segunda-feira, 31 de maio de 2010

executiva e Michaelis

Sempre soube que eu era pentelha, inconveniente e chata.

Só não sabia que eu era tradutora de alemão nas horas vagas.

(Porque a cliente simplesmente me notificou que vai me mandar vários artigos do seu Doutorado pra que eu faça a tradução).

Aham.

amizade é a variante monocromática do amor

Não é novidade pra ninguém o fato de que minha empresa tem no seu corpo funcional meus grandes e melhores amigos.

Alguns de infância, como a Isabel*, que cuida das coisas em Porto Alegre, outros mais recentes e não menos enraizados... E quando um destes amigos vai bater asas noutro quintal, é preciso viver um luto. É preciso ter grandeza de espírito o suficiente pra desejar sucesso na outra estrada, mesmo que seja na concorrente.

A amizade fica. Mas a saudade ainda vai dar expediente com hora-extra por muito tempo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

magoada e bicuda

As relações corporativas em geral, especialmente as que envolvem comércio, são quase uma amostra grátis das relações pessoais.

Uma vez conquistada a pessoa que é objeto de desejo, o descaso toma conta da história. É como se o conforto emocional servisse de colchão pra adormecer a displicência.

Deixarei de frequentar minha padaria preferida porque o atendimento de hoje foi na contramão do aceitável.

E sim, acho que clientes antigos, fiéis e incorporados aos móveis e utensílios devem ser tratados com reverência patrimonial. Bodas de Prata é muito mais difícil de conquistar do que uma lua-de-mel.

era apenas pra chamar toda a fauna

Eu vou dar um tempo de falar jargões e ditados populares nas empresas onde o Gestor tenha o cérebro anão.

Outro dia o cara me perguntou qual o critério que deveria adotar para convidar pessoas ao coquetel de inauguração de sua nova filial e eu respondi "Ah, chama Raimundo e todo mundo".

A secretária dele me mandou um e-mail pedindo desculpas por não ter localizado o Raimundo e querendo saber a gravidade desta falta. To pensando como responder.

(To pensando mesmo).

eusifaçodetonta

A coisa ta bem complicada nos últimos dias.

Minha postura, minhas roupas, minha algazarra executiva deixam a estúpida impressão de que meus valores cabem em pacotes de figurinhas da Copa do Mundo.

Eu posso até ter cara de quem corta farinha com facão, mas sou inteligente - as vezes. E é bem difícil alguém me levar no bico por mais de meia-hora.

antes de apagar a luz

Na minha cidade as empresas de serviços funerários, chamadas ridiculamente de "Pax", são a prova cabal de que a morte não nos livra da precariedade e do ridículo.

Assim que formalizei meu vale-funeral (porque não quero ser enterrada em vala de indigente) fui indagada sobre os adicionais que gostaria de contratar pra cerimônia. Uma coisa bem à la carte mesmo. Dentre as opções: corneteiros, serviços de buffet, bandeiras de times de futebol, leitura de sermões do Padre Antônio Vieira e até trilha musical exclusiva.

Fiquei super em dúvida. Decidi fazer uma pesquisa informal com meus parentes e amigos.

Quase todos mentiram que a minha perda seria um impedimento pra se desfrutar de qualquer coisa. Neste caso, estou propensa a incluir cerveja quente, música do Amado Batista e churrasquinho grego. O prazer de rir eu não perco, nem morta...

linha 2

Deve ter um novo tipo de celular no mercado que a minha ignorância ainda não permitiu conhecer - ou talvez a minha falta de grana.

Hoje no café da manhã escutei dois executivos falando nas maravilhas do Black "Merry" e no cuidado extremo que o aparelho exige para que não seja furtado.

Sábia é a executiva como eu que compra um celular de 50 reais. O máximo que ele desperta nas pessoas quando o enxergam sobre a mesa é a impressão de que se trata de um aparelho de brinquedo, comprado na Feira de Importados (c-a-m-e-l-ó-d-r-o-m-o).

:P

novos nomes para velhas mancadas

Tá certo que a política salarial adotada pelas empresas nem sempre estimula uma intensa participação intelectual das equipes, ou a gestão caduca não permite que as pessoas opinem e muito menos criem mecanismos diferentes pra trabalhar, mas, tem um tipinho específico de prossional que eu abomino.

É o "participassivo". Critica, critica, reclama, reclama, mas não levanta um milímetro do traseiro pra mudar as coisas.

Triste.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

e eu aqui cheia de roupa pra passar...

Faz uns dias que tenho sido alvo de uma série de e-mails agressivos, que tentam plantar um monte de minhocas na minha cabeça. E cabeça de mulher dá um minhocário facilmente - motivo pelo qual eu não posso fugir à regra.

Num primeiro momento eu fiquei muito brava. Depois fiquei muito triste, quase deprimida.

Agora, já refeita, eu analiso a situação e me dou conta que o desemprego é uma bosta, mesmo.

(Sim, porque só desempregado-desocupado-desamparado pode ter tempo excedente pra encher o saco de uma executiva fodida igual a mim).

eu tenho preguiça de crescer

Quando alguém me fala, em tom de advertência, que eu já sou "uma mulher feita" - talvez para podar meus manifestos infantis - eu me pego pensando:

Feita de quê?

Feita por quem?

E na ausência das respostas, eu me garanto com o que tenho; com a chance rara de me a-d-o-r-a-r assim mesmo... inacabada, imprecisa e incoerente.

"Como a Senhora quiser, Monga!"

Depois de muitos cafés e chocolates quentes, descobri que um mocinho prestador de serviços da minha espelunca corporativa, é um desertor do serviço militar.

Simplesmente deu um chapéu, na bandeira, no brasão, nas armas, insígnias e insignificâncias. O guri é um foguete de 7 de setembro.

