domingo, 31 de janeiro de 2010

dicionário corporativo (de volta)

Banco de Horas:

"Objeto geralmente de madeira, revestido de couro ou com aplicações para superfície, tipo pátina, onde os gestores repousam os traseiros enquanto a equipe se ferra trabalhando. As horas passam tranquilamente na companhia de palavras-cruzadas ou jornais do dia."

a involução das espécies

Uma colega que trabalha na parte administrativa da minha empresa ganhou um presente inusitado de um ex-namorado: uma mini pônei linda, chamada Margarida.

E a Margarida passou a ser atração nas nossas conversas diárias. Inclusive num dos congressos que participamos, compramos brinquedinhos e uma escova de dentes gigante pra mocinha. Era na chácara dos pais desta colega que a Margarida residia.

Porém, depois de tantaaaaaa insistência da minha parte, e ao ver meu sentimento amoroso com relação à miúda de 4 ferradurinhas, acabei ganhando a guarda da menor.

Estou estudando uma forma de manter a mini pônei na empresa. Fico triste que sua raça não permita que ela cresça mais... se crescesse, chegaria ao meu cargo, certamente.

Um dia eu já fui uma eguinha.

amazing grace

"Amanhã é um dia importantíssimo e abençoado na minha vida profissional!!!!" comentei em casa.

E minha irmã rapidamente:

"Escuto isso todos os dias. Vai ver este é o segredo do teu sucesso..."

Vai ver.

grana e fineza não sentam à mesma mesa...lá ra lá

Reza a lenda de que um grande investidor e produtor de cereais foi almoçar com meu pai num restaurante bacaninha, no Rio de Janeiro, lá nos anos 70. O cara era muito rico e proporcionalmente muito rude. Sem polimento, sem paciência e não raro MUITO sem noção.

O garçom se aproximou da mesa e cuidadosamente indagou ao meu pai:

- Consumê, senhor?

E o papai: Claro, por favor.

Na vez do Nhô Baixaria:

- Consumê pro senhor também?

E o cara: Pra mim é SEM SUMÊ. E traz um chôps.

ninguém baixa a minha crista

Escutei este elogio pessoal e profissional de uma amiga muito amada:

"Aposto déizão em você numa briga de galo!"

Vale lembrar que eu não brigo com ninguém. A última vez que dei uma de kung-fu-panda na empresa foi praticamente um exercício laboral de risada coletiva.

Ninguém leva minha zanga à sério.

(Nem eu).

"ELE zomba do quanto chorei..."


O tempo é um grande companheiro; o mais solidário de todos os acompanhantes da nossa vida.

É ele que pede passagem pra que as coisas tristes e ruins deixem de ser espinhos, de forma que, distanciadas de nós, passem a ser suportáveis.

É ele também o fiel depositário da esperança. Ela fica guardadinha sob sua responsabilidade até que ele nos considere aptos a viver em paz.

sábado, 30 de janeiro de 2010

a vida não é filme, você não entendeu

Mal e porcamente dou conta de ajeitar minha vida amorosa, e mesmo assim uma cliente resolveu me eleger pra um período de confissões.

Ouvir as estripulias sexuais de mulheres viciadas em Lexotan com cerveja não é exatamente o nível de amizade que almejo, mas as vezes é necessário atender a demanda emocional que surge no meu caminho corporativo.

Duro é que as confissões envolvem pessoas nas suas relações de trabalho, em hierarquia superior e sob os limites da chifragem e da pilantrice.

Eu tento abstrair.

A-b-s-t-r-a-i-r.

ábaco corporativo

Uma das tarefas mais complicadas-delicadas é estabelecer preços pelos serviços que a gente oferece. É quase como querer comportar num selo numérico a carga de energia, amor, desamor, raiva e felicidade que circula durante a execução de um projeto.

Na minha empresa a gente descumpre sistematicamente o que os conselhos regulamentadores e sindicatos determinam e orientam quanto à tabelas de serviços. E também pouco "SE lixamos" se outras empresas concorrentes adotam uma política de preços deste ou daquele jeito.

Jogamos os parâmetros fora, um a um.

(E construímos uma base de cálculo super sincera: quantos reais são necessários pra manter o sorriso o mês todo? )

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Monga, gostosa pra caramba

É muito importante usar a intuição transacional nos dias de hoje.

Uma negativa diante de um negócio agora pode significar uma bela porta aberta logo ali. Falo por experiência própria.

Todas as vezes em que diminui minha fome de leão diante de um cliente, meses depois ele me recompensou com uma apetitosa tonelada de carne fresca.

Fechei um contrato com o cara tido como "o pai de todos os jumentos" e acho que o ganhei no dia em que abri mão de cobrar por um serviço X.

Em troca, ele me concedeu todo o alfabeto....rs.

"fácil" é nome de música brega

Convidei uma pessoa a responder uma série de perguntas que fazem parte de um pré-processo de engajamento na minha empresa. É como se fosse uma entrevista, daquelas do actor's studio.

Qual a cor que te lembra um dia lindo?

O Flamengo é um time de verdade?

Marzipã é o nome de uma doença? Você prefere Anais Nin ou Simone de Beauvoir?

E a pessoa me falou que encontrou certa dificuldade em responder à algumas coisas.

Eu fiquei tão feliz!!! Porque respostas fáceis e pessoas idem não nos interessam.

a exposição flicka a seu critério

Me dou conta de que to velha mesmo. "Cabadinha" e mofada.

E pior do que isso: me dou conta de que como profissional quase Doutora em comunicação, eu sou praticamente uma máquina à manivela. Antiga, ultrapassada e "ultra-passada". Sou do tempo em que se esperava um postal daquele amigo que foi à Paris nas férias.

E de que álbuns de fotos eram coisas divididas na intimidade de uma conversa na sala de casa, com chá inglês. Estes sitezinhos de photo-sharing me causam tremendo desconforto.

A bem da verdade, qualquer tipo de exposição me causa tremendo desconforto.

(Ok. Coerência nunca foi meu forte...)

a frenética saga da mulher polvo

Recebi um e-mail tão querido da mulherpolvo.wordpress.com, e aproveito para dividir o cantinho desta moça com todos os meus leitores (sentiu a ponta de esperança-ilusão de que ainda tem gente que lê meu blógui, né?)

"A mulher do terceiro milênio precisa ser bela, gostosa, boa de cama, talentosa, rica e bem-sucedida profissionalmente. Precisa ser boa mãe, boa filha e ótima amiga de várias amigas e amigos."

Olha... como eu contrario em gênero, número e grau esta definição da fofa da Chris-polvo*, to mais pra mulher-ZEBRA.

Mas corre lá e depois me conta?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

eu não matei Joana D'arc

Eu sou inteligentíssima, falo setecentos idiomas,conheço 27 países, não tenho vícios mundanos (só celestiais, como ir à missa por exemplo), nunca soneguei impostos (embora tivesse vontade de), só mato formigas, sou amada pelas mães de todos os meus amigos, escolho perfumes de maneira impecável e ainda por cima adoro paparicar a pessoa que eu amo.

Lógico que eu tenho que ter defeitos. E neste mar de qualidades, os clientes sempre potencializam os defeitos.

Sabe, eu acho ruim gastar fósforos com pouca chama. Se é pra tacar fogo, não vamos economizar.

Incêndio bom só deixa cinzas.

O contrário disso é só um peidinho de labareda. Inútil, inútil. Faz sujeira mas não me queima.

satisfação dos clientes, que nada!

"Monga, o que é exatamente marketing de relacionamento? Grata pela ajuda." Leandra - Maceió (por email).

É o apelido que se dá pro puxa-saquismo institucional.

tem coisas que só um cliente idiota faz pra você

"Porque o cliente João Esquisito* nunca fala muito obrigado?" - alguém indagou.

Porque ele sempre fala "faça novamente o serviço."

Mereço.Eu chamei a Madonna de Britney. Só pode.

terceirização só se for de primeira

Pra minha empresa terceirizar um serviço aos meus clientes, ele tem que ser melhor do que o nosso.

Se for igual ao que oferecemos, a gente mesmo faz.

anota aê

A técnica de produzir lembretes pra mim mesma sempre funciona.

"Consertar a infiltração do apartamento de Brasília." (dois meses depois eu dei jeito).

"Comprar uma lapiseira nova." (tres meses depois eu dei jeito).

"Ser mais tolerante com a pentapolaridade das mentes alheias." (DAR JEITO HOJE, SE POSSÍVEL).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

você é loira mas eu tolero sua lerdeza

"Porque você não faz este relatório no período da noite, querida?" - perguntei.

E a Angelúda*:

"Durante a noite eu não funciono. Eu sou monofásica."

E eu:

"Monofásica é uma nova forma de se falar sobre orientação sexual hetero?"

Ela:

"Não. É uma forma de lerdeza, mesmo."

você é loira mas eu te amo

Outro dia contei aqui no blog que minha Diretora de Finanças, a Ângela, é chamada carinhosamente de "Angelúda" porque ela é assim toda em aumentativo moral.

