vida, que a empresa e o mundo low profile do trabalho parece uma chatice sem fim.

Quem quiser me ajudar a matar a Executiva (a pauladas) e deixar só a Monga por aqui, não se acanhe.

To precisada. ;)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

ajoelhou tem que rezar

Que eu me lembre, de imediato, nunca conheci um relacionamento em que a pessoa abandonou a casa e pediu pro companheiro (a) dizer que o (a) mandou embora.

Quem sai, sai. Quem fica, fica.

Na empresa o troço podia ser assim, mas não. O povo larga o emprego, desiste, amarela, pede demissão e senta na frente do chefe implorando pra fazer "acerto".

E "acerto" neste caso é formalizar uma demissão na qual o cara saia com o carimbo de chute na bunda. É receber a tal da indenização. "Os meus direitos, sabe?"

Não. Direito é direito - não é proposta indecente.

mentes brilhantes corporation

Eu não poderia me relacionar com alguém menos monga do que eu - em nenhum aspecto.

Assim sendo, não há nada mais genial do que ouvir alguém que você ama falar que tem um celular de gavetinha. Que abre e fecha.

(Explicação super über bacana pra se referir a um celular cujo modelo é slide.)

estudos avançados sobre o futuro do país

Eu escutei por aí que tem estudante de ensino médio, pré-vestipirando que solta umas preciosidades do tipo:

"Curso Superior quer dizer curso de Direito, né?"

Então. Poizé.

Por analogia, o ensino é bem médio mesmo.

cheirando carreirinhas de corações em pó

Quando executivas desaparecem é porque elas estão suspirando pelos cantinhos.

Principalmente quando ganham presentes assim:

Olhar
Encantar
Sentir
Sorrir
Abraçar
Desbravar
Engolir
Amar
Não partir
continuar

segunda-feira, 21 de junho de 2010

1 dividido por 2 é 1000

Por e-mail recebi uma dura crítica:

"Monga, como você pode deixar um investidor explorar uma de suas empresas? Abandonou o barco? O projeto era seu, porra!"

Sim, sim, sim.

Porém, contudo, todavia, entre algumas ocupações, esta pequerrucha empresinha estava criando teias de aranha corporativa. Apareceu um débil mental querendo geri-la, nutri-la e amamentá-la. Então, booooora!

Melhor 20% de 1 milhão, do que 100% de nenhum tostão. Ho ho ho.

comandar é uma excursão solitária

Duvido que exista pessoa mais teimosa do que eu.

Quando tudo insiste em me mostrar que a direção do meu trem pode tirar do trilho outros vagões, que passam alheios a minha pressa, eu continuo a minha viagem porque geralmente me ocupo com a fantasia de um destino.

Já tive tempo de entender isso.

Mas não tenho tempo e disposição pra desligar o motor, ainda que eu encontre uma estação vazia e sem ninguém me esperando - quando e SE eu de fato chegar lá.

só me falta-me o gramur

Li isso na fachada de uma franquia de Cabeleireiros:

"Beleza é a FORÇA da VIDA".

Por isso que eu não consigo carregar nem a sacola do mercadinho.

cri cri cri

Parcerias corporativas são iguais a eletrodomésticos modernosos.

A gente compra a torradeira que vem com led, dispara um apito, te chama de 'querido' e tosta seu pão de acordo com a variação da bolsa de valores. E você claro, usa apenas o bom e velho recurso de preparar seu pão dormido com algum requinte de crocantice.

O mesmo praquela firma com a qual você têm dividido os clientes. Tá rendendo poucos negócios?

Você ta explorando todos os recursos que esta camaradagem institucional pode te oferecer?

Ou só ta requentando os de sempre?

não é easy

Ao contrário da maioria das pessoas eu adoro ser previsível.

Quando esta visão óbvia acerca de mim está relacionada ao pleno conhecimento dos meus valores e crenças pessoais encaro isso como uma sorte.

Melhor ser a eterna faladora de 'nãos' às repulsivas propostas desonestas do que a moderninha sim-sim-sim sem um pingo de vergonha na cara.

bang bang: um tiro no idioma

Hoje eu pensei que tavam rodando algum filméco de faroeste e que não tinham me avisado.