Eu to nem aí não. Se ele não vai tirar título de eleitor, se vai viver se escondendo do meu pai (que é um eterno milico mesmo quando ta jogando xadrez na praça) ou se vai chorar cada vez que ouvir o Hino Nacional.

Só quero que ele preste continência cada vez que cruzar comigo pelos corredores.

Exigência pra não perder a chance de tirar sarro.

entre ervas daninhas sempre brota uma margarida

Num breve passeio pelas ruas da cidade comecei a observar minha contribuição em diversos elementos visuais. Idéias que sairam do meu sanitário mental e desembocaram num áutidór ali, uma placa na fachada acolá, slogan na empresa tal, criação da marca logo adiante...

Hoje estréia um comercial de televisão que foi todo concebido por mim, e graças às mãos preciosas de publicitários, ganhou vida.

Não se trata de uma crise súbita de egocentrismo inflável.

É só uma forma de acreditar que alguma coisa fica, mesmo quando a gente se esgota, se esvai, desaparece...

inversamente proporcional

Na métrica corporativa as coisas funcionam mais ou menos desta maneira...

Quando a gente está debruçada no descuido, o cliente vem e passa um sermão babilônico. Reclama, exige e pega todos os nossos deslizes pra atiçar a nossa vergonha.

Quando a gente passa o final de semana estudando como rebater a cada crítica milimétrica, o cliente acha tudo florido e irresistivelmente perfeito.

Tá.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

legal é continuar agradando

"Monga, eu acompanho seu blog há bastante tempo e agora resolvi te pedir um conselho. Como faço pra causar uma primeira boa impressão em reuniões ou contatos corporativos?" Ceres - SP por e-mail

Querida... obrigada por escrever. Eu costumo falar por aí que a primeira impressão é a que dani-fica! hehe... portanto, eu procuro manter o foco na continuidade da relação que estabeleço através de um primeiro encontro.

O maior desafio não consiste em agradar na chegada. Pra isto o mínimo de tino resolve. A maravilha é quando a gente consegue MANTER uma impressão legal depois de encontros variados: com tpm, com dor nas costas, com irritação extrema e sem tesão algum.

fi-lo porque qui-lo

Minha amiga querida Samantha de Lamare*, que é definitivamente a melhor executiva que conheço, escreveu um e-mail preocupado pois leu num dos posts que eu havia chorado muito.

E indagou o motivo de tanto chororô - afinal de contas, minha vida tem estado bacana-feliz-e-cheia-de-cores.

A pergunta da Samyta me fez pensar. Eu não sei ao certo por quais motivos especificamente eu choro, pois me parece um desaforo com os sentimentos querer sufocá-los com rótulos e nomes pouco úteis.

Então eu choro porque choro. E isso faz um bem danado.

domingo, 23 de maio de 2010

bom atendimento e bactericida

Tiro meu chapéu pra vendedores criativos e sinceros. Comprando um celular, decidindo entre uma marca e outra, indaguei à mocinha que me atendia se aquele um-lá era bacana. Ela:

-"Pega o meu que é igualzinho! Dá uma vasculhada, manuseia à vontade, tá?"

Eu fiquei me sentindo super íntima. Sorrindo pela gentileza da pessoa e pelo desprendimento em repousar na minha mão - literalmente - as suas intimidades telefônicas. Eis que ela larga essa:

-"Este celular é tão bom que hoje mesmo caiu no vaso sanitário e ta aí na sua mão funcionando! Mas eu passei álcool, viu?"

(...)

mitos nauseantes

Eu queria encontrar o sujeito que um dia pregou a maior e mais grave mentira corporativa: "o cliente sempre tem razão".

Não. O cliente tem razão nas vezes em que ele TEM razão. Muito mais do que promover o culto às lendas estúpidas, esta máxima acaba dando ferramentas pra chefes desumanos; supervisores, gerentes, papas e semi-deuses que adoram induzir a equipe a uma subserviência doentia.

Se um cliente é grosseiro ou exagera na conduta arrogante ele não pode ser merecedor de bajulação (e é justamente isso que fomos obrigados a crer em muitos anos de mercado) e muito menos de que lhe ofereçam "a outra face".

Neste tipo de altruísmo o último especialista morreu pregado numa cruz.

da série: oráculos

Segundas-feiras são excelentes motivos pra gente contrair uma doencinha súbita.

Vale qualquer coisa. Diarréia, febre, dor no corpo ou unha quebrada.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

parceira verde e lenta

Amanhã eu vou dar uma palestra na empresa de uma cliente e esta cliente tem uma tartaruga de estimação, a "Donatella". Minha condição pra ir lá encher linguiça corporativa foi que ela levasse o bichinho ao evento.

Como eu tenho dificuldade de pausar minha fala, depois que engato a primeira marcha, decidi fazer assim: largo a Donatella no fundão da sala. Quando ela me alcançar, ta na hora de encerrar o bla bla bla.

pra facilitar

Hoje eu chorei muito. Muito mesmo. De inchar a cara - e eu tinha uma reunião importante, com pessoas que conheço há pouco tempo.

Pensa só que impressão chata ficar de óculos escuros, né?

Pois eu tirei os óculos e falei "chorei muito, estou com a cara inchada, porque eu choro, sabe? e eu adoro ser farofeira emocional. O que vem da emoção, eu bebo até a última gota."

(O pessoal adorou minha sinceridade).

e o desafio está lançado

Você que está brigada com o marido, você que está de saco cheio da tosse da sua esposa fumante e está aqui me fazendo companhia, bora neste desafio:

Pergunte pros seus colegas, os mais ou menos chegados, qual era o sonho profissional deles quando crianças (vai ouvir muitas coisas!). Provavelmente sua colega mais cabisbaixa vai contar que queria ser dançarina de pole dancing. E o colega mais maluco, vai contar que queria ser padre.

E vá além! Pergunte pra sua galera, individualmente, quem toca algum instrumento, quem fala idiomas, quem é judeu, protestante, quem entende linguagem de sinais e quem cria cachorros.