Cabeçuda, inteligentuda e sortuda. E mais sortudos ainda aqueles que convivem com ela.

Não penso que toda pessoa tenha a sorte de ter amigos por onde transitam seus relatórios, mas é o meu caso - e eu sou muito feliz por isso.

Tão feliz que minhas gargalhadas as vezes atrapalham as pessoas da sala ao lado, mas eu também tônemaí.

nem com macarronada cai bem

Tio e cunhado são as duas categorias familiares que apresentam maior probabilidade de estorvo.

Os bixim já nasceram criando encrenca, prova maior que uma destas categorias começa com as letrinhas "cê" e "ú" que juntinhas são auto-explicativinhas.

Graças a Deus que as pessoas tem critérios absolutos, e não precisam necessariamente fazer programas com tios e tias MAIS os colegas de trabalho destes tios e destas tias - ainda mais em se tratando de gente com pouquíssimas chances de trocar algum conteúdo que vá além do Big Brother e suas implicações metereológicas-quânticas.

Tudo que chegar de bônus em termos de amizade que seja pela porta da frente da inteligência. Porque quem gosta de bonde do tigrão é funkeiro.

to avisando

Do jeito que "as-coisa-Vai", o departamento de RH vai ganhar outra certidão de nascimento.

De recursos humanos pra Retardadas Histéricas.

(E eu nem tenho culpa).

"cinco patinhos foram passear..."

Esta coisa de conviver com pequenos notáveis entre nós (trainees, estagiários e adorados em geral) as vezes provoca uma confusão intestinal coletiva (pra não dizer merdas proferidas sem o mínimo tato).

Bem que tentamos em muitas reuniões estabelecer limites do que pode ser dito na presença dos "inocentes", porém, a febre por atrocidades é maior.

Basta saber que a maioria das mães sente-se dividida ao incluir seu filho num programa profissional em nossa companhia: metade é celebração pela chance em si, outra metade é preocupação imensa por conhecer o teor de nossas rodadas de chimarrão corporativo.

Teremos que esclarecer desde os primeiros dias de trabalho que nossa intenção não é gravar um dvd da "Monga só pra baixinhos". E se fosse, as músicas ganhariam versão trash.

comungando

A palavra "crente" sempre é usada pra se referir aos religiosos, né? Sobretudo os evangélicos.

E hoje no final do expediente alguém comentou sobre uma colega, que é "crente", automaticamente me excluindo desta pequena legião de preferidos de Deus.

Partindo do princípio que crente é também aquele que simplesmente crê em alguma coisa, eu só posso argüir que eu também sou crente!

Creio que o Grêmio é o melhor time do mundo e que num ambiente profissional de mulheres chapadinhas, meus cabelos cacheados são extremamente sedutores.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

canção para ninar executivas

"Nâna-nâna executiva/

que o cansaço vai passar/

outro dia de rotina/

que te ajuda a suportar/

mesmos sonhos de menina/

num eterno caminhar..."

eu encaro

Toda "boa briga" parte do princípio que uma das partes expressa sua vontade despudorada e a quer dominante no mercado.

É como aquele casal que discute constantemente sobre o roteiro de férias mas que no final das contas chega junto num destino (a menos que role um divórcio relâmpago).

Pra brigar em nome de alguém, e não COM alguém, é preciso ter muita clareza dos objetivos. É preciso ter confiança, discernimento, lucidez em estoque e muita certeza.

(Certeza principalmente de que você é porta-voz de um objetivo comum, e não o ponta-de-lança de alguém que não tá nem aí.)

escassez me aborrece

É muito difícil arrancar alguma intimidade minha. Parece até piada que uma mulher que fale pelos cotovelos e por todas as esquinas do corpo seja bastante introspectiva com relação aos seus sentimentos.

E eu sou.

Porém, na hora em que eles resolvem reivindicar seu lugar ao sol, salve-se quem puder. Defendo até a morte meu direito de sentir, de ser clara, de ser quem eu sou, ainda que isto me custe um preço alto.

Eu perdôo. Eu relevo. Eu me revelo.

Eu só não aceito negligência e pouco amor.

falsa brilhante

"Monga, você considera justa a economia de luz no ambiente de trabalho? Meu chefe obriga a gente a ficar quase no escuro pra poupar energia. E você?" Antônio Carlos - Viamão.

Ah...

Eu nem "SE" importo de ficar no blackout. Porcausaque eu tenho luz própria.

(Perfeição é uma dureza...)

anacronia da burrice

Meu avô dizia "não gaste sabonete em cabeça de burro" quando queria se referir a uma causa perdida ou uma alma idem.

Na empresa a adaptação mais justa é "não gaste tempo em cabeça de burro".

Dá trabalho, rugas, gases e mau humor matinal.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

em síntese, é isso

Ouvi tantas considerações a respeito do site institucional da minha empresa que cansei. De bocejar-espreguiçar-tomar-água-e-café... tudo junto e misturado.

Delicinha que os designers e publicitários expressem sua preocupação com relação à forma do nosso produto subjetivo. E que se preocupem de verdade quanto à eficiência gráfica e textual do que está lá, naquele quadradinho virtual tão... como eu diria?... hmmm.... s-i-m-p-l-ó-r-i-o.

Sinceramente, nem sei se tô a fim de atender um cara que me acha pelo Google no mesmo instante em que procura uma foto da "guria da Uniban depois da lipo". Nem sei...

E não sei igualmente se quero que o site fale pela minha boca. Que me represente na minha ausência. Eu quero falar. Tocar. Beijar as pessoas e convencê-las*.

*Nem que seja a chutarem minha bunda.

então eu posso ser

"Perfeição pra mim é coisa de menina tocadora de piano e fazedora de bordado" .

(Nelson Rodrigues).

1, 2, 3, gravando!

"Preciso de uma dublê..." - comentei com uma colega.

Ela: - "Dublê, Monga? Não seria uma substituta? Você não é atriz de filme de ação, pra querer uma d-u-b-l-ê!"

"Posso até não ser, mas o risco de fraturas e acidentes graves é o mesmo ultimamente."

caminhar é bom, descansar também

Por onde olho vejo profissionais em estado de busca. O estado de busca, portanto, é o novo stand by do momento.

É algo como uma licença poética dizer que se está numa fase de "descobertas íntimas". Parece que isso dá satisfações ao falatório daquela tia que vive cobrando pela promoção que nunca sai, ou que alivia a barra da vizinha que sempre questiona porqueraiosvocêfoifazeradministração.

A pessoa deixa de ser fracassada pra assumir o posto de desbravadora-insatisfeita.

Me preocupa que este estado de busca se encerre em si. Que buscar seja a excelência motivacional de uma vida, mas que não seja apenas a dinâmica de alguma coisa que tem ponto final... que não resulte num encontro...

(Nem que seja o encontro de uma nova jornada de busca).

domingo, 24 de janeiro de 2010

pedaaaaaaala, Sr. Seu Mongo

Na hora de entrar num estabelecimento comercial e adquirir um produto nem sempre a gente deve informar pra quem é o troço e o motivo da compra.

Tem nada mais chato do que vendedor indiscreto atendendo cliente boca-grande - "É pra sua amante este perfume, é?".

Porém, quando se trata de vender uma bicicleta xexelenta pra um Senhor de 45367 kilos (e 25 gramas) o cara deve no mínimo perguntar se "a possante" é pra ele pedalar. Da mesma forma que o Rei Momo amador deveria informar que a tal da bike era pra ele mesmo.

Me pouparia o trabalho de juntar meu pai espatifado no meio da rua entre destroços de roda e pedais.

senta aqui e pensa comigo, pípol

O império de modismos literários e cinematográficos (e mesmo musicais) nunca me aborreceu. Não chego a perder o sono pensando que a J.K.Rowling era uma ferrada-no-sistema e virou milionária com a saga do bruxinho emo (problema é meu se meu livro nunca sai da editora, né?).

Não me aborrece igualmente que todo mundo que conheço adoooore o Crepusculinho, e o vampirinho lá meio broxildo. Eu expresso meu desgosto porque são produtos que de fato eu não consumo, balizada pelo mesmo direito de não comer alho. Ou não torcer pelo Internacional de Porto Alegre. Ou simplesmente falar sobre o mundo corporativo recusando os elementos do mundo corporativo.

O que me irrita de verdade é o MODISMO DA NEGAÇÃO. Este sim, é triste. É sair por aí dizendo que deteeeeesta tal coisa pra garantir um lugar no banquete dos "pensantes."

homecare

Funcionário liga domingão pra avisar que amanhã faltará ao serviço, pois está com diarréia (e nem me priva das considerações cromáticas que envolvem seu produtinho fecal - mas ta).

Eu ficar brava? Mas bah. Nunca.

Só vai rolar um deslocamento espacial: cara vai produzir em casa o que ele costuma produzir no escritório.

pelo motivo que for

Eu sempre sei mexer em todas as funções de todos os celulares que existem, de todas as marcas e modelos, e de todas as operadoras. Qualquer um. Caiu na minha mão, eu domino.