Até cogitei que a empresa onde eu estava havia locado algum espaço pras cenas, porque ouvi alguém gritar:

"Ô Mateus, Ô Mateeeus! Chama o almoXERIFE pra resolver este probleminha."

na garagem da inutilidade

Vejo muita gente se exibindo com as idéias boas que tem como quem exibe a chave do carrão novo.

Sai girando no dedo, sabe?

Mas e daí? Idéia boa repousada na palma da mão é igual carro sem pneus.

Não leva ninguém a lugar algum.

sábado, 19 de junho de 2010

será-amargo

Quem se desplugou das manifestações culturais em geral e não consome iguarias literárias tá pouco se lixando pra morte do Saramago.

Perguntei pra quase todos os meus colegas se eles sabiam quem era, se já tinham lido algum livro, ou se pelo menos tinham assistido ao semi-filme baseado na obra do cara.

N-a-d-i-c-a.

Depois o povo ainda vem com esta lorota de que os meios de comunicação informam, formam e deformam. Coisa nenhuma! Na minha próxima empresa eu aplicarei um quiz cujo percentual de acertos será preponderante na contratação.

Quem confundir James Joyce com Joyce Pascowitch ta fora.

blitz executiva

"Monga, qual a maneira correta de ir trabalhar depois de uma noitada daquelas? Corretivo e muito perfume? Óculos escuros?" Marisol Dutra - por email.


A melhor maneira de ir trabalhar depois de uma noitada é de TÁXI.

Ninguém liga pra cara amassada e bafo de cabo de guarda-chuva, mas se você trincar a lanterna do carro será chamada de barbeira (e bêbada irresponsável).

o peso do peso do peso

Algum transviado inventou esta coisa ridícula de que a compra compulsiva e shoppingzante substitui a terapia.

No meu caso, NADA substitui o bom e velho analista.

(Principalmente quando chegam as faturas).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

momento coruja

Este aí do lado é meu companheiro de trabalho preferido. Faz hora-extra comigo sem reclamar.

E ele nem se importa quando o chamo de animal.

:)

da teoria geral do emprego, do juro e da moeda

"Raras são as pessoas que alteram o seu modo de vida porque a taxa de juros baixou de 5 para 4 por cento, quando a sua renda agregada permanece a mesma." (Keynes)

Raras são as executivas que alteram o seu modo de vida quando os agregados a sua renda permanecem os mesmos.

Fodidaecheiadecontas.

manobra ideal

Uma farmácia da cidade contratou uns 15 manobristas pra ajudar na muvuca de clientes no estacionamento e nas barbeiragens na calçada. Como tenho andado regularmente a pé, me senti desprestigiada ante o investimento da empresa e reclamei mesmo.

Pelo menos que alguém me oriente a caminhar mais pra direita ou pra esquerda.

Ou será que meu dinheiro vale menos aspirinas??

Humpf.

falando em África...

Eu fico muito irritada quando alguém me diz que os negros não sofrem mais discriminação no mercado de trabalho.

Em que planeta isso não acontece? O que eu vejo é o Sr. Preconceito transitando livremente usando um bigodinho de disfarce e um chapéu vagabundo. Mas ele tá lá sim, entre nós, nas empresas, nas instituições de ensino, nas entrevistas de emprego.

Já depus uma vez como testemunha num processo de racismo e deporei sempre que julgar necessário - seja contra empregador, contra colega ou contra minha mãe.

Não tem perdão.

africadicta

Tenho um amor pela África do Sul que é fora do comum e sinto muita saudade do tempo em que morei lá. Um tempo curto mas de vivências tão ricas que me fazem conservar no baú emocional todos os sorrisos possíveis.

Esta Copa do Mundo tá uma droga. Até a mais futeboleira das criaturas como eu, encontra tédio pra assistir as partidas. Não faço questão de reunir galera, de participar de trelelê com funcionários e coisa e tal. Não mesmo.

O que me anima é ficar acompanhando as torcidas, a alegria do povo, a beleza daquela gente incrível, os pequenos documentários sobre a cultura, a religião, os ritmos e as cores.

Deveria existir a Copa da Lindeza e assim sendo, a África seria sempre o país adequado para sediar os 'jogos'.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

carregue na sua pasta também...

... a idéia de que a negação, as vezes, pode ser uma excelente forma de garantir o auto-respeito.