Conhecer pessoas é a única maneira de entender de administração e negócios. O resto é futilidade empresarial.

senhoras e senhores

Muitas coisas me deixam triste, mas o que aniquila minha imunidade psicológica é ver alguém desejando muito estudar e não poder bancar uma boa instuição.

Minha avó foi uma espécie de mecenas, de patrocinadora de artistas, e isso sempre despertou minha admiração. Eu a via comprando tintas, telas, instrumentos musicais, auxiliando dezenas de talentos que não dispunham de grana pra tal.

A forma que encontrei de aliar finalmente a minha humilde contribuição à necessidade de muitas pessoas foi promover a arte e a educação através da minha mínima influência corporativa.

É nisso que vocês me "verão" a partir de segunda-feira. Levando arte pras sombras organizacionais.

auto-avaliação em sachês

Aqui vai uma forma de avaliar sua satisfação na carreira... Ao invés de se perguntar o 'que você faria se só te restasse esse dia' (e notar que o último lugar que você gostaria de passar seus últimos suspiros é no escritório, com certeza), pergunte a si mesmo o que você faria 'se fosse eterno'.

Aí sim você vai entender a agonia ou a glória inenarrável de manter-se igual Highlander na mesma ocupação profissional.

É batata.

é pela bunda que se avalia o empresário

Uma empresa até pode se gabar da suntuosidade de suas instalações e de seu grande charme burguês-corporativo, mas só há uma forma de avaliar se o povo come de fato o caviar que arrota:

é vasculhando o naipe do papel higiênico dos banheiros. Da recepção aos diretores.

Posar de empresário magnata e colocar papel modelo lixa número 5 não dá.

Vai contra qualquer investimento em marketing.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

porque só os seresumanus me interessam

Desde que eu me curei de uma otite grave eu passei a ouvir melhor aos chamados.

Sabe quais chamados eu to falando? Os que incluem disponibilizar um tempo ainda maior pra estar COM pessoas, fazer algo POR pessoas e ACOLHER pessoas.

Já trabalho com vagas, com treinamento, com capacitação, com planejamento de carreiras, mas isso é muito insignificante.

Sugestões?

se minha mãe te pega ce ta lascada

Intimidade com secretária de alto executivo é uma bosta.

Em dois meses de convivência a mulher me chamou de cachaceira (e eu nunca bebi) e de pegadora (e eu sou casada). Melhor nem prever o que os próximos períodos me reservam.

PQP.

abaixo a discriminação por gênero

To botando pilha pra que os homens que eu conheço comecem um movimento de queimar cuecas em praça pública.

Me apavora perceber que na minha empresa de Gestão de Talentos, 99% dos empregadores vem com blablablóvski de que a vaga tem que ser preenchida por mulher.

Quêqueissomeupovo. Não mesmo. Eu pensava que a gente lutava pela tal da imbecilíssima igualdade. Não tava previsto que a gente ia dominar nada.

na clínica veterinária

Fui levar meu cão pra uma faxina e li isto:

"Consulta na Clínica - R$ 150,00

Consulta em Domicílio - R$ 200,00

Só uma olhadinha - R$ 1200,00"

Adorei! Vou adotar nas minhas consultorias, incluindo como item "só uma espiada na empresa: R$ 7.300,00".

desta vez eu comandei o barraco

A falta de pontualidade merece uma punição que vai além do sermão corriqueiro. É preciso que a gente dê dimensão aos efeitos desta baixaria cronológica.

Uma de minhas galerinhas treinandas de determinada empresa tem um exemplar de atrasada crônica. De começo era algo pouco frequente, depois se tornou a oração do dia. Não tive outra forma de pontuar esta falha a não ser esperá-la, propositadamente, num dia de avaliação. Repetidamente, a cada 2 minutos, eu lembrava aos colegas "não posso promover a avaliação sem a presença de t-o-d-o-s". Pus a falta de coleguismo e consideração sob a lupa de todo mundo.

Os colegas aflitos. Bravos. Irritados. Ansiosos. E eu, com cara de noiva no altar.

Quando ela chegou, distante da auto-crítica, teve que cruzar uma sala inteira em meio à embaraçosos comentários. Sentou-se bastante envergonhada. Não acho que ela vá repetir a dose.

igual tirar pirulito de criança

A única das clientes que lê meu blog perguntou como ela poderia fazer com que o blog da sua empresa tivesse "quase mil seguidores" como este trocinho aqui.

Ora veja! Muito fácil - eu disse.

"Basta que você fale um monte de obviedades de forma engraçada para garantir-lhes o aspecto de inteligência."

ainda sobre futebol

Algo dentro de mim, além do pastel do mercadão, me leva a crer que a carreira do Neymar, do Santos, será muito efêmera.

Me pego detectando uma série de probleminhas de ordem comportamental neste garoto, e como todo gênio, ele está surfando sobre as cabeças, como quem crê que assim será eternamente.

Tomara que eu esteja enganada, mas rola uma confusão entre alegria em jogar bola e zoação no gramado. É mais ou menos o que acontece comigo: vez ou outra eu misturo entusiasmo profissional com excesso de bagunça e deboche coletivo.

não era pra ser proibido

O bom do futebol e de qualquer esporte é que são atividades cujos conteúdos metafóricos se aplicam em muitas situações profissionais. De qualquer área - aliás.

Tava pensando sobre as mudanças nas regras e a tal da "paradinha" que os jogadores dão antes de cutucar a bola com o bico da chuteira. Em tese, pelas palavras dos especialistas em frangos e incompetências goleirísticas, é um ABSURDO.

Eu já acho que é um grande suspiro corporal. É um break em que se faz a previsão do ângulo, da intensidade do chute e se pode focar na defesa. Uma forma legítima de malandragem-da-sobrevivência-no-jogo.