Meus amigos, vizinhos, colegas e parentes distantes usufruem desta vantagem sobrenatural com uma folga assombrosa.

Não sei que tipo de criptonita a minha avó misturava na minha mamadeira.

(Confesso que preferia ter a mesma destreza inata pra lidar com pessoas - fixas ou móveis).

sábado, 23 de janeiro de 2010

ah! que sacrifícioooo

Um cliente resolveu considerar a hipótese de abrir sua empresona aos sábados mesmo depois de receber um mapeamento da raríssima frequência de clientes.

Rola um custo operacional muito grande pra manter uma estrutura enorme aberta só em nome da birra (porque vaidade não tem a ver com gastar dinheiro a toa, ao contrário do que se pensa).

Na última reunião ele me pediu "Monguinha, minha flor de azedume, arranje as coisas de tal forma que justifique a abertura da empresa. Porque não abro mão disso. E dinheiro a gente tem em caixa." Levei dois dias pra pesquisar todos os restaurantes, pra alugar as mesas e cadeiras e chamar um tocador de viola.

Sábado numa empresa vazia, com funcionários fazendo questão da presença uns dos outros, só posso organizar feijoada. Outra coisa faz mal pro estômago.

acontece...

Acho que eu sou a única pessoa do planeta que chama o garçom de taberneiro, o jogador de futebol de player e a Preta Gil de gata.

Como se vê, ser executiva não me isenta da doença mental.

segura o Jason

Queria proibir certas pessoas de exercerem a profissão de headhunters, por considerar que este instrumento linguístico que confere nomes às profissões as vezes também confere a distorção.

O entendimento equivocado da prática de reconhecer talentos e conduzi-los ao mercado se transforma num massacre informal (porém institucionalizado), dizimando egos, sorrisos, sonhos e projetos de vida.

A motoserra não é da função profissional, mas é basicamente das pessoas que usam suas ferramentas para a promoção do terror.

"Gente nasceu pra brilhar!!" (deixa eu "viadar", que hoje é sábado! :P)

ê cumpádi...

É mais fácil devolver uma maleta cheia de dinheiro pra ser estrela de uma campanha institucional sobre "como é bom ser honesto", do que devolver um elogio...

(porque o anonimato da gentileza não parece lá tão atrativo...)

É estar preso por vontade

Costumo dizer que mesmo sozinha, sou uma multidão.

Sou muitas executivas, muitas mulheres, experimentando a cada dia uma forma de sobreviver a mim mesma. Vivo em constante triagem do que me interessa, do que me cabe, do que me serve.

Penso que só posso ser feliz desta forma, repetindo e renovando todo dia algum voto que tenha feito na vida. Em qualquer instância.

Hoje especialmente, é um dia de renovação do mais precioso dos votos: o do amor. E o amor me interessa basicamente como combustível e alimento. Sem ele, nem "executivar" vale a pena.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

quem não guia, deixa-se guiar (ou não)

Meu lugar preferido num automóvel é no banco do carona, e esta condição imposta por alguma limitação motora, também me limita a sorte de palpites sobre o trajeto.

Foi nesta condição passiva, na companhia de uma colega ao volante, que a ouvi observar agressivamente sobre o quanto eu "dou esmolas pra qualquer um na rua". E no quanto eu desconsidero que a esmola é "pra bebida, pra drogas, pra prostituição..."

Eu ia mesmo ponderar que a minha ótica de generosidade só alcança até o momento da doação. O uso do que entrego não me compete. Mas aí achei bem melhor sintetizar:

"Querida, eu também te pago uma esmola todo mes e você faz o que? Vai lá e compra suas drogas... ingresso pra show de música sertaneja, roupa com brilho e até perfume do avon pro seu namorado. Cala boca e prestenção no farol."

cade a decência que estava aqui?

Globalização é quando a terra treme no Haiti e a gente se esfola no Brasil. Quebra a cara de vergonha.

Quem tiver idosos e crianças em casa, por favor, remova-os. O teor é pesado, mas eu preciso contar.

Mentira. Não é pesado, é bagaceiro....mas dá no mesmo. Uma colega enviou e-mail pra um contato comercial, de uma empresa parceira de negócios. E como toda moça fina e de bons modos perguntou da esposa do dito-cujo, como quem pergunta educadamente se a vida lhe cai bem ultimamente.

E ele, respondeu "ah, vai bem. Mulher bem f..... sorri à toa."

(Posso chorar gente? De depressão profunda e escárnio pela raça humana?)

da honestidade

Num dos currículos que a Psicóloga da empresa lançou sobre minha mesa, um bilhetinho escrito num post-it escandaloso:

"As pessoas verdadeiras continuam sendo queridas entre nós, né?"

Só depois entendi o recado. No item pretensões profissionais, a pessoa escreveu um nocaute: desejo enriquecer rapidamente.

Parabéns! Deus te abençoe.

marcelo, o recreacionista

Convocação aos meus leitores:

Espiem o blog do Mar*, o maridão-queridão da Kakinha (minha miguxa), por favor. Especialmente se assim como eu, estiverem a fim de um relax ininterrupto. Assuntos pra todos os naipes... a-t-ó-r-u-m!!!

www.daredacao.com

e a família, vai bem?

Quem não gosta de receber elogios? Né?

Problema é quando a gente passa a conhecer as referências globais da pessoa, dona da boca de onde saiu o elogio.

Assim sendo, quem adoooora o Benito de Paula, dá a alma por uma batata-recheada e consome livros de numerologia da Aparecida Liberato, não pode querer que me chamar de "super executiva" caia na lista de delícias-pro-ego.

Lamento.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

espanque com moderação

Uma pessoa que vai a um meeting empresarial em Dubai e passa boa parte do tempo assistindo aos jogos de futebol na televisão do hotel pode ser considerada um caso de naufrágio executivo?

Fiquei pensando nisso depois que uma amiga falou que esta minha conduta merecia uma "havaiana de pau".

Resolvi pesquisar o vídeo da tal da "havaiana de pau". Gente, Mell Dells!

(Quem tiver paciência, corre e espia o tal vídeo. É antigo e é só procurar no gúgôl.)

a realidade sobre nossas fraquezas íntimas

Dia extenuante rende uns absurdos saídos do âmago da minha tontice - corporativa e pessoal. O maior de hoje foi dizer a uma amiga que parei de fumar, mas ainda morro de tesão por cigarros.

E ela, boa fumante, devolveu "ah Monga... é mais vergonhoso expressar que se A-D-O-R-A fumar do que fumar em si..."

E é bem verdade. Nem tá mais aqui quem falou.

Cigarro? O que é isso? Nunca-ouvi-dizer.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

para Gabi Pinheiro

Hoje vou mandar um beijo público pra Gabi, minha amiga, leitora, parceirona de altos papos...

Agradecer pelo e-mail tão fofo, e tão impregnado de amor ao próximo e lucidez para com as coisas que nos cercam que me fez reunir os colegas... Este é o poder das palavras: elas também são agregadoras de outros seres humanos.

Um e-mail pode ser objeto de troca e celebração durante um café, numa tarde chuvosa.

(Obrigada, querida.)

nada de novo no front

Gestor que faz cursinho no Sebrae e sai de lá "palestrando" pros colegas com grande grau de arrogância me deprime profundamente.

É como ir pra guerra com canivete. E achar que o inimigo vai se borrar de medo.

da silva sauro

Desespero de usar um sobrenome em comum para angariar vantagens faz as pessoas cometerem atos de suicídio profissional. Eu evito me associar até com mamãe, que dirá com parente de quinta geração...

Se a pessoa é minha parente de fato, eu confirmo. Se não é, nunca-vi-mais-magro-ou-mais-fofinho, pra que mentir?

Compensa dizer que é meu parente por parte de Adão e Eva, porque o cara é famoso no mundo corporativo? E vai que ele é fotografado com uma modelo sem calcinha?

Sou católica, gente.

oferecendo o dedo e perdendo a perna

Quando a gente faz um FAVOR pra um cliente deveria fazê-lo assinar em algum lugar (nem que fosse na parede do banheiro) que está tomando ciência desta condição.

Éfe á vê ô érre = favor. Do verbo das gentilezas.

Porque aí quando o cara insistir numa cobrança mais acintosa, a gente poupa o assessor jurídico de esfregar um contrato na cara da pessoa.

Prontodesabafei.

momento super star

"Monga, as vezes não quero aceitar determinado projeto e fico sem jeito de dispensar um cliente. Sugestões?" Maria Eduarda Mello - SP

Dudinha, querida... eu uso a tática "camarim de estrela".

Peço uma sala com tapete persa, muitas tâmaras, 25 toalhas brancas, um sofá com couro de elefante - pra começar. Depois exijo 2 motoristas (um loiro e um moreno), refeições tailandesas e um monitor de plasma com episódios ininterruptos de Gossip Girl.