Funcionário que diz amém pra tudo, não serve pra nada.

carregue na sua pasta

Do músico e produtor musical Marco Camargo:

"Aprenda a dizer não. É melhor do que aprender inglês."

par perfeito versão business

Minha empresa está sendo muito procurada num segmento até então nunca explorado pelos meus Psicólogos Organizacionais pimpolhos e lindos.

"Aconselhamento na formação de sociedades".

Povo nos paga pra gente ver se o troço vai dar certo misturando carambolas e rodelas de salame italiano.

Divertidíssimo. É como palpitar no namoro da vizinha e ainda ser pago pra instruí-la a procurar outro pretendente.

serviço de terceiros, moral de primeira - parte 2

A cara que eu fiz foi fantástica e obrigou o cara a perguntar:

"Hey! Precisa fazer esta cara de reprovação?"

Precisa, camarada! Antes dela você consideraria esta indecência comercial uma atitude razoável.

...

serviço de terceiros, moral de primeira

Quando um cliente é meu, eu entendo como sendo meus, igualmente, os problemas dele que eu posso dar conta. Não é cavalheirismo corporativo - é ter senso de oportunidade pra fortalecer o vínculo COMIGO.

Isso inclui ir pessoalmente a outras empresas, de outras áreas, resolver pepinos do cara. Não me custa nada e eu ganho t-u-d-o.

Hoje numa situação dessas, o cara perguntou: "Ah! Jura? Fala a verdade! Cê ta tirando quanto pra fazer isso pelo seu cliente? Ou você vai querer que eu te repasse uma comissão por você ter trazido o trampo pra cá? Pode pôr seu preço!"

Vou pôr sim. Cinco dedos. Uma cara. E o tapa ta feito.

corneta é coisa do capeta

Este povo que fica chorando pelos ouvidos por causa do barulho das vuvuzelas certamente nunca trabalhou com uma equipe de predominância feminina em tempos de Tensão Pré alguma coisa.

Sim. Mulher tem todo tipo de tensão.

Menos nas cordas vocais.

http://crass.on.ru/flash/bbird.html (antiga mas sempre atual)

ouro de tolo

Fiz um teste simples e barato pra provar a um cliente de que a gente compra a cabeça de onde saiu a idéia - e nem sempre a idéia em si. Esta frequente confusão entre produto e marca é bem mais antiga do que colocar um copo de coca e um de pepsi e pedir pra alguém provar, de olhos vendados.

No mundo corporativo, o "refrigerante" que a gente compra também vale mais com o apelo de status embutido.

Espalhei várias propostas de criação gráfica na mesa do cara, produzidas por uma empresa respeitadíssima, e nesse bolo enfiei uma logomarca criada por uma gráfica de fundo de quintal. Ele percebeu? Ha ha ha.

Achou a coisa mais genial do mundo!

cu di quem?

Sempre que posso eu falo dos motivos que me levam a dispensar apresentações espartanas de currículo. Meus olhos se ocupam em demasia com os conteúdos e nas entrevistas.

Seria raso e patético me condicionar as normas de apresentação das informações. As regras as quais me atenho são: ta limpinho? usou pra sentar em cima quando veio no ônibus lotado? ta legível? a escola onde você diz ter estudado existe, de fato? você tem certeza de que está buscando a vaga adequada?

Esta é a análise franca que brota do meu ser.

Acontece que quando o cara pergunta o que é currículo na hora da entrevista já ultrapassa a fronteira do meu liberalismo. Ooops.

aonde você for quero ser sua companhia

Minha leitora Monikinha Bruno* escreveu um mail contando que criou uma comunidade no orkut pra euzinha, eu, o blog, o blog e eu.

A Monga e a Executiva.

Eu não tenho orkut, nem sei como se usa (ou se abusa dele) mas o fato é que meu coração não cabe em si de tanta felicidade!! To me achando a tal!

Já separei meu melhor vestido de prenda, meu chimarrão e minha bandeirola do Grêmio pra comemorar!!!!

(Obrigada, querida!)

domingo, 13 de junho de 2010

C.E.O Quevedo

Impossível ser agnóstica ou atéia em alguns ambientes de trabalho.

Se o telefone toca, toca, toca insistentemente e desesperadamente ao lado de uma pessoa que em tese só precisa esticar o braço pra atender e a pessoa NÃO o faz, não há outra explicação.

Algum espírito obssessor está possuindo o corpo e impedindo que a pessoa trabalhe.

É preciso capacitação e exorcismo.