Pensa se algum dia você também já não fez o goleiro das suas oportunidades crer que você mandaria a carreira pro alambrado e cê marcou um belo de um gol... Hein? Eu já.

para o que der e vier (e para o que vier e der)

Ontem eu passei por duas fases emocionais que me impediram de vir atualizar nossa roda de chimarrão corporativo.

A primeira fase foi a da tensão pré-jogo-do-Grêmio.

A segunda fase foi o cabeção inchado pós-derrota-pro-Santos.

A mim pouco importa o trelelé organizacional quando meu tricolor ta na área. Se bobear, o cliente liga pra confirmar a reunião e eu mando um "atéééé a péééé nós iremuuuuuus".

terça-feira, 18 de maio de 2010

holly holly holly

Pela falta da Santíssima Trindade corporativa comete-se o maior pecado que existe nas relações em equipe, que é a distância do senso de humanidade.

"Por favor", "Com licença" e "Muito obrigada" é o mais sagrado conjunto de itens que podem habitar o altar da sensibilidade entre seres humanos. Não custa, é incolor, combina com qualquer roupa e permite que doutores e analfabetos ocupem a mesma mesa emocional.

igual a um filme mudo: só imagem

Não tem como evitar os pensamentos sobre a superfície das coisas e as relações com os bens de consumo.

Como a gente se desgasta (e gasta) pra ostentar a matéria como emblema de conquistas, de poder, de prestígio... Pois eu ando dispensando a embalagem das coisas, em todos os sentidos.

Os melhores caminhos da minha vida eu fiz a pé. Juro!

E você?

ainda sensualizando no fusca

Paramos numa loja de auto peças pra comprar a rebimboca da parafuseta do outro carro da minha amiga.

Neste intervalo a alça da sua bolsa rasgou. Pensei rapidamente:

"Descendo de um fusca, contando moedas e com a alça da bolsa zoada! Que belo exemplo de profissional de sucesso!"

Ha ha ha ha ha.

sensualizando no fuscão

Nada melhor do que a companhia da minha Diretora de Finanças pra aventuras organizacionais em plena capital sul-mato-grossense.

Nos dez anos em que nos conhecemos e temos convivido é sempre a mesma tática: quando as coisas estão muito miseráveis em termos motivacionais ela tira seu fusca 1911 da garagem e seguimos loucas-e-sem-chapéu pelas vias agitadas do centro.

O mundo executivo é tão ridículo que desfilar num fusca acaba sendo mesmo O evento. Hoje rimos muito ao imaginar o que nossos clientes proprietários de carrões importados pensariam/falariam ao vislumbrarem nossas belezas raras dentro de um besourinho azul.

Rachei!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

agradeço, antecipadamente

Na outra vez eu não fiz campanha porque eu sou preguiçosa, mas agora, você, meu-amigo-de-fé-meu-irmão-leitor, vote aí do lado pra eu ganhar o prêmio.

Nem custa nada. Leva o mesmo tempo que você perde tirando meleca do nariz enquanto seu chefe ta de bla-bla-bla com a recepcionista.

Pode testar.

o charme das cabeças branquinhas

Decidi hoje que vou contratar pelo menos uns dois idosos pra trabalhar comigo. Bem idosos mesmo. Passados dos 70 anos - inclusive.

Minha contribuição será às avessas: sou eu que preciso de acompanhantes, e de preferência que possam me dar sábios conselhos sobre a vida.

"unforgettable" é meu sobrenome

Estava no supermercado quando um mocinho me abordou:

"Monga, você lembra de mim?"

Eu não lembrava, mas as escolas suiças ensinam todos os truques pra gente fingir que tem bons modos e eu devolvi um cordial "esqueci-seu-nome-mas-sei-que-nos-conhecemos." Ele participou duma capacitação pra quase 100 pessoas, que promovi há 6 anos e depois disso acabou se desligando da empresa e saindo da cidade. Me contou que jamais esqueceu determinadas coisas que falei e que era muito grato por isso. Me abraçou e deu um sorriso kilométrico.

As vezes eu fico socando as paredes da minha existência e esqueço que tem um montão de quadros pendurados, e todos, muito bonitos. Este é o prazer da minha profissão.

carroça cheia de melancia não é legal

Insisto muito pra que meus treinandos prestem atenção em quais aspectos eles podem ser diferentes, especiais, únicos.

Partindo do princípio de que todo ser humano, por essência, já é uma obra exclusiva, não é preciso muito esforço pra potencializar nossos dotes. Talvez o trabalho mais delicado consista em descobrir quais dotes são esses, e não somente lapidá-los. Uma dica que sempre passo adiante é "dedique um tempo pra descobrir como as pessoas te enxergam". Não importa se as análises contrariam a auto-imagem. Não importa se as avaliações externas te irritam. Misture tudo, coe, e beba.

Ser diferente também é estar um milímetro adiante. Um passo a frente. Nem que seja por um beiço de pulga; mas certamente um tiquinho além.

passa a fita que nóis ingere

Ouvi dizer que pintou aí uma relação científica entre o consumo de agrotóxicos contidos nos alimentos com o transtorno de hiperatividade em crianças. Foi feita uma pesquisa e desta forma detectaram que em todos os xixizinhos analisados, as criancinhas elétricas tinham em comum a substância organofosforado.

Será que eu consigo umas cápsulas no câmbio negro pra aumentar minha produtividade? Porque meu trabalho exige dinamismo... concentração é outra coisa.

Hein?

you can stand under my umbrella

Parceria no trabalho é divisão de guarda-chuva.

Quando cai aquele toró imprevisto de problemas, eu nunca deixo meus colegas à sorte dos pingos, solitários e sem proteção.

Meteorologia é pra contar quando vem o temporal. Solidariedade é pra fugirmos juntos (e de mãos dadas) de todos os raios.

"Ella ella ella ella... "

nota de falecimento

Meu twitter foi vítima de insuficiência de utilidade e m-o-r-r-e-u.