Na inviabilidade de atender aos meus pedidos, não rola. Dispensa fácil, fácil.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

oversize overdose overtudo

Não tenho absolutamente nada contra mulheres fashionistas e homens pavão. Nada mesmo, afinal de contas nenhuma executiva que use camiseta branca de segunda à sexta tem o direito de cagar regras.

O que pega é a tal saia de cintura alta. As executivas que convivem comigo usam e eu fico angustiada, desvia a minha atenção, perco o foco na conversa e quando dou por mim quero baixar a saia da criatura como se a estivesse livrando de um grande sufocamento abdominal. Sem contar que me pego pensando "esta mulher não tem umbigo, só tem peito e piriquita".

Se usar o combo saia com cintura alta e cinto gigante, aí me acaba de vez. Concordo que seja elegante, mas sei lá.

Rola uma crise interna. Deve ser porque exijo meu corpo livre, todo o tempo. Visto calça 48 num corpo de manequim 40.

evitando a morte e a invalidez

Educação e bons modos é aquilo que dá expediente quando a verdade fede.

Assim, ó: pra demitir um funcionário que estava sob minha supervisão direta, em treinamento e experimentação pro cargo de Diretor eu precisei notificar seu chefe e precisei elencar algumas justificativas.

Está "sendo suicidado" do cargo porque: 1- não está apto para a função; 2- apresenta uma imaturidade crônica; 3- sua conduta agride aos princípios da empresa e 4- o moço tem metas pessoais duvidosas.

(Real motivo: chama o chefe de corno e fotografa as coxas das clientes na surdina).

a mais profunda cópia

Me ensinaram uma técnica moderníssima para não cumprimentar aquela visita indesejada na empresa: enfiar a cara dentro da máquina de xerox.

Além da dispensa de "oi" e "tchau", você ainda pode argumentar que está tirando uma cópia do seu eu interior.

neste vale de lágrimas

Tem dias em que venho à empresa pra deliberar, noutros dias venho pra formatar as idéias, conferir-lhes o mínimo de ordem careta.

E as vezes eu venho pra empresa pra chorar. Simplesmente trancar a minha sala e chorar.

Qualquer produção tem que ser gerada a partir de uma verdade indissolúvel. Logo na contratação eu aviso aos colegas: se a sua verdade é dormir até as 15h todos os dias, pois então d-u-r-m-a.

Mas quando chegar, revele-se. Saia do limbo profissional. Cause. Aconteça.

Nos dias em que minha produção é choro, é nisso que me concentro, até as 18h. E ai de quem me interromper. Demissão por justíssima causa.

ballroom

Convidei uma professora de dança de salão pra ensinar uns passinhos pros colegas lá na empresa. Foi uma coisa imprevista, fora de qualquer agendamento ou aviso prévio.

(Eu sei dançar estas coisas - e ritmos me atraem normalmente - e facilmente).

Também não previa a revelação de muitos pés-de-valsa e surpresas do tipo "estagiários-com-menos-de-20-anos-que-são-exímios-maxixeiros."

Fico certa de que quando a gente descobre alguma aptidão adormecida, cabe neste momento uma dose de "metidez". Ser metido não significa chutar a canela do parceiro, propositadamente. Nem arrogante a ponto de dispensar a condução do "cavalheiro".

Ser levemente metido significa que o maestro pode mandar a música, que a gente baila. Baila lindamente, com ou sem par-constante.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

rodas-gigantes, cérebros idem

O que me fascina num ambiente de estranhas ofertas de pouco-cérebro e muito anseio salarial é encontrar pessoas que estimulam um estudo de caso.

Segundo os colegas psicólogos da minha equipe, as escolhas dos profissionais que trabalham comigo estão diretamente condicionadas à forma como estas pessoas pensam.

Verdade.

Porque trabalhar aspectos técnicos num cara qualquer, a gente consegue. Ensinar a pensar, não.

Ou sabe ou num sabe.

dentro de mim bate uma curiosidade

Estive reunida com alguns executivos e um terapeuta holístico que foi contratado (glup) por uma empresa pra desenvolver um troço lá que ele chama de adequação de energia do ambiente.

Comigo é assim. Se tocar valsa eu valso, se tocar funk eu vou até-o-chão. Em termos de adaptabilidade sou a própria mulher borracha.

O único momento em que me senti desconfortável foi quando o Dr. Floral me perguntou porque eu sou tão falante e sorridente. E porque eu me chamo xxxxx*, e porque o céu do meu mundo é azul.

Eu respondi educadamente. E também perguntei porque os periquitos quando comem batata com curry têm diarréia. Eu também tenho as minhas curiosidades holísticas, uai.

domingo, 17 de janeiro de 2010

o efeito de reger (again)

Ninguém na minha empresa concorda quando eu digo que emibiêi não serve pra bosta nenhuma em certas ocasiões.

As instituições de ensino podem até oficializar alguma coisinha que caiba num canudo, mas educação por princípios é dever lá de casa.

(Eu nunca tive aula na faculdade de "Gestão Moderna de Sistemas Motores: como não colocar os pés sobre a mesa do escritório, módulo I". Pelo menos não que eu me lembre.)

o efeito de reger

Regimento interno é uma coisa bem arcaica. Do tipo "criancinhas, é desejável que vocês não coloquem o dedinho nas tomadas, meus anjos."

Eu sempre opto pelo caminho da educação/formação de base que dispense qualquer lembrete espartano. Sei que não é fácil impor consciência suiça em comportamento brasileiro, mas alguém tem que peitar este esforço.

A começar pela coisa do "regimento" que só traduz em normas uma política nem sempre coerente.

Talvez porque eu seja preguiçosa, e como tal, penso que os pressupostos são t-u-d-o. Acho um pé no saco oficializar num documento que a vaga do cliente, por exemplo, não deve ser usada pelos funcionários da empresa. (...)

enquanto isso...

Do blog da Dani* e da genialidade do Millôr:

"Eu sofro de mimfobia, tenho medo de mim mesmo.
Mas me enfrento todo dia."

[Millôr Fernandes]

compreensão brochante

A gente sabe que chegou num grau máximo de feitos lendários quando os pais sentam pra conversar já falando "minha filha, se você quiser virar padeira, ou sei lá, comprar aquele Puma GT e viajar ali pra Sidrolândia... papai-mamãe vão te apoiar, ok?"

Eu só queria falar que a empresa, a vida amorosa, os planos, tudo vai indo bem.

Tá certo que não tenho mais idade pra rebeldia, mas meus pais são tãoooo tolerantes que isso até me frustra...

sábado, 16 de janeiro de 2010

se perguntarem por mim, digam que eu s-u-m-i

"Pra quando é este neném??" - perguntou minha mãe toda faceira, acariciando a barriga de uma das minhas maiores clientes.

E ela retribuiu, docemente: "Dona Mãe da Monga, não estou grávida. Estou gorda, mesmo."

(então eu vou dar um pulo no Haiti pra ver se dou uma morridinha básica e já volto...)

até a fessora se apavora

Quando eu era estudante nunca reparei no sortimento de capas de caderno, estojinhos com estampa florida ou post-it com cheiro de limão.

Aliás, eu quase nunca tinha caderno e levava uma flauta pras aulas só pra encher o saco. Fui suspensa um milhão e setecentas mil vezes por "conduta inadequada" (que injustiça...)...

Hoje fui comprar materiais de escolinha pra dar de presente a uma menininha e fiquei rosa-chiclete! Tantas opções de lápis, borrachas, etc. etc...

Calculo que este mercado deva movimentar uma grana preta, porque o mesmo caderno com uma capa blasé = 15 reais. Com uma capa da Hannah Montana = 3.657, 53 reais (ou quase isso).

To pensando em licenciar alguns bloquinhos da Monga. Será que alguém compraria?

e por falar em caminhões

Agora dei pra exercer uma mediunidade sabotadora.

Penso num cliente e plim! Ele aparece no restaurante onde estou, ou no supermercado, ou no shopping. Porque não basta falar em trabalho, o trabalho tem que agir persecutoriamente.

A prova cabal foi que desci do meu carro, vi uma pick-up enorme, estilo big foot, estacionada ao lado e pensei "ah... o zé-breguice ia amar este carro".

No instante seguinte, ele, a patroa e as criancinhas saltaram do veículo.

To com medo.

vale quanto pesa ou pesa quanto vale?

Quando eu ouço a frase "tal pessoa ou tal coisa é muita areia pro meu caminhãozinho" eu sempre penso o seguinte:

Tá. Vamos inverter.

E se a areinha for "muito pouca" pro meu caminhãozão?

Porque o sucesso não tem a ver com o tamanho da carga ou do veículo, mas com o valor de ambos.

haja paciência!!!!