(As duas coisas, mano).

enquanto o inverno não vem

A cada estação eu coleciono uma mania porque a vida sem manias é como ser criança sem playground.

Ultimamente eu guardo todos os panfletos e cartões de visita que me entregam. Os tablóides de ofertas de supermercado. Os anúncios em papel jornal que entregam no semáforo. Tudinho.

Uma vez por dia eu sento de posse deste vasto arsenal e começo o ritual de patetização publicitária. Leio, rabisco, dou risada, penso, copio idéias e sobretudo descubro preciosidades - como por exemplo, o serviço de tele-chef.

A-doro.

conversas com Peteleco

Jantar com meu pai é sempre motivo de muito orgulho. Ele é inteligente e tem síncopes de virginiano que são impagáveis.

A dinâmica da conversa foi mais ou menos assim:

"E a Dilma, hein? Me passa mais molho barbecue, por favor."

-"Não to muito ligada na política, pai. Contra-filé parece nome que vegetariano coloca pra gente não encarar a carne. Eu vou criar o prato a-favor-do-filé."

"E a copa, hein? Me passa mais creme de milho. Eu vou ao clube as segundas e quartas."

Ou seja, tudo muito lógico, harmonioso e de grande coerência linguística.

investindo em oportunidades

Tenho a impressão de que só três tipos de comércio conseguem prosperar na minha cidade: lojas de colchões, farmácias e petshops.

Uma enxurrada tamanha, que as vezes é preciso concentração máxima pra não confundir os nomes - todos muitos parecidos. A localização dos estabelecimentos também. Se acomodam tal cortiço; um quase em cima do outro.

Desconfio que a grande demanda comercial do momento é sono, doença e pulga.

O resto é frivolidade de mercado.

sábado, 12 de junho de 2010

o maior capital do mundo

Eu nunca me relacionei com bens materiais igual a maioria. Minha educação emocional não me deixou boiar na superfície das coisas. Sempre fui de grandes mergulhos - solitários, mas muito profundos.

Hoje, porém, eu capitalizei um patrimônio tão sólido, que poderia passar o resto da vida me embalando numa rede.

Grana? Imóveis? Carro do ano? Não - e isso já não me interessa nesta fase.

Eu enriqueci de fato, quando encontrei um GRANDE e IRREVOGÁVEL AMOR, que é capaz de me fazer milionária ainda que seja de carteira vazia.

(Feliz dia dos Namorados, amor-da-minha-vida).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

falar a verdade sempre compensa

"Monga, porque você não veio a reunião de hoje de manhã?"

- Porque eu quis dormir até o meio-dia. Tava com enxaqueca e super a fim de molengar.

"Sua piadista incurável! Não aguento suas tiradas de bom humor!"

(Piada? Então tá. Ufa ufa).

adultério organizacional

Depois de muito tempo convivendo com alguém, telefonando pra alguém, dividindo carro com alguém, hospedagem em quartos de hotel por aí afora e dispendendo noites a fio pra montar estratégias ridículas, é natural rolar uma saudade.

Minha ex-Diretora de Finanças, recém desligada da minha empresa me ligou hoje, entristecida:

-"Você poderia me ver hoje? É que eu passo o dia olhando meu celular, porque me habituei com voce me pentelhando o tempo todo, por anos."

Eu fui, mas cheguei avisando que não é pra viciar. Só o que me faltava ter amizade corporativa colorida. Não não.

Saiu do meu time, acabou o amor.

puta falta de sacanagem II

Invariavelmente quando alguém é promovido ou erguido dos escombros corporativos para uma posição melhorzinha, toma como primeiro ato a desmoralização do vizinho.

Ninguém se empenha em corroborar a sua boa imagem (motivo que de vez em quando é ponderado na promoção) ou em mostrar que não veio a este mundo a passeio.

O grande lance é enterrar o companheiro de trabalho. É mostrar uma eficiência incontestável para criticar, caluniar, apontar falhas.

É como se o antigo parceiro de pôquer se transformasse num súbito militante anti-jogos-de-azar.

Repara só.

puta falta de sacanagem

Acabei de propor a uma empresa que leve sua funcionária mais eficiente à condição de GerentA, e ela, ao saber da minha sugestão já quis mostrar merecimento instantâneo.