Achei um saco - mas valeu a experiência. Como profissional de comunicação devo usar todos os recursos de comunicação? Não.

Se a regra do "uso obrigatório por conta do ofício" valesse não existiria o ditado "casa de ferreiro, espeto de pau".

Muito prazer, eu sou a Monga! - a tal ferreira.

:P

domingo, 16 de maio de 2010

concordo, amiguxa!

"Monga, você é especialista em carreiras, né? Porque a gente paga um especialista em carreiras, isso não é meio louco? Eu não posso cuidar sozinha do meu caminho?" Magda - por email

Pode e deve! Eu super acredito e incentivo o DO IT YOURSELF.

Vale pra quase tudo na vida: pra que ir no médico? pra que ir na cabeleireira, nénn? pra que ir, inclusive, no mecânico quando o carro enguiça? Eu acho que a gente sabe tudo de tudo.

Nem precisaria existir profissões - só sabichões.

eu quero ser John Malkovich

Lá com meus 17 anos eu acreditava que o maior problema do mundo era decidir a profissão.

Hoje com meus 34 anos, eu acho que o maior problema do mundo é decidir a profissão.

Isso comprova a tese de que nenhuma escolha vocacional pode ser definitiva, pelo simples fato de que ela não É.

e vc? tem privadinha?

Ontem eu dei uma ligeira pausa no meu sábado muito-over pra assistir a um quadro do Luciano Huck. Me chamou a atenção a frase que cruzou os corredores da minha casa:

"A gente caga na sacola".

Fiquei curiosa pra ver do que se tratava. Era uma menina de uns 7 ou 8 anos explicando de forma naturalista e crua pro apresentador da Globo como se dava a dinâmica de excrementos da casa - um barracão muito abaixo do horrível, em todos os aspectos, onde não se tinha ao menos a possibilidade de fazer número 1 e número 2.

Sim. Eu pude compreender bem. E engolir que neste país a gente não tem estrutura pra nada. Que é preciso rolar uma química muito forte entre assistencialismo + televisão + fragilidades sociais pra gente garantir que alguém cague. É isso.

é cada uma...

Meu pai alugou uma casa, através de uma imobiliária bem conhecida da cidade. Eles pediram aquela série de documentos cuja utilidade, talvez nosso falecido-iluminado Chico Xavier pudesse ajudar a entender... papéis que não servem pra nada, nem mesmo pra brincar de fogueira santa.

Mas o que me ferra a vida de fato, é a relação extraoficial do proprietário do imóvel. Eu interpreto as coisas sempre partindo do princípio da obviedade.

Então, se eu adoto um mecanismo formal e terceirizado de administrar um bem, eu me distancio, segura de que pessoas aptas gerenciarão o que é meu com todo rigor formal. Né?

Não! Aí a dona da casa fica supervisionando cada prego que meu pai enfia na parede. Como isso se chama? Apego? Nãoooo de novo!!! Isso se chama gestão imbecil de propriedade vagabunda.

eu vou dizer o porquê

Andei sumidinha aqui do blog e antes que meus adorados leitores entendam o gesto como um descaso em dó maior, eu justifico:

É muito complicado pra uma profissional de comunicação quando todo o arsenal de palavras fica entalado. Quando os sentimentos são mais pesados do que a leveza do verbo. Rola a street fight entre expressão e emoção.

E no meu ringue, sentir sempre vence a batalha. Aí as palavras levam pelo menos uns dois ou três dias pra amenizar os hematomas.

Mas to aqui. Vamos juntos?

ditados corporativos

"O peixe morre pela boca - e alguns projetos organizacionais, também."

(do meu baú inútil de constatações).

quinta-feira, 13 de maio de 2010

gratuidade sucks

Não existe "favor" em se tratando de relações empresariais.

As vezes o entendimento de uma boa relação de negócios nos leva a cometer o mais suicida dos gestos organizacionais, que é abrir mão das formalidades e dos custos pra agradar o cliente numa necessidade de última hora. Em contrapartida a cobrança rígida que uma gentileza gera não é bacana. Faz mal. Causa desconforto e pedra na vesícula emocional.

Então é assim: o que não cabe no contrato, não cabe no recibo e o que não cabe no recibo, não pode ser feito.

Brinde só tem cara de caneta e calendário.

motivos corporativos pra depuração da alma

Fiquei pensando.... a empresa que visitei tem espaços tão pequenos, que é preciso fazer um trabalho extra a fim de garantir o acesso às suas dependências.

Se eu entrar com metade dos meus pecados, fico entalada na porta.

o que vale é a titulação

O blog está numa fase "bem frequentado".

Um beijo pra minha leitora Aucilene* que deixou um e-mail fofíssimo. Ela, especialista em Gestão de Pessoas, fez questão de dizer que a hora de "relax" do dia é lendo minhas aventuras corporativas.

Obrigada, amiguinha.

Quando eu crescer eu também quero ser especialista em alguma coisa. Pode até ser "especialista em não saber nada."

quarta-feira, 12 de maio de 2010

invejovski

Vi na televisão a luta de um pai, trabalhadô brasilêiru, pra batizar a filha com o belíssimo nome de NAVRATILOVSKI.

Navratilo, em homenagem a tenista Martina Navratilova e vski, em homenagem ao escritor Dostoievski.

Enton tá.

E eu na luta por gente criativa pra se escravizar na minha firma. Pqp.

vou nadar noutra praia

Estou em contagem regressiva pra abandonar o posto de C.E.O depois de muitos anos.

Criei um novo cargo para mim mesma:

Ex- ecutiva.

boiei

Eu fui comprar um perfume, ontem. Talvez seja mesmo a minha maior compulsão, já que abandonei cigarros e muitos litros de café.