Ao me dirigir a um quiosque no shopping pra pedir informações, me deparei com a cena ao lado: a senhora-funcionária estava jogando paciência, ora veja!
Que absurdo...
... eu precisando de alguém na empresa pra me ajudar a melhorar meus índices no joguinho e esta pessoa mal aproveitada num estabelecimento qualquer!!!
Ah!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

cacofonia medonha

Olha pípol... não sou das mais rançosas com a linguagem, nem poderia, porque vez ou outra eu falo umas merdas (e ainda as registro em ofícios, cartas e relatóriusss). Mas se tem coisa que me azeda é frase que dá a entender outra frase, em função dos ganchos. A "boca dela" então, me tira o sono...

Pra piorar, escuto esta pérola:

"Monga, só confio em você."

Eu: pode socar o fio noutras bandas, tchê.

posso perguntar?

Ouvi de um colega evangélico fervoroso:

"A fulana quer arrotar na empresa que se converteu a minha religião mas eu sei que ela era uma promíscua que vivia drogada, na sarjeta."

A pergunta da executiva Monga e ignorante-religiosa:

Converter não significa modificar alguma coisinha? Transformar? E não é bom que ela tenha sido "salva"?

Ah! Mais uma perguntinha.... quem precisa ser "salvo" de alguma coisa, a propósito? (só por curiosidade...)

com meus votos de sucesso

Abraço de irmã pra Isa*, minha amiga blogueira (Blog do Rádio Carioca), companheira de reflexões espirituais e pessoais e agora JORNALISTA formada e encanudada.

(Querida, diploma na mão certa sempre vai ser importante. Parabéns pela vitória!)

vamu pulá, vamu pulá, vamu pulá, vamu pulá

Descobri que admiro muito os funcionários públicos ou as pessoas que acreditam que têm vocação PARA. Ou que apostam tudo numa aprovação em concurso.

Admiro mesmo, do verbo ADMIRAR.

Não tenho disciplina pra estudos sistemáticos, não tenho paciência pra serviços contínuos e iguais e não tenho perfil pra nada que inclua a minha manutenção num espaço geográfico único.

Sem contar a tal da estabilidade, porque nem no leito de morte eu desejaria algo estável pra mim.

Eu sofro de hiperatividade multisetorial pessoal, ou seja, adoraria ser "piloto de prova" de camas elásticas.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

instrutivo e lúdico

Precisava traçar um planejamento e escolher video-aulinhas pra um grupo que está sofrendo a minha consultoria.

Eram tantas opções enobrecedoras e úteis, que foi difícil eleger uma proposta logo de cara. Consultei meu pedagogo organizacional favorito e juntos decidimos:

Exibiremos episódios de "Todo mundo odeia Chris."

Mó legal!

Ka, posso furar a fila?

Minha amiga Ka* e eu costumamos dizer que se nada der certo nesta vida a gente simplesmente empacota os corretivos, os esmaltes e cuecas femininas da Dior e se apavora rumo à São Thomé das Letras, em Minas Gerais.

Ficaremos lá sentadas na Pedra da Bruxa, porque lugar melhor não há "quando tudo está perdidooooo".

Ontem ficamos sabendo que existe uma pousada pra arrendamento. Baratinha, limpinha e gentil.

Então, vida-minha, empresa-minha, amor-meu... se pintar dor... já tenho esconderijo!

quem voa não teme

A situação do Haiti acabou comigo e a morte da Zilda Arns me empurrou a uma reflexão enorme.

Especialmente quando ouvi seu filho falar "se minha mãe soubesse que seria atingida por esta tragédia antes de ir lá levar sua mensagem pra'quelas pessoas, ainda assim ela teria ido."

Perdi uma figura importantíssima no meu imaginário sobre mulheres fodásticas.

Mas ganhei um exemplo insubstituível pro conceito de LIDERANÇA.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

pense-se!

"A maior tragédia industrial foi separar o trabalho da vida."

(Waldez Ludwig)

compulsão corporativo-alimentar

Quer saber se algum quitute que você oferece na empresa está vencido? Se aquela bolachinha fuleira deu fungo, ou se o café é de quinta? Precisa de avaliação quanto às balinhas da recepção?

Me chame pra uma visita.

Por onde passo eu vou consumindo o que vejo pela frente. (Antes mesmo de dar bom-dia pras pessoas...)

Impressionante.

me deixa (que hoje eu to de bobeira)

Diálogo previsível, de uma executiva mais previsível ainda:

Pessoa-sabichona: - "Monga, dá impressão as vezes que você quer salvar o mundo!"

Monga-eu: - "Dá a impressão? Que pena! Não tem como dar certeza de que eu quero salvar o mundo?"

Uhu.

compaixão, meu filho, vem antes do cifrão

A maior dúvida de um gestor é se, durante a consultoria, ele deve e pode demitir alguém. Particularmente eu e meus colegas executivos aconselhamos que não, pois isso fere a base de valores que procuramos fortalecer durante as mudanças.

Hoje ouvi um contra-argumento aflito "Maaaaassss Mongaaaaaa!!!! Pra que vamos nos preocupar com a imagem que alguém tem da empresa, se esta pessoa estiver saindo da empresa???"

Porque esta pessoa é uma pessoa. E pessoas vem antes dos processos.

E porque nossa preocupação é com quem fica. Não é possível a gente convencer a um grupo a produzir com qualidade se eles perceberem que não ligamos a mínima pra seres humanos.

"Saída" ou "entrada" são só plaquinhas na portaria.

só quero saber do que pode dar certo

Hoje descobri a primeira limitação motora e sinestésica que meu problema neurológico deixou de herança. Juro que não pensei que seria tão rápido, mas saúde é um grande mistério e vamo que vamo.

Por alguns instantes avaliei de que forma isso poderia intervir na minha vida. E na escala de valores, a primeira preocupação envolve a pessoa que eu amo.

Em segundo lugar, pensei na pessoa que eu amo. E em terceiro lugar, na pessoa que eu amo e com quem escolhi ficar até a velhice (sim, sou baita piegas...). Como a opção carreira não apareceu entre minhas necessidades vitais já posso começar a pensar na aposentadoria compulsória.

(E posso sorrir. Sempre, sempre).

e fodam-se as normas

Perguntei pra um administrador que há muito me pede uma vaga de trainee:

- Qual a coisa mais importante na sua vida?

Ele: - Meu filho! - (com os olhos marejados)

Eu: - Tá contratado!

me dei por vencida

A gestora de finanças que trabalha comigo foi mais criativa na hora de definir a estrutura deste novo projeto, ao passo que eu fui mais molenga.

Segundo ela a síntese do que ofereceremos é "não basta trabalhar só com as necessidades de quem procura um emprego. Temos de trabalhar também com quem oferece as vagas."

"Trabalharemos com os precisados e com os precisantes."

Me poupou o esforço marketeiro.

novidades no ar

Com algum esforço e sobretudo com excesso de maluquice, adquiri uma empresinha nova.

Não sei o que fazer com ela ainda, mas brincar de descobrir, me agrada.De certeza, posso antecipar que trabalharemos com convites e acompanhamentos.

Convidaremos as pessoas a trabalhar e as acompanharemos no mercado de trabalho.

Acho que o nome disso antigamente era RH. Ou recrutamento e seleção.

Alguma caretice dessas.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

genialidades sobre a genética

Bastante intrigada, a funcionária me indagou:

"Monga, os chefes aqui da empresa são gêmeos vitalícios?"

Eu pensei... pensei... e bocejei:

"Olha, a menos que um deles morra antes, são vitalícios sim."

:)

prioridade é comprar canequinhas

Cliente recebe seu cartão do BNDES e se empolga no traçado de planos.

O verbo regente que até ontem era "conter" hoje é "comprar".

E chama a copeira pra trazer cafezinhos (porque executiva Monga só brinda com cafeína) e juntos celebrarmos este momento "desatolando a gente chega lá".

Aí eu estrago a alegria contagiante, porque posso até engolir toda sorte de privações emocionais e financeiras em prol de um projeto, mas brindar em copinho de requeijão NUNCA.

o pavão misterioso (parte II)

Depois que passa a raiva, a alegria segue o curso. Não minimizo a dor de ninguém, mas é notório que não me permito olhar pra espinhos por muito tempo. E vou puxando a galera pra sorrir comigo (punimos a angústia com excesso de felicidade).

Pensei que se soubesse antes desta "atividade extra" do moço teria indicado uma vaga no setor dele pra uma amiguinha necessitada.

(E com certeza nesta hora ele estaria me chamando pra prestar queixa do assédio DELA!!hauahuahauahaua)

o pavão misterioso

Não rolou uma surpresa quando esta Senhora me falou quem foi o rapaz que a molestou (vide post abaixo). Se eu disser que não avalio as pessoas por intuição estarei mentindo duplamente: pra mim e pra vocês. Alguma sirene irritante disparou em mim desde o primeiro instante em que conversei com este funcionário.

Mesmo assim, resolvi reler meus relatórios íntimos de impressões sobre as pessoas da empresa e lá estava...

"Funcionário W.....* = reticente, incoerente por vezes, de uma ironia desconcertante e inclinado a associar situações de trabalho com a vida sexual das pessoas."