Veio correndo me contar que observou o péssimo comportamento das meninas da recepção que ficam jogando uma tal de fazendinha (que eu não faço a máxima noção do que seja) que é um nigucim do orkut - calculo que seja uma espécie variada de diversão online que eu não conheço, partindo do princípio que eu nem sabia que ainda existe orkut.

Mas tá.

Eu fiquei muito desapontada com a notícia, com a postura torpe em ambiente de trabalho e com a falta de humanidade em NUNCA terem me convidado pra brincar neste troço.

o camarada

Quando ninguém na empresa comparece pra assumir a autoria (que é o genérico eufemista da "culpa") de determinada ação (que é o genérico eufemista da "cagada") pode atribuir a responsa, sem medo, no Gaspar.

Ele, o fantasma em pessoa, deve ser o dono do equívoco.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

daqui a pouco vou executivar em Malhação

Hoje um grupo de funcionários de determinada empresa não parava de perguntar onde eu comprei minha calça de estrétchi.

Uma calça rosa-pink-porque-a-vida-quis-assim, bem escandalosa.

Tudo certo até aí, se não fosse pelo fato do povo ficar me comparando com os musiquinhos da banda Cine, Hori e similares. Aqueles moleques que passaram de emo faz tempo e já são uma coisa meio picolé de uva com glitter.

Mereço.

pode ser QUE

Avaliando a possibilidade de encerrar as atividades blogueiras.

Se não for uma crise de gases por conta do MacLanche Feliz, é porque de fato eu já falei tudo.

Aguardemos as próximas cenas da tia Monguita.

então era isso

Pra institucionalizar as desculpas esfarrapadas pelo atraso dos projetos, criei um cartão lindo, com uma foto bárbara e a seguinte frase:

"I wish...

...I could finish all the things I started".

Vamu torcê pra funcioná.

terça-feira, 8 de junho de 2010

uma palavra mata mais do que um montão de atos

A cada dia me convenço de que as palavras tem um poder esmagador sobre mim.

Não sei identificar como tudo começou, o certo é que um par de palavras tem muito mais efeito sobre mim do que um bilhão de atitudes.

(Não basta ser executiva, tem que contrariar as regras).

as estéreis não conhecem estes benefícios

Encontrei o filho de uma amiga no supermercado e me assustei com o tamanho do menino, que até então, conhecera com 4 ou 5 anos e hoje já é um pré-projeto-de-emo(rróida). Estava com o pai, um senhor de quase 70 anos, que mal dava conta de acompanhar o passo do guri.

Foi então que me dei conta, avaliando a posição econômica e social da miguxa, que ela levou a sério investir no que ela chamava de mercado de bons partidos.

Aplicação de 9 meses, resgate garantido - e se a bolsa "quebrar" abruptamente é só correr pra maternidade.

Se eu fosse depender deste tipo de investimento morreria vendendo Avon de porta em porta.

ferrugem

Eu quero todas as coisas pra ontem.

Isso não é ser exigente - é adiantar serviço pra eu poder dormir hoje.

Porque HOJE é sempre o dia em que tenho muito sono. Impressionante.

daqui a pouco passa

Chefia é lugar dos solitários. Dos insulados, dos distantes pela separação hierárquica e pela anti-democratização do verbo. É estar longe do refeitório onde todo mundo siacaba de rir na hora do almoço porque se tem uma porra de relatório pra finalizar.

Ser chefe é um saco. É um constante exercício de grandes encenações e final de espetáculo com camarim vazio.

Quase ninguém vê o quão ingrata é a posição de líder - afinal, nossos olhos são estimulados pelo imã da cifra e da vaidade, mas, quando a ribalta corporativa fecha as cortinas, sobra pra um (a) chefe o caminho do anonimato.

Daqui pra frente se alguém me perguntar "o que faço para me tornar chefe?", eu direi:

"Assim que eu te disser, faça o contrário, por favor?"

o que é meu tem diferencial

Não aguento mais ver as minhas amigas executivas se contorcendo em cólicas até adquirir um par de calçados da marca Louboutin.

A minha marca preferida, continua sendo "la botan - le galochê da Monga desencanada".

Modelos na faixa dos 9,90 em qualquer loja de turco.

um salve pra indústria farmacêutica!!

Se eu sofresse de fibromialgia e tivesse que tomar uma medicação chamada Lyrica, grande parte das minhas dores desapareceriam.