A moça que me atendeu foi gentilíssima na medida certa. Pouco invasiva e muito solícita. Muito agradável e pouco palpiteira. Tudo certo. Na saída, ela disparou: "Olha, me desculpa pelo atendimento. Talvez não tenha sido a sua altura."

Vem cá... será que eu, na qualidade de mulher, também tenho estas crises de pouca auto-confiança? Será que também faço questão de que fiquem lambendo meu egocentrismo?

Tudo bem, por solidariedade eu mandei um "nooooooossa, você foi perfeitaaaaaaaaaaaaaaa, bixa!"

até eu to em dúvida!

Minha colega de departamento saiu-se com esta pérola na reunião:

- "Não sei se vocês concordam, mas o Dr. Fulano usa o sócio como fetiche!"

Eu: - An? (com a cabeça cirandando nas hipóteses sexuais e pervertidas, porque a vida executiva é a Sodoma e Gomorra organizacional).

- "Ué, Monga! Ele faz o sócio de marionete, de bonequinho, de fetiche."

Eu: - Não seria FANTOCHE?

-"Não é a mesma coisa?"

Boa pergunta!

o pensamento é de amianto

Outro dia minha terapeuta indagou qual seria na minha concepção a atividade profissional ideal ou a mais prazerosa.

Falei sem hesitar: ser paga pra pensar. Simplesmente.

No pensamento está o alicerce de toda ação, ou de toda intenção, ou ainda de toda manifestação. O que torna alguns profissionais insubstituíveis é justamente isso: a gente é capaz de capacitar um exército de replicadores das nossas ações, mas jamais seremos idênticos no exercício de pensar.

(Esta é a maior Graça Divina!)

os fósseis executivos que encontro por aí

Burocrata é o cara que envolve mil empecilhos jurídicos e administrativos pra formalizar um contrato de serviço muito do simplesinho.

E quando este mesmo cara não adota isso como regra, e toma uma entubada histórica, ele não só é burocrata, mas também burrossauro rarus.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

metodologia oriental

Toda vez que eu me encontro no oásis da loucura profi lanço mão dos meus vastos conhecimentos em resignação e disciplina nipônica.

Aviso que não poderei atender Ninguém da Silva, porque estou focada. Atrapalhada. Surtada.

"Em que, Monga?"

- Kumon!

"Kumon???"

-Kumon-te de serviço. Kumon-te de preocupações. Kumon-te de pepinos."

a gente gosta é do lado ensebado da vida

É indiscutível que o frio traz ventos de elegância. As pessoas se vestem melhor, ficam com um certo ar aristocrático inerente à composição das peças de roupa e tal-e-coisa e coisa-e-tal.

Não passa daí.

Todo mundo curte mesmo é aquela regatinha velha, um short que era do tio solteirão, e uma havaiana com cor de burro quando foge. Ficar confortável - e em casa - tem muito das sensações de "a vontade". E na vida profissional é assim...

A gente almeja aquele super emprego com ar de inverno europeu até se dar conta que o bom mesmo era o trampinho com cara de roupa velha e barba por fazer.

vejamos pelo aspecto bom. An?

O espaço que a empresa contratante disponibiliza pra realização de cursos in company diz muito sobre o grau de interesse no projeto que ce tá levando debaixo do suvaco.

Quando acontece do povo reservar pra você uma sala de 2 metros quadrados, onde eram armazenados detritos organizacionais e traças variadas, é sinal de que rola uma pequena resistência.

Bem pequena* mesmo (otimismo em quinto grau, gente*).

domingo, 9 de maio de 2010

juro

Todo mundo que frequenta aqui sabe que eu bla-bla-bla-não-bebo-nem-nunca-provei-bebida-de-álcool-na-minha-existência.

Mas ó, tem horas em que eu posso jurar que a melhor solução, depois de um dia aturando um cliente e suas mágoas pessoais é uma garrafa de vodca bem quente. Quente mesmo. E 10 maços de cigarro marca-diabo, "o prazer em tragar o inferno".

sovinas de terninho

Amanhã eu começo um trabalho muito interessante numa empresa pra qual eu presto consultoria há muitos meses.O projeto consiste em falar sobre comunicação organizacional pra uma equipe de cinco mocinhas sedentas por receber clientes demonstrando imensa simpatia.

Marcamos pras 6 e meia da manhã. Por que? Pra eu ter certeza de que elas estão bem a fim do cargo e pra eu ver quem sabe fazer o melhor café.

A vida é assim. A gente gasta muito no final de semana pra economizar 2 pilas e filar o cafézinho na empresa dos outros.

eu sou bem cara

Não se surpreendam se um dia desses eu aparecer em algum programa de televisão em rede nacional. Porque eu ando i-m-p-o-s-s-í-v-e-l. Do tipo "nem eu suporto" as idéias absurdas que tenho instalado na vida profissional.

O primeiro passo rumo à beirada do abismo foi acrescer na minha hora/consultoria um valor bem gordinho, uma espécie de taxa extra, justificada assim nas minhas propostas formais:

"soluções fantásticas expostas livremente, sem cobrança de direitos de propriedade intelectual : R$ 980,00 - o minuto."

então...

"Monga, porque você se tornou executiva? Como foi isso?" Cibele, Cuiabá - por email.

Eu me tornei executiva porque eu não curti o movimento punk. Incluía ouvir Sex Pistols e usar cuturnos. Mais adiante eu me dei conta que pra ser bailarina eu teria que me alimentar de alface a vida toda. Perceba... ser executiva não foi uma escolha vocacional. Foi provavelmente a hipótese disponível durante um porre de Toddynho.

a fase dos vestidos

O grau de mulherice de uma executiva se mede pela ânsia de usar vestidos diariamente.

Este bicho aí me picou, e eu to começando a achar que uma força alienígena quer me puxar pra outras instâncias da viadagem corporativa, do tipo:

"PAUSA NA AGENDAAAA QUE EU VOU PRO SALÃOOOO."

