Há alguns anos tive uma vizinha engraçadíssima. Suas bizarrices beiravam o cinematográfico e não raro eu a confundia com alguma personagem de Almodóvar.
A Fátima* era assistente social e adotava uma política personal ao pagar suas continhas diárias, de condomínio, das bijus que adquiria da outra vizinha, do posto, da feira e da farmácia da esquina. Tentava empurrar como moeda valiosa os potes de tomate sêco que produzia na sua chácara. E junto, um texto interminável louvando os benefícios de sua técnica apurada com os mais nobres e saudáveis tomatinhos orgânicos que serviam de matéria-prima.
Era uma gozação do caramba. Fez negócio com a Fátima? Rá. Vai receber em tomates.
Certo dia um de seus "credores" descobriu que os tomates eram colhidos do resto-do resto-do resto do Ceasa e que ela terceirizava a produção porque mal sabia cozinhar miojo.
Conclusão: Street fighter na vizinhança. Baixaria ao sugo.