O Reinaldinho* é o motoboy da maior empresa onde prestei consultoria de carreira. Na primeira conversa que tivemos, ele chorou copiosamente falando da família - e me ganhou no ato. De lá pra cá nos tornamos amigos, porque eu não sofro da patologia executiva mais comum: necessidade de parecer um iceberg organizacional.
Depois de meses sem contato,encontrei-o hoje e me assustei com a cena. Sua face está totalmente desfigurada por conta de um tiro, disparado numa briga de trânsito. Para proteger a filha, ele se colocou na frente do atirador.
Fiquei engasgada durante muitos minutos. Uma mistura de sentimentos esquisita. Me pergunto quantos trabalhadores ficam estirados no meio do caminho, por conta da violência, e não voltam pra casa.
Me dei conta de que não estou livre deste projétil. Nem você.