(Me submeterei a uma internação voluntária caso a doença persista).

segura, coleguinha

Procuro não confundir o prazer em fazer o que gosto, com gostar de zoar o que faço.

É quase a mesma coisa, mas os efeitos são distintos. Vejamos o caso do Neymar. O guri é um bom jogador, cujos talentos são potencializados com a alegria enorme demonstrada em campo.

Se fosse executivo, certamente mostraria dedinho como eu em algumas situações nada tibetanas.

Agora, dançando Single Ladies num comercial de televisão foi um paspalho. Pior do que eu.

eu também entendo dos troços

Segundo a Psicóloga Organizacional da minha turma, não existe erro, existe ato falho.

Segundo euzinha, a C.E.O da empresa, não existe erro, existe ato demissional.

1, 2, 3 e vamos todos cirandar.

:P

double X - Feliz dia das Mães alternativo

Conheço muitas mães com complexos de culpa, por infinitos motivos. Acham que pecam muito mais do que pecam efetivamente e isso é um tormento eterno.

Eu duvido é que existam filhos com mais complexos de culpa do que eu. Cresci justificando o abandono da minha mãe pelos meus cabelos ruivos. Pelas sardas. Porque eu usava botas ortopédicas. Porque eu demorei a aprender a tocar piano. Tudo era motivo pra me responsabilizar pela ausência. E quando cresci e ganhei uma mãe adotiva, passei a me culpar por não saber viver em família, por ser uma chata, por não acreditar que uma mulher pudesse me amar.

E quando eu to lá executivando, eu sou sim impregnada destas impressões. Ficam comigo, me seduzindo pra que eu engrosse a fila das prozaquianas.

Tudo bem. No final das contas é só filosofia pra esquecer que neste Dias das Mães eu tive que "morrer" com 2 presentes.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

indiscrição é indiscrição

Tantoooo se fala por aí que perguntar a idade de uma dama é como pecar contra a castidade dos bons modos e que isso é proibido em qualquer circunstância, não é mesmo?

E perguntar quanto tempo de "carteira assinada" tem uma profissional não é a mesma merda?

Ah. Que droga.

sinais do Paraíso

Existe uma verdade-verdadeira na vida da gente.

Só uma.

Alguns projetos precisam ser irrealizáveis.

É desta forma que os Deuses nos salvam da chacina profissional.

a influência dos astros na vida das "estrelas"

Sempre tive a maior curiosidade de conhecer os princípios da astrologia e ponderar se estas avaliações são mesmo reveladoras. Todo prazer adivinhatório me diverte - e se não for por adivinhação, que seja por 'pesquisação'.

Uma das profissionais que estou cortejando pra trabalhar comigo me presenteou com uma interessantíssima leitura astrológica da minha-nada-mole-vida. Sabe que rolaram muitas bolas dentro? Uma delas foi esta:

"Você é um tanto paradoxal, porque embora essencialmente comunicativa, não gosta que se aproximem demais."

Realmente. Eu até diria que, em termos de trabalho em equipe, por exemplo, sou do tipo que adora papear com o motorista, mas circulando em ônibus vazio. Esta coisa de encoxada corporativa, não é comigo.

se achar ruim, chama o Bento XVI

No ano passado, quando comecei o blog, me mantive fiel à determinação espartana de postar absolutamente TODOS os dias. Isso incluia sábados, domingos, feriados santos e tpm's.

E consegui manter minha auto-disciplina até que, assim como na vida organizacional, ganhei a "confiança do chefe" ...

Agora eu já tomei conta do gramado e de vez em quando falto ao trabalho, mas ainda não penso em decretar falência bloguística, portanto... com regularidade ou não, estarei por aqui.

:P

quarta-feira, 5 de maio de 2010

da série: espécies variadas de chefes

Lembra daquele professor de matemática que não se satisfazia com o resultado final? Que você poderia chegar ao mesmo número "27" que era a resposta correta da equação mas ainda assim precisava discriminar o processo de raciocínio? a+b+cX2 - 234 X xy + 2/3 = 27 !

Tem chefe que é desta safra. Não importa que o relatório esteja em cima da mesa as 16:00h conforme ele ordenou há três semanas.

É preciso que você digite com a mão direita, tome dois goles d´água, reze 16 Aves-Marias e pisque o olho alternadamente com o ajuste do ar-condicionado. Aí sim.

Dá vontade de mandar caçar borboletas em Bornéu, né?

isto é frescor

Nem sempre a gente precisa de novo emprego. Ou nova vida profissional.

Mas a gente SEMPRE precisa de novos olhos pra olhar pro mesmo emprego. Ou pra mesma vida profissional.

tem cura?

Eu falei em bolsa num dos posts abaixo. Baita mentira.

Sofro de um distúrbio raríssimo em mulheres: eu não uso bolsa e aliás, eu detesto bolsas. Na minha infância devem ter contado muitas histórias de terror envolvendo Prada, Chanel, Hermès...

Isso me obriga a exercer uma modalidade profissional extra com as minhas colegas de serviço, que é o chamado "aluguel de bolsa". Uma fica com minha carteira, outra com meu porta-cartões, outra com meus brincos, e assim por diante.

E quando o cliente fica sem entender porque raios eu ligo desesperada pra colega que está na casadocaráleo a fim de que ela dê conta da minha pen drive, eu sempre invento umas abobrinhas:

"Ih! Nem te conto! Rasgou a alça da minha bolsa no caminho! Bah!"

toda executiva tem seu dia de luzinete

A imprensa local está muito decadente e com parcas opções de entrevistados.

(Este é o motivo de tantos convites que chegam pra que eu doe entrevistas. Como boa samaritana narcisista, eu não recuso, né? E nem preciso usar um vestidinho-cor-di-rosa de Geise. Uuuuu.)

ogros executivos

Sinceramente, o cliente estava tão desalinhado, tão sujo e tão pouco simpático que se esbarrasse com ele na rua, eu entregaria minha bolsa.