(Pelos menos as minhas dores literárias, porque com este nome, há poesia na doença ...)

domingo, 6 de junho de 2010

poliana executiva

Boa semana pra você e pra mim.

Que os Deuses Corporativos resolvam fazer greve das tempestades e sejam generosos com raios de sol iluminadores da auto-estima e da produtividade.

(Como se vê, ainda estou apaixonada e lendo livros de auto-ajuda quando vou ao banheiro).

quero muito

To muito enjoada do meu cartão de visitas. Cartão de negócios. Cartão geral. Cartão de apresentação.

Queria uma coisa tipo a latinha da Escól, que a gente abre e o troço fala.

Até pensei em fazer uma mensagem assim:

"Deus abençoe você e a sua família e abençoe este cheque nominal que você fará para me ver sempre sorrindo." (e por fim, um monte de sininhos tocando).

mas ué

Se não sobra tempo pra fazer caridade, queridice, carinhice e cuidadice pelas pessoas em horários alternativos, o faça no seu trabalho mesmo.

Não tem nadinha que você possa fazer no escritório que torne o dia de alguém mais feliz?

Deve ter. Sempre tem.

a mim não cabe cinismo

Um empresário que conheço caiu no conto do bilhete premiado e saiu chorando as pitangas pros amigos nas rodas de café executivo.

Eu fui a única que espinafrou o cara.

As pessoas que caem nestas vigarices são aquelas que desejam golpear primeiro. Alguém que aceita trocar um bilhete que vale (supostamente) 10 milhões por qualquer 10 mil reais, é essencialmente um picareta de terno e gravata que almeja igualmente se dar bem às custas do "matuto".

Nunca vou ter dó. Eu acho lindo o tombo e miacabo de rir.

escândalo!

O grande momento da minha semana que passou foi a série de entrevistas que cometi pra uma vaga de Secretária Executiva de Luxo Sênior e com Neon Para Todas as Horas*.

(*Era mais ou menos esse o cargo, em termos de futilidade e excesso de jornada).

Quase todas as candidatas se mostraram regulares. Monocromáticas. Um nude comportamental. Mais ou menos como entrevistar um caminhão de melancias, mas uma delas, me valeu a manhã. Chegou de chinelos, unhas do pé num tom de vermelho abortation, mascando chicletes, NÃO levou um currículo e me contou que antes de ser formada em Secretariado Executivo era panfleteira de semáforo e sentia muita saudade da função.

Me senti praticamente a rainha da sem gracice. A mais desprezível das caretóides. Logo eu!

executiva mara mara maravilha

Certa vez viajava de avião dos EUA pro Canadá e do meu lado uma moça simpaticona tentava puxar assunto - e depois de muita insistência, eu murmurei alguns grunhidos em idioma esquisito. Mas se deu a comunicação enfim.

Ela era uma cantora bem conhecida no seu país e eu, obviamente, cometi a gafe clássica "famosa queimmmmmm?"

Outro dia deu-se o inverso. Minha mãe sabendo que sou fã da Mara Maravilha, e que danço curumim iê iê constantemente na minha casa, não avisou que ela estava fazendo compras no mesmo shopping onde estávamos. Perdi a chance de ouro de tietar a minha ídala juvenil. E eu faria aquele bafãoooo, ófi córsi.

Imperdoável. As mães sempre acham que nossos ídolos ficam plantados na infância. Que absurdo!

depressão é coisa do passado

Minha amiga Sandrinha, psicóloga, confidenciou que quando seus pacientes reclamam que ninguém os procura, que o celular não recebe nenhum sms, ela tem vontade de mandar a pessoa abrir uma conta de e-mail no gmail.

Rola esta confirmação por torpedo, o que eu acho ridículo, por sinal. Pode ser seguro, mas é ridículo.

Pois se eu fosse terapeuta de rejeitados, eu não ficaria só na vontade. Eu super falaria, porque um bom profissional é aquele que tem sugestões criativas para problemas cruéis.

Eu chamo isso de "poder de engraçamento da bosta que a vida é".

"I couldn't control myself"

To viciada na Duffy.

"Stepping Stone" é a música que eu cantarolo pelos corredores, pulando igual canguru apaixonado.

Tem um super efeito motivacional na minha rotina. Recomendo.

de volta

Eu sumi do blog por uns dias. Isso está se tornando um hábito deprimente.