(Foi uma prova pessoal que me confortou, afinal, nem só de subsídios técnicos vive uma executiva...)

o terror silencioso

Não basta enfiar o dedo na ferida, tem que propor tratamento.

Uma das frases mais recorrentes no meu cotidiano é que eu não costumo vender band-aid's. Quem estiver disposto a uma cura por princípio endógeno e quiser consertar as coisas desde as entranhas, aí sim eu posso contribuir.

A pele é a última camada - sempre.

Pela primeira vez me vi às voltas com uma situação de assédio sexual pesadíssima num ambiente corporativo onde estou trabalhando. E a Senhora vítima desta truculência, já com seus 50 e poucos anos, escolheu a mim pra relatar o fato.

Evidentemente tomei minhas providências cabíveis. Sem execração, mas com punição.

E trataremos os adoecidos (tanto a vítima quanto o algoz).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

vivendo de mesada

Ninguém entende porque chamo o pai de uma amiga de "Sr. Highlander".

A explicação é simples e indolor: se ela com quase 40 anos nunca se manifestou no sentido de obter sua independência financeira é sinal que acredita que seu paizinho é imortal.

Né?

num raio de meio metro

Muitos colegas recorrem à emblemas históricos pra falar de pessoas que usaram a inteligência à serviço da crueldade, como se isso plasmasse melhor certos exemplos pros funcionários em treinamento.

De Hitler à Muamar Kadhafi, eu nem chego a passear entre a Alemanha e a Líbia.

Fico ali pela esquina, mesmo. Até o dono da maior rede de supermercados que proibe o operador de caixa a sentar ou beber água durante o expediente, já serve de anti-cristo empresarial.

(Ok. Ok. Ok. Isso é só crueldade. Inteligência passou looooooonge.)

mesmerizando

Tantas conversas cansativas sobre quem concentra maiores doses de poder decisório que acabei provando pro cliente que isto nem faz diferença na prática.

Na sua empresa, o dono do cetro é aquele que tem poder "influenciatório".

(É quando as decisões são apenas o registro oficial do que alguém já manipulou).

;)

domingo, 10 de janeiro de 2010

o valor da comunicação

Conheço gente que caminha 3 km numa fazenda pra ter sinal da operadora telefônica e conseguir f-a-l-a-r com alguém e conheço gente que não dá dez passos pra falar com alguém da sala ao lado.

A diferença entre ambas as situações não tem a ver com distâncias.

Na escala evolutiva em que se encontra cada indivíduo, a sua linguagem obedece ao valor do seu conteúdo.

glicerina corporativa

A maior lição sobre aconselhamento de carreira a gente aprende lavando a louça de domingo.

Quando o executivo - ou seja lá que profissional for - estiver confuso e cheio de molho ressecado por todas as reflexões que deixou no forno emocional por horas, a gente pega um detergente bom, mistura num tantão d´água e coloca o refratário de molho dentro da pia.

Na hora em que as crostas descolarem, a gente consegue novamente um vidro limpinho e transparente.

Assim é a consciência da condução de carreira. Sujou, lavou, tá apta pra qualquer receita.

consultoria de caminhoneiro

As constatações óbvias que adoramos....

"Hemorróida e salário alto, quem tem, esconde."

banho de arroz agora não é só pra noivos

Entendo nadinha de budismo, islamismo, parasitismo e afins. Ocorre que no quarto da Doutora Minha Mãe Biológica há uma imagem clássica de Buda sobre um pratinho com arroz cru.

E minha sobrinha* de 3 aninhos volta e meia pede pra "vovó mais arroz pra por no Bunda!"

Hoje leio no blog da Rosana Hermann sobre uma prática pra salvar celulares e eletrônicos molhados, que parece bem eficiente. Segundo ela deixando por algumas horas o objeto molhado-suado soterrado no arroz cru, ele recupera a vida útil. Pensei em muitas situações de adequação disso aê. Se virar moda, já já os spas criarão os banhos de "arroz nobre" (sim, porque tudo depende do apelo chique).

Vou contar pra Julinha* que a titia não vai mais rir sobre Budas, bundas, suor e arroz.

sábado, 9 de janeiro de 2010

incentivo ou deboche, minha filha?

Tenho visto uns carros cor-de-rosa circulando pela cidade e alguém me disse que é prêmio de produtividade de uma destas empresas enlatadas. Dessas que vendem shake, blush ou sabão em pó. E só mulheres que recebem este mimo (super discriminação, gente...)

Sinceramente se meu incentivo num programa de desempenho e metas fosse ganhar um Astra (e desta cor), eu tava ferrada.

(Tentaria trocar por um patins ou uma prancha de surf nova - que eu to precisando à beça.)

enquanto seu Lobo não vem

Sinto falta daqueles vendedores ambulantes que vendiam de porta em porta.

Bateu aquela necessidade de comprar aquilo que não preciso. Sei lá, uns baldes de plástico vagabundo, umas cadeiras com estofamento florido...

Ou então é pretexto pra conversar com estranhos. Isso sempre estimula minha criatividade.

troca o filtro, pelo menos!

Desemprego é uma triste cena, porém, tenho tido a chance de sopesar e reconsiderar este dado de realidade.

No meu quadrado executivo tem pintado muitas vagas. Me sobram pessoas muito interessantes e poucos interessadas.

Eu falei interessadas.

Parece que não é só o ar que é c-o-n-d-i-c-i-o-n-a-d-o. As pessoas também são. Especialmente condicionadas à preguiça.

circulando - segundo ato

Vou registrar na memória a expressão de felicidade deste moço (recém-formado, com expectativas aos montes e num vácuo de perspectivas doloroso) quando eu falei:

"Aqui não vai rolar a mínima adequação pra sua carreira. A empresa não tem interesse em mantê-lo amigão..." - e guardei uma pausa longa. Silêncio.

E engatei "Maaaaaaaaaaaassssssssss, já arranjei algo pra você, bem melhor, inclusive."

Foi uma situação de felicidade tão genuína que me empolguei no samba.

Momento Globeleza.

circulando

Sapatos e roupas quando não tem serventia no closet eu mando encontrar abrigo em outro corpo.

É a generosidade de abrir espaços.

Hoje perguntei pra um gestor se ele iria de uma vez por todas encontrar finalidade no administrador júnior que estava ocioso. Ele sustentou que NÃO. Nada mais natural que eu conduzisse o rapaz a uma vaga excelente que caiu no meu colo - lá em um reino distante do paraíso corporativo...

Chefes que misturam colaboradores com entulho de obra não me agradam.

Neste caso, final feliz. Eba-eba.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

não gabo o burro antes de passar na lama

"Monga, você está enfatizando tanto as qualidades deste funcionário com a intenção de que eu o contrate, que certamente esta pessoa é da sua família, não?" - indagou meu cliente-empresário.

(Na na ni na não. Prova maior de que este serumano não é da minha família é eu ter este excesso de formosura ao promover suas características. O que intensifica a tese é que eu usei bastante a expressão "é uma pessoa equilibrada".)

aqui o sistema é bruto

Numa relação social, familiar ou amorosa qualquer, as pessoas tendem a buscar eco pros seus gemidos. Ouvidos pras suas lamúrias. E parceria pras suas tiranias.

Na empresa também. Consultores sempre são submetidos à pressões.

Se há uma sociedade constituída, um dos lados quer usar a consultoria pra implantar os anseios pros quais nunca foi atendido. O nome disso é tentativa de manipulação.

Meu pai questionava, no almoço, como eu iria proceder. Respondi tecnicamente - ao que ele sugeriu " Não é mais fácil você mandar este povo à merda?"

Alguém me entende! Eeeeeee.

em nome do amor

Na hora em que ia dispensar o funcionário que estava em treinamento, escutei sem querer um telefonema dele informando a um parente que vai casar, porque finalmente saiu da fila dos desempregados.

Aí eu pensei. O motivo da dispensa era a pouca iniciativa. A inércia constante.

Mas... já que eu soube que ele vai construir uma vida com alguém, resolvi usar este projeto pessoal dele como estímulo. Vou dar uma chance ao moço.

E uma big chance pro casal, inclusive.

cada um com suas medalhas

Os critérios das pessoas são mesmo bem variados. Uma executiva me apontava "adquiro meus bens de consumo pelo valor de mercado... o carro... o imóvel, os eletrônicos... não importa meu gosto e sim quanto eles valem pro comércio."

Eu já sou o contrário. As coisas tem que valer especificamente, aquilo que só valem pra mim. Nunca dei bola pra valor "do mercado".

A não ser que mercado seja o nome alternativo do meu desejo íntimo.

não tem como manter o nível

Quando não se tem certeza deve-se manter a retidão das opiniões.

Presenciei o "sepultamento da moral" de uma mocinha que trabalha no shopping, numa dessas lotéricas. Uma cliente histérica a chamava de "ladra", de "trambiqueira" e outros adjetivos do gênero - tudo porque a tal cliente afirmava que o troco estava errado e lhe faltavam 50 reais.