Muito triste.

terça-feira, 4 de maio de 2010

sem metáforas

A cliente se empolgou no consumo de biscoitos amanteigados e coca-cola na minha sala e soltou um arroto fenomenal.

Fez-se aquele silêncio sepulcral que potencializa o constrangimento. E eu odeiooooo climão.

Foi aí que tive a brilhante idéia de perguntar "ce vai peidar agora, ou a gente prossegue e voce esvazia os gases na saída?"

Pronto. Cabei facilmente com a tensão.

desvantagem é perder tempo

A preocupação dos meus coleguinhas fofos era vender os serviços da Agência de forma "casada", uma vez que, até hoje, os clientes eram teoricamente livres pra efetuar suas mídias onde quisessem.

Acontece que eu não tenho muitos pruridos nas minhas relações institucionais e meus bolsos são bem largos pra comportar as verdades. A maioria das agências de publicidade que eu conheço estabelece relações de "parceria" (tecla sap = parceria as vezes é o apelido do esquema)e tem elos de indicação e demanda constantes. Soma-se a isso o fato de que meus consultores perdiam muito tempo cotando preços de mídias pra mostrar nossa transparência.

Então agora,perdendo menos tempo com lero-lero podemos operar a custos menores.A venda vai ser mesmo "casada", "amigada", "concubinada" e com todos os adicionais previstos nas relações estáveis.

Assim. Bem assim. E com beijo na boca pros solteiros* (eu to fora deste plus* - só pra constar).

eu não tinha nada melhor pra fazer

Andava tão sem glamur na minha vida, e tão farta das pessoas confundirem minha função de CEO de Comunicação com a atividade de publicitária (e eu não sou publicitária), tão farta de clientes pedindo serviços como se minha empresa tivesse um colorido bureau de criação, que resolvi então ter uma agência.

Fui ali, reuni mais uns loucos e pronto. Tenho uma agência pra chamar de minha.

Tá.

Mais uns legos pra eu brincar de trabalhar - e com sorte, ganhar umas moedas.

os elogios nossos de cada dia

"Monga, hoje você foi tão GENTE!" - falou a cliente satisfeitona-da-silva.

(E eu fiquei me perguntando... como será que eu me comporto então, quando sou menos gente... será que relincho, cacarejo ou simplesmente deixo de pentear meus cabelos?)

procê ou pras suas peguetes?

Em tese, eu sou a favor da máxima personalização dos ambientes e ferramentas profissionais.

É uma tarefa deliciosa e de super bom-tom adequar ambientes e deixá-los com "a cara do dono". O grande tumulto organizacional que isso pode gerar é confundir roupagem personal com desenvolvimento de ações que só servem pra auto-estimulação mental.

Foi o que tentei explicar para um empresário que insistia em fazer um projeto de comunicação digital tendo o seu perfil de navegador como parâmetro.

Mas o cara não navega. O cara não gosta de internet. O cara mal sabe distinguir um fucinho de porco de uma tomada bivolt.

Comprar sofá de acordo com as necessidades de nosso próprio traseiro só é válido quando a gente não recebe visitas em casa.

domingo, 2 de maio de 2010

tricolor na veia, com cereal e iogurte

Feriado emocional, daqueles em que não preciso fechar nenhum contrato, não vou encrencar com nada, e muito menos desfazer o sorriso desta bela face virginiana.

O fato do MEU GRÊMIO ter ganho o campeonato dançando chula em cima da honra colorada já garantiu o êxito de uma semana de trampinhos xexelentos.

(E eu estou com a camiseta devidamente separada para integrar o look executivo de segunda-feira.)

"eu bebo um pouquinho pra ter argumento"

Geralmente pela manhã eu tenho uma forte crise de abstinência de cafeína que somada às minhas sequelas neurológicas causam tremiliques estupendos.

Tem cliente que já ficou com cara de poucos amigos, visivelmente propenso a crer que eu tava carecendo de uma dose de pinga. E eu, como já professou sabiamente alguém no tuiter "de Actívia e Johnny Walker" (cagandoeandando) pras opiniões.

Mesmo assim, resolvi carregar uma caneca e mendigar café pelas empresas por onde passo.

"fé-fé-fé cada um com a sua cachaça".

não é só por exemplo

As vezes eu frustro profundamente as pessoas que esperam de mim um histórico miserável.

Eu nunca trabalhei vendendo churros nem limpando chão. Não passei fome na infância nem deixei de ganhar bicicleta no Natal (mesmo porque não sei andar de bike e nunca desejei ter uma).

Parece que toda visão revolucionária no mundo corporativo só se justifica se a gente foi vítima de violência doméstica ou não teve cadernos da Hannah Montana pra estudar na infância.

Eis-me aqui para lhes revelar - é possível um genuíno compromisso pelo bem da humanidade mesmo quando a gente não é freira. E lá na empresa eu sempre lembro disso.

em nome do dia 01 de Maio

Existe uma artista plástica na minha cidade, que por conta de um acidente doméstico, teve as duas mãos amputadas. De uma mulher como ela, se esperava mesmo que o desdobramento de uma aparente tragédia se transformasse num feito de bravura e sobrevivência fenomenal.

Pra fugir dos clichês, eu escolhi apenas a parte da sua entrevista em que ela contou sobre a maior conquista da sua vida: quando conseguiu vender 26 quadros de uma única exposição e pôde construir a casa do seu pai que vivia de aluguel.

Então é assim... quem quer trabalhar na vida, sempre PODERÁ fazê-lo. O limite da produtividade não tá no corpo...

... portanto, pra rua,galera, que a vida sempre recomeça na segunda-feira.

sábado, 1 de maio de 2010

doida por um travesseiro de penas de ganso

A constatação deste sábado é que O EXPEDIENTE SÓ TERMINA QUANDO O DIA ACABA.

(E as vezes nem assim).