Me desculpem, amiguinhos.

Acontece que todo trabalho do mundo resolveu encostar a bunda na minha sala. A demisssão de uma das Diretoras da minha empresa. A necessidade de um processo seletivo urgente pra minha agência. O terremoto que assolou o site institucional de um de meus negócios. E minha unha pintada de cor escandalosa-porque-a-manicura-se-aproveitou-do-meu-daltonismo.

Ou seja, tudo dentro da mais absoluta normalidade.

Respirei, fiz carão, voltei. Bora.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

este samba é só meu

Sinto muita saudade do tempo em que o encapsulamento da informação não detonava a nossa impressão acerca das pessoas.

Hoje a gente corre ali no google. No orkut. No diabo que os pariu, no twitter, no feicibúqui e no escambáu e acha que sabe tudo do serumano. Que pode inclusive detectar alguma fraude comportamental a ponto de não lhe dar uma vaga de emprego. Como se o rótulo fosse a garantia suprema da (má) qualidade do produto.

To no exército de uma mulher só: continuo achando que a melhor forma de saber sobre pessoas é permitindo que o convívio se dê nesta vida real, onde a gente não tem uma tecla eficiente que nos permita ser quem não é.

Brasillllllllllllllllllllllllllllllllll

Eu sofro de tensão pré-copa.

Alguns meses antes eu entro em estado de letargia futebolística e não consigo pensar em outra coisa, a não ser promover bolões, imprimir tabelinhas das partidas e ajudar os meus clientes a capitalizar alguma coisa com os jogos - nem que seja oferecer camisetas de brinde, daquelas lavou-já-era.

outras cifras

Quase todo mundo concentra seu critério de análise pra contratar pessoas no item mais popular - que é saber se a pessoa tem ímpetos de ladroagem ou subtração compulsiva (que são nomes alternativos para r-o-u-b-o).

Parece que o mais importante na vida é manter as mãos limpas. E de fato é.

Com o passar dos anos, porém, eu passei a entender esta subtração de outra forma. Não que eu não me preocupe se o cara vai deixar um rombo nas contas ou burlar o relatório de faturamento... me angustia igualmente quando um colega ou colaborador da minha empresa me empobrece emocionalmente, quando me trapaceia no afeto, quando me tira a chance de sorrir ou quando ROUBA minha alegria.

Isto sim, exige muito mais esforço de recuperação do que meia-dúzia-de-tostões.

coisas que o sistema enfia na nossa cabeça

A gente sabe a força que a insanidade corporativa adquire nas nossas vidas quando dormir até mais tarde, num lindo feriado, representa uma delinquência anti-produtividade.

Nestas horas eu penso com muita fé nas palavras da minha sábia amiga Teka*, executiva da Microsoft:

"Quando eu acordo com muita vontade de trabalhar, eu viro pro lado e espero a vontade ir embora."

Amém, irmã.

terça-feira, 1 de junho de 2010

$#$%$¨&$%%##!@!

Ando desinspirada.

É um mix de desespero de agenda com falta de inspiração pros posts.

acho melhor você perguntar pro Pinóquio

Fui pega de surpresa pelo cliente mais horroroso que Deus já "ponhou" no meu caminho (em todos os sentidos; da calça de linho à falta de modos).

O cara me pergunta:

- "Monga! Fala de verdade o que você pensa a meu respeito, vai!"

Eu:

-"PÔ! Não posso mentir nem um tiquinho?"

pam com ovo

Tem um troço irritante na minha cidade: os Postos de Atendimento Médico, chamados carinhosamente de 'pam's'.

Como uma espécie de condomínio em Saúde, estes lugares concentram algumas das especialidades mais procuradas e faturam muito alto com o desespero de usuários irritados com seus respectivos planos de saúde ou desistentes dos postos públicos.

O atendimento, porém, é um lixo. Muito abaixo do básico. Impressiona a falta do senso que distingue humanos das antas e rinocerontes; e falo de recepcionistas e médicos. Mesmo se tratando de uma opção particular não apresenta nenhum atrativo que justifique as altas cifras.

O paciente tem duas opções - morrer de infarto ou de raiva.

porque executivas são mulheres e falam merda

Eu e amigas executivas chegamos a conclusão de que super namoraríamos o Justin Bieber.

(Se tivéssemos 12 anos e regularmente deixássemos de tomar nosso Gardenal).