Depois de um excessivo manifesto, a mulher se calou. E eu, por sorte, ouvi quando o marido lhe murmurou "Meu bem, fizemos a conta errada... o dinheiro está comigo."

Mas ah! Certas coisas "caídas" no ouvido de uma Monga com sede de vingança.... uuuuuuuu.

Bafão em nome do Bem. Faça o que quiser, mas não humilhe nenhum trabalhador na minha frente. Grande chance de barraco irracional.

poetando em 5 minutos e trabalhando em 20 horas

Displicência é muito pior do que uma agressão.

Um grande lago de silêncio é a mais terrorífica encenação do caos. Quando eu canso, pra valer, assim na versão full do cansaço, eu fico catatônica.

Sempre falo pros colegas que me tragam pepinos (muitos, vários) preferencialmente em saladas inéditas.

E que se atentem pra minha regra fundamental de convivência... erre de propósito, quando estiver com a alma quebradiça. Mas não erre pela tal da displicência.

Porque toda displicência é uma forma de abandonar as mensagens importantes.

sobre rodas e ciclos

Passados tantos anos da minha infância continuo apreciando parques de diversão...

O sabor da brincadeira não se envergou no meu exercício profissional.

Importante é o que gira. Topo ou chão nem é mais uma questão de merecimento. Faz parte da dinâmica do "brinquedo"...

(Jenny*, obrigada pela foto. Lov U.)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

yeah, I am

- Monga, você é daltônica por acaso??? (cara de xi, esta executiva mistura as cores pessimamente).

Eu: - Sou, desde que fiz uma neurocirurgia (verdade absoluta, gente).

- Ai, mil perdões. (cara de xi, falei besteira-fui-indelicada)

Mal sabe a colega que esta é uma desculpa muito confortável pra eu usar fúcsia com verde limão.

Delícia.

em más companhias (segundo ato)

Consultar opinião de mãe sobre carreira é igual fazer exame de DST.

Depois que você fode tudo é que resolve ouvir alguém.

em más companhias

A candidata a uma vaga na minha empresa falou que precisa consultar sua mãe pra saber se aceita a minha oferta.

Já conheço este lero-lero. Na hora em que "a senhora mãe da moça" me conhecer, acabou a chance de carreira comigo.

Eu sou péssima influência.

a ocasião faz o bobalhão

Ainda hoje presencio no ambiente corporativo o exemplo clássico de conduta medieval. Conduta esta que parte de sentimentos de igual monta. Medievais, inapropriados e toscos.

Testar o caráter de um funcionário formando arapucas que envolvem dinheiro é fim de carreira pra qualquer gestor. Por vários motivos. Nenhuma ocasião faz nenhum ladrão. Eles se fazem sozinhos.

Há outras formas de analisar a conduta alheia, porque esta é uma conferência rude do comportamento feita por mecanismos sujos e limitados. Denota na verdade a falta de caráter do superior (mais uma vez lembrando que superior neste caso é apenas a retórica da hierarquia funcional).

Promova testes mais relevantes. Convide seu funcionário pra um trabalho voluntário. Crie uma horta no quintal da empresa. Faça o "dia do circo". Teste e muito. Mas teste as habilidades das pessoas no exercício de seus papéis... hmmm... vejamos... HUMANOS!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

tem coisas que só a Deusa-Mãe explica

Há quatro anos eu conheci uma profissional que fez muita diferença na minha vida. Alguém a quem eu admirei instantaneamente. Eu fui pra um lado da caminhada, ela pra outro. Nos perdemos. Soube que ela se aposentou da Universidade onde lecionava Economia, enfim... Só que nunca a esqueci... e nem das suas palavras fortalecedoras de estima.

E hoje, pela força mágica da vida, falei pra uma colega "eu vou visitar este cliente novo! me deu vontade! Fica aí lendo a Gloss deste mês, querida..."

Lá chegando, era ela. Ela,minha í-d-a-l-a.

Reencontro, surpresa, sorrisos, carinho genuíno. Fechei o melhor negócio da tarde porque abri o coração em felicidade!

carão

Recebi hoje o convite profissional mais aguardado do século!!!

Aquele momento que a gente espera pra caramba, quase desejando que toque Frank Sinatra e vários sinos badalem pelas ruas da cidade.

Ta. Uma coisa bem beesha, mesmo.

E na "hora-Acme" eu fiz cara de tatu-bola. Eu fiz cara de paisagem. De indiferença. Não esbocei um sorrisinho.

(Quando Deus fez o blasé em potencial, eu devia estar na Terra dando capacitação. Só isso pra justificar tamanha postura "an?").

muuuuuuuuuu

"Monga, um consultor me garantiu que traz novos clientes. Que faz o meu comércio bombar. Estava meio inseguro quanto à contratação dele, mas como o mesmo foi convincente fechei o contrato. Você conhece estas táticas que trazem de fato clientes? São eficientes? Quais são elas? Grato, seu leitor Aparecido - Ponta Grossa/ PR."

Ah querido. Este consultor deve ser peão de fazenda - eu suspeito.

A única garantia que eu dou, em consultoria, é que eu não garanto nada.

E pra assegurar a vinda do cliente, assim categoricamente, só usando o laço, tchê.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

ponteiros quebrados

Eficiência é cumprir prazos. Nem precisa de confetes e serpentinas. E prazos são espaços de tempo determinados.

Cumprir uma tarefa complicadíssima entre as 15:20h e as 15:30h não tem a ver com eficiência.

Dez minutos não é tempo.

É esmola do relógio.

é assim que se recebe visitas?

Hoje conheci uma holandesa muito querida, chamada Florence*. É antropóloga, está na minha cidade promovendo um trabalho voluntário destinado à crianças portadoras de necessidades especiais. Estava hospedada na casa de um casal de médicos e este casal foi viajar, assim, subitamente. E a deixou sem teto. Simplesmente não a avisou! Um grupo de amigos, sensibilizado, cedeu sua clínica para hospedá-la e mantê-la minimamente aquecida emocionalmente.

Lá, por uns dias ela terá local decente pra dormir, espaço pra fazer refeições e chuveiro (muito embora eu acredite que será preciso mais do que água encanada pra lavar esta impressão péssima que a moça traz consigo... )

A mim cabe a tarefa de desfazer esta horrorosa idéia a respeito do nosso povo. E sabe... desfazer no fundo a péssima impressão que se tem, independente da geografia, de que as pessoas atualmente são grossas, indelicadas, desumanas e ridículas.

Felizmente não estou neste censo.

cantando no escuro

Um dos grandes traumas da minha vida foi quando a dupla Milli Vanilli teve que reconhecer publicamente que apenas dublava suas músicas - ou seja - tudo uma f.a.r.s.a.

Cantar "girl I'm gonna miss you" era quase um apostolado de dor depois desta revelação bombástica. Eu até chorava.

Já nestes tempos mudernos, executivando e sobrevivendo, a dublagem ganha outra conotação.

Se todos os gestores farsantes reconhecessem que também "só dublam o discurso" de outras pessoas.... pensa só!

Quantos "fãs" iriam às lágrimas da decepção sem fim....

duplo apetite

Pessoa quando tenta explicar o que não tem explicação, quase sempre é acometida pelas manifestações selvagens e constrangedoras do idioma.

"Colega-consultor, você gostaria que este projeto fosse explanado como a Maria faz ou como a Joana faz?"

- Ah... como ambas.

"Como ambas"?

Come nada. Tá com essa moral não.

:P

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

a folha de pagamento não inchou

Nome composto foi feito basicamente pra amedrontar filho. Tipo: "Luis Albeeeerto, anda, menino!".

Pro resto ele é Betinho. Pro esporro não.

Na empresa, o nome composto foi feito pra gente saber que Adriana e Marcela não são duas funcionárias.

É uma só que se chama Adriana Marcela.

Tão simples.

e sempre, e tanto...

Eu sou bem corajosa e me orgulho disso.

É muito fácil brigar pelas idéias num ambiente profissional cotidiano; defender aquilo que se acha coerente ou mesmo garantir a concordância das opiniões. Difícil mesmo é brigar pelos sentimentos.

E eu não sinto nada que NÃO tenha nome. Amor é amor, paixão é paixão, amizade é amizade, tristeza é tristeza, frustração é frustração

Quem não quer dar forma ao que sente, não sabe sentir da forma que eu quero.

que cargo interessante

- Dr. Queridão, qual a função daquela moça aqui na sua empresa?

- Ah... ela é potencializadora de eventos.

- Comassim, Dr. Queridão? Ela trabalha promovendo serviços ou produtos?

-Não, Monga. Fazendo drama por nada e espalhando fofocas.

concurso literário-executivo

Estou aceitando sugestões para meus novos empreendimentos executivos. Preciso de um nome adequado para meus mini-cursos. Nomes são fundamentais. Sem eles não há vida nos projetos.

Não posso chamar de capacitação - porque parece que as pessoas são incapacitadas.

Não posso chamar de treinamento - porque parece que as pessoas são cachorrinhos de circo.

Não posso chamar de qualificação - porque parece que as pessoas são desqualificadas.

Como chamar?

A melhor resposta ganha um livro do Paulo Coelho autografado por mim (sim, porque livro deste Senhor, qualquer Monga pode autografar. :P).

a pressa é inimiga dos carros novos

Um de meus clientes contratou um assessor júnior em caráter emergencial - e experimental.

O "juninho-novato" por sua vez, não esperou a avaliação, muitoooo menos a regularização ( leia-se formalidades contratuais ) e fez o que??? Foi lá e comprou um carrão financiado.

Contou com "o ovo no carburador".

O meu cliente desabafou: "não sou responsável pela precipitação de ninguém. Além do mais, ele se mostrou leviano e presunçoso."

Verdade. Se enfiou num poste gerencial tremendo. E amassou o carro e a moral.

domingo, 3 de janeiro de 2010

cuspida e humilhada

Na minha casa, como diz a minha querida amiga Bica*, "é deste jeito!".

Significa que as pessoas são toscamente felizes assistindo aos filmes reprisados na Globo domingo a tarde. E sugerem que tal como o Will Smith, eu abandone o aconselhamento executivo para me dedicar ao aconselhamento amoroso.

- Posso saber por qual razão, gente?

Todos, em coro:

- Porque você é genial pra palpitar na vida afetiva das pessoas!!! E até hoje só fez cagadas na SUA!!!

(mal sabem eles que estou na melhor fase executiva-amada... ai ai)

"daí então eu fiquei aliviada" (parte 2)

(Falando baixinho, porque falar palavrão é muito feio)...

Me ocorreu que as vezes não basta tirar o cú "da reta".

Na empresa as vezes é preciso tirar o cú da fofoca.

L-i-t-e-r-a-l-m-e-n-t-e.

"daí então eu fiquei aliviada"

Por email um colaborador de determinada empresa me contou que adotaram uma sugestão informal saída da minha boquinha linda.

Criaram no calendário organizacional o "dia da confissão". Que eu lembre era pra ser o momento em que cada pessoa contava alguma particularidade de sua vida pro grupo como pretexto de integração, revelação, acolhimento. Um exercício de conhecimento coletivo. Tanta coisa sobre os colegas que a gente não sabe, né? E que as vezes pode fazer falta na compreensão e na tolerância.

Mas daí o povo se reuniu pra contar quem-transou-com-quem. Da chefia ao fornecedor.

Primeira coisa que pensei: "alguém da minha família trabalha lá? meu amor? não? Ufa."

fazer o que, se é isso que me sobra...

Minha família tenta me convencer de que tenho usado demais o telefone.

Na realidade é um hábito mais recente na minha vida. Sempre abominei com todas as forças uterinas. Acho um veículo pálido, tenho mil traumas infantis e uma série de fragilidades que envolvem comunicação sem corpo. (Voz serve pra pouco quando a lacuna é muita).

Sinto falta de conversas ao vivo. Porque eu sou meio polvo. Meus braços, meu corpo, tudo se comunica junto comigo. Pra ajudar, minha mãe sugeriu que ganharei uma "labirintite" por conta do excesso de horas-telefonadas.

Sem perigo. Única tontura é na hora de pagar a conta.

porque me deu vontade

Estou me preparando pro doutorado. Desconheço, contudo,o motivo.

"Dra. Monga" não é exatamente o rótulo que almejo pra minha vida. Mas me atirei na idéia. Uma amigona que é professora no curso de Cinema me indagou qual será minha linha de pesquisa, quem será meu orientador e qual meu objetivo.

Por (des)ordem:

Minha linha de pesquisa está clara: é alguma coisa que ainda não defini.

O orientador está escolhido. Preciso avisá-lo, porém. (E torcer pra ele aceitar).

E quanto ao objetivo.... simples. Não-sei.

vamo nessa

Amanhã recomeça a pajelança corporativa.

Tamo lá, dançando em volta da fogueira. Mais uma vez - amém.

Única coisa que salva é ficar aqui preparando meu material de pós-férias ouvindo o Akon e a Negra Li, gatos, chiquérrimos, embalados pela batida de beautiful.

Dá uma revigorada instantânea, melhor que RedBull.

sábado, 2 de janeiro de 2010

voce tem SONO de que?

Quando eu fazia faculdade de Engenharia (lá na época em que a Hebe Camargo era virgem) bastava pegar um livro de Cálculo Integral que o sono me dominava.

Era meu lexotan matemático.

Agora o sonífero se chama "relatório de perfis". No segundo Zé que eu foco minha leitura, adeus.

"Só amanhã de manhã."

e exija nota fiscal

Odeio gestores que não justificam de maneira clara o porquê da dispensa/demissão de alguém.

Bruta falta de noção.

É o complexo de Ben Harper-Vanessa da Mata. "É só isso-num tem mais jeito-acabou-boa sorte".

Exija seus direitos de ser diminuído - se preciso for. Pensando bem, já que você está de saída, seja mesquinho. Não deixe nada nas gavetas da antiga sala. Leve tudo que é seu!!!!

Até as opiniões a seu respeito.

gritos do silêncio

De nada adianta ouvir atentamente aquilo que os fregueses expressam e não ouvir o que os balconistas falam. Empresa ou armazém, a regra é a mesma.

Pra quem quer o mínimo de adequação na sua forma de guiar a locomotiva empresarial a principal investida é no exercício da escuta.

Nada de câmeras, aparatos de áudio,eletrônicos de supervigilância.

Ouça. Ouça. Indague.Peça opiniões. Ouça novamente. Mas ouça aquilo que sai dos pensamentos das pessoas. Jogue a fita do sistema de segurança no lixo.

Ela serve pra assaltos e balas perdidas, mas faz muito pouco pelas almas que trabalham silenciosamente.

o cálculo do amor

Pra cobrir o rombo da saudade, indico uma nova política econômica.

Pagar com juros e correção "amoretária".

(Pra todas as outras transas e transações, existe o Mástercárdi).

o soldado-executivo

A situação é a seguinte: você tem um bom emprego. Desejado pelos amigos. Invejado pelos inimigos. Você ganha bem, viaja duas vezes por ano, tem um filhote de golden retriever.

Ninguém sabe é que você, todo dia pela manhã, não vai pra empresa.

Vai pro cativeiro.

A liberdade de jogar futebol no barro, lá na pracinha da infância, com a mesma turma de amiguinhos da 5ª série vale mais que o terno italiano, amarrotado de frustrações. Pruma vida feliz não se paga resgate.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

tira essa moldura que eu não me enQUADRO

Festa de reveillon onde só pintam executivos e executivas é pracabá.

Num guento, peço trégua em 3 instantinhos. Aquela mulherada taxiando na pista pra exibir as turbinas de silicone e os carinhas loucos pra se gabar da última viagem a Dubai... não, não e não.

Peguei meus trapinhos sem grife e fui brindar noutra freguesia.

Já que sou amada e irradio esta simpatia que Deus me deu (e estou em dia com minhas obrigações fiscais; também vou a missa diariamente) é justo que eu possa dormir cedo enquanto o povo brinca de Wall Street tupiniquim.

ainda bem que todo mundo me chama de bunita

De um amigo executivo:

"Exótico (a) é tudo aquilo que a gente não tem coragem de comer. De pratos à pessoas."

feliz ano novo pra você também, bambino...

Esta história de cliente ligar pra desejar "feliz ano de 2010" é tudo mentira.

O cara liga na verdade pra aproveitar o gancho e confirmar a reunião de segunda-feira, dia 04. E pra saber se está tudo ok com o planejamento organizacional afinal ele-mal-pode-esperar-pra-conferir-as-mudanças-sugeridas.

Seria tudo relativamente simples se eu não fosse este ser escroto de 1,70m.

"Querido, talvez eu tenha que desmarcar. Vou fazer uma cirurgia imprevista, mas eu ligo confirmando. Na minha ausência mandarei aquela executiva interina que vc adóóóra".

Desmarcar nada. É só pra irritar. Delícia!

joguei água oxigenada na cruz

Mais triste do que ter uma irmã loira é esta irmã loira morar fora do Brasil inviabilizando que eu lhe dê uns tabefes.

Acaba de me contar que alguém lhe recomendou o livro "Marley e eu" (certamente porque a pessoa conhece bem sua capacidade cognitiva à meia-bomba) e que ela nem quis procurar porque ela não curte reggae.

- Bixaaaaa.... O que "reggae" tem a ver com isso????

Ela, calmamente: "tchê... não é uma biografia do Bob Marley, escrita por alguma amante ou coisa assim?"

Respira Monga. R-e-s-p-i-r-a.

cala a boca, Raul!

Nem sempre a liberdade de comportamento quer dizer que NÃO somos burocratas.

Eu sou burocrata ao extremo. E a culpa é toda do Sr. Seixas.

Fiquei com aquele refrão plunct-plact-zuniano por longos anos na cabeça.

"Tem que ser selado,
registrado,
carimbado
Avaliado,
rotulado se quiser voar!"